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Darwin, quem diria, era 100% teleologista

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09072010

Mensagem 

Darwin, quem diria, era 100% teleologista






A palavra teleologia, para quem não sabe, vem do grego (teleos = fim, finalidade + logia = estudo, ciência) e significa “ciência das causas finais, que se baseia na ideia de finalidade, admitindo a existência de uma causa primordial preestabelecida de todos os fenômenos, e a tendência deles para um fim necessário” (Aulete).

Um dos argumentos mais comuns entre os darwinistas, é que em nenhum momento Darwin defendeu uma postura teleológica em seus livros. Todavia, não são poucas as críticas a essa fantasiosa defesa dos zeladores do naturalista inglês, como esta deste artigo intitulado "Darwin was a teleologist”, de James G. Lennox
, o qual afirma categoricamente que Darwin se guiou sim por conceitos teleológicos ao formular sua teoria de adaptação por seleção. O artigo, em língua inglesa, não está disponível gratuitamente, mas aqui vai o resumo:

It is often claimed that one of Darwin''s chief accomplishments was to provide biology with a non-teleological explanation of adaptation.
A number of Darwin''s closest associates, however, and Darwin himself, did not see it that way. In order to assess whether Darwin''s version of evolutionary theory does or does not employ teleological explanation, two of his botanical studies are examined. The result of this examination is that Darwin sees selection explanations of adaptations as teleological explanations. The confusion in the nineteenth century about Darwin''s attitude to teleology is argued to be a result of Darwin''s teleological explanations not conforming to either of the dominant philosophical justifications of teleology at that time. Darwin''s explanatory practices conform well, however, to recent defenses of the teleological character of selection explanations” (FhilPapers).

É isso!




Sexta-feira, Julho 09, 2010

Quem não está cansado de ouvir o mantra que Darwin, ao escrever seu livro Origem das Espécies acabou de uma vez por todas com a teleologia em biologia?


Source/Fonte




Nada mais falso: Darwin, quem diria, era 100% teleologista:

Darwin was a teleologist

Journal Biology and Philosophy

Publisher Springer Netherlands

ISSN 0169-3867 (Print) 1572-8404 (Online)

Issue Volume 8, Number 4 / October, 1993
DOI 10.1007/BF00857687
Pages 409-421
Subject Collection Humanities, Social Sciences and Law
SpringerLink Date Tuesday, December 28, 2004

James G. Lennox1
(1) Department of History and Philosophy of Science 1017 Cathedral of Learning, University of Pittsburgh, 15260 Pittsburgh, PA, USA

Abstract
It is often claimed that one of Darwin's chief accomplishments was to provide biology with a non-teleological explanation of adaptation. A number of Darwin's closest associates, however, and Darwin himself, did not see it that way. In order to assess whether Darwin's version of evolutionary theory does or does not employ teleological explanation, two of his botanical studies are examined. The result of this examination is that Darwin sees selection explanations of adaptations as teleological explanations. The confusion in the nineteenth century about Darwin's attitude to teleology is argued to be a result of Darwin's teleological explanations not conforming to either of the dominant philosophical justifications of teleology at that time. Darwin's explanatory practices conform well, however, to recent defenses of the teleological character of selection explanations.

Key words Adaptation - Darwin - final cause - natural selection - plant sexuality - teleology

I would like to thank John Beatty, David Hull and one of this journal''s readers for constructive comments on an earlier draft of this paper.'

+++++

Professores, pesquisadores e alunos de universidades públicas e privadas com acesso ao site CAPES/Periódicos podem ler gratuitamente este artigo do Biology & Philosophy e de mais 22.440 publicações científicas.

+++++

NOTA IMPERTINENTE DESTE BLOGGER:

Todo ídolo tem pés de barro. O pé de barro de Darwin: ele era teleologista apesar de a Nomenklatura científica e a Galera dos meninos e meninas de Darwin negarem de pés juntos. Mas, aqui neste blog é assim: a gente mata a cobra de Down e mostra o pau! Pena que durante o meu mestrado em História da Ciência na PUC-SP eu não achei este artigo do Lennox. Tivesse achado antes, minha dissertação teria tomado outro rumo.

Fui, nem sei por que, pensando que a ideia de Darwin não é esta Coca-Cola toda que dizem, oops uma Brastemp que dizem por aí.

+++++

Vote neste blog para o prêmio TOPBLOG 2010.

Darwin, quem diria, era 100% teleologista






A teologia de Paley e a teleologia de Darwin




Isso certamente causará sérios desconfortos nos zeladores de Darwin, contudo, eles vão ter de engolir o fato de as formulações inicias de Darwin terem sido inspiradas na teologia natural de William Paley.

Essa conclusão partiu de um respeitado darwinista, o professor da USP Nélio Bizzo. E, para quem não conhece a afinidade deste autor com o naturalista inglês, vai aqui este seu depoimento, extraído de um de seus ensaios:

“Fui a Shrewsbury, entrei no quarto onde ele nasceu (a casa é uma repartição pública hoje em dia) visitei a escola onde estudou, o castelo medieval que existe diante dela, fui a Edimburgo, conheci a faculdade de Medicina, o estuário do rio Forth, onde ele fazia coletas assistido pelo professor Grant, um lamarckista fanático que depois se tornaria deputado revolucionário em Londres, além de sua escola em Cambridge, o Christís College, seus aposentos, sua segunda casa em Londres (a primeira delas, onde teve a ideia da seleção natural, foi demolida para a construção da garagem de um supermercado), sua casa em Downe, etc. Enfim, um roteiro de uma verdadeira macaca de auditório. Além disso, meu projeto de doutorado me levou a trabalhar com seus manuscritos originais, com sua biblioteca pessoal, seus escritos íntimos e até mesmo os de sua esposa, Emma, em Cambridge, Londres e Downe. Tenho anotadas as datas das menstruações de Emma por um período de mais de dez anos antes dela ter tido seu último filho. Ser um fã não significa ser um adulador, um cego do ponto de vista intelectual. Defendo uma aproximação crítica, procurando compreender o autor dentro do contexto que ele viveu, em sua época, com seus valores. " (
Nélio Bizzo. “Darwinismo, ciência e ideologia”. In: “Pesspectivas em Epistemologia e História das Ciências”. Universidade Estadual de Feira de Santana, 1997, p. 147, 148).

Agora as conclusões de Bizzo, defendidas há alguns anos num debate sobre ciência e religião, realizado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Ei-lo:

“É
impossível separar a teoria evolucionista da religião, porque as próprias idéias da evolução e as formulações iniciais de Darwin foram influenciadas pela teologia protestante, em especial de William Paley, que incentivava o estudo da natureza, ou teologia natural, como forma de reverenciar o Criador. Registros manuscritos de Darwin, não destinados a publicação, revelam a evolução de suas idéias e a influência que recebeu dos teólogos até os idos de 1844.

Dedicando-se aos estudos da geologia e da botânica, depois de desistir da medicina e ir descartando a idéia de tornar-se presbítero, como a família pretendia, começa a esboçar uma visão evolucionista com base na doutrina de que tudo no mundo é harmonia e pressupõe alguém muito poderoso que o fez...".

É isso!

Eduardo

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