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Moacyr Scliar e a Bíblia

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27022011

Mensagem 

Moacyr Scliar e a Bíblia






Moacyr Scliar e a Bíblia

http://www.scliar.org/moacyr/

“O que dizer de um livro que está traduzido em 2.167 idiomas e dialetos, que, no último século, teve edições totalizando mais de 2 bilhões de exemplares, está ao alcance de 85% da humanidade e é lido há cerca de 3 mil anos? Que tal coisa não existe, responderia um editor incrédulo (sobretudo um editor brasileiro, acostumado a pequenas tiragens). Mas existe, sim. Esse livro é a Bíblia, que merece, com justiça, o título de maior best-seller de todos os tempos. [...] Como se explica que um livro que começou a ser escrito há quase três mil anos, ainda tenha tantos, e às vezes tão importantes, leitores? Uma pergunta tanto mais significativa quando se considera que textos envelhecem... A Bíblia é uma exceção. Trata-se de um livro eminentemente legível, mesmo em tradução, e mesmo nos dias atuais, uma fonte de sabedoria e ensinamento até para pessoas não religiosas” (Moacyr Scliar, Biblioteca Entre Livros, maio de 2008).

Morre o escritor Moacyr Scliar

Morreu na madrugada deste domingo o escritor gaúcho Moacyr Scliar, de falência múltipla de órgãos. Ele sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC ) em 16 de janeiro, enquanto se recuperava de uma cirurgia no intestino, e desde então estava internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O velório deve ocorrer no salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a partir das 14 horas, e o sepultamento será na segunda-feira, em cerimônia reservada a familiares e amigos.

Um dia após diagnosticado o AVC, Scliar sofreu uma cirurgia para retirada de coágulo decorrente do acidente, passando a ser mantido com um mínimo de sedação necessária. O escritor passava pela retirada gradual da sedação quando, no dia 9 de fevereiro, apresentou um quadro de infecção respiratória, voltando então a ser sedado e a respirar por aparelhos.

Vida - Moacyr Jaime Scliar nasceu em 23 de março de 1937, em Porto Alegre - seus pais, José e Sara Scliar, de origem russa, chegaram ao Brasil em 1904. Scliar formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sendo especialista em Saúde Pública e Doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública. Casou-se com Judith, com quem teve um filho, Roberto.

Autor de mais de 70 livros e eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2003, Scliar publicou sua primeira obra, Histórias de um Médico em Formação, em 1962. Recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, sendo o último, o Jabuti, por Manual da Paixão Solitária, em 2009. Seus livros estão traduzidos em doze idiomas. Entre suas obras mais importantes estão O Ciclo das Águas, A Estranha Nação de Rafael Mendes, O Exército de um Homem Só e O Centauro no Jardim.

Moacyr Jaime Scliar (Porto Alegre, 23 de março de 1937 - Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2011) foi um escritor brasileiro. Formado em medicina, trabalhou como médico especialista em saúde pública e professor universitário.
Na madrugada do dia 16 de janeiro de 2011 sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Passou por um procedimento cirurgico no dia 17 de janeiro de 2011, vindo a falecer no dia 27 de fevereiro de 2011 no hospital de Clinicas de Porto Alegre.


Índice


Biografia

Filho de José e Sara Scliar, Moacyr Jaime Scliar nasceu no Bom Fim, bairro que concentra a comunidade judaica. Alfabetizado pela mãe, professora primária, a partir de 1943 cursou a Escola de Educação e Cultura, daquela cidade, conhecida como Colégio Iídiche. Transferiu-se, em 1948, para o Colégio Rosário (católico).
Em 1963, após se formar pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, iniciou sua vida como médico, fazendo residência médica. Especializou-se no campo da saúde pública como médico sanitarista. Iniciou os trabalhos nessa área em 1969. Em 1970, frequentou curso de pós-graduação em medicina em Israel. Posteriormente, tornou-se doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública. Já foi professor na faculdade de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Morte

O escritor gaúcho Moacyr Scliar morreu por volta da 1h do dia 27 de fevereiro de 2011, aos 73 anos, de falência múltipla dos órgãos. Ele estava internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre desde o dia 11 de janeiro, quando deu entrada para a retirada de pólipos (formações benignas) no intestino. A cirurgia foi bem sucedida, mas o escritor acabou tendo um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no dia 17 de janeiro, durante o período de recuperação, falecendo quase cinquenta dias depois de sua entrada no hospital.

Carreira

Scliar publicou mais de setenta livros, entre crônicas, contos, ensaios, romances e literatura infanto-juvenil. Seu estilo leve e irônico lhe garantiu um público bastante amplo de leitores, e em 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, tendo recebido antes uma grande quantidade de prêmios literários como o Jabuti (1988, 1993 e 2009), o Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (1989) e o Casa de las Americas (1989).
Suas obras frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil, mas também tratam de temas como o socialismo, a medicina (área de sua formação), a vida de classe média e vários outros assuntos. O autor já teve obras suas traduzidas para doze idiomas.
Em 2002 ele se envolveu em uma polêmica com o escritor canadense Yann Martel, cujo famoso romance A Vida de Pi, vencedor do prêmio Man Booker, foi acusado de ser um plágio da sua novela Max e os felinos. O escritor gaúcho, no entanto, diz que a mídia extrapolou ao tratar do caso, e que ele nunca teve o intuito de processar o escritor canadense.
Entre suas obras mais importantes estão os seus contos e os romances O ciclo das águas, A estranha nação de Rafael Mendes, O exército de um homem só e O centauro no jardim, este último incluído na lista dos 100 melhores livros de temática judaica dos últimos 200 anos, feita pelo National Yiddish Book Center nos Estados Unidos.

Adaptação para o cinema

Em 1998, o romance "Um Sonho no Caroço do Abacate" foi adaptado para o cinema, sob a direção de Luca Amberg, com participação dos atores americanos Elliott Gould (Friends) e Talia Shire (Rocky, O Poderoso Chefão). Esse filme lançou atores, como Taís Araújo, Caio Blat, Mariana Ximenes, Fábio Azevedo e Edward Boggiss. A versão nacional foi lançada com o título "Caminho dos Sonhos" e participou dos festivais de Gramado, Miami, Trieste e outros. O filme narra a história do filho de um casal de imigrantes judeus lituanos, que se estabelece no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, nos anos 1960. O jovem Mardo (Edward Boggiss) se apaixona por Ana (Taís Araújo), uma estudante negra. Os jovens encontram no amor a força e a determinação para enfrentarem a discriminação na escola onde estudam e o preconceito entre as famílias.
Em 2002, o romance Sonhos Tropicais foi adaptado para o cinema sob a direção de André Sturm, com Carolina Kasting, Bruno Giordano, Flávio Galvão, Ingra Liberato e Cecil Thiré no elenco. O filme relata o combate à febre amarela no Rio de Janeiro, comandado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, e a resistência da população à vacinação obrigatória, que resultou na chamada Revolta da Vacina. Em paralelo, é narrada a história de uma jovem judia polonesa, que imigra para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas acaba por se prostituir.

Academia Brasileira de Letras

Foi o sétimo ocupante da cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras. Foi eleito em 31 de julho de 2003, na sucessão de Geraldo França de Lima, e recebido em 22 de outubro de 2003 pelo acadêmico Carlos Nejar.

Obra

Contos

  • O carnaval dos animais. Porto Alegre, Movimento, 1968.
  • A balada do falso Messias. São Paulo, Ática, 1976.
  • Histórias da terra trêmula. São Paulo, Escrita, 1976.
  • O anão no televisor. Porto Alegre, Globo, 1979.
  • Os melhores contos de Moacyr Scliar. São Paulo, Global, 1984.
  • Dez contos escolhidos. Brasília, Horizonte, 1984.
  • O olho enigmático. Rio, Guanabara, 1986.
  • Contos reunidos. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.
  • O amante da Madonna. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1997.
  • Os contistas. Rio, Ediouro, 1997.
  • Histórias para (quase) todos os gostos. Porto Alegre, L&PM, 1998.
  • Pai e filho, filho e pai. Porto Alegre, L&PM, 2002.
  • Histórias Que Os Jornais Não Contam. Rio de Janeiro, Agir, 2009.

Romances

  • A guerra no Bom Fim. Rio, Expressão e Cultura, 1972. Porto Alegre, L&PM.
  • O exército de um homem só. Rio, Expressão e Cultura, 1973. Porto Alegre, L&PM.
  • Os deuses de Raquel. Rio, Expressão e Cultura, 1975. Porto Alegre, L&PM.
  • O ciclo das águas. Porto Alegre, Globo, 1975; Porto Alegre, L&PM, 1996.
  • Mês de cães danados. Porto Alegre, L&PM, 1977.
  • Doutor Miragem. Porto Alegre, L&PM, 1979.
  • Os voluntários. Porto Alegre, L&PM, 1979.
  • O centauro no jardim. Rio, Nova Fronteira, 1980. Porto Alegre, L&PM (Tradução francesa:"Le centaure dans le jardin" ),Presses de la Renaissance,Paris, 1985, ISBN 2-264-01545-4
  • Max e os felinos. Porto Alegre, L&PM, 1981.
  • A estranha nação de Rafael Mendes. Porto Alegre, L&PM, 1983.
  • Cenas da vida minúscula. Porto Alegre, L&PM, 1991.
  • Sonhos tropicais. São Paulo, Companhia das Letras, 1992.
  • A majestade do Xingu. São Paulo, Companhia das Letras, 1997.
  • A mulher que escreveu a Bíblia. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
  • Os leopardos de Kafka. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.
  • Na Noite do Ventre, o Diamante. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2005.
  • Ciumento de carteirinha Editora Ática, ISBN 8508101104, 2006.
  • Os Vendilhões do Templo Companhia das Letras, ISBN 9788535908299, 2006.
  • Manual da Paixão Solitária. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
  • Eu vos abraço, milhões. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Ficção infantojuvenil

  • Cavalos e obeliscos. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1981; São Paulo, Ática, 2001.
  • A festa no castelo. Porto Alegre, L&PM, 1982.
  • Memórias de um aprendiz de escritor. São Paulo, Cia. Editora Nacional, 1984.*
  • No caminho dos sonhos. São Paulo, FTD, 1988.
  • O tio que flutuava. São Paulo, Ática, 1988.
  • Os cavalos da República. São Paulo, FTD, 1989.
  • Pra você eu conto. São Paulo, Atual, 1991.
  • Uma história só pra mim. São Paulo, Atual, 1994.
  • Um sonho no caroço do abacate. São Paulo, Global, 1995.
  • O Rio Grande farroupilha. São Paulo, Ática, 1995.
  • Câmera na mão, o Guarani no coração. São Paulo, Ática, 1998.
  • A colina dos suspiros. São Paulo, Moderna, 1999.
  • Livro da medicina. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 2000.
  • O mistério da Casa Verde. São Paulo, Ática, 2000.
  • O ataque do comando P.Q. São Paulo, Ática, 2001.
  • O sertão vai virar mar. São Paulo, Ática, 2002.
  • Aquele estranho colega, o meu pai. São Paulo, Atual, 2002.
  • Éden-Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 2002.
  • O irmão que veio de longe. Idem, idem.
  • Nem uma coisa, nem outra. Rio, Rocco, 2003.
  • Aprendendo a amar - e a curar. São Paulo, Scipione, 2003.
  • Navio das cores. São Paulo, Berlendis & Vertecchia, 2003.
  • Livro de Todos - O Mistério do Texto Roubado. São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008. Obra coletiva (Moacyr Scliar e vários autores)

Crônicas

  • A massagista japonesa. Porto Alegre, L&PM, 1984.
  • Um país chamado infância. Porto Alegre, Sulina, 1989.
  • Dicionário do viajante insólito. Porto Alegre, L&PM, 1995.
  • Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar. Porto Alegre, L&PM, 1996. Artes e Ofícios, 2001.
  • O imaginário cotidiano. São Paulo, Global, 2001.
  • A língua de três pontas: crônicas e citações sobre a arte de falar mal. Porto Alegre.

Ensaios

  • A condição judaica. Porto Alegre, L&PM, 1987.
  • Do mágico ao social: a trajetória da saúde pública. Porto Alegre, L&PM, 1987; SP, Senac, 2002.
  • Cenas médicas. Porto Alegre, Editora da Ufrgs, 1988. Artes&Ofícios, 2002.
  • Enígmas da Culpa. São Paulo, Objetiva, 2007.
Prêmios


Referências

Ligações externas
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Citações no Wikiquote

Bíblia inspira Moacyr Scliar em romance

SYLVIA COLOMBO
da Folha de S.Paulo


Tensão familiar, amores contidos, intriga, traição, humor e sexo. Novela televisiva? Não. Filme de Woody Allen? Tampouco. Trata-se, nada menos, de uma passagem bíblica.
Mais especificamente, do capítulo 38 do Gênesis, do Antigo Testamento, só que relido pelos olhos do escritor gaúcho Moacyr Scliar, 71, membro da Academia Brasileira de Letras e colunista da Folha.
Beto Scliar/Folha Imagem
O escritor gaúcho Moacyr Scliar, colunista da Folha e autor de "Manual da Paixão Solitária"


"Manual da Paixão Solitária", seu mais novo livro, romanceia o episódio em que o patriarca Judá tenta dar continuidade à sua linhagem. Para reavivar a passagem, Scliar traz a história para uma discussão nos dias de hoje.
Quando a obra começa, está para ser iniciada mais uma rodada anual do Congresso de Estudos Bíblicos, na qual um respeitado especialista interpretará o Manuscrito de Shelá. Trata-se de um documento fictício, que teria sido encontrado numa caverna em Israel, e que traria elementos para preencher lacunas do texto da Bíblia.
"No Gênesis, a descrição desses acontecimentos ocupa poucas páginas. Mas trata-se de uma história que provoca muitas reflexões sobre os sentimentos humanos. Por isso, me interessei por ela e quis dar contornos mais completos a personagens e ações", disse Scliar, em entrevista à Folha.
Com relação aos fatos contados na Bíblia, nada foi adulterado. O que o escritor gaúcho fez, apenas, foi criar diálogos, descrições de passagens e personalidades, e, principalmente, investigar suas emoções e a razão de suas decisões.
As coisas têm início quando Judá, filho do patriarca Jacó e irmão de José, o interpretador de sonhos, se afasta da família para criar a própria linhagem.
Tem três filhos, Er, Onan e Shelá. Quando estes crescem, ele sai à busca de uma companheira para o filho mais velho. A moça chama-se Tamar.
Er, porém, morre antes de engravidá-la. Segundo a tradição da época, quando isso ocorria, o irmão mais novo tinha de assumir essa tarefa. Onan une-se a Tamar e tem com ela relações sexuais, mas com coito interrompido. Assim, ela não fica grávida e a tensão aumenta, até que Onan também morre.
Tamar, mulher misteriosa e ardilosa, engana Judá, oferecendo-se a ele disfarçada, quando este empreendia uma viagem. Deste modo, fica prenhe do patriarca e tem com ele dois filhos, Perez e Zerá.
"É um momento de tensão imensa, um desafio para os ficcionistas que o queiram descrever", diz o autor.
Bíblia e literatura
Para Scliar, o texto bíblico deve também ser lido como se faz com autores clássicos como Shakespeare ou Cervantes. "Os jogos de poder e as intrigas amorosas comuns à nossa natureza estão nessas obras. A Bíblia é um verdadeiro catálogo das paixões humanas."
Ele, ainda, não concorda com o modo delicado e angelical que costuma ser agregado aos personagens do Antigo Testamento. "Aquele era um mundo muito hostil e violento. Se não houvesse um extremo grau de disciplina, simplesmente não era possível sobreviver."
E acrescenta que, pelo fato de a vida ter de ser coletiva e rígida em suas leis morais, não havia espaço para o indivíduo. "Daí ser uma referência para questionar, entre outras coisas, a solidão humana", conclui Scliar.





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Moacyr Scliar: "O Nazismo"


Morreu recentemente o nosso grande escritor Moacyr Scliar!

Scliar foi simplesmente o maior detentor de prêmios de sua geração, dentre os quais, diversos “Jabuti”. Escreveu: “O Exército de um Homem Só”, "Manual da Paixão Solitária", "Sonhos Tropicais", "A Mulher que Escreveu a Bíblia", "O Centauro no Jardim", “A Guerra do Bonfim”, “Os Deuses da Raquel”, "Um Sonho no Caroço do Abacate" etc. Todavia, além do romance, o escritor gaúcho também se destacou entre muitos outros gêneros literários, tais como: crônica, conto, literatura infantil e ensaio.


Por ter nascido de uma família de imigrantes judeus, Moacyr Scliar frequentemente aborda em seus livros temas relacionados ao judaísmo. A Editora Ática, por exemplo, na série “As Religiões da História” publicou o título de sua autoria: “Judaísmo: Dispersão e Unidade”. Nesta obra Scliar traz à tona inúmeras questões ligadas ao povo judeu: dos mitos à modernidade. Dos vários assuntos discutidos no livro, um deles refere-se às perseguições sofridas pelos “filhos de Abraão” durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha de Hitler.


Transcrevo a seguir o item “O Nazismo”, extraído do capítulo “Guetos e Perseguições”. Lá pelas tantas, escreveu Scliar: “O racismo não é uma invenção nazista. Trata-se de uma doutrina que se difundiu muito a partir de meados do século XIX, um subproduto espúrio das teorias biológicas que então faziam sua entrada no cenário científico, como é o caso do darwinismo”. Ei-lo:


O NAZISMO
“Nas primeiras décadas do século XX, a emancipação dos judeus alemães — reconhecida como direito pela Revolução Liberal de 1848 — parecia uma realidade. Os judeus ocupavam agora posição de destaque em numerosas atividades: na indústria, no comércio, nas finanças, na medicina, na ciência, nas artes, na literatura. A assimilação era vista como uma coisa natural e, para facilitá-la, muitos se haviam convertido, não por razões de crença, mas simplesmente para abandonarem o judaísmo. Judeus haviam lutado com denodo no exército alemão durante a Primeira Guerra...


E, no entanto, o antijudaísmo estava bem presente, fomentado inclusive pelos movimentos nacionalistas que irrompiam em toda a Europa central. O fato de os judeus serem visíveis só fazia aumentar o rancor; dizia Albert Einstein: “Se minha teoria da relatividade estiver correta, a Alemanha dirá que sou alemão, e a França, que sou cidadão do mundo. Mas se eu estiver errado, a França sustentará que sou alemão, e a Alemanha garantirá que sou judeu”. A crise econômica que se seguiu à guerra de 1914- 1918 agravou muito esta situação — e forneceu fértil campo para o extremismo demagógico. Em 1925, Adolf Hitler fundou o Movimento Nacional-Socialista, que logo transformou os judeus no alvo principal de sua propaganda, apoiada no conceito de “raça inferior”.


O racismo não é uma invenção nazista. Trata-se de uma doutrina que se difundiu muito a partir de meados do século XIX, um subproduto espúrio das teorias biológicas que então faziam sua entrada no cenário científico, como é o caso do darwinismo. É nesta época que o conde Arthur de Gobineau publica Essais sur les inégalités des races humaines. Amigo, aliás, de dom Pedro II, o autor viria a ter grande influência no Brasil; aqui, o racismo tomou a forma de ataques ao índio, ao negro e sobretudo ao mulato, considerado um fraco, um “neurastênico”, como se dizia então.


O conceito de raça é muito discutível. Apóia-se em categorias biológicas, cor da pele, formato do crânio, etc. No caso dos judeus, falar de raça é uma aberração; há judeus claros e de olhos azuis, há judeus morenos, há judeus negros, como os falashas da Etiópia. Esta mistura tem a ver com a dispersão geográfica e, é claro, com a miscigenação. Para os nazistas, contudo, havia, sim, uma raça judaica, caracterizada por uma predisposição congênita não só para a usura, como também para a contestação: daí a “arte degenerada” que produziam. Os nazistas fizeram ressurgir os “Protocolos dos Sábios de Sião”, documento forjado na Rússia czarista atribuindo aos judeus uma conspiração para dominar o mundo. E, uma vez que tal perversidade estava embutida nos genes judaicos, o mal era incurável. A analogia com câncer aparece em várias obras nazistas; como câncer, exigia tratamento radical, que Adolf Hitler tratou de aplicar, tão logo se tornou chanceler, em 1933. Mas o cerco nazista em torno aos judeus foi se fechando de maneira gradual; primeiro, foram expulsos de seus cargos e tiveram seus negócios boicotados; depois, foram transferidos para campos de concentração; finalmente, começou o extermínio. Durante todo o tempo, as vítimas mantinham a ilusão de que aquilo era apenas um episódio transitório, de que a racionalidade e a lei voltariam a reinar. Só mais tarde, já em plena guerra, e com vários países ocupados, deram-se conta os judeus de que a “solução final” nada mais era que o assassinato puro e simples de homens, mulheres e crianças. Revoltas então ocorreram, como no gueto de Varsóvia, em abril de 1943, onde alguns milhares de combatentes, famintos e sem armas, enfrentaram a mais poderosa máquina bélica que a História tinha conhecido. Quando o conflito bélico terminou, com a vitória dos aliados, constatou-se que os nazistas tinham cumprido, com fria eficiência, os seus objetivos: seis milhões de judeus estavam mortos. O judaísmo da Europa central e de boa parte da Europa ocidental e oriental fora liquidado."


---
É isso!


Fonte:
Moacyr Scliar: "Judaísmo: Dispersão e Unidade". Editora Ática, p. 97-100.

Nota:
As imagens inseridas no texto não se incluem no referido livro, porém são partes contundentes desta história.
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