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Um Grave Desafio a Autoridade Divina

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24092010

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Um Grave Desafio a Autoridade Divina







Um Grave Desafio a Autoridade Divina

Publicado em setembro 22, 2010 por Seventh Day




Naturalmente, uma grande pergunta se levanta na mente de muitos leitores: Se a Bíblia é tão explícita em apresentar a relevância do Sábado para o cristão, como se explica que a maior parte da cristandade observa o domingo em vez do sábado? O tema tem sido discutido em várias obras, as quais indicaremos algumas ao caro leitor no final deste arrazoado. Neste estudo, não pretendemos senão oferecer uma resposta muito sumária a esta pergunta que enche a tantos de justificada perplexidade.

Entre os fatores que contribuiram para efetuar essa mudança, de consequências tão funestas para a Igreja, destacam-se os seguintes:

1. O desejo de muitos cristãos de honrar o dia da ressurreição de Cristo. A candura requer que se admita a legitimidade desse desejo. Sem dúvida, a ressurreição de Cristo era um fato capital na história da redenção. Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã teria sido Sua morte sobre a cruz e vã nossa esperança de perdão e vida eterna. Sem as boas novas da ressurreição, não haveria evangelho a proclamar, e, sem o evangelho, não haveria Igreja cristã. A ressurreição revelou, como nada poderia fazê-lo, que Deus estava realmente em Cristo reconciliando consigo o mundo. A ressurreição é, enfim, a verdade da fé cristã, a suma do evangelho.

Enquanto os apóstolos viveram, não há evidência de que o primeiro dia da semana fosse honrado com alguma solenidade especial. As realidades da fé cristã eram ainda demasiadamente vivas, para necessitarem o fraco suporte de instituições humanas. É provável, porém, que no começo do segundo século de nossa era, quando os eventos extraordinários que trouxeram à existência a Igreja perdessem algo de seu primitivo brilho, cristãos bem-intencionados aqui e acolá fizessem do primeiro dia da semana um dia especial de preces, ou um dia em que se celebrava, de preferência, a Ceia do Senhor. Ninguém pensava em abster-se do trabalho, ainda, no domingo. O sábado continuava a ser observado “segundo o mandamento”, mas o primeiro dia da semana era um dia em que particularmente se lembrava a ressurreição. Gradualmente, o costume se estendeu, e dentro de duas ou três gerações era geral celebrar-se alguma solenidade em honra da ressurreição, aos domingos.

O primeiro testemunho histórico de que cristãos, em algumas cidades do império, estavam observando o domingo, encontra-se na epístola de Barnabé, escrita no primeiro terço do segundo século de nossa era. O autor não deve ser confundido com o Barnabé dod “Atos dos Apóstolos”, que foi o companheiro de Paulo na primeira viagem missionária. A carta foi escrita provavelmente em Alexandria, no Egito, onde era mais pronunciada a tendência de interpretar o Velho Testamento alegoricamente. No capítulo 15 dessa carta, o autor ataca frontalmente a observância do sábado e incidentalmente menciona a observância do “oitavo dia” – o domingo – nos três últimos versos. É importante notar que Barnabé, em sua defesa do “oitavo dia” como dia de guarda, não usou nenhuma das razões habitualmente alegadas desde então para a observância do domingo:

1. Ele não citou nenhum mandamento de Cristo para descontinuar a guarda do sábado.

2. Não citou nenhuma instrução ou prática dos apóstolos que servissem de precedente.

3. Não citou nenhum verso das Escrituras em apoio da observância do domingo, a não ser versos usados em suas teorias das épocas milenais.

4. Não citou nenhuma mudança ou abolição da Lei, como razão para não observar o Sábado.

5. Não citou a ressurreição como razão para observar o domingo.

6. Nem recomendou a guarda do domingo porque o dia fosse chamado “o dia do Senhor”.

O primeiro escritor patrístico a citar a ressurreição como argumento para a observância do domingo foi Justino mártir, que em meados do segundo século dedicou uma apologia do cristianismo ao imperador Antônio Pio. Tanto Barnabé como justino, um de Alexandria, o outro de Roma, são fortemente antijudaicos no tom, e ambos mencionam a observância do domingo em suas localidades. Convém notar que dois dos historiadores da Igreja cristã mais antigos registram essa peculiaridade das igrejas de Roma e Alexandria. Eis o testemunho do historiador Sócrates, ao descrever a situação no quinto século:

“Quase todas as igrejas, através do mundo, celebram os santos mistérios [a Ceia do Senhor] no sábado de cada semana, mas os cristãos em Alexandria e em Roma, por causa de uma velha tradição, cessaram de fazê-lo” (Socrates Scholasticus, História Eclesiástica, V. 22).

Escrevendo na mesma época, o historiador Sozomen declarou:

“O povo de Constantinopla, e de quase toda parte, congregam-se no sábado, bem como no primeiro dia da semana, costume nunca observado em Roma ou em Alexandria” (Sozomen, História Eclesiástica VII. 19).

É de se notar que, o costume de honrar o domingo, introduziu-se gradualmente e que a observância de alguma solenidade no primeiro dia da semana não substituiu de todo a guarda do sábado, exceto nas igrejas de Roma e Alexandria. Além disso, de início, diferentes escritores patrísticos aduziam diferentes razões para a observância do domingo, mas no final o argumento da ressurreição de Cristo no primeiro dia da semana prevaleceu.

2. Outro fator que contribuiu para acelerar o abandono da observância do sábado na Igreja cristã foi o sentimento antijudaico dentro e fora das igrejas. Dentro da igreja o sentimento antijudaico estava relacionado com o fato de os judeus se terem empenhado com acrimônia na condenação de Cristo, e com sua oposição sistemática ao avanço do cristianismo. Acresce a isto o anti-semitismo que era geral dentro do império romano. A popularidade dos judeus, que nunca fora grande, desceu a zero por ocasião da revolta fanática que resultou na destruição de Jerusalém pelo general Tito, no ano 70 de nossa era. Derrotados e dispersos, os judeus reagruparam suas forças sob a direção do falso messias Bar Kochba, e provocaram nova e sangrenta guerra contra as forças de ocupação romanas, entre os anos 132 e 135. A animosidade subiu a tal ponto que Jerusalém foi arrasada uma segunda vez, e os judeus proibidos para sempre de nela se estabelecer. Reconstruída sob o nome de Élia Capitolina, permaneceu uma cidade da qual os judeus foram excluídos durante várias gerações.

O ódio votado aos judeus pela população do Império, dirigia-se não poucas vezes contra os cristãos, por serem com eles confundidos. Ora, uma prática religiosa, que facilmente distinguia dos gentios os judeus, era sua estrita aderência à observância do sábado. Na preocupação de se dissociar dos odiados judeus, cristãos aqui e acolá começaram a arrefecer na guarda do sábado, ou reduziam ao mínimo qualquer manifestação que pudesse trazer ofensa aos gentios ou expor os cristãos à acusação de judaizantes. Naturalmente, essa tendência se foi acelerando à medida que o elemento judaico, tão numeroso na Igreja Apostólica, foi diminuindo, até praticamente desaparecer.

3. Um terceiro fator a favorecer um abandono gradual da observância do sábado, dentro da Igreja cristã, foi o fortalecimento de tendências antinomianas. Mal-interpretando o antilegalismo de Paulo, tão claramente exposto na epístola aos Gálatas, vários elementos da igreja promoveram a teoria de que o cristão está livre da observância das leis mosaicas, inclusive da lei moral. Um estudo desapaixonado, dos escritos de Paulo, tê-los-ia convencido de que a contenção do apóstolo não era com a vigência da lei moral, mas com o ensino de que o homem pudesse justificar-se pelas obras da lei, independentemente da graça divina. Os que se apegam a esse regime, ou sistema de salvação pelas obras, anulam a graça de Deus, e tornam vã a morte de Cristo sobre a cruz. A centralidade da cruz no pensamento de Paulo, impedia-o de transigir com o legalismo tão caro aos judeus, mas tão oposto ao espírito do evangelho.

Na espístola aos Romanos Paulo distingue entre o “regime da lei” (Rom 4:16) e o regime da fé ou da graça. No “regime da lei” o homem imaginava salvar-se pelas obras da lei, isto é, por méritos adquiridos pela obediência à lei. Paulo opunha-se vigorosamente a qualquer doutrina de salvação por méritos humanos. Para ele, como para os demais apóstolos, a salvação ou a vida eterna é um “dom gratuito de Deus” oferecido a todos que colocam sua fé em nosso Senhor Jesus Cristo (Rom 6:23, Efés 2:8-10). Na mesma passagem, porém, em que declara: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé”, Paulo apressa-se a dizer: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras”. Salvos da condenação da lei, os crentes em Cristo são, no mesmo ato, recriados em Cristo “para boas obras”, isto é, são habilitados agora a viver em harmonia com a lei que antes os condenava. A obediência à lei divina não é eliminada. A motivação, porém, agora é outra. O cristão pratica boas obras porque foi salvo e feito nova criatura em Cristo, e não para granjear méritos para a salvação.

Infelizmente, havia na igreja pós-apostólica aqueles que, não entendendo os ensinos profundos de Paulo, torciam seus escritos, bem como “as demais Escrituras”, para sua própria destruição (2 Pedro 3:16). Entre esses figuravam proeminentes os antinomianos, isto é, os que se opunham à lei, qualquer lei, inclusive os Dez Mandamentos. Na sua opinião, a obrigatoriedade do quarto mandamento cessou com a inauguração do regime da graça. Essa doutrina antinomiana, associando-se com a tendência antijudaica alimentada em alguns setores da Igreja, contribuiu para obliterar a santidade do sábado na mente de muitos. Que o abandono do sábado não foi, porém, geral, o testemunho dos historiadores Sócrates e Sozomen citados acima deixa bem claro. Outra evidência está na própria declaração do Concílio de Laodicéia, reunido em meados do IV século, o qual proibiu taxativamente a observância do sábado. Damos aqui o texto do Cânon 29:

“Cristãos não devem judaizar e estar ociosos no sábado, mas devem trabalhar naquele dia; mas devem honrar especialmente o dia do Senhor, e , como cristãos, não devem, se possível, fazer trabalho algum naquele dia. Se, contudo, forem achados judaizando, serão excluídos de Cristo”.

Evidentemente, não haveria necessidade de redigir este decreto, se a observância do sábado tivesse caído em completo abandono a essa altura.

4. Qualquer ocorrência no mundo pagão, que promovesse o prestígio do primeiro dia da semana, concorreria ipso facto para desencorajar a observância do sábado. Um culto pagão, que começou a tomar vulto no começo de nossa era e gradualmente se propagou através do Império Romano, foi o mitraísmo. Combinando elementos da antiga religião do Irã com os “mistérios” de vários cultos pagãos, o mitraísmo promovia o culto do sol, símbolo visível do deus Mitra. Esse culto se tornou muito popular com o Exército romano e com alguns imperadores, tais como Elagábalo e Aurélio. Foi o mitraísmo que popularizou a semana astral entre os habitantes do Império. O primeiro dia era dedicado ao Sol, o segundo à Lua, e os demais aos cinco planetas então conhecidos: Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. Várias línguas européias retém até hoje nos nomes dos dias da semana vestígios de sua origem mitraica. Raramente lembrado é que, antes de nossa era, o ciclo semanal de sete dias era totalmente desconhecido entre gregos e romanos, embora familiar aos israelitas desde tempos imemoriais.

Pois bem, com a propagação do mitraísmo, o primeiro dia da semana ganhou entre os pagãos uma popularidade inusitada. Começou a ser conhecido como o dia do “Sol Invictus”, o dia em que o nascimento do sol era saudado com cerimônias religiosas especiais. Pela primeira vez, cristãos e pagãos tinham algo em comum: a veneração do primeiro dia da semana, o die solis, “dia do Sol”, com a diferença que, enquanto os pagãos veneravam Mitra, simbolizado pelo disco solar, os cristãos celebravam a ressurreição de Cristo, o “Sol da Justiça”. A coincidência foi de consequências lamentáveis para a Igreja cristã, inaugurando aquela série de compromissos sutis pelos quais práticas religiosas pagãs foram ganhando admissão na igreja, erradamente ansiosa de tornar seu culto atraente ao mundo pagão. Na opinião do historiador W.W. Hyde, vestígios da luta entre o mitraísmo e o cristianismo, são reconhecíveis em duas instituições adotadas, pelo cristianismo do seu rival: os dois dias santos mitraicos, vinte e cinco de dezembro, dies natalis solis, “dia natal do sol”, adotado como o dia de nascimento de Jesus, e o domingo, “o venerável dia do Sol”, como Constantino o chamou em seu edito de 321. (W.W. Hyde, Paganismo to Christianity in the Roman Empire – Filadèlfia: University of Pennsylvania Press, 1946, pp.59-61).

Foi nesse ano que o imperador semiconvertido, Constantino, pensando agradar a cristãos e mitraístas de um só golpe, baixou a primeira lei dominical que restringia trabalhos seculares aos domingos. A lei não tem colorido cristão algum, e o único motivo citado no preâmbulo é o desejo de honrar o dia do “Sol Invictu”. Já observara Eduardo Gibbon: “A devoção de Constantino era particularmente dirigida ao gênio do Sol, o Apolo da mitologia grega e Romana… O sol era universalmente celebrado como o guia invencível e protetor de Constantino” (Edward Gibbon, The History of Decline and Fall of The Roman Empire, Vol.2, cap 20 – London: Methuen & Co. 1986, p.291). Não foram considerações ditadas pela piedade cristã que pesaram nas decisões políticas de Constantino. Embora simpático à fé cristã, só se deixou batizar no ano de sua morte. Para constantino, o cristianismo não era primariamente uma fé religiosa única e suprema, mas um instrumento político útil para a consolidação do Império ameaçado de esfacelamento em consequência da estagnação econômica e dos ataques bárbaros.

A chamada “conversão” de Constantino causou um dano irreparável à Igreja cristã. O cristianismo, que se conservara relativamente incólume através de prolongadas perseguições imperiais, sucumbiu ao engodo dos favores imperiais. Dependente até então do amparo espiritual de seu Fundador, a Igreja cristã passou a apoiar-se cada vez mais no braço do Estado para a extensão de sua influência. Abraçando a fé cristã, Constantino deu-lhe um abraço mortal. Dessa união ilícita, da igreja com o Estado, resultou a instituição político-eclesiástica que dominou o cenário europeu durante a Idade Média.

5. As considerações acima nos levam naturalmente ao quinto fator a influenciar a mudança do sábado para o domingo, a saber, a hierarquia católica romana. Se a transferência da guarda do sábado para o domingo ocorreu gradualmente, num intervalo de vários séculos, em que sentido se pode afirmar que a hierarquia religiosa partilha de responsabilidade na mudança?

Cumpre lembra, em primeiro lugar, que a mudança não é autorizada nas páginas do Novo Testamento. Não foi pronunciamento algum de Cristo ou de seus apóstolos que a iniciou. Se o abandono do sábado datasse do período apostólico, a celeuma que esse fato suscitaria com os judeus-cristãos teria certamente encontrado eco no livro de Atos ou nas Epístolas. Muitas questões surgiram no seio das igrejas que iam sendo fundadas, questões estas que foram abordadas por Paulo ou outro apóstolo sob a iluminação do Espírito Santo. Entre estas questões, figuravam a circuncisão, o problema de carnes oferecidas a ídolos, a vigência da lei cerimonial. Em parte alguma, porém, foi a questão do sábado do quarto mandamento motivo de polêmica.

As influências internas e externas, que contribuíram para a mudança do dia de repouso, já foram examinadas, e não precisam ser aqui de novo enumeradas. Uma coisa é certa: Não havia sanção bíblica para a guarda do domingo. Onde estavam, pois, os guias religiosos da igreja pós-apostólica, que nada ou quase ou quase nada fizeram para defender a santidade do sábado? Dos chamados “pais apostólicos”, tais como Clemente, Barnabé, Justino Mártir, Irineu, Tertuliano, etc., vários emprestaram a influência de sua pena à causa do domingo. Os historiadores eclesiásticos testemunham que as igrejas de Roma e Alexandria cedo perfilaram com os que observavam o domingo com exclusão do sábado. Embora o primeiro concílio ecumênico da cristandade, o de Nicéia, reunido em 325 A.D, não abordasse o assunto, o de Laodicéia, que se realizou pouco depois, usou o peso de sua influência a favor do domingo.

A conclusão a que chegamos é que cedo começou a Igreja cristã a experimentar a apostasia da qual Paulo a advertiu em II Tessalonicenses 2, verso 3. Por incrível que pareça, forças sinistras bem cedo estavam operando dentro da igreja para levá-la a afastar-se da fé primitiva. Paulo chamou essas forças o “mistério da iniquidade”, a verdadeira antítese do “mistério da piedade” que é o próprio Cristo. A plena manifestação desse poder aguardava a remoção da única força capaz de detê-lo, a saber, a presença dos apóstolos e a pureza da Igreja. (2 Tess 2:7).

Esclarescendo o caráter dessa apostasia, Paulo a associa com “o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (2 Tess 2:3-4). O que o apóstolo descreve nestes termos é uma traição aos princípios do evangelho dentro da própria Igreja. Impotente para destruir a Igreja com ataques externos, o inimigo intentaria ocupar a própria cidadela. Naturalmente, o planejador dessa estratégia diabólica seria o próprio anticristo, identificado por Paulo, no verso 9, como Satanás, a personificação do mal.

A realidade de uma apostasia dentro da igreja cristã foi denunciada por vários campeões de uma reforma de base, tais como Wiclef, Huss, Lutero, Calvino, etc. Alarmada com a corrupção eclesiástica, no final da Idade Média, a opinião pública européia exigiu a convocação dos concílios de Basel e Constança, que infelizmente nada conseguiram. Ninguém que comparasse, imparcialmente, a situação da igreja de Roma, à véspera da Reforma, com a Igreja do Novo Testamento, poderia deixar de reconhecer que uma profunda mudança ocorrera. Pondo de lado eufemismos, essa degeneração só pode ser caracterizada pela palavra !apostasia”. Basta, aqui, dizer que a mudança do sábado foi apenas uma fase do processo que corrompeu a Igreja cristã e a transformou na instituição político-eclesiástica medieval sobre a qual pontificava o papa.

O veredicto dos estudantes da história é que o poder corrompe sempre. Os líderes da igreja não eram imunes à intoxicação do poder. E ninguém era mais sujeito a essa tentação do que os bispos cujas sedes se achavam nas grandes cidades do Império, particularmente Roma. A partir do terceiro século, nota-se um pendor do bispo de Roma reclamar hegemonia sobre os demais bispos da cristandade. Essa hegemonia, nunca inteiramente admitida pelos bispos do Oriente, onde os cristãos eram mais numerosos, adquiriu força jurídica a partir do decreto do imperador Justiniano, em 533 A.D., que conferira ao bispo de Roma a função de supremo árbitro dentro da Igreja. Com o colapso dos ostrogodos na Itália, poucos anos mais tarde, a hegemonia espiritual e política dos papas tornou-se indisputável na Europa ocidental. Assim permaneceu durante um milênio, até ser desafiada pela Reforma do Século XVI.

Como guia espiritual da cristandade, cumpria ao bispo de Roma defender a fé em face das superstições pagãs que ameaçavam contaminá-la. Infelizmente, como já dizia o profeta Oséias, “como é o povo, assim é o sacerdote” (Oséias 4:9). Os guias espirituais raramente se ergueram acima do pensamento religioso das massas que ingressavam na Igreja, quando esta adquiriu posição oficial, depois de Constantino e seus sucessores. O rápido influxo de pagãos semi-cristianizados, para o seio da igreja, trouxe consigo uma verdadeira avalanche de práticas e crenças supersticiosas que coloriram iniludivelmente a igreja, como quando dois rios caudalosos misturam suas águas. O rio negro do paganismo foi submerso, mas não sem afetar profundamente a pureza original da corrente cristã. Um aspecto da apostasia de que fala Paulo em II Tessalonicenses, foi precisamente o fracasso da hierarquia eclesiástica em erguer sua voz na preservação da fé.

Quando o arcebispo anglicano de Quebec, Philip Carrington, declarou em 1949, numa circular ao clero de sua diocese, que a tradição, não a Bíblia, tinha tornado o domingo o dia de guarda, suas palavras provocaram as mais variadas reações no seio das diferentes igrejas. Um porta-voz do seminário católico de Sto. Agostinho, da diocese de Toronto, assim se expressou: “Estritamente falando, o arcebispo está correto. Não há ordenança escriturística para a observância do domingo…A Igreja tem um mandamento eclesiástico específico afirmando que o domingo deve ser observado. Os protestantes observam o domingo porque por muitos séculos tinham sido parte da Igreja Católica Romana, e tinham observado o mandamento da igreja”. O padre Hourigan, do seminário jesuíta, comentou do seguinte modo: “Nosso Senhor ressuscitou no primeiro dia da semana. E por isso que a igreja mudou o dia de guarda do sétimo dia para o primeiro dia da semana. Os anglicanos e outras denominações protestantes retiveram aquela tradição quando veio a Reforma” (Toronto Daily Star, 26 de Outubro de 1949, p.3).

Já o cardeal Gibbons, de Baltimore, há muitos anos admitira que não havia autoridade escriturística para o domingo. Eis suas palavras: “Não é todo cristão obrigado a santificar o domingo e abster-se naquele dia de trabalho servil desnecessário? Não é a observância dessa lei entre nossos deveres sagrados mais preeminentes? Mas você pode ler a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse, e não encontrará uma só linha autorizando a santificação do domingo. As escrituras ordenam a observância religiosa do sábado, dia que nunca santificamos” (James Cardinal Gibbons, The Faith of Our Fathers – 92º edição rev.: Baltimore: John Murphy Company, p.89).

O Autor católico Martin J. Scott, em seu livro “Coisas Perguntadas aos Católicos”, depois de declarar: “Em parte alguma da Bíblia é afirmado que o culto devesse ser mudado do sábado para o domingo”, afirma: “Agora a Igreja…instituiu, por autoridade de deus, o domingo como dia de culto. Essa mesma Igreja, pela mesma autoridade divina, ensinou a doutrina do Purgatório…Temos, portanto, a mesma autoridade para o Purgatório que temos para o Domingo” (Martin J. Scott, Things Catholics are Asked About – New York: P.J. Keneddy & Sons, 1927, p.136).

Inúmeras autoridades católicas poderiam ser citadas, as quais unanimemente afirmam que a transferência da observância do sábado para o domingo foi efetuada por autoridade da própria igreja. Aqueles que aceitam a autoridade da Bíblia como final, só podem concluir que a mudança do sábado para o domingo reside exclusivamente sobre autoridade humana. Concluímos este estudo com apenas mais uma citação. Lemos na “Seção de Perguntas” do jornal THE Catholic Universe Bulletin, 69, de agosto de 1942, a seguinte pergunta e resposta:

“Por que autoridade a igreja mudou a observância do sábado do sétimo dia para o domingo?

“A igreja mudou a observância do sábado para o domingo em virtude da autoridade divina e infalível que lhe foi dada por seu Fundador, Jesus Cristo. Os protestantes, pretendendo que a Bíblia é o único guia de fé, não tem apoio para a observância do domingo. Nesta questão, o Adventista do Sétimo Dia é o único protestante coerente”.

O tom arrogante destas declarações nos lembra a boca que “falava com insolência”, da profecia do capítulo 7 do livro de Daniel. Na interpretação dos símbolos empregados na primeira parte do capítulo, o anjo explica como a potência religiosa simbolizada pela “ponta pequena” do verso 8, “proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar “os tempos e a lei” (Daniel 7:25). Essa tentativa de mudar “os tempos e a lei”, da parte de Roma papal, constitui um desafio à autoridade do Deus que promulgou o Decálogo, em cujo seio fulgura o mandamento concernente a santificação do sábado.

No decálogo que se lê nos catecismos católicos romanos, o segundo mandamento concernente à fabricação de imagens para adoração é suprimido, e o mandamento relativo ao repouso sabático torna-se o terceiro, contrariamente ao testemunho bíblico. Além disso, a linguagem do quarto mandamento é alterada para dar lugar ao domingo. Ora, a justificação do repouso sabático é fundada expressamente sobre o fato de que “em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado, e o santificou” (Êxodo 20:11). Essa justificação exclui toda possibilidade de transferir a santificação do sábado para o domingo.

O quarto mandamento aparece, assim, como um memorial da criação. Qualquer alteração para conformá-lo, a preceitos humanos, constitui um desafio à autoridade de Deus, que é Criador de todas as coisas e, ipso facto, o único digno de nossa adoração. A narrativa da criação termina, com efeito, com a declaração solene: “E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como criador fizera” (Gênesis 2:3).

Se nos anais da igreja o domingo substitui o sábado como dia de repouso, nos anais divinos ele retém seu lugar imutável como memorial da criação.

Nota: Recomendamos ao caro leitor duas excelentes obras literárias que tratam a respeito do assunto abordado, e estão em formato digitalizado, podendo o leitor fazer o download das mesmas, clicando sobre os links abaixo:

Do Sábado para o Domingo – de Samuele Bacchiocchi
O Sábado ou o Descanso do Sétimo Dia – de Guilherme Stein Jr

Texto extraído do Livro “O Despontar de uma Nova era” de S. Júlio Schwantes – CPB 1984.
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