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A Lei (Torá) de Deus

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21042010

Mensagem 

A Lei (Torá) de Deus







Os Três Aspectos da Lei de Deus
por Solano Portela

Fonte: http://www.solanoportela.net/palestras/tres_aspectos.htm

1 - A Lei de Deus - "Então falou Deus todas essas palavras..." Ex 20.1
Os três aspectos da Lei de Deus
Os Mandamentos na Antiga e na Nova Aliança.
A pergunta dos fariseus.Sl 119.73 - "As tuas mãos me fizeram e me afeiçoaram; ensina-me para que aprenda os teus mandamentos".
A Lei de Deus é um dos temas mais presentes nas Escrituras e, possivelmente, um dos mais mal compreendidos pelo Povo de Deus. Mesmo com o extenso tratamento que Paulo dá ao assunto, nos primeiros 8 capítulos da carta aos Romanos, muitos crentes compreendem a Lei apenas como uma expressão da atuação de Deus no Antigo Testamento, com pouco significado para os nossos dias. Não se disputa que a Lei de Deus contrasta com o pecado, mas existe uma atitude quase de desprezo, quanto à sua aplicação contemporânea. Precisamos dar a devida importância a esse tema tão precioso. O salmista Davi o o considerou tão importante que o colocou como pedra fundamental de todo o Salmo 119. Nesse salmo a Lei de Deus é mencionada sob vários sinônimos em praticamente todos os seus versículos. Necessitamos encontrar o papel da Lei na nossa vida diária e descobrir nela a misericórdia e graça de Deus para cada um de nós. Ela aponta a trilha correta a ser seguida, em nossa vida, e representa a expressão concreta do nosso amor para com ele.
Somos todos pecadores. Mas pecadores redimidos pelo sangue do nosso Senhor Jesus Cristo devem reconhecer que a Lei de Deus enfatiza tanto a sua santidade como a nossa insuficiência perante ele. Além disso, temos na Lei o caminho traçado por Deus para demonstrarmos amor a ele e ao nosso próximo. Não podemos conseguir a salvação seguindo leis, mas não devemos desprezar essa dádiva graciosa de Deus para nossa instrução. Ou seja, é verdade que não podemos conseguir a salvação seguindo a Lei. É igualmente verdade, entretanto, que demonstramos amor quando obedecemos os mandamentos de Deus (Jo 14.15, 21).
Uma das dificuldades no nosso entendimento desse assunto, é que a expressão "Lei de Deus" é bastante abrangente e pode ter vários significados e aspectos bíblicos. Necessitamos estudar especificamente aquilo que conhecemos como a Lei Moral de Deus. Mais precisamente, devemos examinar o resumo dessa Lei Moral apresentado pelo próprio Deus nos Dez Mandamentos e também por Jesus Cristo, na sua resposta aos Fariseus (Mt 22.34-40).
Os três aspectos da Lei de Deus.
Voltemos, portanto, à pergunta - o que é a Lei de Deus? Deus proferiu e revelou diversas determinações e deveres para o homem, em diferente épocas na história da humanidade. Sua vontade para o homem, constitui a sua Lei e ela representa o que é de melhor para os seus. Quando estudamos a Lei de Deus, mais detalhadamente, devemos, entretanto, discernir os diversos aspectos, apresentados na Bíblia, desta lei. Como devemos classificá-la e entendê-la? Muitos mal-entendidos e doutrinas erradas podem ser evitadas, se compreendermos que a Palavra de Deus apresenta os seguintes aspectos da lei:
1. A Lei Civil ou Judicial- Representa a legislação dada à sociedade ou ao estado de Israel, por ex.: os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições.
2. A Lei Religiosa ou Cerimonial -Esta representa a legislação levítica do Velho Testamento, por ex.: os sacrifícios e todo aquele simbolismo cerimonial.
3. A Lei Moral -Representa a vontade de Deus para com o homem, no que diz respeito ao seu comportamento e seus deveres principais.
Mas como devemos entender a validade desses aspectos da lei? São todos válidos aos nossos dias? Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão:
1. A Lei Civil: Tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. Era temporal e necessária para a época à qual foi concedida, mas foi específica para aquele estado teocrático. Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade. Um exemplo de erro de compreensão é encontrado nos Sabatistas (Adventistas do Sétimo Dia). Eles erram em querer aplicar parte dela, ao nosso dia-a-dia, mas terminam em incoerência, pois nunca vão conseguir aplicá-la, nem fazê-la requerida, em sua totalidade.
2. A Lei Religiosa : Tinha a finalidade de impressionar aos homens a santidade de Deus e concentrar suas atenções no Messias prometido, Cristo, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida com Sua vinda e não se aplica aos nossos dias. Mais uma vez, como exemplo de falta de compreensão desse aspecto da lei, temos os Adventistas, que erram em querer aplicar parte dela nos dias de hoje (como por exemplo as determinações dietéticas) e em misturá-la com a Lei Civil.
3. A Lei Moral : Tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir o bem do mal. Como tal, é aplicável em todas as épocas e ocasiões e assim foi apresentada por Jesus, que nunca a aboliu. Neste caso, os Adventistas acertam em considerá-la válida, porem erram em confundi-la e em misturá-la com as duas outras, prescrevendo uma aplicação confusa e desconexa.
O gráfico a seguir apresenta este entendimento da Lei e pode nos auxiliar na visualização da aplicabilidade das Leis de Deus, ao período atual em que vivemos:



Como entender o gráfico? Note que os Dez Mandamentos, ou a Lei Moral de Deus, possui validade total, isto é: tanto histórica - está entrelaçada na história da revelação de Deus e da redenção do seu Povo; como didática - ela nos ensina o respeito ao nosso Criador e aos nossos semelhantes; como reveladora - ela nos revela o caráter e a santidade de Deus, bem como a pecaminosidade das pessoas; como normativa - ela especifica com bastante clareza o procedimento requerido por Deus a cada uma das pessoas que habitam a sua criação, em todos os tempos.
Por outro lado, a Lei Religiosa ou Cerimonial, no cômputo geral, possui validade parcial, isto é: A validade histórica é total - está igualmente entrelaçada na história da revelação de Deus e da redenção do seu Povo; a validade didática também é total - cada detalhe dela demonstra a insuficiência dos sacrifícios repetitivos e a intensidade dos pecados individuais que nos separam de Deus; sua validade reveladora é também intensa (bastante), mas menor do que as duas precedentes - ela era mais reveladora para os santos do antigo testamento, apontando para o Messias, do que para nós, que contamos com a completa descrição histórica da vinda do Messias prometido, Jesus Cristo; Sua validade normativa, entretanto, não existe aos nossos dias - a Lei Cerimonial, tendo sido cumprida em Cristo, não tem validade normativa para aqueles que existem em nossa era, após a vinda do Messias prometido.
Os Dez Mandamentos.
Na dádiva das "Tábuas da Lei", ou seja nos Dez Mandamentos (Ex. 20:1-13), Deus resumiu a sua Lei Moral apresentando-a formalmente, e registrando-a, sucinta e objetivamente, para o benefício do seu povo.
É necessário atentarmos para o contexto histórico da ocasião. Foi a primeira vez que Deus falou coletivamente ao Seu Povo. Existiram inúmeras preparações necessárias para ouvi-lo. Essas estão todas relatadas em detalhes a partir do início do capítulo 19 do livro de Êxodo. Quando nós lemos os dois capítulos (19 e 20) cuidadosamente, procurando nos colocar na situação atravessada pelo Povo de Deus naquela ocasião, verificamos como o texto transmite o temor do povo perante a santidade de Deus. Isso é impressionante! Após ouvir ao Senhor e a Moisés, inicialmente, o povo suplicou a Moisés que intermediasse este contato com Deus, tamanho era o temor (20.19), perante a majestade do Deus soberano.
O incidente da dádiva da Lei, e os acontecimentos que se seguiram, evidenciam a fragilidade do Povo de Deus e do Homem, em geral. Após tal demonstração de poder e santidade, logo se esqueceram de suas obrigações e, evidenciando ingratidão, caíram em idolatria, adorando o bezerro de ouro (Ex 32). Isto mostra o desprezo do ser humano, caído, pela Lei.
Os Dez Mandamentos estabelecem obrigações e limites para o Homem. O seu estudo aprofundado mostra a sabedoria infinita de Deus, bem assim como a harmonia reinante em Sua Palavra. Revela também nossa insignificância perante Ele, nossa dependência e necessidade de redenção, em virtude do nosso pecado. O Homem pecou em Adão e desde então é incapaz de cumprir a Lei de Deus. Os Dez Mandamentos, reforçam nossas obrigações para com o nosso Criador, e para com os nossos semelhantes, em todos os sentidos.
Os Dez Mandamentos e o Amor - A Pergunta dos Fariseus.
Um incidente bíblico reafirma a validade da Lei Moral de Deus em todos os tempos, tanto na antiga como na nova aliança, e reforça o relacionamento da lei com o amor. Referimo-nos ao trecho encontrado em Mt 22.34-40. Os Fariseus não estavam inquirindo em sinceridade, mas queriam, como sempre, confundir a Jesus. Perguntaram a ele qual o maior dos mandamentos. Eles se entregavam a esse tipo de discussão continuamente e geravam grande controvérsia, com a defesa de um ou de outro mandamento. Nesse sentido, pensavam que qualquer que fosse a resposta de Jesus, iriam indispô-lo, com um grupo ou com outro. Jesus, entretanto, não cita nenhum mandamento específico do decálogo, mas faz referência, conjuntamente, a dois trechos conhecidos das Escrituras (Dt 6.5 e Lv 19.18), fornecendo um resumo dos dez mandamentos. Os dez mandamentos podem ser divididos da seguinte forma:



Mandamentos 1 a 4

Nossas obrigações para com o nosso criador - Deus


Mandamentos 5 a 10

Nossas obrigações para com o nossos semelhantes


Jesus apresenta exatamente esse entendimento da Lei, em Mt 22.37-40:



Mandamentos 1 a 4

V. 37 - Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.


Mandamentos 5 a 10

V. 39 - Amarás o teu próximo como a ti mesmo.




Jesus Cristo, portanto, não descarta a lei. Ele foi o exemplo de cumprimento dela e aqui ele a resume, utilizando declarações do próprio Antigo Testamento. O seu ensino expande o entendimento anterior que se possuía da lei. Deus está interessado não apenas no cumprimento externo da lei - naquele evidenciado aos circunstantes, mas naquele cumprimento que procede de uma profunda convicção interna: do amor tanto por Deus como pelo próximo. Esse é o cumprimento que surge de uma vida transformada, tocada e operada pelo Espírito Santo de Deus.
Temos nos acostumado a considerar "amor" algo intangível, indescritível, totalmente subjetivo, abstrato. Mas o conceito bíblico do amor é bem diferente. Ele é tangível - somos recebedores e experimentamos o amor de Deus e temos a capacidade de amar a Deus e aos nossos semelhantes; ele é descritível (1 Co 13); ele é totalmente objetivo, mas, sobretudo, o verdadeiro amor se demonstra em ações concretas que agradam a Deus, pelo cumprimento de suas diretrizes (Jo 14.15 - "se me amais, guardareis os meus mandamentos"). Assim o amor se relaciona com a lei. A forma de demonstrarmos amor a Deus é pelo cumprimento de seus mandamentos, principalmente dos primeiros quatro, que representam nossas obrigações diretas para com ele. A forma de demonstrarmos amor para com o nosso próximo é demonstramos respeito através do preenchimento de nossas obrigações para com os nossos semelhantes - ou seja, pelo cumprimento dos últimos seis mandamentos.
A Lei de Deus Hoje.
Qual a nossa compreensão da lei de Deus? Estamos negligenciando o seu estudo? Estamos desprezando a sua validade, como um instrumento de direcionamento às nossas ações? Será que temos sentimentos de auto-justiça e estamos insensíveis quanto à nossa pecaminosidade e quebra dos preceitos divinos?
Vivemos numa era que despreza absolutos. Hoje em dia a filosofia "da hora" é dizer que não existe uma verdade, mas múltiplas "verdades", algumas dessas contraditórias entre si. Podemos ver como esse pensamento é contrário ao Deus vivo e verdadeiro e à sua revelação? Podemos ver que, na sua lei moral, ele indicou verdades absolutas que estabelecem a linha de demarcação entre o certo e o errado? Podemos entender, quando Jesus Cristo se apresenta como "o caminho, a verdade e a vida", que o pluralismo de opiniões, nas doutrinas cardeais da fé cristã, é uma idéia nociva à igreja de Deus?
Nosso grande desafio, em nossa era, é a apresentação de uma filosofia de vida que é absoluta e exclusivista em sua essência. A fé cristã verdadeira tem todas as suas premissas básicas estabelecidas na objetiva palavra de Deus, escrita para o nosso conhecimento real e verdadeiro e para o direcionamento dos nossos passos. Lembremo-nos das afirmações bíblicas sobre Deus e nosso mediador, Jesus Cristo: "Ouve, ó Israel, o Senhor vosso Deus, é o único Deus..." e "... ninguém vem ao pai, senão por mim..."
O ensinamento do Catecismo Maior de Westminster (perguntas 91 a 98):
P. 91. Qual é o dever que Deus requer do homem?R. O dever que Deus requer do homem é obediência à sua vontade revelada.
Ref. Dt 29.29; Mq 6.8; 1Sm 15.22

P. 92. Que revelou Deus primeiramente ao homem como regra da sua obediência?R. A regra de obediência revelada a Adão no estado de inocência, e a todo o gênero humano nele, além do mandamento especial de não comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, foi a lei moral.
Ref. Gn 1.27; Rm 10.5 e 2.14,15; Gn 2.17


P. 93. Que é a lei moral?
R.
A lei moral é a declaração da vontade de Deus, feita ao gênero humano, dirigindo e obrigando todas as pessoas à conformidade e obediência perfeita e perpétua a ela - nos apetites e disposições do homem inteiro, alma e corpo, e no cumprimento de todos aqueles deveres de santidade e retidão que se devem a Deus e ao homem, prometendo vida pela obediência e ameaçando com a morte a violação dela.
Ref. Dt 5.1, 31, 33; Lc 10.26-28; Gl 3.10; 1Ts 5.23; Lc 1.75; At 24.16; Rm 10.5

P. 94. É a lei moral de alguma utilidade ao homem depois da queda?
R. Embora nenhum homem, depois da queda, possa alcançar a retidão e a vida pela lei moral, todavia ela é de grande utilidade a todos os homens, tendo uma utilidade especial aos não regenerados e outra aos regenerados.
Ref. Rm 8.3; Gl 2.16; 1Tm 1.8

P. 95. De que utilidade é a lei moral a todos os homens?
R. A lei moral é de utilidade a todos os homens, para os instruir sobre a natureza e vontade de Deus e sobre os seus deveres para com ele, obrigando-os a andar conforme a essa vontade; para os convencer de que são incapazes de a guardar e do estado poluto e pecaminoso da sua natureza, corações e vidas; para os humilhar, fazendo-os sentir o seu pecado e miséria, e assim ajudando-os a ver melhor como precisam de Cristo e da perfeição da sua obediência.
Ref . Lv 20.7,8; Rm 7.12; Tg 2.10, 11; Mq 6.8; Sl 19.11,12; Rm 3.9, 20, 23 e 7.7, 9, 13; Gl 3.21,22; Rm 10.4.

P. 96. De que utilidade especial é a lei moral aos homens não regenerados?R. A lei moral é de utilidade aos homens não regenerados para despertar as suas consciências a fim de fugirem da ira vindoura e forçá-los a recorrer a Cristo; ou para deixá-los inescusáveis e sob a maldição do pecado, se continuarem nesse estado e caminho.
Ref. 1Tm 1.9,10; Gl 3.10, 24; Rm 1.20, 2.15.

P. 97. De que utilidade especial é a lei moral aos regenerados?R. Embora os que são regenerados e crentes em Cristo sejam libertados da lei moral, como pacto de obras, de modo que nem são justificados, nem condenados por ela; contudo, além da utilidade geral desta lei comum a eles e a todos os homens é ela de utilidade especial para lhes mostrar quanto devem a Cristo por cumpri-la e sofrer a maldição dela, em lugar e para bem deles, e assim provocá-los a uma gratidão maior e a manifestar esta gratidão por maior cuidado da sua parte em conformarem-se a esta lei, como regra de sua obediência.
Ref. Rm 6.14 e 7.4, 6; Gl 4.4,5; Rm 3.20 e 8.1, 34 e 7.24,25; Gl 3.13,14; Rm 8.3,4; 2Co 5.21; Cl 1.12-14; Rm 7.22 e 12.2; Tt 2.11-14.

P. 98. Onde se acha a lei moral resumidamente compreendida?
R. A lei moral acha-se resumidamente compreen­dida nos dez mandamentos, que foram dados pela voz de Deus no monte Sinai e por ele escritos em duas tábuas de pedra, e estão registrados no capítulo vigésimo do Êxodo. Os quatro primeiros mandamentos contêm os nossos deveres para com Deus e os outros seis os nossos deveres para com o homem.
Ref. Dt 10.4; Mt 22.37-40.
Examinando e Expondo a Palavra de Deus aos Nossos Dias:

Isaías 1:18-20 "Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse."

Atos 17:2-3 "Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio."

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Qual é princípio básico da lei de Deus? A Bíblia diz em Romanos 13:10 “O que ama ao seu próximo não lhe faz nenhum mal. Pois o amor é o cumprimento total da lei.”

A lei de Deus resume-se em amor. A Bíblia diz em Mateus 22:37-40 “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

Jesus ajuda-nos a clarificar a nossa relação com a lei de Deus. A Bíblia diz em Mateus 5:17-18 “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido.”

A lei de Deus oferece direcção na vida, não justificação. A Bíblia diz em Gálatas 2:15-16 “Nós, judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios, sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada.”

É nosso dever obedecer a lei de Deus. A Bíblia diz em Eclesiastes 12:13 “Este é o fim do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem.”

Qual é a relação entre a lei e o pecado? A Bíblia diz em 1 João 3:4 “Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é rebeldia.”

É necessário guardar todos os mandamentos? A Bíblia diz em Tiago 2:10-11 “Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos. Porque o mesmo que disse: Não adulterarás, também disse: Não matarás. Ora, se não cometes adultério, mas és homicida, te hás tornado transgressor da lei.”

Podemos conhecer a Deus sem guardar os mandamentos? A Bíblia diz em 1 João 2:4-6 “Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade; mas qualquer que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus. E nisto sabemos que estamos nele; aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou.”

Qual é o propósito da lei? A Bíblia diz em Romanos 3:20 “Porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado.”

Podemo-nos salvar observando a lei? A Bíblia diz em Romanos 3:27-31 “Onde está logo a jactância? Foi excluída. Por que lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. Concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. É porventura Deus somente dos judeus? Não é também dos gentios? Também dos gentios, certamente, se é que Deus é um só, que pela fé há de justificar a circuncisão, e também por meio da fé a incircuncisão. Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei.”




DIVISÃO NA LEI OU DIVISÕES DE LEIS?
Por Marllington Klabin Will

  Alguns acusam os adventistas por fazerem uma “divisão” na Lei. Uma minoria leiga, por falta de conhecimento teológico, chegam até a defender uma Torah indivisível didaticamente! Pretendem dessa forma atacar os adventistas que supostamente estão “separando” a unidade da Lei bíblica em duas leis distintas e opostas. O fato é que a divisão de leis pode ser feita de duas maneiras: dividindo (classificando) a Torah didaticamente, como fazem todas as outras denominações cristãs, ou distinguindo a Torah como uma Lei Positiva de uma Lei Natural.


DUAS DIVISÕES

  Muitos fazem confusão por não identificarem uma Lei Divina Natural coexistindo com uma Lei Divina Positiva revelada e escritas nas escrituras. A própria razão aponta a existência da Lei Divina Natural (ou Lei Moral). É aquela lei que é constituída por um conjunto de princípios, e não de regras escritas. É constituída pelos princípios que servem de fundamento para a Lei Divina Positiva (a Torah), não por um conjunto de preceitos paralelos à Torah, mas pelos princípios fundamentais do nela.

  Deus ditou e promulgou 603 preceitos por meio de Seu servo Moisés, contudo dez mandamentos, os que tratam da relação do homem para consigo mesmo e para com a Divindade, que expressariam o resumo geral dos princípios da Lei Moral, Deus fez questão de grifar em placas de pedra com Seu próprio dedo! Esse conjunto viria a ser denominado pelas Sagradas Escrituras como “Os Dez Mandamentos” (Dt.4:13 / 10:4). Ou seja, a Lei Divina Positiva é a lei na forma escrita, expressada tanto no Decálogo, para os que são propensos a pecar sejam persuadidos a evitar tais desvios, quanto nas leis ditadas positivamente a Moisés no Sinai.

  O próprio apóstolo Paulo sabia muito bem reconhecer a diferença ente uma Lei Divina Positiva, a Lei revelada nas Escrituras Sagradas, e uma Lei Divina Natural, que abrange questões morais. Ele fala que os gentios “por natureza” eram “lei para si mesmos”, pois tinham essa “lei gravada no seu coração” (Rm.2:14 / ver cap. 1:20–31). Diz o apóstolo:
       A própria consciência deles mostra que isso é verdade, e os seus pensamentos, que às vezes os acusam e às vezes os defendem, também mostram isso. (Rm.2:15)
  O Concílio Vaticano II reafirmou tal doutrina em termos muito claros:
       “Na intimidade da consciência, o homem descobre uma lei. Ele não a dá a si mesmo. Mas a ela deve obedecer. Chamando-o sempre a amar e praticar o bem e evitar o mal, no momento oportuno, a voz desta lei lhe faz ressoar nos ouvidos do coração: ‘Faze isto, evita aquilo’. De fato, o homem tem uma lei escrita por Deus em seu coração. Obedecer a ela é a própria dignidade do homem, que será julgado de acordo com essa lei. A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está a sós com Deus e onde ressoa a voz de Deus.” — Em “Const. Gaudium et Spes”, nº 16.
  Ademais, a negação da Lei Moral leva a dizer que os atos mais abjetos podem vir a ser considerados virtudes e vice-versa. Negar essa lei é negar a própria ordem moral. Como dizia J. P. Sartre: “Se Deus não existe, tudo é permitido” [Em “L’Existentialisme est un Humanisme” (1946), p. 114]. Quem admite a existência de Deus Criador admitirá que tenha infundido dentro das criaturas livres, feitas à sua imagem, algumas grandes normas que encaminham o homem à consecução da vida eterna (Jr.31:33–34 / Hb.8:10 / 10:16). Essa orientação interior é precisamente o que se chama de Lei Moral ou Natural. Quem não reconhece a Lei Moral atribui ao Estado civil o poder de definir o bem e o mal éticos — a vontade do Estado torna-se a fonte da moralidade e do direito. Então, o que precisa-se fazer é uma divisão de leis, e não na Lei. Não importa muito se a Torah é divisível ou não. O que importa mesmo é distinguir a Torah como Lei Positiva de uma Lei Natural.

  O problema é que os paradigmas da atualidade tornaram difícil entender a diferença entre a Lei Natural e a Lei Positiva, pois, infelizmente, na sociedade contemporânea “domina um conceito positivista do direito, segundo o qual, a humanidade, ou a sociedade, ou de fato a maioria dos cidadãos, se converte na fonte última da lei civil. (…) Na raíz desta tendência se encontra o relativismo ético…” [Em “Vatican Information Service”, VISnews 071005, 05/10/2007, ano XVII, nº 168]. Seria importante, então, analisarmos esse conceito como transmitido por grandes personalidades do passado.


A DIVISÃO DE LEIS HISTÓRICA


  Três grandes filósofos jurídicos dos séculos XVI e XVII são de grande ajuda para a compreensão do tema. São eles o jusnaturalista Francisco Suárez, o holandês Hugo Grotius e o grande Immanuel Kant, um dos maiores filósofos jurídicos de todos os tempos. É de Kant a declaração: “o céu estrelado por sobre mim e a Lei Moral dentro de mim”. Eles explicaram, por teoria sistemática, as duas dimensões positivas e naturais da lei, estabelecendo dessa forma uma importante distinção entre a Lei Positiva Secular (direito civil), a Lei Divina Positiva (a escrita na Torah) e a Lei Divina Natural (expressa de forma positiva, por exemplo, nos Dez Mandamentos). A tese é de uma obrigação moral, única e geral, que explica todas as outras obrigações morais que se há. Mas para entendermos melhor a questão precisamos voltar à Era Medieval, onde os conceitos de Direito Natural foram aplicados às leis bíblicas para melhor compreensão do sistema legislativo divino.

  Na Idade Média, os filósofos Graciano, Lactâncio e Santo Agostinho desenvolveram a doutrina de que o Direito Natural da antigüidade clássica se identificava com a lei revelada por Deus a Moisés e com a Lei de Cristo, no Evangelho. Mas quem determinou e concretizou essa idéia foi um dos principais nomes da filosofia e teologia medieval, São Tomás de Aquino, que no século XIII fundamentou sua tese sobre leis bíblicas na admissão de três categorias: a Lei Divina Natural, a Lei Divina Positiva e a Lei Eclesiástica. Segundo ele, as leis eternas manifestam a própria razão divina, e sobre elas os homens somente conseguem obter um conhecimento parcial, através das manifestações de Deus.


—> Lei Divina Natural

  A ética cristã consiste num agir de acordo com a Lei Moral que é revelada pela natureza racional. Essa lei tem origem na natureza de Deus e expressa Seu caráter e Sua justiça, de forma que é imutável e eterna, abrangendo a todos os seres criados, fixando-lhes na consciência os princípios gerais da moral. Será detalhado as características da Lei Moral mais a frente, conforme o conceito adotado por São Tomás de Aquino.


—> Lei Divina Positiva

  Em razão da forma genérica da Lei Divina Natural que a faz parecer incerta em múltiplas circunstâncias, Deus se digna a revelá-la positivamente, de forma escrita e objetiva. Essa Lei Divina Positiva é promulgada através dos 613 preceitos contidos na Torah. A necessidade de leis positivas se encontra também no estabelecimento do serviço cerimonial e sacerdotal, bom como em princípios civis para organizar povo de Israel como sociedade.

  É também a lei do Novo Testamento ou do Evangelho, chamada de Lei de Cristo ou Lei do Amor, pois “a Lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te libertou da lei do pecado e da morte” (Rm.8:2). Essa Lei Divina Positiva jamais se contraria nem subordina à Lei Divina Natural, que é antecedente, independente e superior à lei positivada. Então, a Lei Positiva participa conceituando a Lei Moral na criatura racional, ou seja, aquilo que o homem é levado a fazer moralmente pela sua natureza racional.


—> Lei Eclesiástica

  São as leis humanas ditadas através da Igreja, que promulga para dar mais precisão à Lei Divina, seja a Natural seja a Positiva. Jesus Cristo mesmo outorgou à autoridade eclesiástica a faculdade de legislar (Mt.16:16–19 / 28:18–20 / Jo.21:15–17). Fazem parte desse grupo ordenanças e ditames transmitidas pelos profetas no Antigo Testamento e advertências e leis apostólicas transmitidas no Novo Testamento. Na opinião de São Tomás de Aquino, aqui também deveriam ser incluídas as tradições rabínicas para a Igreja veterotestamentária e as ordens papais para a Igreja neotestamentária.

A DIVISÃO DE LEIS NA BÍBLIA

Vinte razões bíblicas por que a Lei de Deus não é indivisível e o Decálogo é um código moral especial.

Por Marllington Klabin Will


  A palavra “lei” possui vários significados na Bíblia. Afirmar que toda vez a Bíblia usa a palavra “lei” para designar a mesma coisa seria tão razoável quanto afirmar que cada vez que a Bíblia usa a palavra “dia” quer dizer o mesmo período de tempo. Mas os fatos são que “dia” pode significar (1) a parte clara de uma manhã, (2) todo o período de 24 horas ou mesmo (3) um período indefinido de tempo, como “agora é o dia da salvação”. Se o raciocínio de que toda vez que a palavra “lei” significasse a mesma coisa, poderíamos concluir por certos textos da Bíblia que falam do fim do “dia”, o dia da salvação teria terminado. O fato é que a palavra “lei” pode significar:
 —> Agrupamento de leis, religiosas ou não.
 —> Regra, princípio ou norma.
 —> Os primeiros cinco livros da Bíblia.
 —> Mandamentos e preceitos.
 —> Termo coletivo para designar todas as leis.
 —> Um código específico (Moral, Cerimonial, etc.), como faremos notar.

~~~~~~~~~~~~~~~~

  A heresia de que a lei é “una” começou nos primeiros séculos da era cristã. Por prejudicar muito a compreensão racional de que Jesus é de fato a tipologia de todas as cerimônias prometidas ao Messias no Antigo Testamento, a apologética judaica, em meados do século IV, abraçou cegamente este ensinamento herético de que a lei não se divide — teoria essa nunca ensinada por seus ancestrais (ver o Talmude e tradições rabínicas). Assim como esses judeus pretendiam dificultar o entendimento de uma verdade bíblica com essa heresia, alguns que se dizem cristãos também adotam o mesmo ensinamento herético com a mesma finalidade de dificultar uma verdade bíblica, neste caso, a verdade do santo sábado.

  Desde a época da Reforma, os pais pioneiros, próceres teólogos, grandes entidades eclesiásticas e religiosas, em geral, toda a cristandade têm percebido a clara distinção de leis na Bíblia e sempre têm registrado esse fato em seus credos e confissões de fé! A alegação de que existe apenas uma lei tem sido aceitada apenas entre uma moderna corrente teológica muito fraca que é seguida por uma minoria ínfima na cristandade em uma fervorosa tentativa de enfrentar a força da evidência da verdade do sábado que agora está sendo tão vigorosa e amplamente apresentada pelos adventistas.

  Esses hereges alegam que não há na Bíblia nenhum termo como “lei moral”, “lei cerimonial” ou “lei civil”. Então, pela ausência de tais terminologias (argumento do silêncio), pretendem “provar” que a lei bíblica é “una” e forma um só “pacote” que foi por todo abolido na cruz. Mas não é necessário ir à caça de terminologia específica para muitas coisas na Bíblia que tantos milhões de cristãos sempre aceitaram naturalmente, como “onisciência”, “onipresença”, “onipotência”, “teocracia”, “Trindade”, “Decálogo”, etc. E daí? Vamos negar esses conceitos por não existirem palavras que os definam nas Escrituras? Temos que nos preocupar com fatos, e não com palavras específicas.

  A seguir, analisaremos vinte razões bíblicas, dentre outras, sendo que as dez primeiras provam ser impossível a lei ser “una”, indivisível, e as outras dez provam ser o Decálogo um código de dez preceitos morais especiais.


PONDERAÇÃO FINAL

  Há uma seqüência de passagens onde a divisão de leis é estabelecida pelo próprio apóstolo Paulo:

      Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura (Gl.6:15).

      Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor (Gl.5:6).

      A circuncisão nada é, também a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus (1Co.7:19).

  Esta seqüência de textos torna claro que para Paulo as questões rituais da lei não são relevantes, mas o importante é observar os mandamentos que não pertencem a esse aspecto, da lei cerimonial, mas que são baseados nos princípios éticos e morais do amor. Ou seja, ele acentua certas leis que antes eram muito importantes para o povo judeu, e não mais importam, em contraste com os “mandamentos de Deus” que importam serem observados. Observemos a coerência de seu raciocínio: O “ser nova criatura”, equivale a demonstrar uma “fé que atua pelo amor”, o que se expressa em “guardar os mandamentos de Deus. Há, pois, perfeita harmonia no entendimento dessas questões.

  Após considerarmos todos estes fatos que especificam, distinguem e destacam o Decálogo, perguntamos: se você pudesse ter ditado a maneira da entrega dessa lei, e tivesse desejado dar prova convincente de que ela era uma lei separada e especial, quais procedimentos seriam possíveis você ter tomado que a teria destacado mais drasticamente do que as que de fato foram tomadas por Deus? Definitivamente, a Bíblia é muito clara ao descrever características muito contraditórias para uma única lei. Não há coerência em atribuir finalidades tão opostas para um mesmo código jurídico. Estaria a Bíblia se referindo a uma lei indivisível? É claro que não. Obviamente o contexto indica que há leis distintas, com funções, finalidades e características também distintas.

  O interessante é que o entendimento de toda a cristandade e seus documentos oficiais, bem como os de grandes próceres teólgoos, autoridades e líderes religiosos, sempre ensinaram a questão da divisão de leis exatamente como os adventistas, embora na tremenda lavagem cerebral do moderno semi-antinomismo/dispensacionalismo fica a falsa impressão de que o que ensinam é o que sempre se constituiu no entendimento cristão evangélico da questão. Basta conferir suas confissões de fé, credos, documentos oficiais e catecismo históricos, nos capítulos sobre a lei divina, para se constatar isso!
QUESTÃO PERSPICAZ


  Onde está escrito nas Escrituras Bíblicas que a Torá possui a característica da indivisibilidade frente aos diversos atributos contraditórios apresentados por sua suposta única lei, para que haja respaldo a II Pedro 1:19–21 que exige comprovação escriturística, sem se contrariar com a defesa da apologética, conforme o confrontamento das seguintes passagens:


  • Ef.2:15 com Rm.3:31 / 4:15 / 1Jo.3:4;
  • Rm.7:22 com At.15:10;
  • Tg.2:10 / Ec. 12:13–14 com Cl.2:16;
  • Is.42:21 com Ef.2:15;
  • Hb.8:6–10 com Hb.7–10;
  • Rm.7:7,14 com Hb.7:16;
  • 1Co.7:19 com Rm.7:7–8;
  • Rm.3:20 / 4:15 / 5:13 / 7:7 com 2Cr.23:18 / 30:16 / Ed.3:2;
  • 1Jo.3:4 com Dn.9:13 / Ml.4:4;

E a exegese dos seguintes versos:


  • Ex.19–20 / 24:4–7 / 31:18;
  • Dt.4:13 / 5:22 / 10:2,5 / 31:9,24–26;
  • 1Rs.8:9;
  • Rm.7:7–8;
  • 1Co.7:19,25;
  • Ap.11:19 ???


  Comprovadamente, quem finge ser as leis bíblicas indivisíveis, formando apenas um único “pacote” que foi por todo abolido na cruz, não se explica por estes textos!!!

CAPÍTULO XIX
DA LEI DE DEUS




I. Deus deu a Adão uma lei como um pacto de obras. Por este pacto Deus o obrigou, bem como toda sua posteridade, a uma obediência pessoal, inteira, exata e perpétua; prometeu-lhe a vida sob a condição dele cumprir com a lei e o ameaçou com a morte no caso dele violá-la; e dotou-o com o poder e capacidade de guardá-la.

Gn.1:26; Gn.2:17; Ef.4:24; Rm.2:14-15; Rm.10:5; Rm.5:12,19.

II. Essa lei, depois da queda do homem, continuou a ser uma perfeita regra de justiça. Como tal, foi por Deus entregue no monte Sinai em dez mandamentos e escrita em duas tábuas; os primeiros quatro mandamentos ensinam os nossos deveres para com Deus e os outros seis os nossos deveres para com o homem.

Tg.1:25; Tg.2:8,10; Dt.5:32; Dt.10:4; Mt.22:37-40.

III. Além dessa lei, geralmente chamada lei moral, foi Deus servido dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas ab-rogadas sob o Novo Testamento.



http://www.luz.eti.br/do_confissaodewestminster1647.html#cap19



A IGREJA LUTERANA, A LEI E O SÁBADO

Os luteranos têm sua origem nas reformas levantadas na Alemanha, organizadas por Martinho Lutero, Felipe Melanchton, Carlstadt e outros. No século XIX, o estado da Alemanha unificou todas as igrejas luteranas. Não concordando com esta decisão, alguns que defendiam o princípio da não-união entre Igreja e Estado (por influência batista) tiveram que emigrar para a América do Norte. Em 1849 fundaram o “Sínodo de Missouri, Ohio e outros estados”. Por isso que os mais de 60 milhões de luteranos hoje existentes no mundo estão agrupadas em dois grandes blocos: a Federação Luterana Mundial (FLM) e o Conselho Luterano Internacional (ILC). No Brasil, a maioria dos luteranos chegaram em 1824, provenientes da linha estatal alemã, fundando a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Já a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) é fruto de missão da Igreja Luterana norte-americana a partir de 1900, que veio atender pedidos dos que desejavam aquele sínodo.

Apesar da divisão administrativa da Igreja Luterana, o elo que os une e caracterisa é a doutrina luterana, estabelecida por suas confissões de fé, credos, catecismos, documentos e sínodos. Alguns dos documentos que formam o credo luterano são os seguintes:

—> o “Catecismo Menor” (1529), um resumo de interpretações bíblicas, escritas para o povo;
—> o “Catecismo Maior” (1529), as mesmas interpretações detalhadamente explicadas para adultos;
—> a “Confissão de Augsburgo” (1530), a principal confissão luterana, é o testemunho luterano que foi apresentado ao Imperador Carlos V e à Dieta do Santo Império Romano a 25 de junho de 1530;
—> a “Apologia” (1531), uma defesa da “Confissão de Augsburgo”;
—> os “Artigos de Esmalcalde” (1537), reafirmando os ensinos da “Confissão de Augsburgo” e expondo, com mais profundidade, a doutrina da Santa Ceia, segundo a visão luterana;
—> e a “Fórmula de Concórdia” (1577), que define o pecado original, a impossibilidade de o homem salvar-se por suas próprias força e a pessoa e obra de Cristo.

Todas as confissões foram reunidas no “Livro de Concórdia”, em 1580.

As confissões luteranas podem também ser consideradas como estandarte, em torno do qual os luteranos, contra um suposto erro, cerram fileiras em defesa de suas visões doutrinarias das Escrituras. Esses credos também podem ser consideradas como uma bandeira, à qual os mestres da igreja prestam juramento de fidelidade. Cada membro da Igreja Luterana deve subscrever não apenas a Bíblia, mas também as confissões e credos como exposição correta das doutrinas bíblicas. Para o leigo isto significa, ao menos, o “Catecismo Menor” de Lutero; para o pastor e professor significam todas as confissões adotadas pela Igreja Luterana. Não é à toa que os luteranos declaram: “Aceitamos todos os livros canônicos das Escrituras Sagradas do Antigo e Novo Testamentos, como palavra infalível de Deus e, como exposição correta da Escritura Sagrada, aceitamos os livros simbólicos reunidos no Livro de Concórdia”. Em suas constituições, os grupos luteranos — congregações e sínodos — definem sua posição doutrinária mais ou menos nestas palavras: “Confessamos que os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento são a palavra de Deus inspirada e, portanto, a única regra de fé e vida, e que as confissões da Igreja Evangélica Luterana são uma exposição correta das doutrinas desta palavra”. Por que esta firme insistência, como resumido nas confissões luteranas? Porque para os luteranos não pode haver nada mais importante do que as doutrinas expostas conforme sua interpretação da Bíblia.

O QUE A IGREJA ANGLICANA DIZ SOBRE A LEI E O SÁBADO?

Veremos no presente artigo, baseado nos documentos oficiais, confissões de fé, credos, catecismos e sínodos qual o posicionamento oficial da Igreja Luterana frente à questão da lei e do sábado. Ao contrário do que pensam alguns luteranos mal-informados de sua própria doutrina, é fato que seus líderes e autoridades, teólogos de maior gabarito, professores, ilustres evangelistas, pastores e famosos escritores concordam com os adventistas e demais cristãos observadores do sábado quanto à validade deste e de todos os mandamentos do Decálogo como regra de prática e conduta para o cristão. Inclusive é a mesma posição bíblica ensinada oficialmente há séculos pelas demais denominações cristãs, como metodistas, congregacionalistas, batistas, presbiterianos, anglicanos, episcopais, assembleianos, católicos, mórmons, etc.

É verdade que quando tratam especificamente de “sábado”, esses mesmos autores luteranos pretendem reinterpretar o quarto mandamento como agora se aplicando ao primeiro dia da semana, supostamente devido à ressurreição de Cristo. Então, estão certos e de acordo quanto à validade e vigência de todos os mandamentos do Decálogo e das origens edênicas do princípio sabático, porém estão equivocados ao acharem que o domingo tomou o lugar do sábado, uma informação que não consta de parte alguma da Bíblia.

Analisaremos agora como os luteranos respondem oficialmente às nossas perguntas sobre esse tema.

1) O que é a Lei de Deus? O que são os Dez Mandamentos?

Martinho Lutero, o grande pai da Reforma e fundador da Igreja Luterana, declara o seguinte no “Prefácio à Epístola aos Romanos” sobre o verbete “Lei”:

“‘A lei é espiritual’. Que significa isso? Se a lei fosse carnal, ela poderia ser satisfeita com obras. Sendo, porém, espiritual, ninguém a satisfaz, a não ser que venha do coração o que fazes. Mas ninguém proporciona semelhante coração, senão o Espírito de Deus, que é Quem iguala a pessoa à lei, de sorte a receber de coração a disposição para a lei, agora tudo fazendo, não por temor ou obrigação, mas de coração livre, espontaneamente. (…) uma coisa é realizar as obras da lei e outra coisa muito distinta, cumprir a lei. (…) Como se pode preparar para o bem através de obras quem não faz uma boa obra livre de indisposição e má vontade no coração? Como haverá de agradar a Deus a obra que provém de um coração indisposto e desobediente?

“Entretanto, cumprir a lei significa realizar sua obra com vontade e amor, levar uma vida reta e conforme a vontade de Deus livremente sem a coação da lei, como se não houvesse lei ou punição. Semelhante disposição partindo do livre amor é o Espírito Santo quem a dá ao coração (…)

“Daí sucede que somente a fé torna justificado e cumpre a lei; pois ela traz o Espírito proveniente do mérito de Cristo, e o Espírito cria um coração disposto e livre, como o exige a lei; assim, portanto, as boas obras se originam da própria fé. Isto é o que ele quer dizer no capítulo 3:21, depois de ter repudiado as obras da lei, dando a impressão de que quisesse suprimi-la mediante a fé: Não (diz ele), nós afirmamos a lei através da fé, isto é, nós a cumprimos mediante a fé.” — Grifos acrescentados. Uma outra tradução desse documentopode ser encontrado no seguinte web site: http://solascriptura-tt.org/Diversos/Romanos-PrefacioPorLutero.htm (acessado a 28/12/2007).

Diz o “Catecismo de Heidelberg” (1563) na parte sobre “Os Dez Mandamentos”:

“92. Que diz a lei do SENHOR?

“R. Deus falou todas estas palavras (Êxodo 20:1–17; Deuteronômio 5:6–2: [a seguir é mostrado todos os Dez Mandamentos segundo a Bíblia]).

“93. Como se dividem estes Dez Mandamentos?

“R. Em duas partes. A primeira nos ensina, em quatro mandamentos, como devemos viver diante de Deus; a segunda nos ensina, em seis mandamentos, as nossas obrigações para com nosso próximo.” — Grifos acrescentados.

A “Confissão de Fé Helvética” declara o seguinte a respeito “Da Lei de Deus”:

“A lei é completa e perfeita. Cremos que toda a vontade de Deus e todos os preceitos necessários a cada esfera da vida são nesta lei ensinados com toda a plenitude. De outro modo o Senhor não nos teria proibido de adicionar-lhe ou de subtrair-lhe qualquer coisa; nem nos teria mandado andar num caminho reto diante desta Lei, sem dela nos declinarmos para a direita ou para a esquerda (Deut 4.2; 12.32, 5.32, cf. Num 20–17 e Deut 2.27).” — Grifos acrescentados.

Conforme foi visto acima, a Igreja Luterana tem a Lei de Deus, os Dez Mandamentos, numa alta estima.

2) Para que serve a lei, os Dez Mandamentos?

O Reformador e grande campeão da doutrina de justificação pela fé, Martinho Lutero, em seu documento “Um Tratado Contra os Antinomistas” escrito em forma de carta a seu particular amigo Gasper Guttil, claramente se refere entre os primeiros parágrafos à “lei moral, ou dez mandamentos”, mais adiante referindo-se a esses negadores da validade do Decálogo como normativo aos cristãos como “novos espíritos… que se empenham em lançar a lei de Deus, ou os dez mandamentos, fora da Igreja”.

Pouco adiante ele se refere novamente a certo opositor que “escreveu contra a Lei Moral, ou Dez Mandamentos; professando ser do mesmo julgamento que nós aqui em Wittenberg, como também em Augsburgo, segundo o teor de nossa Confissão e Apologia submetida ao Imperador; e se daqui em diante ele sustentar ou ensinar o contrário, ele deseja que me pronuncie no sentido de que os mesmos estão anulados e condenados. Eu não consigo encontrar meios de sentir como poderia ele chegar a tão grande baixaria…”.

Alguns parágrafos abaixo, continua Lutero:

“Verdadeiramente, admiro-me muitíssimo como se chegou a imputar-me que eu rejeitaria a Lei ou os Dez Mandamentos, já que existem tantas de minhas próprias exposições (e de várias modalidades) sobre os mandamentos, os quais são também diariamente expostos e empregados em nossas igrejas, para nada dizer da Confissão e da Apologia, e outros de nossos livros. E a isso se acrescente o costume que temos de cantar os mandamentos em duas diferentes canções; além de pintura, impressão, talhas e repetição deles pelas crianças, tanto de manhã, quanto ao meio-dia, e à tardinha; (…) e eu próprio, ainda que já velho, costumo recitá-los diariamente, feito uma criança, palavra por palavra”. — Em “Wider die Antinomer” (contra os antinomistas), secs. 6 e 8, em seus “Sämsmtliche Schriften” (Escritos Coletados), ed. Por Johann George Walck, vol. 20 (St. Louis, Concordia, 1890), col. 1613 e 1614. Também em “Agaist the Antinomians”, trad. de “Luther’s Work” (ed. de Weimar), vol. 50, p. 171–470.

Mais adiante, retoricamente até exemplifica o que alguém poderia dizer: “O quê? O bom Dr. Lutero incentiva tão ardorosamente o (aprendizado dos) Dez Mandamentos e, contraditoriamente, ensina que devem ser rejeitados?”

E prossegue:

“Verdadeiramente, tenho ensinado e ainda ensino que os pecadores devem ser levados ao arrependimento pela pregação e ponderação dos sofrimentos de Cristo, para que possam ver quão grande ira tem Deus pelo pecado. E este não pode ser expiado senão pela morte do Filho de Deus (…). Mas como se admitiria daí que, com isso, a lei deve ser removida? (…) pode alguém pensar que o pecado existe onde não há lei? Quem quer que ab-rogue a lei, deve forçosamente ab-rogar também o pecado.” — Idem.

E na “Life of Luther” (vida de Lutero), de M. Michelet, o grande reformador é citado como havendo dito:

“Aquele que invalida a doutrina da lei, anula ao mesmo tempo a ordem política e social. Se eliminardes a lei da igreja, nenhum pecado poderá ser mais reconhecido como tal no mundo; pois o evangelho só define e pune o pecado em conexão com a lei.” — Liv. 5, cap. 4, trad. de Hazlitt (ed. 2), p. 315. Grifos acrescentados.

A “Confissão de Fé Helvética” ainda declara:

“A vontade de Deus nos é exposta na lei de Deus. Ensinamos que a vontade de Deus nos é exposta na Lei de Deus: o que ele quer ou não quer que façamos, o que é bom e justo, ou o que é mau e injusto. Portanto, confessamos que a Lei é boa e santa. (…)

“Porque foi dada a lei. Ensinamos que esta Lei não foi dada aos homens para que fôssemos justificados pela sua observância, mas antes para que, pelo seu ensino, conhecêssemos nossa fraqueza, nosso pecado e condenação e, perdendo a confiança em nossas forças, nos convertêssemos a Cristo pela fé. O apóstolo diz claramente: ‘A Lei suscita a ira’; ‘pela Lei vem o pleno conhecimento do pecado’ (Rom 4.15; 3.20); ‘porque, se fosse promulgada uma Lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade seria procedente da Lei; mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que mediante a fé em Jesus Cristo fosse a promessa concedida aos que crêem… De maneira que a Lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé’ (Gal 3.21 ss).” — Em “Da Lei de Deus”.

Resumindo o ensinamento luterano sobre a lei, é declarado que os mandamentos de Deus servem, dentre outros, para:

—> impultar o pecado,
—> fazer-nos reconhecer o pecado,
—> manter a ordem,
—> reveler a vontade de Deus,
—> mostrar-nos o que é justo e
—> conduzir-nos no que devemos fazer.

3) A Lei de Deus, os Dez Mandamentos, estão vigentes para o cristão?

A posição oficial da Igreja Luterana pode ser expressada por um de seus catecismos mais conhecidos:

“Conquanto aqueles que verdadeiramente crêem em Cristo, e são sinceramente convertidos a Deus, estão mediante Cristo libertos da maldição e restrições da lei, não obstante não estão, nesse sentido, sem lei, uma vez que o Filho de Deus os redimiu para a razão mesma de que possam meditar sobre a Lei de Deus dia e noite, e continuamente exercitar-se em sua observância.” — Extraído de “Fórmula de Concórdia”, art. 6. Grifos acrescentados.

Martinho Lutero no “Prefácio à Epístola aos Romanos” declara o seguinte sobre o capítulo 6:

“‘Ser sem lei’ não é o mesmo que não ter lei alguma e que se possa fazer o que apraz a cada um, senão que ‘estar debaixo da lei’ é quando, sem a graça, lidamos com as obras da lei. (…) A graça, porém, nos torna a lei agradável de sorte que não há mais pecado e a lei não está contra nós, mas em harmonia conosco.

“Esta é a verdadeira liberdade do pecado e da lei… É uma liberdade de fazer apenas o bem com vontade e de viver corretamente sem a coação da lei. Por isso tal liberdade é uma liberdade espiritual, que não anula a lei, e sim oferece aquilo que é exigido pela lei”.

E o que declara o famoso “Catecismo Menor” escrito pelo próprio Martinho Lutero:

“23. Que espécies de leis deu Deus no Velho Testamento?

“Três espécies: 1. A Lei Eclesiástica Cerimonial; 2. A Lei Civil; 3. A Lei Moral.

“24. Qual destas leis está ainda em vigor?

“A Lei Moral, a qual está contida nos Dez Mandamentos.

“25. Pode esta lei ser abolida?

“Não; pois ela está fundamentada sobre a natureza santa e justa de Deus.” — Em “Epítome of Pontoppidan’s Explanation of Martin Luther’s Small Catechism” (1935), p. 6–7. Grifos acrescentados.

O mesmo catecismo declara no final da parte “Os Dez Mandamentos”:

“Deus ameaça castigar todas as pessoas que não cumprem estes mandamentos; por isso, devemos temer a Sua ira e não deixar de cumpri-los; mas Ele promete graça e todo o bem às pessoas que os praticam. Por isso, devemos amá-lo, confiar nEle e guardar os Seus mandamentos de boa vontade.”

“Até que ponto foi a lei ab-rogada. A Lei de Deus é, pois, ab-rogada na medida em que ela não mais nos condena, nem opera ira em nós. Estamos debaixo da graça e não debaixo da Lei. Além disso, Cristo cumpriu todas as formas da Lei. Daí, vindo o corpo, cessaram as sombras, de modo que agora em Cristo temos a verdade e toda a plenitude. Contudo, de modo nenhum rejeitamos por isso a Lei. Lembramo-nos das palavras do Senhor, que disse: ‘Não vim para revogar, vim para cumprir’ (Mat 5.17). Sabemos que na Lei nos são ensinados os padrões de virtudes e vícios. Sabemos que a Lei escrita, quando explicado pelo Evangelho, é útil à Igreja, e que, portanto, sua leitura não deve ser excluída da Igreja. E, embora a face de Moisés estivesse recoberta com um véu, no entanto o apóstolo diz que o véu foi retirado e abolido por Cristo.

“As seitas. Condenamos tudo o que os heréticos, antigos e modernos, ensinaram contra a Lei.” — Em “Confissão de Fé Helvética”, art. “Da Lei de Deus”. Grifos acrescentados.

Depois de mostrarmos o pensamento de seu fundador e a posição da confissão de fé luterana, precisaríamos citar mais alguma fonte para provar que todos os Dez Mandamentos permanecem vigentes para os cristãos, segundo o ensinamento oficial da Igreja Luterana?
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A Lei (Torá) de Deus :: Comentários

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:41 am por Carlstadt

4) Existe diferença entre a Lei Moral e a Lei Cerimonial?

Diz a “Confissão de Fé Helvética”:

“Para maior clareza, distinguimos: a Lei Moral contida no Decálogo ou nas duas Tábuas e expostas nos livros de Moisés; a Lei Cerimonial, que determina as cerimônias e o culto de Deus; e a Lei Judiciária, que versa questões políticas e domésticas.” — Op. cit.

A posição oficial da Igreja Luterana pode ser exposta nas palavras de um dos seus catecismos mais conhecidos:

“23. Que espécies de leis deu Deus no Velho Testamento?

“Três espécies: 1. A Lei Eclesiástica Cerimonial; 2. A Lei Civil; 3. A Lei Moral.

“24. Qual destas leis está ainda em vigor?

“A Lei Moral, a qual está contida nos Dez Mandamentos.

“25. Pode esta lei ser abolida?

“Não; pois ela está fundamentada sobre a natureza santa e justa de Deus.” — Op. cit., p. 6–7. Grifos acrescentados.

Vejamos o que as autoridades luteranas declaram sobre o catecismo que acabamos de citar acima:

“Catecismo Menor — É um livro… escrito pelo Doutor Martinho Lutero em 1529. O Catecismo Menor contém as partes principais da doutrina cristã. São elas: Os Dez Mandamentos; O Credo (Apostólico); O Pai Nosso; O Sacramento do Santo Batismo; (…) Estas doutrinas foram tiradas da Escritura Sagrada.” — Em “História das Confissões Luteranas”, art. 4. Grifos acrescentados. Esse catecismo pode ser encontrado no seguinte web site: http://www.textosdareforma.net/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=22&mode=thread&order=0&thold=0 (acessado a 22/09/2007).

De tudo que está registrado, fica mais do que claro que esses documentos confessionais cristãos históricos, além de mestres de outras confissões, admitem que existam pelo menos duas leis, dentre outras, das quais fala a Escritura Sagrada:

—> Lei Moral — sumariada nos Dez Mandamentos, e
—> Lei Cerimonial — representada pelos sacrifícios e ordenanças rituais para Israel.

5) Desde quando existem os Dez Mandamentos, a Lei de Deus?

Lutero nos fala novamente através do “Epitome of Pontoppidan’s Explanation of Martin Luther’s Small Catechism”:

“Como revelou Deus essa lei?

“Por ocasião da criação Ele a escreveu no coração dos homens, e por isso é chamada a lei da natureza. Rom. 2:15.

“Não revelou Deus a lei de alguma outra maneira?

“Sim, Ele a deu no Monte Sinai, escrita sobre duas tábuas de pedra.” — P. 7, ed. de 1935. Grifos acrescentados.

E a já citada “Confissão de Fé Helvética” completa a resposta:

“A lei natural. Esta lei foi escrita nos corações dos homens pelo dedo de Deus (Rom 2.15), e é chamada a lei natural; foi também esculpida pelo dedo de Deus nas duas tábuas de Moisés e mais pormenorizadamente exposta nos livros de Moisés (Êx 20.1 ss; Deut 5.6 ss).”

Aí está a posição oficial da Igreja Luterana, editado pelo próprio Martinho Lutero, alguém que estudou bastante o Livro de Deus. Pelo que lemos dos testemunhos luteranos, não há nenhuma dúvida entre seus mentores de que os Dez Mandamentos foram dados a Adão, ANTES DA QUEDA. Portanto, a resposta a esta pergunta deve ser: DESDE A CRIAÇÃO DO MUNDO!

6) E o sábado do quarto mandamento da Lei Moral, qual a sua origem?

Diz um editorial infantil:

“Então havia passado também o sexto dia.

No sétimo dia, Deus descansou de seu trabalho. Pois a terra estava pronta.

Deus abençoou este dia.

E daí em diante, todos os homens deveriam descansar de seu trabalho no sétimo dia.” — Extraído do artigo “A Criação” do web site oficial da Igreja Luterana, o qual pode ser visualizado no seguinte endereço eletrônico: http://www.luteranos.com.br/101/infantil/historias/criacao.html (acessado a 24/09/07). Grifos acrescentados.

E eis como nada menos do que Martinho Lutero analisa o texto de Gênesis 2:1–3:

“Destarte podes ver que o sábado existia antes que viesse a lei de Moisés, e tem existido desde o princípio do mundo. Especialmente têm os devotos, que preservaram a fé verdadeira, se reunido e apelado a Deus nesse dia.” — Traduzido de “Auslegung des Alten Testament” (Comentário Sobre o Velho Testamento), em “Sämmtliche Schriften” (Escritos Coletados), editado por J. G. Walch., vol. 3, col. 950. Grifos acrescentados.

A origem do sábado, ao contrário do que ensinam alguns luteranos leigos desinformados, não é a doação da lei dos Dez Mandamentos no Monte Sinai. Conforme Martinho Lutero, o grande reformador bíblico, foi na SEMANA DA CRIAÇÃO. Seis dias de trabalho, e o sétimo dia foi SANTIFICADO para o descanso das coisas seculares e culto religioso, que é a posição oficial da Igreja Luterana.

7) O sábado pode ser reinterpretado segundo a vontade de cada um?

Os luteranos acham que eles mesmos são os que devem escolher o dia para o descanso e culto, reinterpretando o mandamento do sábado e aplicando-o ao domingo, chamando-o de “o sábado cristão”. O fato é que esta questão está obedecendo à conveniência das pessoas e não o que diz o claro “assim diz o SENHOR”. Será que deve ser assim mesmo? Biblicamente, “o sétimo dia é o sábado do SENHOR” (Ex.20:10).

Qual a posição oficial luterana expressa em seus catecismos e confissões de fé? Vemos claramente a vigência do princípio sabático, mas infelizmente está sendo aplicado ao primeiro dia:

“67. Que confessamos a respeito do dia do Senhor?

“R. O Sábado (leia-se sétimo dia) pertencia à lei judaica; o dia do Senhor para os cristãos é o domingo, por ser o dia da ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo.

“Expl. O acontecimento mais importante para a fé cristã é a ressurreição de Jesus Cristo. Por isso, desde seus primeiros dias de existência a Igreja passou a guardar o domingo — o dia de vitória, a vitória de Cristo sobre o mal e sobre a morte; é um dia de descanso, porque simboliza o descanso final e feliz na presença de Deus.

“Texto: I Cor 16.2; Mc 16.9; Rm 14.5” — Em “Catecismo de Heidelberg” (ed. de 1548). Grifos acrescentados.

Ainda diz o “Catecismo de Heidelberg” (1563):

“103. O que Deus ordena no quarto mandamento?

“R. Primeiro: o ministério do Evangelho e as escolas cristãs devem ser mantidos (1Co 9:13,14; 1Tm 3:15; 2Tm 2:2; 2Tm 3:14,15; Tt 1:5) , e eu devo reunir-me fielmente com o povo de Deus, especialmente no dia de descanso (Lv 23:3; Sl 40:9,10; Sl 122:1; At 2:42,46) , para conhecer a palavra de Deus (1Co 14:1,3; lTm 4:13; Ap 1:3) , para participar dos sacramentos (At 20:7; 1Co 11:33), para invocar publicamente ao Senhor Deus (1Co 14:16; 1Tm 2:1–4) e para praticar a caridade cristã para com os necessitados (Dt 15:11; 1Co 16:1,2; 1Tm 5:16). Segundo: eu devo, todos os dias da minha vida, desistir das más obras, deixando o Senhor operar em mim, por seu Espírito. Assim começo nesta vida o descanso eterno (Hb 4:9,10).” — Grifos acrescentados. Esse catecismo pode ser encontrado no seguinte web site: http://www.cprf.co.uk/articles/heidelberg_portugal.htm (acessado a 11/09/2007).

Indiscutivelmente, todas essas autoridades e documentos religiosos luteranos não concordam com a visão herética semi-antinomista/dispensacionalista que nega a validade e vigência do Decálogo como norma cristã, e prega o fim total do quarto mandamento, como sendo “cerimonial”. Mesmo que o sábado seja interpretado por esses documentos e autores como referindo-se ao primeiro dia, o “sábado cristão” como é chamado, o que importa é que admitem oficialmente a validade e vigência do mandamento e as origens endêmicas do princípio sabático. A questão sobre o domingo ter tomado o lugar do sétimo dia já é outra.

A Bíblia ensina a observância do domingo no lugar do sábado?

O Dr. H. Gunkel, da Igreja Luterana, em “Zum religionsgesch. Verstaendnis des N.T.”, diz:

“A admissão do domingo pelos cristãos primitivos é… um sintoma muito importante de que a igreja primitiva foi diretamente influenciada por um sentimento que não se originou no evangelho, nem no Antigo Testamento, mas em um sistema religioso desconhecido para ela.” — P. 76. Grifos acrescentados.

George Sverdrup, numa entrevista para o jornal luterano “A New Day”:

“Como não foi possível produzir um só lugar nas Sagradas Escrituras que testifique que o Senhor mesmo ou os apóstolos ordenaram uma transferência do sábado para o domingo, então não era fácil responder à pergunta: ‘Quem transferiu o sábado e quem tem autoridade de fazê-lo?’”

Carlstadt, um dos primeiros reformadores e amigo íntimo de Lutero, tentou trazer a reforma do sábado do sétimo dia naquela época:

“Carlstadt defendeu a divina autoridade do sábado do Velho Testamento.” — Dr. Barnes Sears, “Life of Luther” (Vida de Lutero), p. 147.

E Martinho Lutero, em seu “Agaist the Celestial Prophets”, declara:

“Em verdade, se Carlstadt escrevesse mais acerca do sábado, o domingo logo teria que lhe ceder o lugar, e o sábado ser santificado.” — Citado em “Life of Martin Luther in Pictures”, p. 147.

O ensino oficial da Igreja Luterana, em seu “Confisson de Foi d’Augsburg” (Confissão de Fé de Augsburgo), assim declara:

“A observância do Dia do Senhor (domingo) não assenta em nenhum mandamento de Deus, mas sim na autoridade da Igreja. (…)

“Eles (os Católicos) alegam que o sábado foi mudado para o domingo, o dia do Senhor, contrariamente o Decálogo; como é evidente, não existe exemplo algum de maior jactância do que a mudança do sábado. Grande, dizem eles, é o poder e autoridade da Igreja (Católica), visto haver omitido um preceito do decálogo, alterando os mesmos.” — Em “Augsburg Confession of Faith”, art. XXVIII. Ver Philip Schaff, “The Creeds of Christendom” (ed. 4), vol. 3, p. 63 e 64, tradução da parte 2, art. 7, “Do Poder Eclesiástico”, da Confissão de Fé de Augsburgo. (O artigo 28 da Confissão é o art. 7 da parte 2). Citado em “Cox’s Sabbath Manual”, p. 287. Grifos acrescentados.

O Dr. Philip Schaff, teólogo e historiador eclesiástico, declara sobre a “Confissão de Augsburg”:

“A Confissão de Augsburgo foi a primeira e a mais famosa das confissões de fé evangélica. Ela expressou clara e totalmente, de forma sistemática, os principais artigos de fé pelos quais se batiam Lutero e seus companheiros havia já treze anos, desde o protesto levantado contra o tráfico das indulgências. Pelos seus méritos intrínsecos e suas origens históricas, ela tomou-se o principal padrão doutrinário da Igreja Luterana. (…) Excluindo-se o prefácio e o epílogo, a Confissão consiste de duas partes, uma positiva e dogmática, outra negativa e um tanto polêmica, ou melhor, apologética. A primeira refere-se principalmente a doutrinas, a segunda a cerimônias e instituições. A primeira parte apresenta em vinte e um artigos… as doutrinas defendidas pelos evangélicos luteranos. A segunda parte rejeita em sete artigos os abusos de Roma que foram considerados mais objetáveis e que foram realmente corrigidos pelas igrejas luteranas.” — Em “History of the Christian Church”, vol. 7, p. 707–713. Philip Schaff foi presidente da comissão revisora da Bíblia em Inglês e editor da versão americana da Enciclopédia de J. Herzog. (J. N. Andrews e L. R. Corandi, “The History of the Sabbath”. p. 836).

9) Como poderíamos resumir todo o ensinamento luterano que vimos até agora?

A — A universal e eterna lei de Deus é sistematizada e expressa para o homem na forma dos Dez Mandamentos, também universais e eternos, que prosseguem válidos e vigentes como norma de conduta cristã. Tal fato sempre foi oficialmente reconhecido por doutíssimas autoridades em Teologia do presente e do passado, pertencentes às mais diferentes denominações, e é o que tradicionalmente constituiu o pensamento geral de toda a cristandade.

B — A lei divina nas Escrituras se apresenta com preceitos morais, cerimoniais, civis, etc., sendo que a parcela cerimonial, por ser prefigurativa do sacrifício de Cristo, findou na cruz, mas os mandamentos de caráter moral prosseguem válidos e vigentes para os cristãos.

C — Dentro do Decálogo há o quarto mandamento estabelecendo que um dia inteiro entre sete de descanso deve ser santificado a Deus, princípio este que fora instituído na fundação do mundo para benefício do homem no Éden e deve ser mantido pelos cristãos hoje.

D — Jesus não transgrediu o quarto mandamento, muito pelo contrário, Ele pretendia reformar sua observância de acordo com a essência do princípios sabático e em nenhum lugar da Bíblia consta a informação de que o sábado foi substituído do sétimo dia para o primeiro da semana.

10) O que deve fazer o cristão, numa demonstração prática de sabedoria e amor a Deus?

“Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos. (…) Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda esse é o que Me ama; e aquele que Me ama será amado de Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele.” (Jo.14:15,21)

11) Diante de tudo o que foi apresentado, qual deve ser a posição de cada ovelha do rebanho da Igreja Luterana?

A Bíblia Viva registra Tiago 4:17 da seguinte maneira:

“Lembrem-se também de que, saber o que deve ser feito e não fazer, é pecado.”

12) Como cristão sincero, nascido de novo pelo sangue de Cristo, qual vai ser a sua resposta ao Senhor Jesus?

A escolha é totalmente sua!

“Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” (Ap.14:12)




Existe Diferença entre a Lei Moral e a Cerimonial?

Publicado em julho 30, 2009 por IASD




Às vezes, encontramos nas Escrituras Sagradas algumas afirmações que parecem se contradizer. Uma hora ela fala que a lei é eterna e não pode ser abolida; outra hora, que a lei passou. A que se deve essa aparente confusão? E como oficialmente as diversas denominações cristãs têm interpretado a questão da divisão de leis?

A cristandade, em seus mais variados ramos denominacionais, nunca teve em seu conceito a inexistência da divisão de leis, que a lei é supostamente “una”, que não há preceits de caráter moral, cerimonial, civil ou que os Dez Mandamentos não têm nada a ver com a Lei de Cristo nem com os princípios de “amar a Deus sobre todas as coisas” e “ao próximo como a ti mesmo”, apenas por tais dizeres simplesmente nem aparecerem nas tábuas da lei.

De tudo que está registrado, veremos que a posição oficial expressa nos documentos confessionais cristãos históricos é que a lei divina nas Escrituras se apresenta, dentre outras formas, em:
—> Lei Moral — sumariada nos Dez Mandamentos, e
—> Lei Cerimonial — representada pelos sacrifícios e ordenanças rituais para Israel.
Sendo que a parcela cerimonial, por ser prefigurativa do sacrifício de Cristo, findou na cruz, mas os mandamentos de caráter moral prosseguem válidos e vigentes para os cristãos, devido a sua natureza eterna. Fato esse reconhecido por doutíssimas autoridades em Teologia do presente e do passado, pertencentes às mais diferentes confissões. Isso sim é o que sempre constituiu o pensamento geral de toda a cristandade, e não somente “aparece na teologia adventista”, como alegam alguns mal-intencionados, tola e estupidamente dizendo que essa classificação de leis só é feita “para salvar a guarda do sábado”.
—> Assembléia de Deus




Eis um comentário bíblico muito usado nos meios pentecostais, cujas “notas e comentários são de inteira responsabilidade da Casa Publicadora das Assembléias de Deus” (p. IV), que nos responde a questão com esta clara definição:
    “Se Jesus não veio abolir a lei, todas as leis do A.T. ainda se aplicam a nós hoje? É preciso lembrar que havia três categorias de leis: a cerimonial, a civil e a moral.
    “(1) A Lei Cerimonial diz respeito especificamente à adoração por parte de Israel (Levítico 1.2,3). Seu propósito primário era apontar adiante, para Cristo, portanto, não seria mais necessária depois da morte e ressurreição de Jesus. Mesmo não estando mais ligados à lei cerimonial, os princípios que constituem a base da adoração — amar e adorar a Deus Santo — ainda se aplicam. Jesus foi frequentemente acusado pelos fariseus de violar a lei cerimonial.
    “(2) A Lei Civil se aplicava à vida cotidiana em Israel (Deuteronômio 24.10,11). Pelo fato de a sociedade e a cultura modernas serem tão radicalmente diferentes das daquele tempo, esse código como um todo não pode ser seguido. Mas os princípios éticos contidos nos mandamentos são atemporais, e devem guiar nossa conduta. Jesus demonstrou estes princípios por meio de sua vida exemplar.
    “(3) A Lei Moral (como os Dez Mandamentos) é a ordem direta de Deus, exige uma obediência total (Êxodo 20.13), pois revela sua natureza e vontade. Assim, ainda é aplicável em nossos dias. Jesus obedeceu completamente à Lei Moral.”
    — Extraído de “Bíblia de Estudos e Aplicação Pessoal”, p. 1224 do Novo Testamento. Ver comentário sobre Mateus 5:17. Tradução de Almeida. CPAD — “Casa Publicadora das Assembléias de Deus”. Grifos acrescentados.


O Pr. Orlando Spencer Boyer, teólogo, professor, pastor, comentarista, escritor, e autor de muitos livros, nos apresenta aquilo que tem aprendido de Deus, em anos de estudo da Palavra:
    “Algumas pessoas dão ênfase à distinção entre mandamentos ‘morais’ e mandamentos ‘cerimoniais’. As exigências ‘morais’ são aquelas que em si mesmas são justas e nunca podem ser revogadas. Ao contrário, as leis ‘cerimoniais’ são aquelas sobre observâncias, sobre o cumprimento de certos ritos, por exemplo: os mandamentos acerca dos holocaustos e o incenso. (…) As leis ‘cerimoniais’ podem ser ab-rogadas na mudança de dispensação, mas não as leis ‘morais’. É certo que existe tal distinção.” — Em “Marcos: O Evangelho do Senhor”, p. 38–39. Grifos acrescentados.


E o Pr. Antonio Gilberto, também da Assembléia de Deus, confirma:
    “A parte moral da lei é eterna e universal”. — Em “Manual da Escola Dominical”, p. 86.



—> Igreja Presbiteriana



O erudito bíblico John D. Davis, autor presbiteriano de um dos mais famosos dicionários bíblicos que já alcançou várias edições, assegura:
    “Os Dez Mandamentos, sendo a lei fundamental e sumária de toda moral, permanecem firmes; baseiam-se na imutável natureza de Deus e nas relações permanentes do homem sobre a terra. A respeito do quarto mandamento, disse Jesus: ‘O sábado foi feito para o homem’; segue-se, pois, que a lei permanece em toda sua força enquanto o homem existir sobre a terra.
    “A Lei Cerimonial a que se refere a Carta aos Hebreus 8:7, como o primeiro pacto, ela a declara como antiquada e prestes a perecer, v.13 comparar com os caps. 8 a 10. O apóstolo não julgou necessário obrigar a ela os gentios, atos 15:23–28. Tinha função transitória, apontando para cristo, nosso sumo pontífice por meio de seu sacerdócio, de seus sacrifícios, de suas cerimônias e de seus símbolos. Chegado que foi o antítipo, cessaram de uma vez os tipos, sem contudo perder de vista a importância que eles tem em todas as idades futuras.”
    — Em “O Novo Dicionário da Bíblia”, p. 356–357. Grifos acrescentados.


Vejamos qual a posição oficial presbiteriana encontrada na “Confissão de Fé de Westminster”:
    “III. Além dessa lei (os Dez Mandamentos), geralmente chamada Lei Moral, foi Deus servido dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas ab-rogadas sob o Novo Testamento.
    “IV. A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis que terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua eqüidade geral.”
    — Em “Confissão de Fé de Westminster” (1647), cap. XIX. Grifos acrescentados.


O Dr. Albert Barnes, respeitado comentarista presbiteriano, em seu comentário sobre Mateus 5:18 e 19, declara:
    “As leis dos judeus estavam geralmente divididas em morais, cerimoniais e judiciais. As leis morais são aquelas que emanam da natureza das coisas, que não podem, por conseguinte, ser mudadas — tais como o dever de amar a Deus e Suas criaturas. Estas não podem ser abolidas, pois jamais poderá ser correto odiar a Deus ou aos nossos semelhantes. Dessa natureza são os Dez Mandamentos; e estes, nosso Salvador não aboliu nem suprimiu.
    “As leis cerimoniais são as determinadas para atender a certos estados da sociedade, ou regulamentar ritos religiosos e cerimônias do povo. Estas poderão ser mudadas quando mudarem as circunstâncias, e não obstante, a Lei Moral permanece inalterável.
    “Aprendemos, portanto: 1. Que toda a Lei de Deus é obrigatória para os cristãos. (Comparar com S. Tiago 2:10). 2. Que todos os mandamentos de Deus devem ser ensinados, em seu lugar apropriado, pelos ministros cristãos. 3. Que aqueles que pretendem que haja leis de Deus tão pequenas que não precisem obedecer-lhes, são indignos de Seu reino. 4. Que a verdadeira piedade demonstra respeito para com todos os mandamentos de Deus. (Comparar com Salmos 119:6).”
    — Em “Notes, Explanatory and Practical on the Gospel” (1860), vol. 1, p. 65–66. Grifos acrescentados.


E eis a excelente exposição do ministro presbiteriano Mauro Fernando Meister:
    “Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão:
    “(a) A Lei Civil tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade. (…)
    “(b) A Lei Religiosa (Cerimonial) tinha a finalidade de imprimir nos homens a santidade de Deus e apontar para o Messias, Cristo, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida com sua vinda. (…)
    “(c) A Lei Moral tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir entre o bem e o mal. Como tal, é aplicável em todas as épocas e ocasiões. (…)
    “Assim sendo, é fundamental que, ao ler o texto bíblico, saibamos identificar a que tipo de lei o texto se refere e conhecer, então, a aplicabilidade dessa lei ao nosso contexto. As leis civis e cerimoniaisa lei que permanece ‘vigente’ em nossa e em todas as épocas é a Lei Moral. Ela valeu para Adão assim como vale para nós hoje”.


—> Igreja Batista



Eis as seguintes declarações de um teólogo batista que muito estudou a Bíblia:
    “Jesus não deu um novo código moral. Ele não foi um segundo Promulgador de leis, como Moisés. Ele era muito superior, e Seus ensinos morais situam-se num plano muito mais elevado do que os de Moisés. Ele não Se preocupava tanto com enunciar regras detalhadas para regular a vida moral, e sim em enunciar princípios eternos pelos quais os homens deviam viver sob Deus e em falar sobre motivos e propósitos que deviam governar todos os nossos atos.
    “Jesus não concedeu um novo código, mas também não disse que os ensinamentos do Velho Testamento estavam suspensos. As leis cerimoniais e ritualísticas do Velho Testamento foram ab-rogados para o cristão, mas não os Dez Mandamentos.”
    — J. Philip Hyatt, “The Teacher” (publicação batista), outubro de 1943, vol. 57, nº 10, p. 5.


O renomado teólogo batista Weldon E. Viertel afirma o seguinte quanto à divisão de leis:
    “A Lei pode ser dividida em três tipos: cerimonial, civil e moral. (…) De acordo com o livro de Hebreus, as leis cerimoniais eram sombras de Cristo. A sombra foi substituída pela realidade de Cristo e Seu ato redentor. As leis cerimoniais foram cumpridas; portanto, a Igreja não observa as leis sacrificiais e os festivais. As leis cerimoniais foram aplicadas a Cristo, em grande parte pelo uso da tipologia.
    “… A Lei Moral continua efetiva; todavia, Cristo deu-lhe outro nível de sentido e aplicação. Lidou com a raiz das atividades éticas, incluindo atividades e motivos (o coração do homem).”
    — Em “A Interpretação da Bíblia”, p. 194.


O Pr. Antonio Neves de Mesquita, Doutor em Teologia, e professor de seminários teológicos batistas de grande projeção, registra estas palavras:
    “O concerto divide-se em três partes: Lei Moral ou os Dez Mandamentos (20:1–17); Lei do Altar ou Cerimonial, meio de aproximação a Deus (20:22–26 e o livro de Levítico); e Lei Civil (21:1–23:19).” — Em “Estudo no Livro de Êxodo”, p. 131. Grifos acrescentados.


Veja o que se encontra no próprio “Catecismo da Doutrina Batista”:
    “Todos nós temos a obrigação de cumprir a Lei Moral… que é a que nos prescreve as obrigações para com Deus e o próximo. (…) A lei se acha expressa com maior minuciosidade nos Dez Mandamentos, dados por Deus a Moisés no Sinai.” — Por Pr. W. D. T. MacDonald, p. 28–29. Grifos acrescentados.


E a posição oficial batista, extraída da Confissão de Fé de Londres (1689):
    “Além desta lei (os Dez Mandamentos), comumente chamada de Lei Moral, Deus houve por bem dar leis cerimoniais ao povo de Israel, contendo diversas ordenanças simbólicas: em parte, de adoração, prefigurando Cristo, as suas graças, suas ações, seus sofrimentos, e os benefícios que conferiu; e, em parte, estabelecendo várias instruções de deveres morais.
    “As leis cerimoniais foram instituídas com vigência temporária, pois mais tarde seriam ab-rogadas por Jesus, o Messias e único Legislador, que, vindo no poder do Pai, cumpriu e revogou essas leis.
    “Deus também deu diversas leis judiciais ao povo de Israel
    , que expiraram juntamente com o antigo Estado de Israel e agora não possuem caráter obrigatório” — Art. XIX, tomo III e IV. Grifos acrescentados.

—> Igreja Luterana



Diz a “Confissão de Fé Helvética”:
    “Para maior clareza, distinguimos: a Lei Moral contida no Decálogo ou nas duas Tábuas e expostas nos livros de Moisés; a Lei Cerimonial, que determina as cerimônias e o culto de Deus; e a Lei Judiciária, que versa questões políticas e domésticas.” — Em “Da Lei de Deus”.


A posição oficial da Igreja Luterana pode ser exposta nas palavras de um dos seus catecismos mais conhecidos:
    “23. Que espécies de leis deu Deus no Velho Testamento?
    “Três espécies: 1. A Lei Eclesiástica Cerimonial; 2. A Lei Civil; 3. A Lei Moral.
    “24. Qual destas leis está ainda em vigor?
    “A Lei Moral, a qual está contida nos Dez Mandamentos.
    “25. Pode esta lei ser abolida?
    “Não; pois ela está fundamentada sobre a natureza santa e justa de Deus.”
    — Em “Epítome of Pontoppidan’s Explanation of Martin Luther’s Small Catechism” (1935), p. 6–7. Grifos acrescentados.


Vejamos o que as autoridades luteranas declaram sobre o catecismo que acabamos de citar acima:
    “Catecismo Menor — É um livro… escrito pelo Doutor Martinho Lutero em 1529. O Catecismo Menor contém as partes principais da doutrina cristã. São elas: Os Dez Mandamentos; O Credo (Apostólico); O Pai Nosso; O Sacramento do Santo Batismo; (…) Estas doutrinas foram tiradas da Escritura Sagrada.” — Em “História das Confissões Luteranas”, art. 4. Grifos acrescentados. Esse catecismo pode ser encontrado no seguinte web site: http://www.textosdareforma.net/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=22&mode=thread&order=0&thold=0 (acessado a 22/09/2007).



—> Igreja Metodista



John Wesley nos respondeu sua firme posição nos “Trinta e Nove Artigos de Religião” (1571), documento confessional há séculos acatado não só por metodistas, mas também por metodistas livres, episcopais e anglicanos, ao estipular em seu artigo 7, sobre a lei divina:
    “O Velho Testamento não é contrário ao Novo; porquanto em ambos, tanto Velho como Novo, se oferece a vida eterna ao gênero humano, por Cristo, que é o único mediador entre Deus e o homem sendo ele mesmo Deus e homem. (…) Ainda que a Lei de Deus, dada por meio de Moisés, no que respeita a Cerimônia e Ritos, não obrigue os cristãos, nem devem ser recebidos necessariamente os seus preceitos civis em nenhuma comunidade; todavia, não há cristão algum que esteja isento, da obediência aos Mandamentos que se chamam Morais.” — Ver também em “Constituição da Igreja Metodista Episcopal”, em “Methodist Episcopal Church Doctrines and Discipline” (1928), p. 7. E em “Free Methodist Discipline”. Grifos acrescentados. Essa confissão de fé pode ser encontrada no seguinte website: http://www.monergismo.com/textos/credos/39artigos.htm (acessado a 22/09/2007).


Posição confirmada por outro documento oficial da denominação, o “Catechism” da Igreja Metodista, números 1 e 2, onde encontra-se este ensinamento catequético:
    “Pergunta: Que requer do homem?
    “Resposta: Obediência a Sua vontade revelada.
    “Pergunta: Qual é a norma de nossa obediência?
    “Resposta: A Lei Moral.
    “Pergunta: Onde é a Lei Moral apresentada?
    “Resposta: Nos Dez Mandamentos.
    “Pergunta: Estão todos os cristãos sob a obrigação de guardar a lei?
    “Resposta: Sim”
    — N° 1, p. 18; n° 2, p. 38. Grifos acrescentados.


E no “Buck’s Theological Dictionary”, usado muito por metodistas e episcopais ou anglicanos, em seu artigo sobre a “Lei”, há estas afirmações:
    “A Lei Moral é aquela declaração da vontade de Deus que orienta e obriga moralmente a todos os homens, em todas as épocas e em todos os lugares, em seu inteiro dever para com Ele. Ela foi solenissimamente proclamada pelo próprio Deus no Sinai. (…) É chamada perfeita (Sl. 19:7), perpétua (Mt. 5:17 e 18), santa, boa (Rm. 7:12), espiritual (Rm. 7:14), amplíssima (Sl. 119:96).” — P. 230.



—> Igreja Congregacional



O capítulo 24 de “Os Vinte e Oito Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo” tem por título “Da Lei Cerimonial e dos Ritos Cristãos” e declara o seguinte:
    “Os ritos judaicos, divinamente instruídos pelo ministério de Moisés, eram sombras de bens vindouros e cessaram quando os mesmos bens vieram. Os ritos cristãos são somente dois: o batismo d’água e a Ceia do Senhor.”


A “Declaração de Savóia” contém a mesma “Confissão de Fé de Westminster” que declara:
    “III. Além dessa lei (os Dez Mandamentos), geralmente chamada Lei Moral, foi Deus servido dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas ab-rogadas sob o Novo Testamento.
    Hb.10:1; Gl.4:1–3; Cl.2:17; Êx.12:14; I Co.5:7; II Co.6:17; Cl.2:14,16–17; Ef.2:15–16.
    “IV. A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis que terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua eqüidade geral.
    Êx.21:1–36,22:1–29; Gn.49:10; Mt.5:38–39.”
    — Cap. XIX. Grifos acrescentados.



—> Igreja Anglicana/Episcopal



No “Buck’s Theological Dictionary”, usado muito por metodistas e episcopais ou anglicanos, em seu artigo sobre a “Lei”, há estes afirmações:
    “A Lei Moral é aquela declaração da vontade de Deus que orienta e obriga moralmente a todos os homens, em todas as épocas e em todos os lugares, em seu inteiro dever para com Ele. Ela foi solenissimamente proclamada pelo próprio Deus no Sinai. (…) É chamada perfeita (Sl. 19:7), perpétua (Mt. 5:17 e 18), santa, boa (Rm. 7:12), espiritual (Rm. 7:14), amplíssima (Sl. 119:96).” — P. 230. Grifos acrescentados.


E direto da lição da escola dominical da denominação, podemos extrair o seguinte:
    “A Lei Moral é parte da lei natural do Universo. Justamente como uma lei natural violada, no mundo material, traz suas conseqüências inevitáveis, assim a Lei Moral transgredida traz suas inevitáveis conseqüências nos mundos espiritual e mental.” — Extraído de “The Episcopal Church Sunday School Magazine” (Revista da Escola Dominical), junho-julho de 1942, p. 183-184. Grifos acrescentados.



—> Igreja Católica



Vamos atentar para o que escreveu o erudito Pe. Júlio Maria, esclarecendo o problema:
    “Os preceitos do Antigo Testamento dividem-se em três gêneros:
    “1º Os preceitos morais, que prescrevem aos homens os seus deveres para com Deus e para com o próximo.
    “2º Os preceitos cerimoniais, que indicam os ritos exteriores e as cerimônias que os judeus deviam seguir no culto divino.
    “3º Os preceitos judiciais, que determinam o modo de administrar a justiça ao povo.
    “Destes três gêneros de preceitos, só o primeiro fica em pé, integralmente; os outros preceitos só têm o valor que lhes comunica a palavra de Jesus Cristo.
    “A lei antiga, na sua parte cerimonial, era apenas uma figura da nova lei, e é por isto que cessou, desde que foi promulgada a lei nova.”
    — Em “Ataques Protestantes”, p. 96–97. Grifos acrescentados.


Segundo os católicos, os preceitos morais permanecem; os cerimoniais, eram uma figura, “sombra dos bens futuros”, e foram substituídos pela Realidade: Cristo; e os judiciais, só existiram enquanto havia a nação de Israel como uma teocracia (governada por Deus)! E os dez mandamentos morais tratam do amor a deus e do amor ao próximo.


_________________
“Escute as minhas palavras e preste atenção em tudo o que vou dizer…
“Darei a minha opinião com franqueza; as minhas palavras serão sinceras, vindas do coração.” (Jó 33:1,3).





POR QUE A LEI NÃO É UMA UNIDADE INDIVISÍVEL


Dez razões bíblicas por que a Lei de Deus é classificável e não uma unidade indivisível.

Por Marllington Klabin Will

  O argumento do silêncio é uma das primeiras falácias apresentada para afirmar que a Torah é uma unidade indivisível. Pretendem provar filosoficamente que pela ausência de terminologias como “lei moral” ou “lei cerimonial” a Lei seria uma unidade indivisível, formando um só “pacote” que foi por todo abolido na cruz. Contudo é uma incoerência lógica tentar provar algo usando o argumento do silêncio. Se não está escrito que a Lei pode ser classificada, também não está escrito que a Lei é uma unidade indivisível. Vamos negar conceitos que tantos milhões de cristãos sempre aceitaram naturalmente como “onisciência”, “onipresença”, “onipotência”, “teocracia”, “Trindade”, “Decálogo” apenas por não existirem palavras específicas que os definam nas Escrituras? Portanto, não é necessário ir à caça de terminologias exatas para muitas coisas na Bíblia. Ao insistir nesse ponto, nossos objetores parecem não ter noção do que é Teologia Sistemática, pois para se analisar um conceito que está implícito nas Escrituras, devemos nos preocupar com fatos e razões, e não com descrições explícitas ou palavras específicas. A seguir, analisaremos dez razões bíblicas, dentre outras, que provam ser impossível a Lei ser uma unidade indivisível.

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 1 Não há pecado na transgressão da lei, pois esta lei foi “abolida” (Ef.2:15). Isso é óbvio, pois “onde não há lei, também não há transgressão” (Rm.4:15). Entretanto, a transgressão dessa suposta mesma lei ainda “é pecado” na era cristã (1Jo.3:4), ou pelo mesmo estava sendo quando João declarou isso, pois o verbo “ser” foi conjugado no presente.

 2Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei” (1Jo.3:4). Certamente ninguém na era cristã acredita que uma falha em obedecer à lei de ritos e cerimônias é pecado. Contudo, João nos adverte de que transgredir a “lei” é pecado. Ele não sentiu necessidade de explicar de qual “lei” se referia. Quão eloqüente isso indica que havia uma lei, conhecida por todos os leitores de João, que era norma moral de conduta, a qual se transgredisse estariam pecando. Se houvesse apenas uma única lei que misturasse preceitos morais com cerimoniais, segundo o apóstolo, a transgressão a essa única lei seria pecado na era cristã!

 3 Paulo admite que a lei é de caráter espiritual (Rm.7:7,14). Mas o autor da epístola aos Hebreus, que provavelmente seja o mesmo Paulo, declara justamente o contrário, que a lei é carnal (Hb.7:16). Duas idéias opostas, contraditórias para uma mesma lei. A existência de duas leis distintas se torna evidentes.

 4 A Bíblia também fala de uma lei que revela, imputa e, conseqüentemente, faz o pecado abundar (1Jo.3:4 / Rm.3:20 / 4:15 / 5:13,20 / 7:7) e também fala de uma lei que expia e tira o pecado (2Cr.23:18 / 30:16 / Ed.3:2 / Dn.9:13 / Ml.4:4), sendo que esta última “foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa” que é Cristo (Gl.3:16,19). Evidentemente a Bíblia descreve funções muito contraditórias para uma única lei. Não há coerência em atribuir finalidades opostas para a mesma lei. Obviamente há duas leis distintas.

 5 Na carta de Hebreus, capítulos 7–10 é mostrado o sentido dos vários ritos e leis sacerdotais de Israel e como foram abolidas, mas em Hebreus 8:6–10 é dito que Deus escreve o que é chamado de “Minhas leis” nos corações e mentes dos que aceitam esse novo concerto (Novo Testamento), o que indica, logicamente, haver leis que foram abolidas (a cerimonial, por conter caráter prefigurativo, ritualístico) e outra lei confirmada na passagem do Velho para o Novo Concerto (a moral, por ser baseada no amor).

 6 A função de Jesus para com a lei, que supostamente é única, era “engrandecer a lei e fazê-la gloriosa” (Is. 42:21), e não “abolir”, como é declarado em Efésios 2:15. Como Jesus poderia abolir a mesma lei que ele deveria engrandecer e fazer gloriosa? Logicamente o contexto se refere a duas leis distintas.

 7 A Bíblia declara mais de uma vez que seremos julgados pela lei (Tg.2:10 / Ec.12:13–14), que supostamente é única. Porém Paulo declara que ninguém será julgado por essa suposta mesma lei (Cl.2:16). Se não seremos julgados pela lei, qual é o padrão de julgamento de Deus? Mas as Escrituras são claras quanto a sermos julgados pela lei! Será que os autores se referem a uma única lei? Não. São leis distintas.

 8 Paulo, o apóstolo dos gentios, declara: “Tenho prazer na lei de Deus” (Rm.7:22). Porém, esse mesmo Paulo chamou a supostamente mesma lei de “julgo de escravidão” (At.15:10). Estaria ele se referindo a uma lei? É claro que não!

 9 Paulo também diz que “a lei” foi “abolida” por Cristo (Ef.2:15). Mas o mesmo autor também declara: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rm.3:31). O que é mais interessante é que Paulo usou a mesma raiz grega katargeo ( καταργηο ) para as palavras traduzidas por “aboliu” e “anulamos”. Portanto, a uma igreja o apóstolo diz que “a lei” está “abolida”, e então a outra igreja exclama: “Não, de maneira nenhuma!”, ante a própria idéia de que “a lei” está abolida, num evidente contraste. A única maneira de entender isso é aceitando o fato de que ele está falando de duas leis distintas com funções e características diferentes.

 10 O fato de algumas leis (como os Dez Mandamentos) serem de caráter moral e o caráter de outras leis serem prefigurativas e cerimoniais já é em si mesmo uma razão para dividi-las, não no sentido de partir a Torah, mas sim no sentido de classificá-las, em Moral e Cerimonial, pois têm caráter bem distinto.
Mateus e a Vigência da Lei

Um estudo de todo o evangelho de Mateus nos oferece uma maravilhosa visão de como Cristo encarou a questão da lei de Deus. Contrariando a noção de ruptura da legislação divina na dispensação cristã, nos seus aspectos éticos e morais, fica demonstrado pela leitura de tal evangelho que as coisas são exatamente o contrário do que ensinam certos instrutores religiosos da linha semi-antinomista.

Podemos começar nosso passeio já a partir do 1o. capítulo, vs. 21:

“Ela dará a luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o Seu povo dos pecados deles".



Um texto bíblico importante que nunca se vê citado nos estudos e literatura dos que defendem a tese da abolição da lei, ou que desqualificam o valor do Decálogo divino para os cristão, é 1 João 3:4, onde encontramos a definição de "pecado". O que é, afinal de contas, essa coisa chamada "pecado" que tanto se acentua em púlpitos, prelos e processadores de texto? A definição no referido e "esquecido" texto é:

"Todo o que comete pecado transgride a lei, porque pecado é a transgressão da lei".

O apóstolo João emprega o verbo no presente, "é", não "era", ou seja, como algo de uma antiga lei "abolida". Assim, a promessa do nascimento do Salvador inclui a salvação do homem "dos pecados" dele, não "com os pecados".

A salvação significa uma nova perspectiva de vida--o abandono do pecado (que é "transgressão da lei") para uma vida renovada pela posse do Espírito, que é derramado nos coraçoes dos que foram justificados pela fé (Rom. 5:1, 5).

É a justificação seguida da santificação, a obra de Deus pelo homem, e sua conseqüente operação divina no homem. O resultado disso não é uma "liberação" da lei, absurda noção que se transmite muitas vezes no meio religioso cristão, mas uma vida em que "a justiça da lei" se cumpre na vida daquele que recebeu o Espírito divino (ver Romanos 8, vs. 3, 4, 7 e 8).

Mas voltemos ao nosso roteiro dessa breve viagem pelo evangelho de Mateus. O começo da derrota da tese semi-antinomista está em sua afirmação de que a "lei de Cristo" representa um conceito totalmente revolucionário do Novo Testamento, à parte da "lei de Deus" como era percebida pelos filhos de Israel. O fato é que não existe na Bíblia tal ruptura entre a legislação moral divina no Velho e no Novo Testamento como se comprova com o que Jesus declarou em Mateus 5:17-19:

"Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas: não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar os homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus".

Muita discussão tem-se levantado sobre o sentido de tais palavras, que "cumprir" significaria fazer com que cesse sua vigência após Ele a ter "cumprido". É verdade que a palavra "cumprir" tem um sentido ambíguo. Quando se diz, "cumpri as ordens do chefe" logicamente significa que preencheu-se inteiramente o que tal ordem requeria, e nada há mais a ser feito, em termos da execução de tal ordem. Contudo, cumprir também significa obedecer plenamente, e Cristo realizou ambas as coisas – Ele cumpriu a lei nos seus aspectos prefigurativos, não mais nos restando quaisquer de tais ordens divinas (a lei cerimonial), mas Ele também a cumpriu no sentido de dar-lhe perfeita obediência.

Então, em que sentido está Cristo fazendo tal declaração – no sentido de cumprir por fazer a lei perder a vigência ao Ele preencher os seus requisitos plenos e, daí, não mais haver para nós qualquer ordem dessa lei para obedecer? É como entendem limitadamente o texto os semi-antinomistas em geral.

Para melhor determinar isto deve-se examinar o contexto imediato e mais amplo da passagem. Primeiro, se o sentido é de que Cristo nos isenta de "cumprir" a lei, quanto à obediência a ela, por tê-la cumprido cabalmente, assim fazendo-a cessar, isso contradiria Suas próprias palavras, "não vim para abolir". Ou seja, Jesus estaria dizendo, "não vim para abolir; vim para . . . abolir [ou dar-lhe um fim]!" Pois o fazê-la deixar de ter vigência seria o equivalente a "abolir". Isso é inevitável, por mais que busquem argumentar os defensores da tese da "lei abolida".

Também a moldura contextual em que se acha tal passagem é altamente significativa. No vs. 16 Jesus recomendou a Seus discípulos: "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". Portanto, a ênfase é sobre a prática de obras deles, que pouco antes foram comparados a "sal da terra e luz do mundo".
Cristo reitera no vs. 19:

"Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus".
Pareceria por demais estranho que Cristo ressaltasse a importância de estrita obediência a mandamentos que, por cumpri-los, faria com que perdessem o valor! Ademais, vem o verso 20 que liquida a questão do real sentido dos versos precedentes:

"Porque eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus".

Ora, o que importava, nos dizeres de Cristo, era que os discípulos obedecessem aos mandamentos, mediante obras que atraíssem o louvor dos homens a Deus (vs. 16), e que tal obediência fosse exemplar e superior a mera religiosidade exterior e apego à letra da lei por escribas e fariseus (vs. 19 e 20). Na seqüência de tais instruções Cristo passa a realçar o sentido mais profundo e espiritual da lei, através das famosas declarações, "ouvistes o que foi dito aos antigos . . . Eu porém vos digo. . ."

Por todo o Sermão da Montanha (capítulos 5 a 7) Cristo jamais sugere qualquer intenção de eliminar a lei divina nos seus aspectos morais e éticos, ou modificá-la em qualquer medida. Antes, a ênfase que sempre dá é sobre os aspectos negligenciados dessa lei por aqueles que tanto a exaltavam, porém não percebiam o seu real sentido. Apegados como estavam à letra, perderam de vista o seu espírito. Não devia ser essa a atitude dos discípulos.

Então, a leitura detida de todo o texto de Mateus 5:17, 18 à luz de seu contexto imediato e mais amplo destrói a noção de ruptura da legislação divina nos seus aspectos morais com a vinda de Cristo.
Logicamente ao fazer essa comparação entre o que diziam os antigos e o que Ele agora diz Cristo não está inaugurando uma nova legislação, pois olhar para uma mulher com pensamento impuro ou irar-se contra um semelhante sempre foram atitudes condenáveis--equivalia, também para os judeus no Velho Testamento, respectivamente a adulterar e matar!

O sentido mais profundo desses mandamentos é que nem sempre se percebia entre os líderes judaicos, e Cristo está ressaltando isso a Seus ouvintes naquela incógnita, mas desde então famosa montanha.
E para confirmar tudo isso, encontramos as palavras de exortação de Cristo no cap. 7:21-23.

Ele antes acentua o surgimento de falsos profetas que "se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores". Daí mostra que, no final de contas, nem todos os que dizem "Senhor, Senhor" serão salvos, e sim "os que fazem a vontade do Pai que está nos céus" (vs. 21). E conclui profetizando o triste fim de tantos professos dentre Seus seguidores:

"Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! porventura, não temos nós profetizado em Teu nome, e em Teu nome não expelimos demônios, e em Teu nome não fizemos muitos milagres? Então Eu lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniqüidade" (vs. 22, 23).

Estas últimas palavras são de alto significado, e poderiam ser assim traduzidas: "apartai-vos de Mim, vós os transgressores da lei". Ocorre que o termo traduzido por "iniqüidade" no original grego é anomian. Esta palavra é exatamente a mesma que aparece em 1 Joao 3:4--"pecado é transgressao da lei-anomian".

Mais adiante encontramos Cristo, em pleno exercício de Seu ministério, confrontando fariseus e saduceus no que tange à observância do sábado. É aí onde muitos se atrapalham e não percebem o sentido mais amplo e profundo desses debates. Como já têm o pressuposto de que Cristo teria votado os mandamentos do Decálogo ao desprezo, por ser uma norma a ser superada por uma suposta lei superior Sua, imaginam que Cristo está transmitindo aos líderes judeus conceitos de menosprezo pela sua observância sabática. Ou seja, colocam a Jesus criticando os que obedecem um mandamento da lei estabelecido por Ele próprio como Criador do mundo (Heb. 1:2)!

Contudo, diante das acusações contra Ele assacadas por fariseus e saduceus (e alguns cristãos contemporâneos) Cristo Se defende declarando que fazia somente o que era "lícito" no sábado (Mat. 12:12). Também acentua ser Ele "o Senhor do sábado" (12:8), Aquele que zela pelo seu correto cumprimento, como zelou pela casa de Deus expulsando de lá os cambistas mais adiante, após ter entrado triunfalmente em Jerusalém (cap. 21:12, 13).

No capítulo 19 de Mateus nós O encontramos num diálogo com o jovem rico que Lhe pergunta sobre o que tinha de fazer para obter a vida eterna. Jesus lhe diz: "Se queres . . . entrar na vida, guarda os mandamentos" (vs. 17). Ante a pergunta do jovem sobre que mandamentos seriam esses, Jesus lhe repete mandamentos do Decálogo que têm que ver com o relacionamento entre ele e seus semelhantes (vs. 18, 19) para resumir e reiterar tudo isso com as palavras "amarás o teu próximo como a ti mesmo".

O jovem garante que sempre havia observado isso tudo, mas aí é que vemos o aspecto mais profundo dessa lei. Cristo o desafia a vender suas propriedades e demonstrar na prática que realmente cumpria os mandamentos que se resumem no "amarás o teu próximo como a ti mesmo".

Pela reação do jovem ficou demonstrado que ele não amava realmente os semelhantes, conseqüentemente, não cumpria os mandamentos como pretendia. Estava totalmente iludido quanto a sua suposta obediência "perfeita" da lei. Ele conhecia os seus mandamentos, buscava cumpri-los segundo a letra, mas faltava-lhe o espírito que motiva a obediência genuína--a motivação do amor.

Essa é a síntese da lei no aspecto horizontal--do relacionamento entre os seres humanos. A outra síntese da lei divina no aspecto vertical--do relacionamento do homem para com Deus--Jesus também ensinou um pouco mais adiante, em Mateus 22, vs. 36-40. No episódio do intérprete da lei que queria "experimentar", ou pôr a prova, a Jesus e lhe pergunta, "Mestre, qual é o grande mandamento na lei?", a resposta de Cristo é exatamente a síntese, o fundamento da lei divina: amor a Deus sobre todas as coisas (os primeiros quatro mandamentos) e ao próximo como a si mesmo (os seis últimos mandamentos). Afinal, Ele acrescentou ao final (vs. 40):

"Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas".

No relato de Marcos do mesmo episódio é dito que o escriba reagiu dizendo:
"Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ele é o único, e não há outro senão ele; e que amar a Deus de todos o coração, de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo, excede a todos os holocaustos e sacrifícios". (Marcos 12:32, 33).

Este é um detalhe importante, pois mostra que aquele líder em Israel, que queria apanhar Jesus em contradição, na verdade ficou satisfeitíssimo com a resposta de Cristo porque Ele em nada contradisse o que um doutor da lei aprendera sobre a legislação judaica.

Ele poderia até ter perdido de vista o verdadeiro espírito da lei, como os seus amigos escribas e fariseus, mas com a síntese da lei divina exposta por Cristo compreendeu de imediato a profundidade de Suas palavras e o caráter abrangente dos princípios por Ele acentuados. Não havia como contradizer a explicação de Cristo, então não lhe restou senão reconhecer a veracidade das Suas palavras. Afinal, Cristo nada mais fez do que repetir dois textos do Velho Testamento: Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18.

Portanto, ficou claro que Cristo não estava a criar nenhuma nova legislação revolucionária para Israel. Caso as palavras de Cristo contradissessem o que representava a lei divina vigente para a nação, a atitude daquele intérprete da lei seria bem diversa. Ele certamente sairia proclamando ter apanhado a Jesus contradizendo as leis de Israel, apresentando novos conceitos, novas noções sobre a legislação para o povo judeu, novo código de conduta diverso do que era parte da tradição religiosa de Israel. Nada disso ocorreu, contudo.

Cristo apenas desenterrava de sob o acúmulo de tradições e interpretações errôneas o princípio básico da lei divina, que é o amor. Foi exatamente nessa linha que Paulo mais tarde declarou:
"O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rom. 13:10)?

Então, toda essa tentativa de atribuir a lei divina um caráter de amor revolucionário no Novo Testamento para diminuir a qualidade de tal lei no Velho é inteiramente destituída de fundamento. A lei de Deus SEMPRE teve por base o amor a Deus e ao próximo porque ela é um reflexo do caráter divino. Se Deus é amor, Sua lei é amor. Se Deus é justo, Sua lei será justa. Se Deus é perfeito, Sua lei será perfeita.

Continuando em nosso passeio ao longo das páginas do Evangelho de Mateus chegamos ao capítulo 23 onde encontramos Cristo falando às claras sobre a falsidade dos líderes judaicos, chamando-os de "hipócritas . . . semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos, e de toda imundícia" (vs. 25, 27).

Não obstante tão severa condenação à atitude deles, Jesus recomenda ao povo e a Seus discípulos:

"Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem" (vs. 2).

Se compararmos esta passagem com Lucas 13:14 encontramos um fato relevante: entre as coisas que eles diziam que o povo devia cumprir acha-se a estrita observância do sábado. Ou seja, pela recomendação de Jesus, isso devia ser acatado pelo povo e pelos discípulos, porém esses líderes religiosos pervertiam o sentido do mandamento acrescentando regras absurdas ao mesmo, e impedindo os que queriam obter cura e alívio a seus sofrimentos. Nesse ponto estavam errados, e o mau exemplo deles não devia ser, pois, seguido.

Essa falta de compreensão do sentido mais profundo dos mandamentos divinos se observa na declaração de Cristo no mesmo capítulo 23 de Mateus, vs. 23:

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas cousas, sem omitir aquelas".

Então, eis aí mais uma demonstração de que o problema estava era com a liderança religiosa de Israel, não com a lei divina em qualquer dos seus mandamentos. Cristo lhes fala de aspectos da lei em que falhavam de ver o seu sentido mais profundo, tal como explanara ao povo e aos discípulos no Sermão da Montanha.

Mas Suas claras palavras, "devíeis, porém, fazer estas cousas" indica que Ele não está Se insurgindo contra a legislação em si (no caso, as leis sobre o dizimar) e sim contra a atitude dos praticantes dessa legislação – a preocupação com a letra, o detalhe do "hortelã, endro, cominho" e a negligencia quanto aos "preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé". Era a mesma falha do jovem rico sobre que já discorremos: ele aparentemente cumpria os mandamentos da lei divina, mas falhava quanto ao principal "preceito"--o amor ao próximo como a si mesmo.

No capítulo 24, ao tratar das profecias do fim, inicialmente tratando do fim daquela nação como comunidade especialmente escolhida por Deus, teocrática e portadora dos "oráculos de Deus" para todo o mundo, Jesus revela o Seu amor e preocupação por Seus seguidores antecipando-lhes dificuldades sem conta nas circunstâncias da guerra que viria, e as suas possibilidades de estarem livres dos problemas que isso lhes acarretaria. Entre as recomendações finais de Cristo a Seus discípulos Ele lhes antecipa esses problemas e lembra-lhes, no vs. 20:

"Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno nem no sábado".

Cristo sabia que eles seriam "zelosos da lei", como a característica atribuída aos primeiros cristão de origem judaica (Atos 21:20). No sábado estariam dedicados ao culto a Deus e à comunhão com seus irmãos na igreja. Se as tropas inimigas cercassem a cidade em tal dia, eles estariam alheios ao que se passava ao redor e muitos teriam perdido a vida ou sido levados como escravos.

Nessa recomendação de Cristo vemos o Seu amor, Sua preocupação pelo melhor bem de Seus filhos. Tanto o sábado estaria sendo observado após Sua morte, quando da invasão da Judéia e destruição de Jerusalém, como era conveniente para sua paz física, mental e espiritual estarem livres da situação de cerco que se apresentaria, o que num sábado seria muito mais difícil de perceber e escapar. Fugir para as montanhas no inverno seria também de extrema inconveniência por razões óbvias.

A história relata que os cristãos devem ter atentado bem às palavras de Seu Mestre pois conseguiram escapar ilesos quando do cerco da cidade, que ocorreu numa quarta-feira, e fugiram para o norte, numa região chamada Pela onde formaram a colônia cristã que era conhecida como "os nazarenos". Nenhum cristão perdeu a vida no cerco de Jerusalém pelas tropas de Tito em 70 AD.

E um historiador palestino chamado Epifânio deixou registro de que aqueles cristãos "nazarenos", pelo ano 350 AD, tinham entre seus costumes a observância do sábado do sétimo dia! É a História confirmando o ensino bíblico.


Autor: Prof. Azenilto G. Brito

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:42 am por Carlstadt



POR QUE O DECÁLOGO É UM CÓDIGO ESPECIAL


Dez razões bíblicas por que o Decálogo é um código de preceitos especiais.

Por Marllington Klabin Will

 1 As palavras de Deus para o homem, inclusive Suas leis, foram dadas por intermediários humanos, os profetas. A única exceção foi um código de dez preceitos que Deus pronunciou solenemente com Sua própria voz. Foi a primeira e única vez que a voz de Deus foi ouvida por um grande número de pessoas reunidas (Ex.19–20). As demais leis não foram dadas diretamente a Israel — todas foram ditadas somente a Moisés, noutra ocasião.

 2 Deus mesmo escreveu os Dez Mandamentos com Sua própria mão em “duas tábuas de pedra” (Ex.31:18 / Dt.5:22). Em nenhum outro lugar na Bíblia há a escritura do dedo de Deus. As leis cerimoniais foram escritas pela pena por Moisés (Dt.31:9).

 3 O próprio fato de somente os Dez Mandamentos terem sido escritos em tábuas de pedras já os diferencia dos demais. Nenhuma outra lei foi escrita dessa forma. Todas as outras foram escritas em rolos de livros (Ex.24:4–7 / Dt.31:24–26).

 4 Quando Deus terminou de pronunciar o código dos Dez Mandamentos, o relato declara que Ele “nada acrescentou” (Dt.4:13 / 5:22). O pronunciamento havia terminado, era um conjunto distinto e completo, não havia mais nada que Deus desejasse acrescentar. Os que querem acrescentar as leis de outro caráter a esse código especial estão indo além do que está escrito e do que Deus fez.

 5 Deus confiou aos Seus profetas todas as outras mensagens para o homem, mas a tarefa de transmitir os Dez Mandamentos Ele não confiou nem mesmo a Moisés.

 6 Quando Moisés desceu do monte e viu o povo adorando o bezerro de ouro, sua indignação o fez arremessar as tábuas ao chão e quebrá-las. Então, o Senhor ordenou a Moisés que escrevesse uma cópia? Não. O Senhor mesmo reescreveu os Dez Mandamentos uma segunda vez! Realmente, um código muito distinto para que o próprio Deus o escrevesse duas vezes, em pedra.

 7 O objeto mais sagrado instituído por Deus e símbolo da aliança com os israelitas era a Arca da Aliança, acima da qual pairava a luz da presença divina. Se alguém tocasse neste objeto morreria fulminado instantaneamente. E, dentro daquele mais sagrado dos objetos sagrados do santuário, Moisés foi instruído a colocar os Dez Mandamentos (Dt.10:2,5). “Nada havia na arca senão as duas tábuas de pedra” (1Rs.8:9). A única lei que fora guardada dentro do objeto que era símbolo da aliança. Os livros com as demais leis deviam ser guardadas fora, ao lado da arca (Dt.31:26).

 8 A maior prova da distinção do Decálogo é o fato de que somente esses dez preceitos e nenhum outro mais são a única base da aliança especial proposta por Deus. “Então Ele vos anunciou a Sua aliança… isto é, os Dez Mandamentos” (Dt.4:13). Portanto, o Decálogo é um código de dez preceitos muito especiais.

 9 O próprio Paulo se expressa dividindo as leis, pois ele comenta sobre leis que antes eram importantes, mas não são mais, ressaltando que o que agora importa é “obedecer aos mandamentos de Deus” (1Co.7:19). Os leitores primários de Paulo sabiam a que “mandamentos de Deus” ele se referia, pois em Rm. 7:7–8 ele deixou isso claro, referindo-se a um mandamento específico do Decálogo. E diz no verso 25 que ele mesmo servia “à lei de Deus”, a mesma lei que contém o mandamento “não cobiçarás”, dos versos acima referidos.

 10 O apóstolo João viu no céu a Arca da Aliança, que certamente contém os originais dos Dez Mandamentos (Ap.11:19), o que não faria sentido se fosse uma lei faltando algum mandamento tal como dados por Deus, ou tendo algum deles aumentado ou alterado em seu teor, pois Deus “nada acrescentou” após o término da entrega do Decálogo (Dt.5:22).

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:42 am por Carlstadt

A LEI NATURAL
Por Marllington Klabin Will

  A questão da divisão de leis na Bíblia deve ser entendida no contexto de distinção entre a Lei Divina Positiva, expressa nos 613 preceitos da Torah, e a Lei Divina Natural, cujos princípios morais abstratos são resumidos e expressos positivamente nos Dez Mandamentos. Através de teoria sistemática e dedução lógica, podemos reconhecer que a Lei Divina Natural tem sete grandes características: é racional, natural, moral, justa, eterna, imutável e universal. A seguir analisaremos detalhadamente o porquê de cada uma dessas características.


—> Racional

  A Lei Divina Natural, apesar de ser abstrata, é cognoscível pelos homens por meio da razão, e representa a manifestação de Deus junto à suas criaturas, no caso, os seres humanos. Todo homem é dotado de livre-arbítrio orientado pela consciência e tem uma capacidade inata de captar, intuitivamente, os ditames dessa lei racional que é, sem dúvida, ditada pela razão, mas a razão não é senão o meio que notifica ao homem a vontade de Deus.


—> Natural

  É racional por Deus tê-la promulgado espontaneamente através da natureza das criaturas. Pode ser física, quando se identifica com as leis da natureza, que regem as criaturas sem que haja conhecimento e liberdade por parte destas (lei da gravidade, da inércia, da atração da matéria, da flutuação, etc.).


—> Moral

  Quando essas leis naturais coincidem com questões de moralidade é o que se passa a chamar de Lei Moral. Esta não é outra coisa senão o plano racional da sabedoria divina, o julgamento perceptivo no qual as coisas são por sua própria natureza boas ou más, concebido desde toda a eternidade para levar as criaturas ao seu fim supremo: “fazer o bem e evitar o mal”. Por isso essa lei tem valor em si mesma. Como as coisas que são boas por sua própria natureza estão associadas com a natureza humana, o homem sábio obedece à Lei Moral reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e propósito do universo, pois não pode violá-la sem renegar a própria natureza humana.

  A capacidade racional da razão humana, sob todas as suas condições internas e externas que encerra sua natureza, tem o poder de deduzir dos princípios gerais às conclusões práticas essenciais, necessárias para ordenar moralmente a conduta. Essa é a relação dos seres humanos entre si (o que foi expressado, por exemplo, na segunda tábua do Dez Mandamentos).

  Quando o homem não pode conhecer naturalmente essas normas morais mediante a luz da razão, senão através da Revelação, têm a ver com a relação entre o homem e a Divindade (o que foi expressado, por exemplo, na primeira tábua dos Dez Mandamentos). Essa é a fração da ordem imposta pela mente de Deus, governante e legislador do universo (ver Tg.4:12), que se acha presente na expressão da vontade de Deus para Seu relacionamento com o ser criado (Rm.2:17–20). Essa tese foi reassumida e desenvolvida pela Reforma Protestante, principalmente pelos calvinistas.


—> Justa

  Para definir o que é naturalmente o bem e o mal, a origem dessa lei justa deriva da essência da natureza divina. É a expressão do caráter santo e justo de Deus, pois os atributos de Deus são aplicados a essa lei:
     Se Deus é PERFEITO (Mt.5:48),
      Sua lei é PERFEITA (Sl.19:7);

     Se Deus é SANTO (Lv.19:2 / Is.6:3 / 1Pe.1:14–16),
      Sua lei é SANTA (Rm.7:12);

     Se Deus é ESPIRITUAL (1Co.10:3–4),
      Sua lei é ESPIRITUAL (Rm.7:14);

     Se Deus é a LUZ (1Jo.1:5),
      Sua lei é a LUZ (Pv.6:23);

     Se Deus é PURO (1Jo.3:3),
      Sua lei é PURA (Sl.19:7–8);

     Se Deus é JUSTO (Ed.9:15 / Rm. 3:26),
      Sua lei é JUSTA (Sl.119:172 / Rm. 7:12);

     Se Deus é JUSTIÇA (Jr.23:6),
      Sua lei é JUSTIÇA (Sl.119:172);

     Se Deus é BOM (Sl.34:8 / Na.1:7),
      Sua lei é BOA (Rm.7:12–16);

     Se Deus é FIEL (1Cr.1:9),
      Sua lei é FIEL (Sl.119:86);

     Se Deus é VIDA (Jo.10:30 / 14:6),
      Sua lei é VIDA (Jo.12:50 / Mt.19:17).

     Se Deus é VERDADEIRO (Jo.3:33),
      Sua lei é VERDADEIRA (Ne.9:13);

    Se Deus é a VERDADE (Jo.10:30 / 16:6),
      Sua lei é a VERDADE (Sl.119:142–151).
  Essa lei define Sua maneira de ser e a dos seres criados por Ele. Por isso é por meio dessa lei que o caráter de todo ser humano é julgado, tanto por Deus (Tg.2:10–12 / Ec.12:13–14) quanto pela sociedade, como a experiência tem mostrado.


—> Eterna

  Se a Lei Moral tem origem na natureza e expressa o caráter e a justiça do Deus que é eterno, não muda e não pode mudar (Ex.3:14 / Is.41:4 / Ml. 3:6 / Hb.1:11–12 / 13:8 / Tg.1:17), deduz-se daí que Sua lei também é eterna (Sl.111:7–8 / 119:160 / Lc.16:17 / Mt.5:18). Por isso é a fonte primeira de todas as demais leis positivas e o fundamento mais profundo de toda a autoridade moral.


—> Imutável

  O caráter e a justiça de Deus não são relativos. Portanto, o caráter da Lei Moral necessariamente é imutável e universal, o que se deduz também do fato de ser natural e de tratar sobre moralidade.

  Quando dizemos que o homem é animal racional, estamos confirmando que as suas notas constitutivas não podem ser absolutamente distintas do que são. A essência “homem” é necessariamente a de um “animal racional”. Também por isso é imutável. A Lei Moral, derivando do cenário natural e da própria essência dos seres, deve ser fixa e estável.


—> Universal

  A Lei Moral estende-se necessariamente a todos os homens e incide sobre tudo o que é essencial à integridade e à perfeição de sua natureza e caráter.

  Igualmente é universal em razão da sua promulgação natural, efetuada por meio da razão humana. A ordem moral foi universalmente imposta pelo fato de Deus tê-la escrita dentro de todo homem, “na mente deles e no coração” (Hb.8:10). Segundo Paulo, esta foi a “lei gravada no seu coração” (Rm.2:15).


PONDERAÇÃO FINAL

  A ética cristã consiste num agir de acordo com a Lei Moral. O efeito remoto dessa lei é tornar virtuosos os seres racionais, pois é pela virtude que o homem se prepara para a obtenção do sumo bem. O imediato consiste em criar, no sujeito da lei, uma necessidade de agir de natureza moral, que recebe o nome de obrigação ou dever. Logo, a Lei Moral é obrigatória, impondo uma necessidade moral, sem vulnerar o livre-arbítrio; absoluta, mandando sem condição facultativa; universal e válida para todos os homens, fixando-lhes na consciência os princípios gerais da moral; imutável, eterna e justa por ser fundamentada na natureza e no caráter do próprio Deus. Portanto, lei e evangelho não se opõem, mas se complementam mutuamente. Eliminando o conceito de Lei Natural, a moral cristã passa a não ter sentido algum.

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:45 am por Carlstadt

A Lei de Deus aos Gálatas


Gálatas 2:16 - "Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a fé em Jesus Cristo, também temos crido em Jesus Cristo, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado."

Paulo como que franze o cenho, olhando para Pedro e os demais apóstolos e discípulos, usando de sua fina dialética, mostra-lhes o poder do evangelho.

Circuncisão era uma exigência da Lei Cerimonial, necessária antes de Cristo. Mas após a morte do Senhor, cumprir esse ritual era buscar justificação pelas obras; por isso Paulo rebateu essa posição, pois o necessário agora era demonstrar e exercer fé no sacrifício de Jesus, e nada mais. Querer, portanto, praticar esse ritual depois que foi cancelado, era tentar justificar a si próprio, o que contraditava o Evangelho de Jesus.
Por isso Paulo enfatizava: "Por obras da lei ninguém será justificado." Corretíssimo. A Lei Cerimonial não se compunha somente do dogma da circuncisão, mas de uma infinidade de cerimônias; porém, o problema na ordem do dia é ela. O foco principal discorrido entre Paulo e os demais, é a circuncisão comentada na epístola.

Gálatas 2:21 - "Não anulo a graça de Deus, porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu inutilmente."

Antes do advento do Messias, Deus dera aos judeus, em especial, um ritual maravilhoso. Um conjunto de cerimônias, acompanhado de variadas ordenanças. Sua obrigação era exigível, pois todo o cerimonial apontava para Jesus. Era portanto necessário até que Ele viesse. Vindo porém o Filho de Deus, todo aquele cerimonial, embora belo e requerido, tornara-se inútil, pois era sombra de Jesus (Hebreus 10:1). Paulo por sua vez, compreendeu assim, aceitou o fato e colocou-o em prática. Por isso, indignou-se, ao ver, agora, novamente os discípulos voltarem a circuncidar-se.

Mais irritado ficou, ao notar os próprios apóstolos presenciarem essa disposição de suas ovelhas e nada fazerem. Permaneciam inertes. Daí causar, em Paulo, repulsa tal que levou a repreender não somente os discípulos mas também a Pedro. Paulo não concordava de modo algum, com a atitude daqueles homens que tiveram repetidas vezes o esclarecimento do plano de salvação. Um plano tão detalhado, com o seu cumprimento na morte vicária de Jesus, voltar agora aos rituais abolidos. E se essas praticas pudesse justificar o oferente, então Jesus teria morrido em vão, asseverava Paulo.

Ressaltando que a "lei" focada é sem dúvida nenhuma a Lei Cerimonial, pois tudo está exatamente dentro do mesmo fim explicativo de Paulo, da seqüência do pensamento discorrido por ele no capítulo 2. Por isso não há por que isolá-lo. Isolando-o, perderá seu sentido real. Destruirá o pensamento proposto e ardorosamente defendido por Paulo.

Gálatas 3:10 - "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as cousas escritas no livro da lei, para praticá-las."

Se tivéssemos aberto a Bíblia agora, tomando este versículo separado, lendo-o, e em seguida fechando-a, certamente iríamos interpreta-la de maneira errônea. Mas infelizmente é dessa forma que a mensagem do apóstolo Paulo é estudada por muitos. Servindo-se deste versículo, muitos pregam inverdades e escrevem grosseiras falsidades, enganando muita gente sincera.

1.º - Quem pratica ou permanece em "todas cousas escritas no livro da lei" está sob maldição. Logicamente não poderá ser a Lei Moral ou os Dez Mandamentos, que a Bíblia nos mostra sem deixar qualquer dúvida. As Escrituras deixam bem claro que os Dez Mandamentos são eternos e não mudam. E estes mesmos Dez Mandamentos entregue a Moisés no monte Sinai foram divididos sabiamente em duas partes pelo Seu Criador.
Os quatro primeiros dizem respeito à nossa obrigação para com Deus, e os seis restantes, para com o nosso próximo. Assim que, amar a Deus de todo coração, de toda a alma e entendimento, é cumprir os primeiros Quatro Mandamentos da primeira tábua de pedra. E amar nossos semelhantes como a nós mesmos é cumprir os Seis Mandamentos restantes na segunda tábua de pedra. Portanto se isso é maldição, pedimos-lhe para afirmar: é irracional, incabível, insuportável e inverossímil.


2.º - Essa lei que Paulo menciona foi escrita em um livro. Portanto, só isso bastaria para os sinceros crentes compreenderem que essa lei focada pelo apóstolo é a Lei Cerimonial, haja vista que os Dez Mandamentos foram escritos pelo próprio Deus e em pedras (Êxodo 31:18). Ora, pedra é granito, livro é pergaminho, pele de animal e casca de madeira. Por isso mesmo é bastante diferente. Ademais, quem escreveu essa lei insistentemente abordada em Gálatas, não foi Deus, e sim Moisés, é o que descobrimos na leitura de Deuteronômio 31:24, que diz: "Tendo Moisés acabado de escrever, integralmente, as palavras desta lei num livro..."

Gálatas 4:5 -"Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos."

A Lei Cerimonial apontava para Cristo como afirma Paulo, e Cristo veio exatamente para tomar o lugar da oferta que era morta no ritual da manhã e da tarde, pelo pecado. (Êxodo 29:38 a 41; Isaías 1:13; Malaquias 2:8 e 9). Ele acabou com todos os símbolos que apontavam para Sua obra redentora. Por isso recebemos a "adoção de filhos". Fomos precipitados pelo pecado, perdemos a condição de filhos; entretanto agora, arrancados das garras de Satanás, fomos "adotados" por Cristo, pelo Seu sangue e sacrifício na cruz do Calvário. Paulo procurava insistentemente mostrar aos gálatas que, com a vinda do Messias Jesus, o homem não podia ser salvo sob o judaísmo, escorado na Lei Cerimonial.

Gálatas 4:9 e 10 - "Mas agora, conhecemos a Deus, ou antes, sendo conhecidos de Deus, como estais voltando outra vez, a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses e tempos, e anos."

Após um logo estudo sobre as diferenças entre as Lei Moral e Cerimonial, temos certeza absoluta onde encaixar e enquadrar "esses rudimentos fracos e pobres." Entretanto deixaremos bem gravado que a "lei" enfocada novamente por Paulo, é aquela que a Bíblia nos diz ser: Lei Cerimonial, porque:

1.º - Na seqüência do pensamento de Paulo está se mostrando a inutilidade daquelas cerimônias introduzidas pelos judaizantes em sua ausência. Diz que é maldito (Gálatas 3:10) todo aquele que praticar aquelas obras, depois que se tornaram obsoletas. Por outro lado, na Lei Moral, não existem cerimônias. Pelo contrário Ela enobrece o homem, moralizando-o, daí não conter maldição.

2.º - Menciona Paulo que a Lei Cerimonial foi escrita em um livro (Gálatas 3:10), ao passo que a Lei Moral foi escrita em blocos de pedra (Êxodo 31:18).

3.º - Diz Paulo que a Lei Cerimonial tinha um propósito: mostrar a obra redentora de Cristo. E isso não pode ser requerido da Lei Moral. Nos Dez Mandamentos não há ordem para circuncidar, nem matar animais, ou outro ritual qualquer, os quais simbolizavam e apontavam a obra de expiação de Jesus.

4.º - Ninguém será maldito por guardar a Lei Moral; pelo contrário, ela ajuda o homem a tornar-se elevado, nobre e a ter bons princípios. A Lei do Senhor (Dez Mandamentos) é perfeita (Salmo 19:7).

5.º - A Lei Moral não tem "rudimentos", e sim "Mandamentos" (Salmo 119:34 a 36). Em Romanos 7:12: "Por conseguinte, a Lei é santa; e o Mandamento santo, e justo, e bom."

Fica por conseguinte, claríssimo que a "lei" de "rudimentos fracos e pobres" jamais pode ser a Lei Moral, que é enaltecida por Paulo, e que mesmo a fé não pode anular (Romanos 3:31).

"Pelo contrário, a Bíblia diz que os Dez Mandamentos e o testemunho de Jesus são requisitos, características, para distinguir os filhos de Deus, nos momentos finais deste mundo. (Apocalipse 12:17 e Apocalipse 14:12)."

6.º - Portanto a Lei Cerimonial é que se enquadra no texto, pois ela, sim tem "rudimentos", e estes são comprovadamente, "fracos e pobres", foram e são impotentes para justificar. Cumpriram sua missão e pronto. Acabou. E note o paradoxo, foram anulados pela fé em Cristo.

7.º - A Lei Moral não exige a guarda de "dias" e sim de "um" dia, ordenado por Deus - o Sábado - memorial eterno do Seu poder Criador.

8.º - Na lei Cerimonial havia sim "dias", "meses" e "anos". Eram sete festas anuais, consideradas feriados altamente solenes, são elas:

1.ª - Páscoa.
2.ª - Festa dos Pães Asmos.
3.ª - Festa das Primícias (Pentecostes).
4.ª - Memória da Jubilação (Festa das Trombetas).
5.ª - Dia da Expiação.
6.ª - 1.º Dia da Festa dos Tabernáculos.
7.ª - Último Dia da Festa dos Tabernáculos.

Os afazeres cotidianos e seculares findavam, semelhante ao que faziam durante o Sábado do Senhor. Aliás esses "dias" eram também chamados de sábados (Isaías 1:13 e 14; Oseías 2:11). A páscoa ocorrida na semana em que Cristo foi crucificado, coincidiu cair no dia de Sábado do Sétimo dia da semana; por isso foi "grande aquele Sábado" (João 19:31). Era o sábado cerimonial, dentro do Sábado Moral dos Dez Mandamentos.
Assim que, os gálatas guardavam "dias" (eram esses feriados), "meses" (porque eram meses fixos), e "anos" (durante todos os anos, até a morte de Jesus - Hebreus 10:1). Exatamente como enfatizou Paulo aos gálatas, que retornavam ao judaísmo, empurrados pelos professores judaizantes.

Portanto nada mais claro e lógico que a "lei" insistentemente abordada por Paulo aos gálatas não é outra senão a Lei Cerimonial. É o que diz a Bíblia. Resta de sua parte a decisão para aceitar.

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:47 am por Carlstadt

Leis de restrições alimentares

por Ton


Sobre "comer ou não animais imundos", basta somente fazermos algumas considerações sobre a Classificação dos Animais (limpos e imundos), que fazem parte das Leis Alimentares (Lv 11).

1º - Sabe-se que essa classificação é desde a época de Noé (Gn 7:2. 8 ), e junto com o "pacote", vem a proibição de ingerir sangue (Gn 9:2). Com essa observação vemos que as Leis Alimentares não têm raízes na Lei de Moisés, embora tenham sido reforçadas no Sinai, tanto para os israelitas quanto para os gentios (Lv 7:27).

2º - Na época de Abraão, DEUS disse que "medida da iniqüidade dos amorreus não estava cheia" (Gn 15:16) e eles praticavam abominações diante do SENHOR. Os cananeus (incluindo os amorreus) tinham conhecimento do que era agradável a DEUS ou não (Lv 18:27), mas eles não deram ouvidos à Voz do SENHOR (Dt 8:20), atraindo sobre eles a destruição e a ascensão dos israelitas no lugar deles (Lv 18:28). E os israelitas não deviam praticar as abominações dos cananeus (Lv 18:30), pois, por ter se aborrecido deles (Lv 20:23), DEUS enfatizou as Leis Alimentares, separando o podo dEle dos outros (Lv 20:23-26).
O Apóstolo Pedro citou Lv 20:26 em 1Pe 1:16 e o Apóstolo dos Gentios escreveu para "não tocarmos em coisa imunda" (2Cor 6:17), porque, assim como foi com os israelitas, também fomos separados dos povos .

3º - O fato de JESUS ter dito que "nada que entra no homem o contamina" (Mr 7:15) girava em torno de um contexto proposto ["comer sem lavar as mãos" (Mt 15:20) - lei da tradição], sem abranger o questões da Lei do AT. Tanto é que nem os discípulos aplicaram a Declaração de CRISTO às Leis do Antigo Testamento (como bem demonstrou Pedro na Visão do Lençol, que significou a aceitação dos gentios em Isarel).
Quando JESUS disse que "se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum" (Mr 16:18) não foi estímulo algum da parte dEle de que os crentes imgerissem veneno (aliás, nem se vê na Bíblia alguém bebendo veneno, muito menos alguém ingerindo alimentos imundos).

4º - No Concílio de Jerusalém houve a menção de três leis alimentares, dentre as Quatro Decisões (At 15:29). Em seu Teor Global, as Escrituras nos fazem entender que as Decisões do Concílio possibilitaria a aceitação dos gentios na Comunidade de Israel, já que estavam separados (Ef 2:12). E se fosse dito a eles que, logo de início, tivessem que obedecer os mandamentos morais da Lei, eles não suportariam, pois ainda eram carnais, recém-convertidos, criancinhas em CRISTO (1Cor 3:1-2).
No entanto, eles, quando adultos, aprenderiam nas Escrituras (Rm 15:14 / 1Cor 14:20 / 2Cor 10:5 / Hb 5:14), Ensinos que excedem os horizontes iniciais propostos no Concílio, exemplo disso, a proibição de tatuagens.

5º - Há quem diz que tais leis deviam ser consideradas apenas pelos israelitas, mas no entanto vemos escrito que DEUS entrará em juízo contra a toda carne; dentre estas, menciona-se "os que comem da carne de porco, e da abominação, e do rato" (Is 66:17).
Sem contar também que, até mesmo um anjo fez distinção entre animais, referindo-se a aves, como sendo "imundas e detestáveis" (Ap 18:2).

Conclusão:
A razões expostas acima nos levam a concluir que as Leis Alimentares não tiveram raiz na Lei de Moisés, não prefigurava CRISTO, não deixou de ser praticada pelos discípulos, foram incluídas nas Decisões do Concílio de Jerusalém afim de serem aplicadas ao gentios, e o mais incrível, usada por um anjo como base para chamar aves como sendo imundas e detestáveis. Isso indica que as Leis Alimentares têm evidências óbvias para estarem vigentes, não no sentido de deixar o homem impuro pela ingestão dela, mas por ter brotado do coração a rebeldia de não praticar Ordens de DEUS vigentes para nossa época, ignorando a Sabedoria de DEUS de nos ter dito para não comermos coisas abomináveis aos Olhos dEle, mesmo que para nosso paladar seja uma delícia. Mas já que nem tudo convém, obedeçamos a Voz do SENHOR nosso DEUS e não façamos os mesmo que os amorreus da terra de Canaã.
"Não toqueis coisa imunda" / "Separai-vos" (2Cor 6:14-18).
Um texto sugestivo:

E morará o lobo com o cordeiro,
e o leopardo com o cabrito se deitará,
e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos,
e um menino pequeno os guiará.

A vaca e a ursa pastarão juntas,
seus filhos se deitarão juntos,
e o leão comerá palha como o boi.


E brincará a criança de peito sobre a toca da áspide,
e a desmamada colocará a sua mão na cova do basilisco.

Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte,
porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR,
como as águas cobrem o mar. (Isaias 11:6-9)


Até os animais serão vegetarianos ? ? ?

Surpreendentemente Vegetarianos



Num mundo cheio de morte e sofrimento alguns animais são conhecidos como sendo ferozes carnívoros. De facto, a percepção de animais a comer outros animais é vista como normal neste mundo secular e fortemente influenciado pelo mito da teoria da evolução. Mas será que foi sempre assim?

A origem dos hábitos carnívoros


“E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento". E assim foi.
Não foi sempre assim. Segundo Aquele que estava lá quando os animais apareceram na Terra [DEUS], no princípio não havia morte no mundo e todos os animais eram vegetarianos. No entanto os cépticos alegam que animais como aranhas, aves de rapina e gatos nunca poderiam ter sobrevivido com tal dieta. Eles fazem estas alegações porque hoje em dia as suas dietas são quase exclusivamente carne e insectos.


Mas será tal crença verdadeira?
Aranhas.




Num artigo presente na Science News, uma aranha é reportada como sendo vegetariana. Para muitos isto parece ser uma alegação demasiado fantástica, mas é a pura verdade. A pequena aranha saltitante Bagheera kiplingi é a primeira aranha que é conhecida como sendo primariamente vegetariana.1

Alguns pesquisadores sabiam que certas aranhas comiam pólen e esporas que ficavam presas nas suas teias. Algumas até bebem regularmente néctar das plantas, mas a Bagheera kiplingi não parece ter apetite algum por outros animais. Ela vive em acácias na América Central e alimenta-se da árvore e não das formigas que vivem na mesma árvore.

Tal aranha lembra-nos que a criação original de Deus era de facto "muito boa" (Génesis 1:31) e perfeita (Deuteronómio 32:4). Os animais não se matavam uns aos outros uma vez que a morte não fazia parte da criação original (Génesis 1:30). Esse é o tipo de criação que seria de esperar Do Perfeito Deus da Vida.

No entanto, quando o pecado entrou no mundo, entrou também a morte (Génesis 3). As coisas já não estavam no estado perfeito mas no estado "caído". Essencialmente, o que passamos a sentir é uma pequena parcela do que é a vida sem Deus (imaginem como será no Inferno). Toda a criação está agora amaldiçoada devido ao pecado e é por isso que nós não só necessitamos dO Salvador (Romanos 5:12–19), como também de novos céus e nova Terra (Romanos 8:20–21, Revelação 21:1).

A dada altura, depois que o pecado entrou na perfeita criação de Deus e antes do Dilúvio de Noé, os animais começaram a comer outros animais. O conteúdo estomacal de animais enterrados em camadas geológicas depositas pelo Dilúvio de Noé mostram que os animais já comiam outros animais.

Os animais como a aranha mostram que, embora as mesmas sejam geralmente carnívoras, elas podem sobreviver com um dieta vegetariana.

Mas este não é o único animal que tem esta capacidade.
Leões.

Dois leões ficaram conhecidos por serem vegetarianos. Provavelmente a mais conhecida tenha sido a "Pequena Tyke", que morreu há muitos anos atrás. Este enorme gata foi criada numa quinta mas recusava-se a comer carne.2 A sua dieta vegetariana mostrou que os gatos, embora carnívoros quando selvagens, podem ser facilmente mantidos com uma dieta vegetariana.



Outra leoa, a Lea, foi vegetariana durante os primeiros 7 anos da sua vida. Mais tarde, ela foi transladada para um refugio na África do Sul, onde ela demorou cerca de um mês até habituar-se a comer carne.
Abutres.

O Gypohierax angolensis, ou abutre-das-palmeiras, é uma ave de rapina que não mete medo nem aos ratos. A dieta primária deste abutre são os frutos da palmeira, embora se saiba que ocasionalmente ele come peixe e alguns invertebrados. O facto dos frutos da palmeira serem o grosso da sua alimentação mostra que ele não precisa de carne para sobreviver.3

Pacu.




"Pacu" é um nome comum dado a diversas espécies de peixe da América do Sul que são primariamente vegetarianos, apesar de serem "primos" das piranhas. O pacu é um peixe da mesma subfamília que as piranhas, e provavelmente fazem parte do mesmo tipo-criado. De facto, o pacu é frequentemente confundido com as piranhas devido às suas semelhanças. Os peritos geralmente usam os seus dentes para distinguir o pacu das piranhas.4

Em algumas ocasiões o pacu come insectos e pequenos peixes, mas eles preferem comida vegetariana. Isto mostra que tais peixes não precisam de estar confinados a uma dieta carnívora, e que poderiam sobreviver logo após a Criação com uma dieta livre de carne.
Conclusão:

A noção de que os animais que são carnívoros hoje em dia sempre o foram durante a sua história tem que ser revista à luz da criação. Originalmente todos os animais eram vegetarianos; só depois do pecado ter entrado no mundo é que a morte e o sofrimento entraram na criação "muito boa" de Deus.


Animais que se pensava serem só carnívoros mas que sobrevivem com uma dieta vegetariana - como os gatos e as aranhas - não só oferecem-nos uma janela para o passado, como também revelam-nos como os animais poderiam ter sobrevivido na altura.

A posição ateísta de que não é possível todos os animais terem sido vegetarianos é enfraquecida com as observações científicas. Talvez não seja má ideia eles reavaliarem a sua fé.

Como sempre, a Bíblia está de acordo com as observações científicas.

Última edição por Ronaldo em Qua Abr 21, 2010 9:52 pm, editado 1 vez(es)

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:47 am por Carlstadt


O Divino Manual Para o Funcionamento da Máquina Humana

Comprei uma bicicleta nova na primavera de uns anos atrás, e o manual de como montá-la, fazê-la funcionar, usá-la em segurança era quase tão volumoso quanto o de um automóvel. Tudo porque o fabricante quer que o usuário tenha o seu equipamento na mais eficiente e durável aplicação.

Deus, o Criador, não agiria diferente de qualquer fabricante de equipamento humano, deixando a “máquina” que criou sem ser acompanhada de seu devido “manual”. Assim, Ele estabeleceu leis para que o homem faça funcionar devidamente a “máquina” de seu organismo. As leis de saúde regulam o melhor para o consumo alimentar humano, com os aspectos higiênicos como claras medidas profiláticas para preservar essa boa saúde de Suas criaturas.

Na verdade, os próprios defensores do “liberou geral” quanto a tais regras admitem que o motivo de Deus ter dado leis detalhadas sobre alimentação seria exatamente esse: conceder ao homem mecanismos de defesa ante as condições atrasadas para as criaturas divinas, especialmente quando não havia hospitais, clínicas, laboratórios, medicamentos e tratamentos modernos. É verdade, só que com isso não sabem justificar por que, da noite para o dia, elas teriam que cessar, já que as condições que poderiam ser detrimentes ao homem prosseguiram justificando tais cuidados divinos, tanto na Terra de Judá, quanto nas demais terras por onde o evangelho seria propagado.

As regras alimentares da Bíblia praticamente definem o que para o homem deve constituir “alimento”. Caso contrário, o homem iria ignorar o que seria melhor para si e buscar consumir todo tipo de animais, cujo objetivo ecológico é outro, como no caso de animais terrestres, aéreos e aquáticos. Estes dias li uma pequena nota na revista Readers' Digest em que alguém pergunta a um morador do litoral por que não se caçavam as aves que voavam pelas praias para comer. O experiente morador litorâneo explicou que um tijolo posto ao forno para cozinhar terminaria mais macio do que uma gaivota e outros pássaros típicos da região marinha.

Por ignorar tais regras de alimentação é que muitas pragas e doenças têm afetado os seres humanos, como a própria infestação de AIDS, febre ebola e os ataques de pragas (como a peste negra da Idade Média) têm sido atribuídas à ingestão ou manipulação pelo homem de animais proibidos por Deus.

O sábado tem o seu aspecto também sanitário. Se Deus não estabelecesse um dia para o homem cessar suas atividades, sua tendência seria trabalhar mais e mais, sem detença, prejudicando-se física e mentalmente. Deus sabiamente associou um dia para seu descanso com um tempo especial para adoração a Ele, estabelecendo, assim, os limites necessários ao homem. Jesus demonstrou interesse pela melhor saúde de seus discípulos nesse aspecto do descanso físico quando, certa vez, apelou-lhes: “Vinde vós, à parte, para um lugar deserto, e descansai um pouco” -- Marcos 6:31.

Até a questão da lei do dízimo tem a sua lógica benfazeja. Deus não precisa do dinheiro do homem, mas criou normas para a manutenção do ministério de modo que houvesse participação de Seus filhos. Do contrário, a tendência humana seria egoisticamente reunir mais e mais para si, sem pensar na responsabilidade da Obra que o homem tem a seu encargo concluir sobre este planeta: pregar o evangelho para toda criatura e assim promover até o “fim” de todas as coisas (Mat. 28:19, 20 e 24:14).

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:48 am por Carlstadt

Um Balanço dos Argumentos dos Adeptos do “Liberou Geral” Quanto às Regras Alimentares Bíblicas

Qualquer discussão sobre este tema tem que ser antecipada por respostas às três perguntas seguintes:

1 – Por que Deus criou essas leis de limitações alimentares? Teria Ele simplesmente “cismado” sobre certos tipos de carne, sem qualquer motivo justo, e pronto?

2 – Em que aspectos as leis dietéticas teriam sido abolidas na cruz, já que não eram cerimoniais? Em que apontariam ao sacrifício expiatório de Cristo?

Obs.: Houve quem sugerisse que simbolizariam a separação entre judeus e gentios. Mas se assim for, estaria Deus incluindo em Sua lei um aspecto de algo que Ele, que “não faz acepção de pessoas”, condena?

3 – Como o sangue derramado de Cristo teria sido eficaz para purificar a carne de porco, rato, urubu, cobras e lagartos? Teria operado alguma mudança de composição estrutural de modo a torná-las adequadas ao consumo humano?

Vejamos, a seguir, os principais argumentos levantados pelos “valetudistas alimentares” e como há dificuldades imensas para que tenham razão em suas alegações:


* Cristo em Marcos 7:1-23 fala do que entra pela boca não contaminar o homem, o que se interpreta como se Ele estivesse liberando Seus seguidores das regras alimentares:

Dificuldades de tal interpretação:

A – O contexto claramente indica que a discussão não era do conteúdo das leis dietéticas de Levítico 11 ou Deuteronômio 14, e sim o contraste entre o que Deus estipulou e o que a “tradição dos anciãos” determinava quanto a lavagens purificadoras cerimoniais (Mat. 15:2). Isso Ele mesmo confirma no vs. 20.

B – Se Jesus está “purificando” supostos alimentos imundos naquela refeição, Seu ato foi inútil porque tratava-se de uma refeição judaica, na qual não haveria carnes imundas.

C – Cristo estaria abolindo a lei de restrições alimentares ANTES DA HORA, pois as regras sobre alimentação não foram abolidas na cruz?

D – Cristo estaria ensinando algo contrário à lei divina “ainda” vigente, com o que teria que ser, Ele próprio, considerado “o mínimo no reino dos céus” à luz de Suas palavras em Mateus 5:19.


* O Concílio de Jerusalém, de Atos 15, é um episódio empregado por alguns para apresentarem a idéia de que os cristãos gentios estariam livres das limitações todas da “lei judaica”, interpretando isso especialmente como isentando-os da guarda do sábado e das leis alimentares.

Dificuldades de tal interpretação:

A – Querer limitar a expressão “lei de Moisés” (vs. 5) somente a alguns itens que não convenham ao investigador é desonesto (leis alimentares e sábado). Esta expressão é bem mais ampla e inclui os preceitos cerimoniais, como também os morais, como “não matarás”, “não furtarás”, “honra teu pai e a tua mãe”, “não dirás o nome de Deus em vão”. . . Esse uso discriminatório da expressão é inteiramente suspeita.

B – O que ficou determinado no Concílio é expresso em quatro itens de coisas de que os cristãos gentios deviam ABSTER-SE. Não se tratava de nenhuma listinha de coisas que deviam passar a praticar, em substituição à “lei mosaica”, como alguns pensam (um ‘Tetrálogo’ a substituir o Decálogo?).

C – Das quatro regras estabelecidas, TRÊS tratam de. . . restrições alimentares! Então, em lugar de o Concílio de Jerusalém confirmar o “liberou geral” quanto às regras alimentares, instituiu foi algumas regras reiterando antigas restrições, aliás coisas da lei que supostamente havia sido abolida, como a proibição de ingerir sangue (Lev. 17:10-14). Como iriam repetir normas de uma lei abolida?!

D – Entre as reiterações de antigas normas há a recomendação contra os “pecados sexuais”, o que já era bem conhecido como lei divina, expressa no sétimo mandamento, “não adulterarás”. Contudo, os apóstolos acharam por bem reiterar tal princípio, possivelmente devido aos cultos pagãos envolverem prostitutas e prostitutos cultuais, e nem por isso a lei da qual essa regra é citada foi abolida.


* O episódio da visão do lençol de Pedro, narrada em Atos 10, em que aparece um lençol com todo tipo de animais imundos, acompanhada da ordem, “mata e come” é prova de que houve um “liberou geral” divino sobre as regras alimentares:

Dificuldades de tal interpretação:

A – A resistência de Pedro ante a ordem “mata e come” mostra que ele não aprendera com Jesus ou seus companheiros apostólicos que houve o “liberou geral” das leis de restrições alimentares.

B – Pedro não entendeu o sentido da visão de modo algum, pois manteve-se intrigado sobre a mesma (vs. 17), e que o seu sentido era inteiramente simbólico se percebe pelo simples fato de que seria impossível ao Apóstolo matar e comer o que via numa visão. Seria o mesmo que alguém tentar chupar um sorvete mostrado numa tela da TV.

C – Quando finalmente entendeu o sentido da visão, ele não a interpretou como tendo que ver com liberdade para comer de tudo, e sim que os gentios, dos quais aos judeus não era permitido “mesmo aproximar-se”, deviam ser contatados com o evangelho (ver vs. 28).

D - No capítulo seguinte, 11, ele diz que não poderia resistir à visão (vs. 17), mas tal resistência não dizia respeito a comer carnes imundas, e sim ao contato com os gentios. No seu discurso durante o Concílio de Jerusalém ele faz menção a sua experiência indiretamente, e fala em “purificação”, mas não de carnes imundas, e sim dos corações dos gentios conversos (ver Atos 15:7-9).

Que ele superou tal resistência fica claro em Gálatas 2:11, onde é dito que ele comia com os gentios, embora tenha recebido repreensão de Paulo pelo fato de tentar disfarçar esses seus contatos, injustificadamente.


* As leis de restrições alimentares eram cerimoniais, simbolizando a separação entre judeus e gentios, tendo cessado com a morte expiatória de Cristo:

Dificuldades de tal interpretação:

A – Os adeptos do “liberou geral” das leis alimentares não sabem definir as razões de Deus as ter instituído, para começo de conversa. Se fosse para proteger a saúde do povo, por que tal preocupação desapareceria da noite para o dia com a morte de Cristo, sendo que as condições de higiene do homem e animais permaneceriam as mesmas de séculos, não só na Terra de Judá, como por todo o mundo onde o evangelho seria pregado?

B – Não se justificaria que da noite para o dia carnes tais como de rato, urubus, cobras e lagartos passassem a ser consumidas, quando o véu do Templo rasgou-se de alto a baixo, e os vale-tudistas alimentares não sabem justificar por que a morte de Cristo teria alterado a composição dos alimentos imundos, e explicar como tais alimentos prejudiciais à saúde deixaram de sê-lo quando Cristo proferiu o “Está consumado” e expirou.

C – Não ocorre a mínima evidência de que realmente a alimentação com todo tipo de comida passou a ser a prática dos seguidores de Cristo dos primitivos anos do cristianismo, seja na Terra de Judá ou pelo resto do mundo.

D – Embora haja quem alegue que aquelas leis eram prefigurativas da separação entre judeus e gentios, o fato é que Deus não iria manter em Sua lei um aspecto tão negativo relativo a maus sentimentos humanos (preconceito racial, xenofobia), pois Ele “não faz acepção de pessoas”. Ademais, isso representaria mudar o enfoque de Cristo e Seu perfeito sacrifício para o homem em suas deficiências.


* Em Romanos 14 Paulo trata dos “fracos” em conflito com os “fortes” na fé, a respeito de certos artigos alimentares, dedicando-se a um debate em torno de se poder utilizar carnes outrora imundas, o que também se dá em 1 Tim. 4:1-3:

Dificuldades de tal interpretação:

A – Não há a mínima evidência de que os debates ali ultrapassassem a questão de alimentos sacrificados a ídolos, já que Paulo dissendia das decisões do Concílio de Jerusalém que proibiam tal consumo, enquanto dizia que “o ídolo em si nada é”, permitindo tal consumo, apenas recomendando respeito aos que tivessem escrúpulos delicados, para não melindrá-los com a licença de valerem-se de tais alimentos que, aliás, não se limitam a carnes (do grego broma).

B – A ênfase de Paulo quanto a nosso corpo ser “o templo do Espírito Santo” (1 Cor. 3:16, 17; 6:15) não favorece a noção de que o crente pode alimentar-se de carnes de porco, rato, urubus, cobras e lagartos, já que o mesmo Paulo disse: “Quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Cor. 10:31). Com isso ele mostra que o cristão deve cuidar com o que come, e não ser indiferente ao tipo de comida que ingere.

C – O texto de discussão paralela em 1 Timóteo 4 fala em “abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graça” (1 Tim. 4:3) e o seu contexto refere-se a quem até proibia o casamento, portanto numa referência a um grupo específico de pessoas, que os pesquisadores identificam como gnósticos de uma ala ascética. Logo, não se trata de uma regra geral, e de cara já temos que considerar que o “tudo o que Deus criou é bom” (vs. 4) deveria incluir também cobras, lagartos, baratas, aranhas. Além disso, excluiria os alimentos da “restrição alimentar” do Concílio de Jerusalém (Atos 15:20), com o que o “tudo” claramente tem suas limitações e não deve ser interpretado de modo absoluto.

D – Em 1 Tim. 4:5 Paulo fala de usar comidas que Deus criou e que são boas “porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas”. Sendo que a Palavra de Deus é citada como base para decisão de alimentos e esta estabelece as regras dietéticas (e a instrução bíblica que os cristãos primitivos na época recebiam era em grande medida por ouvirem a leitura das Escrituras aos sábados nas sinagogas—ver Atos 15:21) é extremamente improvável que o apóstolo esteja dando “carta branca” para o consumo de baratas, urubus, cobras e lagartos como sendo criados por Deus para consumo humano, milagrosamente transformados em alimentos aptos ao consumo humano apenas por causa de uma oração de graças (como alguns deixam implícito).


*O texto escatológico de Isaías 66:17 trata de profecias futuras, mas ligadas a Israel, e não a todos os moradores da Terra, pois há menção a nações ligadas à história e experiência de Israel como nação:

Dificuldades de tal interpretação:

A – Os capítulos 65 e 66 lidos na sua inteireza mostram o quadro de Deus apelando a Israel para ser-Lhe fiel e abandonar práticas condenáveis e abomináveis, diante da promessa de extermínio dos inimigos que os desviaram da verdade, e do novo céu e Nova Terra que se antecipam.

B – O contexto imediato da passagem fala de “fogo e espada” com que o Senhor entrará “em juízo COM TODA CARNE”, e que Ele vem para “ajuntar todas as nações e línguas” as quais “contemplarão a Minha glória”, numa claríssima indicação de tratar-se do mesmo fim descrito em Apocalipse. E “esses todos” que comem carne de porco, rato e praticam idolatria estão incluídos entre os condenados à destruição, tanto no capítulo 65 quanto 66 (ver Isa. 65: 3 e 4 e 66:16-18—ver também Eze. 33:25, nações pagãs condenadas por comerem carne com sangue).

C – Há descrições de nações contemporâneas do profeta (Társis, Pul, Lude, Tubal e Javã), mas são representativas das “todas as nações” mencionadas, bem como no Apocalipse o vidente de Patmos também trata de Babilônia, Egito, Gogue e Magogue representando TODOS os povos inimigos dos Filhos de Deus que encontrarão o seu castigo final.

D – No próprio final do capítulo há referência clara aos “novos céus” e “nova terra”, quando o povo de Deus estaria se mantendo fiel à lei divina, inclusive observando o sábado. No Novo Testamento também lemos de destruição aos que destroem o corpo, que é Templo do Espírito Santo (1 Cor. 3:17 e 6:19) e no Apocalipse João se refere às “aves imundas”, num contexto escatológico (ver Apo. 18:2). Destarte, pelo fim do 1o. século AD João ainda mantinha a concepção de animais imundos, prova de que tal atribuição a certos animais não havia cessado.

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:48 am por Carlstadt

Textos Bíblicos Mal Compreendidos Sobre o Tema da Alimentação

Cristo declarou em Marcos 7:18-20: “Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E assim considerou ele puros todos os alimentos. E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura: Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem”.

Coerência das Escrituras

Que questões estão aqui envolvidas? O Novo Testamento deixa bem claro: “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (I Cor. 6:19, 20). E também: “Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1 Cor. 3:17); “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Cor. 10:31).

As Escrituras são coerentes. Elas não iriam ensinar-nos a cuidar bem com o que comemos e bebemos num lugar para noutro ensinar que não importa o que comemos ou bebemos. O problema com o texto de Marcos 7 é que muitos não percebem a natureza do debate que Cristo está levando a cabo. O mesmo ocorre com a atitude de Cristo quanto à lei divina e, particularmente, o sábado, tão mal compreendida por certos intérpretes bíblicos.

A Lei e o Sábado, Como Entender Tais Debates?

Quanto à lei, basta ler todo o seu Sermão da Montanha, em Mateus caps. 5 a 7, para perceber que Jesus não fala nada em alguma nova lei que veio implantar para substituir a antiga lei divina. De modo algum, tanto que afirma no início que não veio aboli-la, e sim cumpri-la, incentivando os discípulos a uma obediência a essa lei de modo a “exceder em muito a [justiça] dos escribas e fariseus” (Mat. 5:20).

Na seqüência, a ênfase de Cristo é exaltar os princípios mais profundos e espirituais da lei, perdidos de vista pela liderança religiosa judaica (“ouvistes o que foi dito aos antigos . . . Eu, porém, vos digo”). Ele não faz tais comentários no sentido de substituição de lei nenhuma, mas de interpretação do correto sentido e valor da lei divina que permanece como norma de vida, firmada que é no duplo princípio de “amor a Deus sobre todas as coisas” e “amor ao próximo como a si mesmo” (ver Mateus 19:17-19 e 22:36-40, cf. Levítico 19:18 e Deuteronômio 6:5). Afinal, já o patriarca Jó, no seu antiquíssimo livro (muitos entendem ter sido o primeiro livro da Bíblia escrito), declara: “Fiz concerto com os meus olhos para não olhar com lascívia para uma donzela” (Jó 31:1, NIV). Portanto, olhar para uma mulher com intenções impuras não é um princípio que passou a valer a partir das palavras de Cristo, bem como odiar um semelhante sempre foi errado.

Sobre o sábado, quanta interpretação equivocada não ocorre, com tantos perdendo de vista o verdadeiro caráter e sentido dos debates de Cristo por curar nesse dia. Há os que apresentam uma visão até chocante, colocando a Cristo como um estranho Ser, que estabelece o sábado “por causa do homem”, como Ele mesmo assegurou, mas daí, por alguma inexplicável razão, põe-Se a empreender uma campanha contra a instituição, como se tivesse chegado à conclusão de não ter sido uma boa idéia estabelecer esse princípio.

Contudo, em lugar de insinuar menosprezo pelo mandamento ou intenção de indicar sua abolição, Cristo Se defende das acusações que lhe lançam por curar no sábado esclarecendo que fazia o que era “lícito” (Mat. 12:12), o que significa “em harmonia com a lei”. Se Ele é o “Senhor do sábado” (Mat. 12:8') que foi “feito por causa do homem” (Mar. 2:27) e ao qual observava regularmente (Luc. 4:16) como iria passar a combater uma instituição por Ele mesmo estabelecida como Criador (Heb. 1:2)? Na verdade, o sentido de Seus debates não era indicar o fim do sábado, e sim restaurar o mandamento a sua correta aplicação, livrando-o dos acréscimos aplicados ao mandamento pelas tradições dos fariseus. O teor de Seus debates a respeito não era quanto a SE deviam guardar o sábado, QUANDO deviam guardar o sábado, e sim COMO observar o “dia do Senhor” no seu devido espírito.

O Debate Sobre O Que Entra no Homem e Dele Sai

Em Marcos 7 encontramos a Cristo uma vez mais empenhado em debater questões legais com líderes religiosos dos judeus e novamente há muita incompreensão do verdadeiro sentido desses debates. Os fariseus mantinham leis bastante estritas concernentes à pureza ritual. Eles criam que tocar num gentio (não-judeu) no mercado seria contaminante. Todos os utensílios de cozinha, como potes e panelas, copos e pratos, deviam ser lavados completamente no caso de algum gentio tê-los tocado, desse modo os contaminando (ver Mar. 7:1-5).

O objeto das discussões em Marcos 7 não eram as leis higiênicas dadas a Israel (Levítico 11) por um Deus amoroso que visava a proteger a saúde de Seus filhos, mas as tradições, os acréscimos ilegítimos a essa lei criados pelos fariseus, ou seja, a “tradição dos anciãos” (Marcos 7:5). Estes criam que comer com mãos sem lavar acarretaria contaminação procedente dos gentios. O ponto em discussão não era o que comer, mas como comer. Não se tratava do repúdio das leis de saúde concedidas pelo próprio Senhor, mas uma rejeição das idéias sobre contaminação cerimonial por contatos com gentios.

Nesse contexto é que “o que de fora entra no homem não o pode contaminar” no sentido espiritual. O que poderia proceder da mente de um homem é que seria realmente contaminante, quando isso representasse os piores pecados que Cristo enumera nos vs. 21 e 22. Nenhum alimento é cerimonialmente impuro pois o alimento em si não traz consigo pecado algum.

Cristo está acentuando as questões internas, enquanto os líderes judaicos preocupavam-se com exterioridades. O Salvador de modo algum está liberando todo tipo de comida para Seus discípulos e sim mostrando que a contaminação que mais conta é a do espírito, não a do corpo, especialmente por rituais criados por homens. Tanto isso é verdade que mais tarde, na visão do lençol em Atos 10, Pedro demonstra que não aprendeu tal lição com Cristo pois expressou veemente recusa em matar e comer os quadrúpedes, répteis e aves imundas que lhe surgiram na visão. Mais tarde ele entendeu que aquilo se referia aos gentios, aos quais os judeus consideravam “imundos” (ver Atos 10:28, 34, 35).

As Incompreendidas Palavras Paulinas

Os escritos de Paulo são outra fonte de incompreensão de muitos intérpretes da Bíblia. Isso pode ser perigoso à luz do que Pedro declarou em 2 Pedro 3:15-17. Quando ele trata da questão de certos alimentos a serem ou não consumidos, novamente se revela a incompreensão do que está dizendo, pois pessoas lêem os seus escritos com pressupostos que não correspondem à realidade histórica, cultural e contextual das questões.

Em 1 Coríntios 8:1 o Apóstolo, por exemplo, trata dos alimentos sacrificados a ídolos, o que é realçado no vs. 4. Em 1 Coríntios 10:25 ele chega a recomendar que se coma “tudo que se vende no mercado”, mas o problema deve ser identificado. Porções das carnes que eram sacrificadas em cultos de ídolos pagãos em Corinto eram vendidas nos mercados locais. Isso levou alguns judeus muito estritos a adotarem um regime vegetariano (Romanos 14:2-4). A questão aqui é saber se seria moralmente errado comer carne oferecida a ídolos. A resposta de Paulo é que os ídolos nada são (1 Cor. 8:4) mas que não se deve causar escândalo para um irmão que tivesse escrúpulos mais sensíveis quanto ao tema. Em respeito a esses seria melhor não empregar tal alimento (1 Cor. 8:11-13).

Destarte, uma vez mais o tema em discussão não eram os alimentos proibidos pela legislação levítica. Cristo não veio para purificar porcos, ratos e urubus para que sirvam de alimento para Seus filhos. Ademais, essas leis higiênicas não tinham caráter prefigurativo, em nada apontavam à cruz e ao sacrifício expiatório de Cristo. Não tinham por que, pois, serem abolidas pois não tinham as mesmas características das “leis cerimoniais”.

Na referência a 1 Timóteo 4:3 (os que “proíbem casamento, exigem abstinência de alimentos, que Deus criou para serem recebidos com ações de graça”) Paulo se refere a certos sectários de seu tempo (a expressão “últimos dias” tem o sentido de “tempo desde a presença do Messias”). Tratam-se de sectários de tendências ascéticas, como certos grupos gnósticos. Os heréticos colossenses, sobre os quais infelizmente não há muita informação, demonstravam tais tendências (ver Colossenses 2: 8, 16, 21).

O próprio fato de ressaltar que tais alimentos deviam ser “recebidos com ações de graça” indica que Paulo trata daquilo que mereceu aprovação divina, não dos alimentos proibidos por Deus que, logicamente, não se enquadrariam nesse qualificativo.Também é bom lembrar que a palavra “alimento” de modo algum limita-se a carnes.

O Apóstolo está se expressando contra o fanatismo dos que declaram que todo prazer físico é mau. Isso, em parte, deriva da noção dualística originária da filosofia grega, que atribuía ao corpo a maldade, enquanto a “alma” seria o elemento puro a ser refinado.

Proibições Bem Antigas

Quando Noé entrou na arca recebeu instrução de levar sete pares de animais limpos e só dois dos animais imundos (ver Gênesis 7: 2 e 3), pois após o dilúvio não haveria de imediato plantações e esses animais certamente seriam a fonte de alimento dos sobreviventes do dilúvio. Isso é significativo, pois mostra que a distinção entre animais limpos e imundos antecede a legislação sinaítica e, portanto, não é coisa só para os judeus. Noé sacrificou apenas animais limpos (Gên. 8:20).

Em Gên. 9:3 e 4 há realmente uma permissão para que Noé se alimente de “tudo o que se move, e vive”, com exclusão do sangue. Na verdade, porém, além da exceção do sangue, a lei mais tarde estipulava que não se podia utilizar carcaças de animais mortos por outras feras (Êxo. 22: 31; Lev. 17:15). Daí a permissão referir-se a “tudo o que se move, e vive”. Alguns pensam que com isso estão autorizados os demais animais, como porco, rato, cobras e lagartos. Contudo, sendo que ficou pouco antes bem claro que havia separação e definição de animais limpos e imundos, por coerência essa recomendação dizia respeito aos animais limpos somente. Moisés não julgou necessário detalhar o que antes já havia indicado.

Em Isaías 65:2-5 e 66:16-18 se descreve os que se rebelaram contra Deus e são consumidores de carne de porco e rato, além de adorarem ídolos. O profeta declara que esses serão destruídos por comerem porco e carnes abomináveis! Em Êxodo 15:26 lemos a promessa divina ao povo de Israel, de que se obedecessem plenamente os mandamentos que Deus lhes estabeleceu “nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o Senhor que te sara”.

Voltando a tratar dos escritos paulinos, vemos que a admoestação do Apóstolo à comunidade de crentes em Cristo é de que “o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” e que “apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (1 Tess. 5:23; Rom. 12:1). O apóstolo João faz uma saudação a um nobre amigo cristão ressaltando os seus “votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” (3 João 2).

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:49 am por Carlstadt

Olá, amigos e irmãos

Este tema foi debatido de forma até "apaixonada" em certo fórum e nunca imaginei que houvesse tanta objeção aos princípios bíblicos sobre alimentação e saúde. Os que amam uma bistequinha de porco querem por todos os meios verem abolidos esses princípios, colocando seu apetite acima do "assim diz o Senhor" das Escrituras. Defendem um "liberou geral" quanto às regras alimentares, só que quando eu pedi que me preparassem um estudo global do ensino bíblico apresentando AS VANTAGENS para os filhos de Deus de terem essa "liberdade" de se alimentar do que queiram (o que incluiria carne de rato, cobras e lagartos) NUNCA souberam o que dizer. Não apresentaram nenhum "balanço" como vêem que eu postei uns dois quadros acima.


E que é muito mais vantajoso superar o apetite, e não seguir a filosofia "o que é bom ao paladar é bom para mim", temos no recente artigo da revista National Geographic Magazine, destacando os adventistas do sétimo dia entre os povos mais privilegiados com longevidade e melhor saúde.

Também os objetores das leis dietéticas bíblicas nunca souberam explicar devidamente por que tais leis foram estabelecidas, para começo de conversa. Até reconheceram que visavam à melhor saúde do povo de Israel numa época em que não havia hospitais, tratamentos, princípios nutricionais. Só que não sabem explicar por que, de repente, com o morrer de Cristo na cruz, tais recursos preventivos foram suspensos, sendo que as condições na terra de Judá e pelo mundo afora (onde o evangelho seria proclamado) permaneciam as mesmas. . .

Daí entram os aspectos teológicos. Por que seriam abolidas na cruz juntamente com as regras cerimoniais? Em que apontariam para o sacrifício de Cristo? Não sabem dizer. . . Alguém sugeriu algo como "divisão entre judeus e gentios". . . Mas faz sentido isso? Iria Deus instituir leis para destacar algo que reflete uma deficiência humana, já que Ele "não faz acepção de pessoas"?

Pois imaginem que até a palavra de um ateu, materialista, que quer "provar" que a Bíblia não tem fundamento, que as leis de saúde são meras idéias que Moisés pôde ter copiado de povos antigos, embora, por incrível que pareça, o tal ateu depois veio debater que Moisés não escreveu nada porque no seu tempo nem havia alfabeto, foi altamente prestigiada por supostos cristãos. É um incrível vale-tudo retórico em que até as opiniões de um indivíduo que faz pouco caso da inspiração bíblica tem valor! Isso de parte de gente que diz aceitar plenamente a Bíblia como Palavra de Deus!

Os estudos deste tópico dão-nos suficiente fundamentação bíblica para sabermos o que será melhor para nosso regime alimentar. Graças a Deus.

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:50 am por Carlstadt

Eis o testemunho que encontrei noutro ambiente internético:

Esses dias encontrei um livro que pode lhe ajudar neste debate ao qual se referiu, acerca dos alimentos em Levítico: Coma Bem Viva Melhor, de Rex Russell, Editora Betânia, 1998. Original em inglês: What the Bible Says About Healthy Living, 1996.

No mesmo, entre outros assuntos, trata das carnes limpas e imundas. O Dr. Rex (não sei qual sua religião), cita um estudo feito por David Match (M. D.), no qual ele avalia o nível de toxidade de carnes limpas e imundas que foram apresentadas a uma cultura em condições de laboratório, o que transcrevo a seguir:

O Outro lado -- As Carnes "Impuras"

O Senhor disse ao sacerdote Arão: “Para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo”. (Lv. 10:10)

A palavra hebraica chol traduz-se por "comum" e significa "compartilhado por todos", profano, sacrílego, contaminado.

Embora tais expressões carreguem consigo o sentido de pureza ou impureza rituais, sagrado e profano também conotam o que é saudável ou prejudicial como alimento - em outras palavras, aqui o limpo e o imundo também são físicos. Portanto Deus não estava tentando reduzir a dieta de seu povo apenas por questões cerimoniais. Hoje os motivos de ordem física ainda existem, sugerindo que se preste atenção ao que Deus disse.

No princípio recomendamos comer do que foi criado comer como alimento e evitar tudo o mais. Esse "tudo o mais" é impuro.

A Ciência Apóia a Sabedoria de Deus

A sabedoria do plano divino no que diz respeito a carnes foi confirmada em boa parte por um estudo realizado em 1957 pelo Dr. David Match, da Universidade Johns Hopkins, no qual ele relatou os efeitos tóxicos da carne animal numa cultura de crescimento controlado. Uma substância seria classificada como tóxica se ela retardasse ou desacelerasse a taxa de crescimento da cultura para menos que 75%. O sangue de todos os animais testados pelo Dr. Match mostrou-se mais tóxico que a carne.

A tabela seguinte baseia-se no estudo do Dr. Match. Os resultados de sua pesquisa demonstram que quanto mais baixa a taxa de crescimento da cultura, mais tóxica é a carne. Observe que a carne dos animais e peixes que Deus nos deu por alimento é totalmente não tóxica, mas a dos animais proibidos é tóxica. (Os animais apresentados sem classificação por percentuais na tabela abaixo não foram estudados, mas sào incluídos aqui para dar uma abrangência maior à lista de carnes limpas e imundas).

Lembremos bem—Qualquer índice acima de 75% indica que a carne não é tóxica, é "limpa". [Quem desejar ver a lista de animais e as proporções referidas (o que inclui "quadrúpedes", "aves e outros alados", "peixes" e "insetos"), ver no Fórum Adventista em Português o artigo completo, que se pode acessar pelo seguinte link:

Essa tabela pode nos auxiliar na identificação dos tipos de carne que devemos consumir. Também mostra que estamos ingerindo muitas substâncias tóxicas que não foram criadas para ser alimento.

A diferença entre os animais limpos e imundos parece estar relacionada com sua fonte primária de alimentação e com o sistema digestivo de cada um. De acordo com a Bíblia são imundos, isto é, impróprios para o consumo, os que se alimentam de tudo e qualquer coisa. Os animais qualificados como limpos, isto é, próprios para comer, se alimentam essencialmente de grãos e relva.

Esse exame da carne limpa e imunda revela ainda muito mais fatos, levando em conta a moderna tecnologia a serviço da análise toxicológica. Um Deus amoroso, empenhado na proteção de seu povo, confirma esse zelo mostrando-nos justamente que alimentos devemos ingerir. Em Levítico 11:43 temos uma pequena amostra de Sua vontade:

“Não vos façais abomináveis por nenhum enxame de criaturas, nem por elas vos contaminareis, para não serdes imundos”.

Observe na passagem seguinte alguns mamíferos cuja carne Deus proibiu o homem de comer:

“Destes, porém, não comereis: dos que ruminam ou dos que têm unhas fendidas: o camelo, que rumina, mas não tem unhas fendidas; este vos será imundo; o arganaz, porque rumina, mas nào tem as unhas fendidas; este vos será imundo; a lebre, porque rumina, mas não tem as unhas fendidas; esta vos será imunda. Também o porco, porque tem unhas fendidas e o casco dividido, mas não rumina; este vos será imundo; da sua carne não comereis, nem tocareis no seu cadáver. estes vos serão imundos”. (Lv 11:4-8).

Notemos que a impureza não se restringe aos carniceiros. O cavalo e o coelho, por exemplo, são imundos por não serem fissípedes, isto é, não têm os cascos ou as patas fendidas. Embora em alguns países sejam ambos considerados boa iguaria, já ficou comprovado através de estudos que a carne de cavalo é quase sempre infestada de vírus e parasitas. Já o coelho, embora pareça limpo, é um agente causador da tularemia, doença bacteriana que o homem contrai de animais.

Obs.: No mesmo livro há outras seções interessantes como a que fala do porco, dos moluscos, dos rastejantes e ovos.

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:51 am por Carlstadt

O Pr. Joel Osteen é autor de livros que vendem milhões em todo o mundo incentivando o viver vitorioso. Ele é pastor de uma dessas chamadas "megachurches" (congregações gigantes), a Lakewood Church, de Houston, TX.

O vídeo [em inglês] é um pequeno trecho de um sermão dele onde fala coisas que eu nem sabia sobre os malefícios da carne de porco. E acrescenta os outros animais proibidos na Bíblia. Eis o link:


Tradução:

A irmã Lizzie Spissoto, da Comunidade Orkut 'Adventistas do 7o. Dia', traduziu-nos o video, pelo que muito lhe agradecemos. Eis o texto do trecho do sermão do referido pastor:

Vamos tomar um momento para falar sobre carne de porco, presunto, lingüiça, calabresa, bacon. Estas são algumas das coisas que a Bíblia diz que não devemos comer. E essas coisas, claro, vêm todas do porco, e sei que alguns de vocês adoram costeletas de porco, adoram sanduíches de queijo e presunto. Eu sei porque cresci comendo essas coisas, e gosto muito de bacon, mas em prol da nossa saúde temos que estar dispostos a fazer algumas mudanças.

Deus sabe o que é melhor para nós. Voltando aos tempos bíblicos, o porco era considerado impuro, nunca como uma fonte de alimento. E uma das principais razões é porque o porco come qualquer coisa. Um porco come dejetos e lixo, e isso é meio grosseiro [de se mencionar], mas uma porca come suas próprias crias mortas. Vai comer outros animais doentes e infectados. Eles são fuçadores de lixo.

E o interessante é que o porco tem um dos mais simples e pobres sistemas digestivos entre os animais. No caso do porco, a digestão leva apenas 4 horas, e isso não é bom, porque muitas vezes as toxinas da comida não são eliminadas, e ficam armazenadas na gordura do porco.

Isso significa que o porco pode comer sujeira e lixo. Pode comer outras infecções, quatro horas depois pode estar no matadouro e no açougue, e em poucos dias no seu prato em casa. As toxinas nunca foram propriamente eliminadas da carne.
Por outro lado, os animais que Deus disse que são apropriados para comermos, como vaca, carneiro, veados, búfalos, esses animais comem vegetação fresca e limpa. O sistema digestivo deles é muito mais sofisticado. Na verdade uma vaca basicamente tem três estômagos, e essa vegetação é processada através do sistema digestivo em um total de 24 horas. Pense, são 24 horas ao invés de 4 horas.

Você preferiria comer um animal que come sujeira e lixo ou um animal que come vegetação limpa e fresca? Um animal que mal digere sua comida e armazena as toxinas da gordura ou um animal que elimina as toxinas do seu corpo apropriadamente?
Eu não sei o que pensam, mas eu não quero arriscar e colocar esse tipo de lixo no meu corpo. E como disse eu adoro bacon, mas há alguns anos fizemos uma troca e agora eu como bacon de peru. Hoje não noto mais a diferença. Eu amo pizza, mas não como a calabresa mais.

Fiz mudanças não apenas para a minha saúde mas as fiz para honrar a Deus. Eu acredito que se fizer o que posso para cuidar do meu corpo, Deus irá fazer o que eu não posso.

Outra coisa que a Bíblia diz que devemos manter distância é de qualquer tipo de frutos do mar. Camarões, caranguejos, lagostas, ostras...Esses animais são fuçadores de lixo. Eles vivem no fundo do mar e comem dejetos, comem excrementos de outros peixes. Eu adoro camarão frito, mas quando penso no que aquele camarão teve no seu jantar, não me parece mais tão apetitoso. . . Nós devíamos comer mais peixe fresco, grelhado. Peixes grelhados são algumas das melhores coisas para nossa saúde.
_____


Obs.: Ocorrem gargalhadas em alguns pontos de sua palestra, e quando ele começou a falar, até disse brincando que os recepcionistas ('ushers') haviam trancado a porta [para ninguém fugir], mas ao final, quando disse que devemos obedecer tais regras para honrar ao Senhor, foi aplaudido. . .

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:51 am por Carlstadt



MORTOS PARA A LEI?


O que significa a expressão paulina “morreram para a lei” em Romanos 7:4?

Por Prof. Azenilto Guimarães Brito

      Assim, meus irmãos, vocês também morreram para a lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerem a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus. (Rm.7:4)
  Analisemos, pois, o “chavão” surrado do “mortos para a lei” (Rm.7:4). O que será que significa essa expressão paulina? Haveria, talvez, três opções para entender este verso, sendo duas ilógicas e uma somente que faz sentido:
     a) “mortos para a lei” significaria que não precisamos mais obedecer a lei 100% Todos os seus mandamentos não devem ser mais respeitados;

     b) “mortos para a lei” significaria que não se precisa obedecer apenas um de seus mandamentos (o sábado). A obediência a nove deles é ainda exigida e o mais engraçado é que obedecê-los não significa ser “mortos para a lei”; ou

     c) é claro que a declaração de Paulo deve ser entendida à luz de todo o contexto de sua discussão sobre a questão da lei versus graça, fé versus obras, justificação e santificação. Essa metodologia de tomar um texto isolado e fazer disso um “cavalo de batalha” já está mais do que desmoralizada, mas parece que alguns não conseguem perceber isso.
  Vejamos o que diz Romanos 6:11: “Assim também, vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus”. Interessante o paralelo: devemos estar “mortos para a lei”, mas também “mortos para o pecado”. Sendo que “pecado é transgressão da lei” (1Jo.3:4), como se pode entender isso? O vs. 12 esclarece tudo: “Não reine, portanto, o pecado [não diz “a lei”] em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões”. Então se há alguma coisa que não devemos obedecer não é a lei ou algum mandamento dela contra o qual resolvamos discriminar, e sim as paixões do pecado. Daí que Paulo mais adiante esclarece: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós (o pecado, não a lei), porque não estais debaixo da lei, e, sim, da graça” (Rm.6:14).

  Paulo usa a ilustração da lei do casamento falando de como uma mulher casada está sujeita ao marido até que ele morra (ver Rm.7:1–6). Alguns menos avisados tomam este trecho da Bíblia e em vista de certos pressupostos arraigados não entendem nada do seu sentido, um perigo à luz do que Pedro nos diz em 2ª Pedro 3:15–17. Daí, saem-se com a esdrúxula tese de que o cristão agora, “casado” com Cristo, não tem nada mais que se preocupar quanto à lei divina.

  Mas é exatamente o contrário. O “marido” que morreu não é a lei, e sim o pecado, apontado pela lei, que cumpre exatamente tal papel (ver Rm.7:7). Agora, diz Paulo: “servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra” (Rm.7:6), o que se ajusta maravilhosamente com o que ele fala da obediência sob o Novo Concerto — não segundo a letra das frias tábuas de pedra, mas tendo a letra dessa lei das pedras escrita por Deus (completa) nos corações aquecidos pela graça divina (ver 2Cr.3:3, cf. Hb.8:6–10). A própria ilustração paulina das “tábuas de pedra” indica que ele ressalta todo o conteúdo daquelas “tábuas de pedra’’ a ser escrito no coração do crente sob o Novo Concerto. Ora, não corresponde isso ao que Davi também declarou no Salmo 40:8, “Agrada-me fazer a Tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração está a Tua lei”?

  Servimos ao que? À “justiça”, ou seja, a Deus sendo-Lhe obedientes. Daí que o mesmo Paulo que disse estar morto para a lei (“estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos” — à lei, no que condena o pecador) também proclamou essa lei como “santa, justa, boa, espiritual, prazerosa” (Rm.7:12,22,25) dizendo-se dela “escravo”. E que tal considerar nesse contexto Romanos 8:3, 4, 7, 8? O cristão que tem o Espírito de Deus o demonstrará, não arranjando desculpas esfarrapadas para livrar-se de um dos mandamentos da lei divina, mas pelo cumprimento da “justiça da lei” em sua vida renovada.

  O mesmo Paulo declarou que ‘‘a circuncisão em si não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar os mandamento de Deus.” (1Cr.7:19). Noutras duas passagens paralelas, Paulo esclarece:
      Porque em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão, tem valor algum, mas a fé que atua pelo amor. (Gl.5:6).

      Pois nem a circuncisão é cousa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura. (Gl.6:15).
  Então, vemos aqui a harmonia da tese de Paulo: a parte da lei que envolvia ritos e cerimônias não mais tem qualquer peso. Cumpriu o seu papel de apontar ao “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo.1:29). Resta ao cristão “a fé que atua pelo amor”, que é o que caracteriza quem se tornou “nova criatura”. Daí que Paulo também pergunta: “Anulamos, pois, a lei pela fé?” E ele mesmo responde: “Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei.” (Rm.3:31). Quem vive pela fé:
 —> atua pelo amor (ver Rm.13:8–10);
 —> tem uma experiência de nova criatura (2Cr.5:17);
 —> produzirá a justiça da lei em sua vida operada pelo Espírito que confirma (e não anula) a lei (Rm.8:3–4/3:31).

  Deve-se ter em mente que quando os leitores primários das epístolas paulinas (sobretudo Romanos) liam suas constantes referências à lei de Deus (ou de Cristo) sabiam que ele fala dessa lei tendo o Decálogo completo como expressão da mesma para os homens (ver Rm.7:7/13:8–10/Ef.6:1–3).

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:53 am por Carlstadt


Caros irmãos e amigos

Seria interessante ver como Martinho Lutero, o grande campeão do tema da justificação pela fé, discute esta passagem. Aliás, aproveitemos e vejamos a exegese do mesmo Lutero de outra expressão bíblica tremendamente mal compreendida pelos adeptos da teologia que eu chamo de semi-antinomista (tese da "lei abolida" e assemelhadas), o "estar debaixo da lei".

Citarei os comentários de Lutero sobre os capítulos 6 e 7 de Romanos, da sua clássica obra "Prefácio da Epístola de Paulo aos Romanos". Quem desejar o estudo completo pode solicitar-me por PM ou, melhor ainda, por meu e-mail [url=mailto://azenilto@yahoo.com.br][url=mailto://azenilto@yahoo.com.br]azenilto@yahoo.com.br[/url]:

[/url]
Capítulo 6 — A luta diária contra o pecado

No sexto capítulo, o apóstolo trata da obra particular da fé: a contenda do Espírito com a carne em matar por completo os demais pecados e desejos que restam após a justificação, e nos ensina que, através da fé, não estamos libertados dos pecados de forma tal que possamos ficar ociosos, preguiçosos e seguros, como se não mais houvesse pecado. Há pecado, mas ele não é imputado para a condenação, por causa da fé que com ele luta. Por isso temos o bastante para lidar conosco mesmos a vida inteira: Domar o corpo, matar seus desejos e obrigar seus membros a obedecerem ao Espírito e não aos desejos, a fim de que sejamos iguais a Cristo, em sua morte e ressurreição, e realizemos nosso batismo que significa também a morte dos pecados e uma nova vida na graça até que, totalmente puros dos pecados, ressuscitemos na forma corporal com Cristo e vivamos eternamente.

E isso podemos fazer, afirma ele, porque nos encontramos na graça e não na lei, o que ele mesmo interpreta no seguinte sentido: “Ser sem lei” não é o mesmo que não ter lei alguma e que se possa fazer o que apraz a cada um, senão que “estar debaixo da lei” é quando, sem a graça, lidamos com as obras da lei. Então, com certeza, o pecado impera através da lei, uma vez que ninguém por natureza é afeito à lei, e isto é um grande pecado. A graça, porém, nos torna a lei agradável de sorte que não há mais pecado e a lei não está contra nós, mas em harmonia conosco.

Esta é a verdadeira liberdade do pecado e da lei, da qual fala até o final deste capítulo. É uma liberdade de fazer apenas o bem com vontade e de viver corretamente sem a coação da lei. Por isso tal liberdade é uma liberdade espiritual, que não anula a lei, e sim oferece aquilo que é exigido pela lei: vontade e amor, com o que a lei é aplacada e não mais fica a incitar e exigir. É como se estivesses em dívida para com um credor e não pudesses pagar. Há duas maneiras pelas quais poderias livrar-te: Uma, que ele nada lhe cobrasse e rasgasse sua nota promissória; a outra, que um homem bom pagasse por ti, e te desse o suficiente para pagar a promissória. Desta maneira, Cristo nos livrou da lei, razão por que não se trata de uma liberdade carnal e selvagem, que nada precisa fazer, mas sim de uma liberdade que faz muito e toda sorte de coisas e está livre apenas da exigência e dívida da lei.

Cap. 7 — Morto para a lei e o conflito dentro do crente

No sétimo capítulo, Paulo confirma o anterior mediante uma comparação com a vida matrimonial: Quando morre o marido, a mulher está desimpedida e um está separado e livre do outro. Não que a mulher não pudesse ou devesse tomar outro homem. Ela está apta a tomar outro, o que ela anteriormente não podia, por não estar livre daquele. Assim também nossa consciência sob a lei está vinculada ao velho homem pecaminoso; ao ser este morto pelo Espírito, a consciência está livre, e um desobrigado do outro; não que a consciência nada devesse fazer; mas sim para que agora possa ater-se tanto mais a Cristo, o outro homem, e produzir frutos para a vida.

Em seguida apresenta ainda a peculariedade dos pecados e das leis, de como pela lei o pecado fica ainda mais ativo e violento. Pois o velho homem se torna tanto mais inimigo da lei por não poder pagar o que a lei exige. Porque sua natureza é pecado, e ela de si mesma não pode fazer outra coisa, motivo por que a lei é sua morte e seu martírio. Não que a lei seja maligna, mas a natureza má é que não pode suportar o bem que a lei dela exige, assim como um doente não agüenta que se exija que corra e salte, ou pratique outros atos próprios de uma pessoa sã.

Por isso Paulo conclui: Onde a lei for adequadamente reconhecida e entendida da melhor maneira possível, ela não faz mais do que nos lembrar de nosso pecado e nos matar através do mesmo, tornando-nos culpados da ira eterna (tudo isso se percebe e experimenta muito bem na consciência, quando esta é bem atingida pela lei). De sorte que é necessário algo diferente e superior à lei para tornar a pessoa justa e salva. Aqueles, porém, que não reconhecem adequadamente a lei, são cegos, comportam-se com arrogância, acreditando poder-lhe fazer jus com obras. Pois não sabem o quanto a lei exige: um coração livre, disposto e animado; por essa razão não encaram a Moisés de frente. Para eles o véu está posto na frente, encobrindo-os (2 Coríntios 3.13ss).

Em seguida mostra como o Espírito e a carne lutam um contra o outro numa mesma pessoa; apresenta a si mesmo como exemplo para que aprendamos a reconhecer bem a obra de matar o pecado em nós mesmos. Mas a ambos ele chama de lei, tanto o Espírito como a carne, e isso pela seguinte razão: Assim como a lei divina tem a característica de impelir e exigir, igualmente a carne impele, exige e se agita com violência contra o Espírito e quer impor o seu desejo. Por outro lado, o Espírito investe contra a carne e procura impor sua vontade. Esta luta perdura dentro de nós enquanto vivemos, num mais, noutro menos, dependendo de a supremacia ficar com o Espírito ou a carne. E mesmo assim, a pessoa inteira é ela mesma ambas as coisas, Espírito e carne, lutando, portanto, consigo mesma, até que fique inteiramente espiritual.---- Sublinhado acrescentado



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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:55 am por Carlstadt


Creio que neste contexto caberiam também ver os comentários de outros reputados comentaristas bíblicos cristãos protestantes:

Comentários de Matthew Henry sobre Romanos 7:1-6

Enquanto um homem continue sob a lei como um concerto, e busque justificar-se por sua própria obediência, prossegue escravo do pecado em alguma forma. Nada a não ser o Espírito de vida em Cristo Jesus pode tornar qualquer pecador livre da lei do pecado e da morte. Os crentes são livrados do poder da lei, que condena por causa dos pecados por eles cometidos. E são livrados desse poder da lei que suscita e provoca o pecado que neles habita. Entenda-se isso não da lei como regra, mas como um concerto de obras.

Em profissão e privilégio estamos sob um concerto de graça, e não sob um concerto de obras; sob o evangelho de Cristo, não sob a lei de Moisés. A diferença é tratada segundo o paralelo ou figura de casar-se com um novo marido. O segundo casamento é com Cristo. Pela morte estamos livres da obrigação da lei como um concerto, como a esposa está de seus votos a seu marido. Em nosso ato de crer poderosa e eficazmente, estamos mortos para a lei, e nada mais temos a ver com ela mais do que um servo morto é livre do jugo de seu mestre.

O dia de nossa decisão em crer é o dia de estar unido ao Senhor Jesus. Entramos para uma vida de dependência Dele, e de dever a Ele. As boas obras são derivadas da união com Cristo: como a videira frutífera é produto de estar unida a suas raízes; não há fruto para Deus até que estejamos unidos a Cristo. A lei, e os melhores esforços de alguém sob a lei, ainda na carne, sob o poder de princípios corruptos, não pode colocar o coração em ordem com respeito ao amor de Deus. . . . Nada mais do que a obediência formal à letra exterior de qualquer preceito pode ser realizado por nós, sem a graça renovada e criadora do novo concerto.

[Perfeitamente em harmonia com as “superiores promessas” do novo concerto—é Deus quem escreve as Suas leis nos corações e mentes de quem aceitou a Cristo, segundo as provisões desse novo concerto (Novo Testamento)—Hebreus 8:6-10].

Comentando vs. 22: “Pois ao estar o crente sob a graça, e sua vontade no caminho da santidade, ele sinceramente se deleita na lei de Deus, e na santidade que esta requer, segundo o homem interior; esse novo homem nele, que após Deus é criado em verdadeira santidade.

Comentário sb Rom. 7:23-25.

Assim, diz ele, eu próprio, com a minha mente, meu julgamento, afeições e propósitos, como um homem regenerado, pela graça divina, sirvo e obedeço a lei de Deus, mas com a carne, a natureza carnal, o remanescente de depravação, sirvo à lei do pecado, que guerreia contra a lei de minha mente. Não a servindo de modo a viver nele, ou dar-lhe permissão, mas incapaz de livrar-se dele mesmo em seu melhor estado, e carecendo de buscar ajuda e livramento fora de si mesmo. É evidente que ele agradece a Deus por Cristo, como nosso libertador, como nossa expiação e justiça em si mesmo . . . . Ele dispunha-se a agir em todos os pontos no agrado da lei, em sua mente e consciência, mas era impedido pelo pecado que nele habitava, e nunca alcançava a perfeição que a lei requer. Que libertação pode ser para um homem sempre pecador a não ser a livre graça de Deus, como oferecida em Cristo Jesus? O poder da divina graça e do Espírito Santo pode desarraigar o pecado de nossos corações mesmo nesta vida, se a divina sabedoria assim julgasse acertado. Mas esta permitiu que os cristãos constantemente sentissem e entendessem plenamente o miserável estado do qual a graça divina o livra; devendo ser impedidos de confiar sempre em si mesmos para que pudessem sempre conservar toda a sua consolação e esperança na rica e livre graça de Deus em Cristo.

Comentário Sobre Romanos 8:4, por John Wesley:

Para que a justiça da lei— A santidade que ela [a lei] requeria, descrita em Romanos 8:11.

Se cumpra em nós que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito -- Que somos guiados em todos os nossos pensamentos, palavras e ações, não pela natureza corrupta, mas pelo Espírito de Deus. A partir deste ponto Paulo descreve primariamente o estado dos crentes, e a dos descrentes somente para ilustrar isto.

SDABC Sobre Romanos 8:4:

4.

A justiça.

A palavra para “justiça” no original grego é dikáioma. O termo que Paulo usa com freqüência nesta epístola para “justiça” é dikaiusún' (cap. 1: 17; 3: 5; 4: 3; etc.). Dikáioma expressa o pensamento daquilo que é estabelecido como correto (ver Rom. 1: 32; 2: 26; 5: 16, 18; cf. Luc. 1: 6; Heb. 9: 1, onde dikáioma foi traduzido como “juízo”, “ordenanças” [em três vers.], “justificação” e “justiça”). Portanto, Paulo aqui está se referindo às justas exigências da lei ou à obediência de seus justos requisitos.

Neste contexto Paulo continua falando da lei que ele aprovava (cap. 7: 16) e na qual se deleitava (vers. 22); mas descobriu que era incapaz de obedecê-la sem Cristo (vers. 15-25).

Comentário Bíblico de Adam Clarke

Verso 13 [de Romanos 7]. Acaso o bom se me tornou em morte?

Esta é a pergunta do judeu, com quem o apóstolo parece estar disputando. “Você admite que a lei seja boa, e contudo declara ser a causa de nossa morte? O apóstolo responde: “De modo nenhum! γενοιτο, pelo contrário: não é a lei que é a causa de sua morte, mas o pecado; foi o pecado que nos sujeitou à morte pela lei, com justiça ameaçando o pecado com a morte; pelo que a lei foi dada para que o pecado pudesse aparecer em suas verdadeiras cores; quando o vimos nos sujeitando à morte por uma lei santa, justa, e boa; para que o pecado, pela lei, pudesse ser representado no que é realmente: καθυπερβοληναμαρτωλος
, uma ENORMEMENTE GRANDE e mortal malignidade.

Destarte, parece que o homem não pode ter uma verdadeira noção de pecado a não ser por meio da lei de Deus. Disso eu já dei suficientes razões nas notas precedentes. E um dos desígnios da lei era mostrar a natureza abominável e destrutiva do pecado, bem como ser uma regra de vida. Seria quase impossível para um homem ter essa simples noção do demérito do pecado de modo a produzir arrependimento, ou ver a natureza e necessidade da morte de Cristo, se a lei não fosse aplicada a sua consciência pela luz do Espírito Santo; é somente então que ele se vê como carnal e vendido sob o pecado; e que a lei e o mandamento são santos, justos e bons. E seja observado que a lei não responde por essa finalidade só entre os judeus nos dias do apóstolo; é exatamente tão necessária aos gentios no tempo presente. Nem verificamos que genuíno arrependimento tem lugar onde a lei moral não seja pregada e imposta. Os que pregam somente o evangelho aos pecadores, no melhor das hipóteses apenas curam o ferimento da filha de meu povo ligeiramente. A lei, portanto, é o grande instrumento nas mãos de um ministro fiel, para alarmar e despertar pecadores; e ele pode seguramente mostrar que cada pecador está debaixo da lei, e conseqüentemente sob maldição, quando não fugiu em busca de refúgio para a esperança propiciada pelo evangelho: pois, neste sentido somente, Jesus Cristo é o FIM da LEI para justificação todo aquele que crê.-- Destaques em itálico exatamente como no original.


Eis o link que conduz ao original: http://www.studylight.org/com/acc/view.cgi?book=ro&chapter=007




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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:56 am por Carlstadt


Mais alguns respeitáveis comentaristas bíblicos analisando o tema da lei no princípio de Romanos 7:


Jamieson, Fausset and Brown:

Comentário de Rom. 7:6

. . . a morte referida, como temos visto, não é da lei, mas a nossa, mediante a união com o Salvador crucificado. . . .

servir em novidade do espírito . . . e não na velhice da letra -- não segundo nossa antiga maneira de obediência literal, mecânica à lei divina, como um conjunto de regras exteriores de conduta, e sem qualquer referência ao estado de nossos corações; mas nessa nova obediência espiritual que, mediante a união com o Salvador ressurreto, temos aprendido a prestar (comparar com [os comentários de]
Rom_2:29; 2Co_3:6).

The People's New Testament:

Pois quando na carne. Quando estávamos numa condição inconversa, sob a influência de nossa natureza carnal. A insuficiência da lei para livrar-nos de seu poder é agora demonstrada. . . .


A fim de que sirvamos em novidade de espírito. Este servir a Cristo é o novo serviço dos que vivem novas vidas. É um serviço espiritual: “[Importa que] Deus seja adorado em espírito e em verdade.” A lei de Deus, sob o novo concerto, é “escrita nos corações” (Heb_8:10); daí que não é um serviço de escravidão, mas livre e de boa vontade.

Fonte: Ver seção de comentaristas bíblicos no site
[url=http://www.e-Sword.com]www.e-Sword.com[/url]


João Calvino:

. . . a palavra lei não é mencionada aqui em toda parte com o mesmo sentido: pois num lugar significa a união do matrimônio; em outro, a autoridade de um marido sobre sua esposa; e noutro, a lei de Moisés: mas devemos recordar que Paulo aqui se refere somente àquela função da lei que era peculiar à dispensação de Moisés; pois na medida em que Deus nos dez mandamentos ensinou o que é justo e correto, dando diretrizes para dirigir nossa vida, nenhuma ab-rogação da lei é para ser imaginada; pois a vontade de Deus deve permanecer a mesma para sempre. Devemos cuidadosamente recordar que esta não é uma libertação da justiça que é ensinada na lei, mas de seus rígidos requisitos, e da maldição que disso resulta. A lei, pois, como regra de vida, não é ab-rogada; mas o que pertence a ela, em oposição à liberdade obtida mediante Cristo, ou seja, no que requer absoluta perfeição: pois na medida em que não atingimos essa perfeição, ela nos prende sob uma sentença de morte eterna.

Fonte: [url=http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom38.xi.i.html]http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom38.xi.i.html[/url]



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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:58 am por Carlstadt



EM NOME DA LEI!


Como foi que o tema da lei se tornou tão controvertido?

Por Roberto Badenas, Th.D.

  De todas as discussões sobre a Bíblia, nenhuma é mais polêmica do que a lei. Talvez nem todos saibam, mas as melhores legislações na História tiveram suas raízes no conceito bíblico de lei. O inverso também é verdade: em nome da lei, têm ocorrido muitos abusos, guerras santas foram travadas, a escravatura foi justificada, o planejamento familiar é condenado, mulheres têm sido mantidas em submissão, artes plásticas têm sido excluídas e transfusões de sangue proibidas. Como foi, então, que o tema sobre a lei — um elemento fundamental na ordem de Deus para a vida — se tornou tão controvertido entre os cristãos?


—> O Uso Ilegítimo da Lei

  Nossas dificuldades com a lei de Deus vêm não somente de nossas transgressões de suas ordenanças, mas também de nossos erros de perspectiva acerca de suas unções. Muitos desses problemas podem ser derivados daquilo que George Knight chama “nossos usos ilegítimos da lei”. [1]

  Apesar do fato de que ela é santa, justa e boa (Rm.7:12), a lei de Deus pode ser usada de modo mau, ímpio e injusto. Pode ser empregada para fins a que ela não visava. Com efeito, uma das tentações constantes dos crentes é usar a lei de Deus de modo errôneo. Em nome da lei, por exemplo, um grupo de homens trouxe a Jesus uma mulher apanhada em adultério — não tanto para defender a lei, mas para apanhar Jesus num emaranhado teológico e legal (Jo.8:1–11). “Se absolvesse a mulher, seria acusado e desprezar a lei de Moisés. Declarasse-a Ele digna de morte, e seria denunciado aos romanos como assumindo autoridade que só a eles pertencia”. [2] O apelo rabínico à lei, esse caso, foi mero pretexto para condenar duas pessoas. Mas Jesus tomou o incidente e usou-o para expor a hipocrisia dos rabinos, para enfatizar a necessidade que o pecador em do perdão da graça divina, e para apontar a direção de uma vida nova.

  Para Jesus, apegar-se à letra da lei não bastava (Mt.5:20). O verdadeiro respeito pela lei requer o respeito pelo espírito atrás de todo preceito. Assim o mandamento “não atarás” requer também não ferir ou atacar, mesmo verbalmente (Mt.5:27–28). O que isso sugere é que a única maneira certa de compreender a lei é procurar o princípio por trás dos preceitos.

  Outro uso ilegítimo da lei é achar na obediência a ela o meio de salvação. Muitos fariseus eram culpados disso. A heresia dos gálatas tinha que ver com essa interpretação da lei. Paulo bem conhecia o problema. Tendo vivido como fariseu até seu encontro no caminho de Damasco, ele se orgulhava do legalismo — sem culpa com respeito à guarda da lei (Fp.3:4–6). Mas quando aceitou as boas-novas de Jesus, Paulo compreendeu que o legalismo não pode salvar uma pessoa, e que a salvação só é possível mediante a fé em Jesus (Rm.1:16–17/Ef.2:8). A lei em si mesma não tem poder para salvar, e atribuir-lhe tal poder é uma farsa teológica que faz grande dano à nossa compreensão do modo designado por Deus para redimir.

  Mas então, não tem a lei um papel na vida da pessoa salva pela graça de Deus? Uma das confusões mais comuns e mais sérias na história da salvação “é o erro de não fazer uma distinção entre o que se precisa fazer para ser moral e o que se precisa fazer para ser salvo”. [3] Esse foi o erro dos fariseus. Sua opinião otimista sobre a natureza humana levou-os a uma percepção errônea do pecado. Pensavam que qualquer pessoa podia vencer o pecado na mesma base que Adão antes da queda. Criam que todos podiam ainda viver de acordo com a vontade de Deus guardando fielmente a lei. Essa opinião limitada do poder do pecado (Rm.3:9) afetava a compreensão farisaica do propósito da lei, advogando que a obediência à lei era o meio designado por Deus para obter justiça.

  Embora Paulo e os reformadores protestantes demonstrassem a falácia desta crença, essa opinião otimista do ser humano e essa opinião distorcida da lei ainda é corrente entre cristãos de todas as denominações, inclusive os adventistas do sétimo dia.

  Precisamos reconhecer, como Ellen White escreveu, que “era possível a Adão, antes da queda, formar um caráter justo pela obediência à lei de Deus. Mas deixou de o fazer e, devido ao seu pecado, nossa natureza se acha decaída”. [4]


—> O Uso Legítimo da Lei

  Se nossa natureza pecaminosa já não é capaz de cumprir as exigências divinas, qual, então, é o propósito da lei? Paulo menciona diversos.

  A primeira função é jurídica. Como muitos outros códigos legais, a lei de Deus tem um papel “civil”. Paulo diz que a lei foi dada “por causa das transgressões” (Gl.3:19). O primeiro alvo da lei escrita é de limitar, evitar ou prevenir transgressões tanto quanto possível, a fim de restringir o mal. Nesse sentido, “a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados” (1Tm.1:9).

  A segunda função da lei é teológica. “Pela lei vem o conhecimento do pecado”, escreveu Paulo (Rm.3:20). Mais adiante ele argumentou que se não fosse pela lei, ele não teria sabido que era pecador (Rm.7:7). Uma das realidades mais humilhantes da vida é que nem sempre estamos conscientes de nossas faltas. Nesse contexto, a lei funciona como um espelho (Tg.1:23) revelando-nos como realmente somos. O espelho revela nossas manchas, mas é incapaz de removê-las. Assim é com a lei de Deus. Revela nossos problemas, diz-nos que somos pecadores, mas não pode fazer nenhuma mudança. Realiza um papel importante — o de revelar o pecado — mas não pode remediar a situação. Para o remédio, precisamos volver-nos a Jesus.

  Os luteranos tradicionalmente tendem a negar à lei qualquer outro papel além do civil e do teológico. Se a lei tem uma terceira função, tem sido muito discutido entre os protestantes. A terceira função é espiritual. Se a lei vem de Deus e se é a transcrição de Seu caráter, deve necessariamente revelar a vontade de Deus para nós. Se Deus ordena amor e condena a injustiça, é porque Ele mesmo é amante e justo. Paulo observa que “a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom” (Rm.7:12,14). A lei mostra que o ideal de Deus para todo ser humano é refletir-Lhe o caráter. E como Ele não muda, os princípios de Sua lei são também as normas permanentes de julgamento, desde o Éden até ao fim do tempo (Rm.2:12–16/Ap.14:6–12).

  Não admira que o Novo Testamento afirme que os crentes guiados pelo Espírito são aqueles que respeitam a vontade de Deus (Ap.14:12). Segundo João Calvino, esse “terceiro uso” é “o uso principal da lei entre crentes em cujos corações o Espírito já vive e reina… Eis o melhor instrumento para que aprendam mais perfeitamente cada dia a natureza da vontade do Senhor à qual aspiram”. [5]


  Nenhum destes três usos da lei tem algo a ver com nossa justificação. Embora a lei não proporcione salvação, oferece orientação ética e espiritual para o crente. “A lei nos envia a Cristo para sermos justificados, e Cristo nos envia à lei para sermos regulados”. [6]

  Por um lado, a lei sempre aponta ao evangelho para segurança de salvação, e por outro, o evangelho sempre nos convida a um maior respeito à lei. Por isso Paulo podia afirmar que a fé estabelece a lei (Rm.3:31).


—> A Insuficiência da Lei

  A própria lei indica suas limitações. Todo o sistema do santuário da dispensação israelita nos ensina isso. A lei mostra a transgressão e convence o pecador dessa transgressão. Mas a lei nada pode fazer para expiar a transgressão. Antes da vinda de Jesus, o pecador precisava volver aos serviços do santuário. Em nome da lei, o pecador era convidado a buscar salvação fora da lei (Rm.3:21). Expiação do pecado é atribuição de Deus (Lv. 16). O sangue provido para a expiação devia ser dado por Deus (Lv. 17:11). É Deus quem justifica. É Deus quem santifica (Lv. 20:8;1Ts.5:23, 24).

  O Novo testamento mostra que toda a obra da redenção, prefigurada no santuário terrestre, era cumprida por Cristo (Rm.3:27-31). Assim “Cristo é o fim da lei” (Rm.10:4). NEle a lei como revelação encontra seu clímax, e por Ele tudo o que a lei requer torna-se uma realidade.

  Como Ellen White afirma: “Pela justiça imputada de Cristo, o pecador pode sentir que foi perdoado e pode saber que a lei não mais o condena, porque ele está em harmonia com todos os seus preceitos. (…) Pela fé, assegura-se da justiça de Cristo e responde em amor e gratidão ao grande amor de Deus em dar Seu Filho unigênito, que morreu a fim de trazer à luz, vida e imortalidade pelo evangelho. Sabendo que é pecador, transgressor da santa lei de Deus, ele olha para a perfeita obediência de Cristo, para Sua morte no Calvário pelos pecados do mundo; e tem a segurança de que é justificado pela fé nos méritos e no sacrifício de Cristo. Reconhece que a lei foi obedecida a seu favor pelo Filho de Deus, e que a penalidade da transgressão não pode recair sobre o pecador que crê. A obediência ativa de Cristo cobre o pecador crente com a justiça que satisfaz os reclamos da lei”. [7]


—> A Resistência Humana à Lei

  A despeito do fato de que os princípios da lei revelam a vontade de Deus para nós, tendemos a ver a lei principalmente como um obstáculo à liberdade. Apesar de reconhecermos a vantagem de respeitar uma certa ordem, nossa natureza carnal resiste a qualquer restrição. Esperamos que outros respeitem a lei, mas achamos difícil nós mesmos nos submetermos à sua disciplina.

  A necessidade de lei é clara e lógica, mas tendemos a minimizar-lhe as obrigações. A natureza requer a presença da lei, e a natureza humana sabe que necessita dela. Mas saber é uma coisa e fazer é outra. A felicidade humana é o objetivo da lei divina. O papel da lei é enfocar o que é bom, mostrar a diferença entre o bem e o mal, respeito e violência, justiça e injustiça. O modo imperativo da lei é simplesmente a expressão de amor de Deus.


—> A Função Didática da Lei

  Paulo compara a função da lei à tarefa de um pedagogo que prepara a criança para seguir as instruções de um professor qualificado. Ele diz que a lei foi “para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gl.3:24).

  Na Bíblia, freqüentemente as proibições precedem ordens. Por exemplo, o mandamento “não matarás” vem antes de qualquer comentário sobre o amor para com nosso próximo. Não reconheceríamos o valor da vida se uma proibição prévia não nos obrigasse a refrear nossas paixões violentas. A proibição de matar detém nossos impulsos agressivos e nos obriga a meditar sobre as conseqüências de nossa decisão.

  Enquanto a vida nos obrigar a escolher, a lei nos ajuda a bem escolher. Ensina-nos que deixar de escolher é uma opção perigosa e que pedir a direção de Deus significa mais e não menos liberdade. Essa é a razão por que a Bíblia chama a lei de “a lei perfeita da liberdade” (Tg.1:25).

  Em sua função didática, a lei nos ensina onde estão nossos valores. Cada proibição e cada mandamento afirmam um valor específico: não mentir lembra-nos do valor da verdade, não cometer adultério sublinha a importância do amor fiel, não usar de violência destaca a preciosidade da vida, etc. A lei nos diz que a vida e os sentimentos de nosso próximo são tão preciosos como nossa própria vida e sentimentos. A missão da lei de Deus é, neste sentido, mais reveladora que legislativa.

  Reconhecer os profundos valores da lei, mas também seus limites definidos, ajuda-nos a vê-la não mais como um obstáculo à nossa liberdade, mas como um auxiliar precioso em nossa jornada. Guia-nos, como um mapa, mas o caminho não é outro senão Jesus. Ele mesmo declarou que nestes tempos atribulados da história, os verdadeiros crentes permanecerão fiéis, tanto aos mandamentos de Deus como em sua confiança em Jesus (Ap.14:12).

_______________

Notas e Referências:

  1. George Knight, “The Pharisee’s Guide to Perfect Holiness” (Boise, Idaho: Pacific Press Publ. Assn., 1992), p. 59–60.
  2. Ellen G. White, “O Desejado de Todas as Nações” (Sto. André, S. Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1979), p. 444.
  3. G. Knight, Op. cit., p.65.
  4. Ellen G. White, “Caminho a Cristo” (Sto. André, S. Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1984), p. 62.
  5. João Calvino, “Institutes of the Christian Religion”, 2:7,12.
  6. B. W. Ball, “The English Connection” (Cambridge: James Clarke, 1981), p. 133.
  7. Ellen G. White, “The Youth’s Instructor”, 29 de novembro, 1894, p. 201.

Fonte: Revista “Diálogo” (1999), 11(1), p. 17–19, 28. Esse artigo pode ser visualizado no seguinte website: http://dialogue.adventist.org/articles/11_1_badenas_p.htm

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:59 am por Carlstadt

Aprimoramos a nossa famosa pergunta tira-teima que nenhum anti-sabatista consegue responder de modo minimamente aceitável. Ei-la na nova versão:

Onde é dito nas Escrituras que quando Deus escreve a Sua lei nas mentes e corações dos que aceitam os termos do Seu novo concerto (Novo Testamento), transferindo-a das frias tábuas de pedra para os corações aquecidos pela graça divina (ver 2 Cor. 3:2, 3, 6 e 7), nesse processo Ele

a) deixa de fora o 4o. mandamento (do decálogo bíblico, não o do decálogo falsificado dos catecismos católicos)?

b) inclui o 4o. mandamento, mas transferindo a santidade do sétimo para o primeiro dia da semana?

OU

c) deixa a questão do dia de repouso como uma prática vaga, voluntária e variável, que tanto faz ser seguida literalmente como a Bíblia diz, no sétimo dia como Memorial da Criação, ou cada qual podendo escolher o tempo que mais lhe convier (ou a seu empregador) para dedicar a Deus?

TAMBÉM:

d) exclui as regras de restrições alimentares sobre carnes imundas?

Textos básicos: Hebreus 8:6-10; Jeremias 31:31-33; Ezequiel 36:26, 27; Isaías 66:15-18.


Vejam como é clara a ligação entre Heb. 8:6-10 e 2a. Cor. 3, onde Paulo fala que enquanto a lei permanecer em letras sobre as tábuas de pedra seria apenas um "ministério de morte", pois precisa estar é escrita nos corações--com o que Paulo pensa em termos de TODO O CONTEÚDO das tábuas de pedra transferido para as tábuas de carne do coração, não só 90%--segundo a confirmam grandes e reconhecidos estudiosos da Bíblia (Fonte:
[url=http://www.e-Sword.net]www.e-Sword.net[/url]):


    Albert Barnes:

    A velha lei podia ser quebrada, Jer. 31:32; para remediar isso Deus dá, não uma nova lei, mas um novo poder para a velha lei. Costumava ser um mero código de moralidade, externo ao homem, e obedecida como um dever. No cristianismo, torna-se uma força interior, moldando o caráter do homem a partir de dentro.

    Perdoarei a sua iniqüidade [vs. 34]-- O fundamento do novo concerto é o livre perdão dos pecados (ver Mat. 1:21). É o senso do pleno amor não merecido que afeta de tal modo o coração a ponto de tornar a obediência daí em diante uma necessidade interior. -- Comentário sobre Jer. 31:33, 34.

    Adam Clarke:

    Quando a visão e a profecia forem seladas, e Jesus tiver assumido aquele corpo que Lhe foi preparado, e tendo entregue Sua vida para a redenção de um mundo perdido, e, tendo ascendido ao alto, tiver obtido o dom do Espírito Santo para purificar o coração; então a lei de Deus será . . . colocada nas partes interiores, e escrita sobre os seus corações; de modo que tudo dentro e fora será santidade ao Senhor. Então Deus será verdadeiramente o seu Deus. . . -- Comentário sobre Jer. 31:33.

    John Gill:

    Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; não a lei cerimonial, que foi abolida quando esse concerto foi feito; mas, em vez disso, a lei moral ainda em vigor, que é um transcito da natureza e vontade de Deus; foi inscrita no coração de Adão em inocência; é grandemente obliterada pelo pecado; uma disposição contrária a ela está no homem; isto é reinscrito na regeneração; e daí uma consideração por ela é mantido pelas pessoas regeneradas, em que jaz parte de sua conformidade com Cristo. . . . A versão Septuaginta reza no plural, "leis"; e assim faz o apóstolo, Heb. 8:10; e pode designar as ordenanças do Evangelho, e os mandamentos de Cristo, que os que são chamados pela graça, têm no coração a intenção de observar, e são tornados dispostos a eles se submeter. . . . as tábuas em que esta lei ou leis são escritas não são tábuas de pedra, mas as tábuas de carne do coração; o coração é o sítio apropriado para tanto a lei de Deus quanto o evangelho de Cristo, bem como da graça de Deus em todas as pessoas regeneradas; e o "porei" essas coisas aqui denota conhecimento delas, no que se refere à espiritualidade da lei e sua perfeição; de que não há justiça nela, é somente cumprida por Cristo; e que é uma regra de conduta e conversação; como também das doutrinas do Evangelho, no poder e sabor delas . . . e o "escreverei" delas aqui denota afeto e sujeição às coisas acima; e uma clara obra de graça sobre a alma, de modo a tornar-se legível, e aparecer como sendo epístola de Cristo, escrita não com tinta do poder natural, mas pelo Espírito do Deus vivo; ver 2. Cor. 3:3. -- Comentário sobre Jer. 31:33

    Bíblia de Genebra:

    No tempo de Cristo, minha lei será escrita, em vez de em tábuas de pedra, nos seus corações pelo Meu Espírito Santo (Heb_8:10). -- Comentário sobre Jer. 31:33.

    Keil & Delitzch:

    A diferença, portanto, entre o velho e novo concerto consiste nisso, que no velho a lei era apresentada perante o povo para que pudesse aceitá-la e segui-la, recebendo-a em seus corações como cópia do que Deus não meramente requeria dos homens, mas lhes oferecia e concedia para sua felicidade; enquanto no novo é colocada dentro, implantado no coração e alma pelo Espírito de Deus, e torna-se o princípio que instila vida, 2Co_3:3. A lei do Senhor assim forma, tanto no velho quanto no novo concerto, o cerne e essência da relação instituída entre o Senhor e Seu povo; e a diferença entre os dois consiste meramente nisso, que a vontade de Deus como expressa na lei sob o velho concerto foi apresentada exteriormente ao povo, enquanto sob o novo concerto, deve tornar-se um princípio interior de vida. -- Comentário sobre Jer. 31:31-40.

    Matthew Henry:

    Heb_8:8, Heb_8:9, é o o local citado como suma do concerto de graça feito entre os crentes e Jesus Cristo. Não, eu lhes darei uma nova lei; pois Cristo não veio para destruir a lei, mas para cumpri-la; mas a lei será escrita em seus corações pelo dedo do Espírito, como anteriormente fora escrita em tábuas de pedra. O Senhor irá, por Sua graça, tornar o seu povo um povo disposto no dia do Seu poder. Todos conhecerão o Senhor; todos serão bem-vindos ao conhecimento de Deus, e terão os meios desse conhecimento. Haverá um derramemento do Espírito Santo, ao tempo em que o evangelho for publicado. Nenhum homem perecerá por fim, a não ser por seus próprios pecados; nenhum, que esteja disposto a aceitar a salvação de Cristo. -- Comentário sobre Jer. 31:27-34.



    João Calvino:


    Em vão Deus proclama a Sua lei pela voz do homem, a menos que Ele a escreva por Seu Espírito em nossos corações, ou seja, a menos que nos forme e nos prepare para a sua obediência. . . A lei nos é ruinosa e fatal na medida em que permaneça escrita somente nas tábuas de pedra, como Paulo nos ensina (2 Coríntios 3:3).

    Em suma, somente abraçamos os mandamentos de Deus obedientemente, quando por Seu Espírito Ele muda e corrige a depravação natural de nossos corações; doutra maneira ele nada encontra em nós a não ser afeições corruptas e um coração inteiramente entregue ao mal. A asserção é de fato clara, de que um novo concerto é estabelecido segundo o qual Deus grava as Suas leis em nossos corações, pois doutro modo seria em vão e de nenhum efeito”.
    – Calvino comentando Heb. 8:10”

    Fonte:
    [url=http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom44.xiv.ii.html]http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom44.xiv.ii.html[/url]

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 9:59 am por Carlstadt

Aproveitemos para ver, da mesma fonte [[url=http://www.e-Sword.net]www.e-Sword.net[/url]], o que dizem os vários comentaristas acima (e outros mais) sobre o texto de Hebreus 8:6-10:

* John Gill:

Porei as minhas leis em suas mentes, e as escreverei em seus corações
; o que se quer dizer com "leis de Deus" não são os preceitos da lei cerimonial, que foram abrogados, mas tanto a lei moral, quanto suas ordens; que é um transcrito da natureza divina, foi inscrita no coração de Adão em inocência, e alguns resquícios da mesma ocorre mesmo entre os gentios, mas grandemente obliterados dado o pecado do homem, havendo nos homens uma disposição naturalmente contrária a ela; na regeração é reinscrita pelo Espírito de Deus; e grande respeito por ela é mantido pelas pessoas regeneradas, em que jaz uma parte de sua conformidade a Cristo: ou, por outro lado, sendo que a palavra "lei" sigifica às vezes nada mais do que uma doutrina, uma insgtrução, as doutrinas da graça, de arrependimento para co Deus, de fé em Cristo, e amor a Ele, e toda outra doutrina pode estar implícita; e as tábuas onde, segundo o teor desse concerto, estas são colocadas e escritas, são duas tábuas, como antes, a "mente" e "coração"; mas não duas tábuas de pedra, em que a lei de Moisés foi escrita, parcialmente para que não se perdesse, por deficiência de memória, e parcialmente para denotar a sua firmeza e estabilidade, como também para assinalar a dureza do coração do homem; mas as tábuas de carne do coração; . . . tais corações regenerados e santificados pelo Espírito de Deus, e tais mentes como renovadas por Ele: e a "disposição" delas na mente tem em vista o conhecimento delas, segundo Deus as deu; como da lei moral, de sua espiritualidade e perfeição, mostrando que não há vida e justiça por ela, que é cumprida por Cristo, e é uma regra de conversação aos santos; e de todas as demais leis, ordenanças, e doutrinas de Cristo: e a "escrita" delas no, ou sobre o coração, objetiva encher a alma com amor e afeto por elas . . . numa poderosa inclinação do coração para sujeitar-se a elas, mediante a eficácia da graça de Deus; o que é feito não com tinta do poder da natureza, mas pelo Espírito do Deus vivo, 2Co_3:3. -- Comentário sobre Hebreus 8:10

* Jamieson, Fausset and Brown:

farei com
Greek, "farei para."

Israel
— compreendendo o anteriormente desunido (Heb_8:8) reino das dez tribos, e a de Judá. São unidas no Israel espiritual, a Igreja eleita, agora, (. . .)

Porei
— literalmente, "darei" Esta é a primera das "superiores promessas" (Heb_8:6).

mente
— suas faculdade inteligente.

em, etc.
— melhor, "SOBRE seus corações." Não sobre tábuas de pedra como a lei (2Co_3:3).

escreverei
Greek, "inscreverei."-- (Comentário de Hebreus 8:10).

* People's New Testament:

Este é o concerto que, etc
. Este será um princípio do novo concerto.

Porei as minhas leis em suas mentes
. Sob o novo concerto as mentes e corações serão dados ao Senhor e repletos com a sua lei. Eles adorarão "em espírito e em verdade".

* Treasury of Scriptural Knowledge:

Heb 8:10:


Este é:
Heb_10:16-17
Porei:
Gr. Darei, Êxo_24:4, Êxo_24:7, Êxo_34:1, Êxo_34:27; Deu_30:6; Jer_31:33, Jer_32:40; Eze_11:19, Eze_36:26-27; 2Co_3:3, 2Co_3:7-8; Jam_1:18, Tia_1:21; 1Ped_1:23

* John Wesley:

Heb 8:10
- Este é o concerto que farei após aqueles dias -- Após a dispensação mosaica ser abolida. Porei as Minhas leis em suas mentes -- Abrirei os seus olhos e iluminarei o seu entendimento, para verem o seu sentido verdadeiro, pleno, espiritual. E as escreverei em seus corações -- de modo que possam experimentar interiormente o que eu ordenei. E lhes serei por Deus -- O tudo para eles -- porção suficiente, e recompensa extraordinariamente grande. E eles me serão por povo -- Meu tesouro, meus filhos queridos, amados e obedientes. (Sublinhado acrescentado para destacar segmentos da passagem).

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:00 am por Carlstadt

O DILEMA DO NEO-ANTINOMISMO DISPENSACIONALISTA
Certo pastor evangélico apareceu numa comunidade adventista do Orkut iniciando um novo tópico de discussão com a desafiadora pergunta: “Onde há ordem para a Igreja observar o sábado?”

O que se deu no decorrer dos debates é que respondemos plenamente a sua pergunta, e em retribuição lhe apresentamos outra que ele nunca respondeu: “Onde há ordem para a Igreja NÃO observar o sábado?”

Para responder à sua pergunta, bastou citarmos o que o protestantismo ortodoxo tem ensinado ao longo dos séculos—que os 10 Mandamentos continuam a ser a regra da vida cristã em todos os seus preceitos. As Igrejas-mãe (como a Batista, Presbiteriana, Metodista, Congregacional, Luterana, Anglicana) das quais tantas outras denominações evangélicas/protestantes tiveram origem, têm em seus documentos confessionais esse ensino básico, algo que a maioria dos protestantes ignora.

Existe, naturalmente, o “pormenor” de que reinterpretam o 4o. mandamento aplicando-o ao domingo, o que já constitui OUTRO DEBATE. Na realidade, eles têm razão em ensinar a validade do 4o. mandamento, até reconhecendo sua origem no Éden, portanto sendo um mandamento de caráter MORAL e UNIVERSAL (a Confissão de Fé de Westminster salienta que é LEI NATURAL). No entanto, estão errados em alegar que a observância do domingo tomou o lugar do sábado do sétimo dia desde o evento da ressurreição de Cristo. Os textos que citam para tentar provar isso simplesmente não o fazem. . .

Então, para mostrar a falácia do fundamento da teologia moderna do evangelicalismo nesse ponto, basta fazer a pergunta: “Como se salvavam os pecadores dos tempos do Antigo Testamento?” A resposta que o referido pastor ofereceu revelou a enorme confusão que reina hoje nos meios evangélicos dada a pregação dessas teorias neo-antinomistas dispensacionalistas desde o final do século 19 e início do 20.

Analisando brevemente as suas respostas, estas levantaram as seguintes estranhas idéias:

a) não existia graça antes de Cristo e se alguns foram então salvos, isso se deu devido à pura “misericórdia” de Deus.

Quisemos então saber qual a diferença entre “graça” e “misericórdia”. Até agora ele não nos ofereceu qualquer resposta, apesar dos nossos insistentes questionamentos sobre isso.

b) Ele também disse que Jesus foi pregar aos “espíritos na prisão”. Mas o texto, de 1 Ped. 3:19, 20 (considerada uma passagem bíblica bem obscura), diz que esses “espíritos em prisão” limitavam-se aos dias de Noé!

Pedimos-lhe que nos explicasse, antes de mais nada, para quê Jesus foi pregar a espíritos “em prisão” (o que significa que eram condenados). E, uma vez que eram dos “dias de Noé”, o que aconteceu com os que eram de outros tempos? Não tiveram o mesmo benefício?

Por outro lado, se aqueles que foram condenados poderiam se arrepender e ser salvos, isso seria antibíblico à luz de Hebreus. 9:27–concessão de uma 2a. oportunidade para pessoas perdidas.

Será que precisamos dizer que ele não respondeu a esta também?

Não podemos generalizar, mas no campo evangélico, após a enorme “lavagem cerebral dispensacionalista”, a confusão sobre este e outros pontos é, na realidade, generalizada. A maioria dos evangélicos simplesmente não sabe como responder a esta pergunta. Enfrentam um enorme dilema: se argumentarem que a salvação no Antigo Testamento era pela observância dos mandamentos da lei (como alguns chegam a dizer), esta seria uma impossibilidade. Nunca homem algum foi capaz de reunir força suficiente e merecer crédito para ir viver para sempre com Deus. Se admitirem que a salvação era pela graça, isso destrói os fundamentos desta divisão dispensacionalista de eras da lei/graça.

O mandamento do sábado foi recomendado a “todos os povos” em Isa. 56:2-7 quando Deus conclamou os estrangeiros a aderirem a Seu concerto especial com o povo de Israel, a fim de cumprir o Seu ideal, conforme expresso no vs. 7, “A minha casa será chamada uma casa de oração para todos os povos”.

Ele escolheu o sábado dentre todos os mandamentos como um certificado da conversão dos povos por todo o mundo, com Israel servindo como instrumentalidade da ação divina, depois de ter sido colocado na encruzilhada de três continentes, com uma missão de ser “testemunhas de IHW” (Isa. 43: 10, 11), “luz das nações. . . até os confins da terra” (Isaías 49:6).

O que vemos entre muitos evangélicos é uma micro cosmovisão em relação ao plano de Deus para Israel e para o mundo, o que caracteriza essa teologia neo-antinomista, cujos frutos podem ser vistos na total confusão quanto à compreensão de como os pecadores obtinham a sua salvação ao longo da história da humanidade. Este é, sem dúvida, “um outro evangelho” (Gálatas 1:8) a que o cristianismo protestante foi sujeitado desde finais do século 19 e início do 20.

De qualquer modo, a participação desse pastor em nossa comunidade com o seu desafio tem sido uma benção para mostrar aos nossos irmãos e irmãs participantes da comunidade, ou muitos outros que apenas acompanham as discussões independentemente, a total falácia dessa confusa teologia neo-antinomista dispensacionalista. E sendo que estamos colocando este material também em inglês e espanhol esta benção será multiplicada para muitas mais pessoas ao redor do mundo, graças à nossa análise de tais erros.

Isto é o que chamamos o Fator Balaão novamente em ação, como já foi demonstrado aqui com outros estudos que acompanham estas discussões.

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:03 am por Carlstadt

Prodi­gios não são uma identificação final para os justos
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, transgressores da lei."

Porissocri disse que este verso refere-se aos espíritas, mas a expulsão de demonios está mais para as igrejas pentecostais do que para os espiritas que nem acreditam em demonios. Outro ponto a ser observado é a expressão "Senhor, Senhor", que é típico de cristãos.

Até que alguém me prove o contrário, também considero os versos acima, uma referência profética de Jesus aos falsos cristos e falsos profetas da atualidade. Pelas características citadas no texto, ao que parece, todas se encaixam SOB MEDIDA aos pentecostais e neo-pentecostais de hoje. Veja abaixo:

1. profetizar EM NOME DE JESUS
2. expelir demônios EM NOME DE JESUS
3. fazer milagres EM NOME DE JESUS

Observe que além dessas três características, há uma outra, situada nas entrelinhas: a ênfase sobre o NOME DE JESUS. Vc conhece algum outro grupo que cumpra os requisitos acima e não tenha sido citado?

O texto não deixa sombra de duvidas de que os protagonistas ainda estão no meio milagreiro, são os que ATUALMENTE continuam usado os milagres como meio de propaganda até mesmo para ganhar a salvação.

Para que não pairem dúvidas se a tradução é fidedigna, vejamos o que podemos encontrar, direto de nossas fontes conhecidas do grego:

Da Stephens 1550 Textus Receptus (transliterado)
kai tote omologhsw autoiV oti oudepote egnwn umaV apocwreite ap emou oi ergazomenoi thn anomian

Da Scrivener 1894 Textus Receptus (transliterado)
kai tote omologhsw autoiV oti oudepote egnwn umaV apocwreite ap emou oi ergazomenoi thn anomian

Da Byzantine Majority (transliterado)
kai tote omologhsw autoiV oti oudepote egnwn umaV apocwreite ap emou oi ergazomenoi thn anomian

Da Alexandrian (transliterado)
kai tote omologhsw autoiV oti oudepote egnwn umaV apocwreite ap emou oi ergazomenoi thn anomian

Da Hort and Westcott (transliterado)
kai tote omologhsw autoiV oti oudepote egnwn umaV apocwreite ap emou oi ergazomenoi thn anomian

Da Latin Vulgate
7:23 et tunc confitebor illis quia numquam novi vos discedite a me qui operamini iniquitatem

Da King James Version
7:23 And then will I profess unto them, I never knew you: depart from me, ye that work iniquity.

Da American Standard Version
7:23 And then will I profess unto them, I never knew you: depart from me, ye that work iniquity.

Da Bible in Basic English
7:23 And then will I say to them, I never had knowledge of you: go from me, you workers of evil.

Da Darby's English Translation
7:23 and then will I avow unto them, I never knew you. Depart from me, workers of lawlessness.

Da Douay Rheims
7:23 And then will I profess unto them, I never knew you: depart from me, you that work iniquity.

Da Noah Webster Bible
7:23 And then will I profess to them, I never knew you: depart from me, ye that work iniquity.

Da Weymouth New Testament
7:23 "And then I will tell them plainly, "`I never knew you: begone from me, you doers of wickedness.'

Da World English Bible
7:23 Then I will tell them, `I never knew you. Depart from me, you who work iniquity.`

Da Young's Literal Translation
7:23 and then I will acknowledge to them, that -- I never knew you, depart from me ye who are working lawlessness.

Fonte: Parallel Greek New Testament

Sobre o significado de anomia: [url=http://www.searchgodsword.org/lex/grk/view.cgi?number=458]http://www.searchgodsword.org/lex/grk/view.cgi?number=458[/url]

Outra referência:
[url=http://cf.blueletterbible.org/lang/lexicon/lexicon.cfm?Strongs=G458&Version=kjv]http://cf.blueletterbible.org/lang/lexicon/lexicon.cfm?Strongs=G458&Version=kjv[/url]

De acordo com o "Pocket Lexicon Greek New Testament", pg. 24:
anomia, lawlessnes; especially disobedience to the divine law, sin.

Além do léxico acima, há outros léxicos e ferramentas de estudo do grego, que podem ser baixadas deste site: [url=http://www.textkit.com/greek_grammar.php]http://www.textkit.com/greek_grammar.php[/url]

Como podem ver, não há diferença alguma entre iniquidade e transgressão da lei. Aliás, se partirmos de sua etimologia, a própria palavra já começa com o prefixo de negação "a", associado à palavra lei que é "nomos". Daí, não restam dúvidas.
Vejam Mateus 7:21-23:
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, transgressores da lei."
O termo em negrito também é anomia. A palavra iniquidade não foi trocada por lei, mas "transgressão da lei", pois é isso que ela significa.
Para que não pairem dúvidas se a tradução é fidedigna, vejamos o que podemos encontrar, direto de nossas fontes conhecidas do grego:
Da Stephens 1550 Textus Receptus (transliterado)
kai tote omologhsw autoiV oti oudepote egnwn umaV apocwreite ap emou oi ergazomenoi thn anomian
Da Scrivener 1894 Textus Receptus (transliterado)
kai tote omologhsw autoiV oti oudepote egnwn umaV apocwreite ap emou oi ergazomenoi thn anomian
Da Byzantine Majority (transliterado)
kai tote omologhsw autoiV oti oudepote egnwn umaV apocwreite ap emou oi ergazomenoi thn anomian
Da Alexandrian (transliterado)
kai tote omologhsw autoiV oti oudepote egnwn umaV apocwreite ap emou oi ergazomenoi thn anomian
Da Hort and Westcott (transliterado)
kai tote omologhsw autoiV oti oudepote egnwn umaV apocwreite ap emou oi ergazomenoi thn anomian
Da Bible in Basic English
7:23 And then will I say to them, I never had knowledge of you: go from me, you workers of evil.
Da Darby's English Translation
7:23 and then will I avow unto them, I never knew you. Depart from me, workers of lawlessness.
Da Weymouth New Testament
7:23 "And then I will tell them plainly, "`I never knew you: begone from me, you doers of wickedness.'
Da Young's Literal Translation
7:23 and then I will acknowledge to them, that -- I never knew you, depart from me ye who are working lawlessness.
Fonte: Parallel Greek New Testament
Sobre o significado de anomia: [url=http://www.searchgodsword.org/lex/grk/view.cgi?number=458]http://www.searchgodsword.org/lex/grk/view.cgi?number=458[/url]
Outra referência:
[url=http://cf.blueletterbible.org/lang/lexicon/lexicon.cfm?Strongs=G458&Version=kjv]http://cf.blueletterbible.org/lang/lexicon/lexicon.cfm?Strongs=G458&Version=kjv[/url]
De acordo com o "Pocket Lexicon Greek New Testament", pg. 24:
anomia, lawlessnes; especially disobedience to the divine law, sin.

Além do léxico acima, há outros léxicos e ferramentas de estudo do grego, que podem ser baixadas deste site: [url=http://www.textkit.com/greek_grammar.php]http://www.textkit.com/greek_grammar.php[/url]
Se partirmos de sua etimologia, a própria palavra já começa com o prefixo de negação "a", associado à palavra lei que é "nomos". Daí, não restam dúvidas.

ANOMIA = TRANSGRESSÃO DA LEI

Vamos ver se realmente não há diferença entre "iniqüidade" e "transgressão da lei":
iniqüidade
i.ni.qüi.da.de
sf (lat iniquitate) 1 Falta de eqüidade. 2 Qualidade de iníquo. 3 Ação ou dito iníquo. 4 Dir Rigor excessivo na aplicação da lei.

transgressão
do Lat. transgressione
s. f.,
acto ou efeito de transgredir;
infracção.


Sim, tem muita diferença !!! Não podemos simplesmente olhar no dicionário e pegar o primeiro significado que aparece para traduzir as escrituras. Tem que se levar em conta vários fatores como contexto, como a mesma palavra foi traduzida outras vezes nas escrituras, quem escreveu, para quem escreveu, etc.

Nada disso é levado em conta nas traduções cristãs. Simplesmente as doutrinas cristãs são formadas com base nas traduções, e depois as traduções são corrigidas segundo as doutrinas criadas sobre as traduções.

A bíblia tem seu contexto, o contexto judaico, e esse deve ser levado em consideração. No contexto judaico, "anomia" significa "transgressão da Torah", e é assim que deve ser traduzido, pois a palavra "iniqüidade" além de não corresponder ao verdadeiro significado da palavra "anomia", deixa o texto muito vago, pois em qualquer cultura existe pelo menos o conceito de "iniqüidade" e essa palavra será facilmente adaptada a cada cultura, enquanto o termo "transgressão da Torah" deixa bem claro o que significa pecado para o Eterno.

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:05 am por Carlstadt

Recebi há pouco uma das últimas edições de nossa assinatura de Time (24-03) e a capa mostra tratar-se de uma dessas edições especiais, tratando do tema "10 ideas that are changing the world" [10 idéias que estão mudando o mundo]. Pois a idéia no. 10 é, "Re-Judaizing Jesus" (Rejudaizando Jesus).

Como ilustração aparece uma cruz, cuja sombra se transforma num dos tradicionais candelabros de sete braços (menorah), símbolo bem conhecido do judaísmo.

O subtítulo diz, "Eruditos estão agora relendo os Evangelhos através dos olhos de um judeu: Jesus".

Os que saibam inglês e tiverem acesso à revista, está na edição de 24 de março, pág. 60. Creio que também pode ser lida no webpage da revista, [url=http://www.time.com]http://www.time.com[/url]

Na verdade, prega-se uma ruptura ilegítima e praticamente total da religião de Israel e do cristianismo, a começar de um erro primário que se ouve por aí de muito cristão--a idéia de agora termos uma nova e revolucionária legislação cristã, baseada no "amor a Deus" e "amor ao próximo".

Esse é o começo da confusão toda, pois quando o Cristo tratou da "lei áurea", Ele apenas repetia o que Moisés já havia dito. Basta comparar Mat. 22:36-40 com Deut. 6:5 e Levt. 19:18. Deus NUNCA teve uma lei que não fosse baseada no "amor a Deus" e "amor ao próximo". Pois já vi gente metida a entender muito de Bíblia e posar de ensinador religioso alegando que os 10 Mandamentos são "imperfeitos" pois eles nem têm essa regra de amor. . . Que ignorância! Os 10 Mandamentos NÃO TÊM, os 10 Mandamentos SÃO A PRÓPRIA REGRA de amor a Deus e ao próximo. . .

Outro ponto de confusão é a transferência do Velho para o Novo Concerto [Novo Testamento]. A passagem mais importante que define até por que temos uma Bíblia dividida em duas seções--VT/NT--nada fala de qualquer OUTRA lei divina para os cristãos. O que diz lá, em Heb. 8:6-10, é que Deus mesmo escreve as Suas leis nos corações e mentes dos que aceitarem os termos desse Novo Concerto [Novo Testamento]. Não diz nada de ser a "lei de Cristo", nem a "lei do amor", nem a "lei do Espírito", nem "a lei da fé". . . Diz, "Minhas leis" [de Deus], o que, logicamente, abrange tudo isso: é a lei de Cristo, do amor, do Espírito e da fé, pois Ele disse--"Eu e o Pai somos um".

Um ponto adicional de ligação judaísmo/cristianismo temos em Atos 15:21, pois os cristãos iam regularmente ouvir a leitura da Torah aos sábados nas sinagogas. Eles não possuíam volumes múltiplos e fáceis de obter (até gratuitamente, via-Internet) como nós temos. Era uma tremenda dificuldade e uma pequena fortuna ter a coleção completa dos rolos da Torah e só gente muito rica ou congregações inteiras poderiam arcar com tal luxo. Então, a saída era o povo cristão ir ouvir a leitura e as instruções bíblicas aos sábados nas sinagogas. Se fossem outro dia qualquer, ou não haveria leitura da Torah, ou encontrariam as portas fechadas.

Portanto, são muitos os pontos de ligação, e uma prova disso é que quando Jesus ascendeu ao céu na presença dos discípulos, lemos o seguinte em Lucas: "E aconteceu que, enquanto os abençoava, apartou-se deles; e foi elevado ao céu.

E, depois de o adorarem, voltaram com grande júbilo para Jerusalém; e estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus" -- Luc. 24:51-53.

Esse "templo" não era uma construção cristã, como muitos poderiam pensar--era o próprio Templo judaico de Jerusalém. . .

Interessante o que diz o artigo de Time acima referido a certa altura: ". . . hoje, seminários por todo o espectro cristão ensinam, como diz a erudita em Novo Testamento da Universidade Vanderbilt, Amy-Jill Levine, que 'se você pega o contexto [judaico] errado, certamente entenderá errado a Jesus'" (o texto entre colchetes do original).

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:06 am por Carlstadt

Ratzlaff Luta Novamente com Mateus 5:17-19


Certo autor que combate tenazmente a Igreja Adventista, chamado Dale Ratzlaff, buscava analisar em certa publicação religiosa o texto de Mateus 5:17-19 com uma preocupação dominante de “provar” que esse texto não se refere somente aos 10 Mandamentos, deixando a impressão que os adventistas do sétimo dia pensariam assim. Mas nunca aprendi como ASD há mais de 40 anos, que este texto se limita ao Decálogo, nem é o que se pode ver numa consulta ao SDA Bible Commentary [Comentário Bíblico Adventista].

De fato, está bem claro que Jesus Se refere também aos aspectos cerimoniais da Torah, já que nos vs. 23, 24 Ele menciona a oferta levada ao altar, o que demonstra como este espantalho de tal autor é uma vã tentativa a mais de denegrir a imagem da teologia adventista.

Notando a preocupação de tal autor de livrar-se de qualquer impressão de que os 10 Mandamentos seriam a questão principal no discurso de Jesus nesses textos, dirigi-lhe algumas perguntas bem objetivas as quais ele jamais deu resposta. Ei-las:

* Concorda que essa referência de Jesus à lei em Mat. 5:17-20 comprednde todos os aspectos da Torah, INCLUINDO, e não excluindo, os 10 Mandamentos e, com eles, o preceito do sábado?

+ se sua resposta for sim, como penso que seria, significa isso que se alguém guarda os 10 Mandamentos, com a ajuda de Deus, essa pessoa também se obriga a oferecer ofertas no altar de sacrifícios e a realizar todos os rituais das leis de Israel?

+ se sua resposta for sim, como também penso que é o que deixa implícito, significa isso que quando Paulo recordou aos efésios sua necessidade de obedecer ao primeiro mandamento com promessa, que é o quinto do Decálogo (Efé. 6:1-3), esses cristãos em Éfeso ficaram obrigados também a oferecer ofertas no altar de sacrifícios e realizar todos os rituais das leis de Israel?

+ se sua resposta for sim, por que discrimina contra a guarda do sábado nesse respeito, ensinando que os que guardam o 4o mandamento se obrigam a satisfazer todos os aspectos cerimoniais da lei, mas não os que guardem o 5o. e os demais oito (com o quarto excluído)?

* por que acentua tanto a EXCLUSÃO dos 10 Mandamentos da expressão “lei” no Novo Testamento como algo perjudicial à fé cristã? Que haveria de errado com esses mandamentos? Sería,

- a regra de não ter outros deuses?

- a regra de não utilizar imagens de escultura em atos de adoração?

- a regra de não pronunciar o nome de Deus em vão?

- a regra sobre o dever de honrar os pais?

- a regra de não matar?

- a regra de não praticar adultério?

- a regra de não roubar?

- a regra de não dar testemunho falso contra outros?

- a regra de não cobiçar as coisas e esposa de alguém?

E uma pergunta final:

* No contexto do que Jesus disse em Mateus 5:17-19 Ele Se refiriu a Seus ouvintes como sal da terra, luz do mundo, e pouco mais adiante lhes ensinou a oração do Senhor. Por que, então, Suas palavras nesses textos não poden aplicar-se aos que HOJE se consideram sal da terra, luz do mundo e oram a oração do Pai Nosso?

Ele nunca me deu qualquer resposta a estas preguntas. Agora, já que volta a este tema na publicação referida (revista Proclamation!, de março/abril de 2008), através de outro questionário cujo resultado final seria a admissão de que Mat. 5:17-19 não se refere somente aos 10 Mandamientos, que tal examinar o que importantes autores bíblicos têm para dizer, como también teólogos e comentaristas bíblicos altamente reputados, com respeito a estes textos? Antes, porém, de fazer isso, seria interessante esclarecer duas coisas:

a - Jesus obviamente não está Se refirindo SOMENTE aos 10 Mandamentos nestes textos mas estes 10 Mandamentos não SE EXCLUEM deles, tampouco.

b - o contexto desta passagem acentua, não “abolição” de leis, e sim o contrário disso--uma atitude de obediência a Deus refletida em realização de boas obras que possam atrair o louvor dos homens a Ele (ver o vs. 16: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.).

Portanto, em vez de a INTENÇÃO das palavras de Jesus ter que ver com liberar os homens de qualquer das leis de Deus, de fato destacam a importância de praticar fielmente o que é contido nas leis de Deus numa maneira que, inclusive exceda à “dos escribas e fariseus” (v. 20). Essa é a moldura contextual dos vs. 17-19, o que o Sr. Ratzlaff e outros anti-sabatistas geralmente perdem de vista.

Agora, vejamos o que diversos especialistas bíblicos dizem com respeito ao texto considerado, (seus comentários se concentram sobretudo na cláusula, “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas”):

Albert Barnes:

Nosso Salvador acabava de entrar em Sua obra. Era-lhe importante declarar o que veio fazer. Por apresentar-Se como sendo um mestre em oposição aos escribas e fariseus, alguns poderiam acusá-Lo da intenção de destruir sua lei e abolir os costumes da nação. Portanto, Ele lhes disse que não veio para tal fim, e sim, em realidade, para realmente cumprir ou levar a cabo o que estava na lei e profetas.

Adam Clarke:

Não imaginem que vim para violar a lei καταλυσαι, de κατα, e λυω, eu solto, violo, ou dissolvo -- não vim tornar a lei de nenhum efeito -- dissolver a relação que subsiste entre suas várias partes, ou a obrigação sob que estão os homens para ter reguladas as suas vidas por seus preceitos morais, nem vim para dissolver a ligação de referência que ela tem para com as boas coisas prometidas. Antes, vim, πληρωσαι -- para completar sua perfeita ligação e referência, para levar a cabo cada coisa antecipada no ritual mosaico, para preencher o seu grande desígnio, e para conceder graça a todos os Meus seguidores, πληρωσαι, para preencherem, ou completarem, todo dever moral. Numa palavra, Cristo completou lei:

1o. Em si mesma ela era só a sombra, a representação típica, de coisas boas a vir; e Ele lhe acrescentou o que era necessário para torná-la perfeita, Seu próprio sacrifício, sem o qual ela não poderia nem satisfazer a Deus, nem santificar os homens.

2o. Ele a completou em Si mesmo, submentendo-Se a seus tipos com uma exata obediência, confirmando-a por Sua morte na cruz.

3o. Ele completa esta lei e as declarações de seus profetas, em Seus membros, dando-lhes a graça de amar ao Senhor com todo o seu coração, alma, mente e força, e a seu próximo como a si mesmos; pois esta é toda a lei e os profetas.


É digno de nota que a palavra גמר gamar, entre os rabinos significava não só cumprir, como também ensinar, e, em conseqüência, podemos inferir que nosso Senhor entendia que a lei e os profetas ainda deviam ser ensinados ou inculcados por Ele e Seus discípulos, e isto Ele e os discípulos fizeram na maneira mais destacada.

Notas da Tradução da Biblia de Genebra:

Cristo não veio trazer uma nova forma de justiça e salvação ao mundo, e sim, cumprir realmente o que estava prefigurado nas sombras da Lei, mediante a libertação de homens, pela graça, da maldição da lei; além disso, para ensinar o verdadeiro uso da obediência a que a lei apontava, e para gravar em nossos corações o poder da obediência.

Robertson Word Picture:

Não vim abolir, e sim cumprir (ouk ēlthon katalusai alla plērōsai). O verbo “destruir”, significa “afrouxar” como se faz com uma casa ou tenda (2 Cor. 5: 1). Cumprir é encher por completo. Isto fez Jesus com a lei cerimonial que a Ele apontava, e a lei moral que observou. “Ele veio para preencher a lei, para revelar em toda a profundidade de sentido o que ela tinha a intenção de manter” (McNeile).

Jamieson, Fausset & Brown:

. . . não para subverter, derrogar, ou anular, mas para estabelecer a lei e os profetas -– para os revelar, os incorporar em forma viva, e situá-los em posição de veneração, afeto, e no caráter dos homens, por isso vim.

Matthew Henry:

Que ninguém suponha que Cristo permite a Seu povo fazer pouco caso de qualquer ordem da santa lei de Deus. Nenhum pecador participa da justiça justificadora de Cristo até que se arrependa de suas más ações. A misericórdia revelada no Evangelho conduz o crente a auto-desprezo ainda mais profundo. A lei é a regra de dever do cristão e ele nela se deleita. Se um homem, que pretende ser discípulo de Cristo, se anima a qualquer desobediência à santa lei de Deus, ou ensina outros a fazerem o mesmo, seja qual for a sua situação ou reputação entre os homens, não pode ser verdadeiro discípulo. A justiça de Cristo, a nós imputada pela fé somente, se torna necessária a cada um que entra no reino de graça ou de glória; porém a nova criação do coração à santidade produz uma mudança completa no temperamento e conduta de um homem.

João Calvino:

Deus, de fato, havia prometido um novo pacto quando da vinda de Cristo; porém, ao mesmo tempo, mostrou que, não seria diferente do primeiro, antes, pelo contrario, seu desígnio era dar uma perpétua sanção ao pacto que havia feito desde o principio, com o Seu próprio povo.


“Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados.”. -- Jeremías 31:33, 34.
Por estas palavras Ele está mui distante de afastar-Se da aliança anterior, a qual, pelo contrário, Ele declara, será confirmada e ratificada, quando sucedida pela nova. Este é também o sentido das palavras de Cristo, quando diz que veio para cumprir a lei: pois Ele realmente a cumpriu, por reavivar, com o Seu Espírito, a letra morta e, então, exibindo, em realidade o que havia até então aparecido só em figuras.

No que respeita à doutrina, não devemos imaginar que a vinda de Cristo nos tenha libertado da autoridade da lei: porque é a eterna regra de uma vida devota e santa, e deve, portanto, ser tão imutável como é a justiça de Deus, que ela abarca, é constante e uniforme. No que respeita às cerimônias, há certa aparência de que uma mudança teve lugar; porém só o uso delas foi suprimido, pois o seu significado foi mais plenamente confirmado. A vinda de Cristo não retirou nada inclusive das cerimônias, antes, pelo contrário, as confirma por exibir a verdade das sombras; pois, quando vemos seu pleno efeito, reconhecemos que não são vãs ou inúteis. Portanto, aprendamos a manter inviolável este sagrado enlace entre a lei e o Evangelho, o que muitos indevidamente tentam romper. Porque isso contribui não pouco para confirmar a autoridade do Evangelho, quando nos inteiramos, que não é outra coisa senão um cumprimento da lei; de maneira que ambos, em um mesmo sentido, declaram que Deus é o seu autor.

18. Até que passem o céu e a terra. Lucas o expressa de modo um pouco diferente, porém com a mesma intenção, de que é mais fácil que o céu e a terra passem do que um ponto da lei falhar. O desígnio de Cristo, em ambas as passagens, foi ensinar que na verdade, a lei e todas as suas partes estão seguras, e que nada tão duradouro se encontrará por todo o círculo do mundo.

Fonte :
[url=http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom31.ix.xliii.html][url=http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom31.ix.xliii.html]http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom31.ix.xliii.html[/url][/url]

João Wesley:

Não penseis -- não imagineis, temais, espereis, que vim igual a seus mestres, para destruir a lei ou os profetas. Não vim para destruir a lei moral, e sim para a cumprir -- estabelecer, ilustrar e explicar o seu significado mais elevado, tanto por Minha vida como pela doutrina.

Dr. James D. Kennedy:

“Vivemos num tempo em que a instituição do sábado tem sido objeto de grandes ataques desde vários pontos de vista diferentes. Há alguns que declaram que foi abolido por Cristo e já não está em vigor em nossos dias. Mas que ensinam as Escrituras? As Escrituras não ensinam que Cristo jamais haja anulado, derrogado ou abolido o sábado ou qualquer dos mandamentos. Pelo contrário, as Escrituras ensinam mui claramente que os mandamentos permanecem em vigor hoje e foram reforçados por Cristo, que declarou que não só os atos, como também o pensamento e a palavra são parte do que Deus nos tem dado. Ele diz claramente que se O amamos, guardaremos os Seus mandamentos....

“Inclusive no livro de Apocalipse lemos, 'Aqui está a paciência dos santos de Deus, os que guardam os mandamentos de Deus e têm fé de Jesus”. No último capítulo da Bíblia lemos daqueles que “guardam os mandamentos de Deus e têm direito à árvore da vida'”. -– Sermão pelo Dr. James D. Kennedy, “O Dom do Descanso”, citado pelo Dr. Samuele Bacchiocchi em seu 'Endtimes Issues Newsletter', # 79.

Fonte:
[url=http://www.biblicalperspectives.com/endtimeissos/eti_79.html]http://www.biblicalperspectives.com/endtimeissos/eti_79.html[/url]

Obs.: Este sermão foi pregado a nível nacional em 4 de novembro de 2001 através da Rede de TV Coral Ridge. O Dr. Kennedy faleu em setembro de 2007.

Com exceção dos comentários de Calvino e Kennedy, todos os demais comentários foram colhidos do programa de antologia teológica propiciado pelo site
[url=http://www.e-Sword.net]www.e-Sword.net[/url]

Os que desejarem acompanhar as discussões completas havidas com Dale Ratzlaff, veja neste mesmo fórum (indicados links para as respectivas páginas iniciais):

* Em inglês: [url=http://foroadventista.com/index.php/topic,1329.0.html]http://foroadventista.com/index.php/topic,1329.0.html[/url]

* Em espanhol: http://foroadventista.com/index.php/topic,1463.0.html

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:12 am por Carlstadt



DEBATE DE UM ANTINOMISTA COM OS APÓSTOLOS

Por Marcos Brunno
Adaptada por Marllington Will

Em um sábado (segundo seu costume) estavam reunidos os apóstolos, inclusive o apostolo Paulo, então chega um antinomista todo “posudo”, com uma Bíblia ensebada debaixo do braço, e um sorriso enorme no rosto (imagine a cor amarela dos poucos dentes que ainda tinha).

Antinomista: Graça e Paz!

Apóstolos: Que a graça do Senhor Jesus seja convosco!

Antinomista: Estou muito feliz, pois hoje sou salvo não sou mais um pecador, e vocês o fazem judaizando, pois hoje é sábado e sábado é lei!

Thiago se levanta e fala:Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos Porque o mesmo que disse: Não adulterarás, também disse: Não matarás. Ora, se não cometes adultério, mas és homicida, te hás tornado transgressor da lei.” (Tiago 2.10)

Antinomista (meio sem jeito): Mas Paulo diz somos salvos pela Fé em Cristo mediante a Graça, né Paulo???!!!

Paulo imediatamente se defende: Opa!!!! “Então eliminamos a Lei através da Fé? De modo algum! Pelo contrário, a consolidamos” (Rom 3, 28 - 31)

Thiago complementa: ... Ahhh! “meu filho se a fé se não tiver obras é morta em si mesma.” (Tiago 2, 17)

Antinomista: Ma-ma-mas Paulo, você quem disse que somos salvos pela graça e não precisamos estar guardando Lei!

Paulo começa:Que diremos então? Que devemos permanecer no pecado a fim de que a graça atinja sua plenitude? De modo algum!” (Rom 6, 1-2).

João ratifica:Todo aquele que comete pecado também Transgride a Lei, pois o Pecado é a transgressão da Lei”. (I Jo. 3:4)

Antinomista (já meio amarelo): Apostolo, eu conheço a Deus sei que ele não vai me condenar só porque não guardo um “mandamentozinho” igual ao Sábado!

João aproveita: Filhinho você não conhece a Deus, pois “Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.” (1 João 2:4-6)

Antinomista (já meio vermelho de raiva): Mas João o Apostolo Paulo disse que a Lei é Maldição por isso eu não observo mais, pois não sou amaldiçoado:

Paulo ”rasga as vestes”: Calma lá amigo... você me interpretou mal “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Pois, a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.” (Rom. 7:8 e 22)

Antinomista: Mas Jesus aboliu a Lei derramando seu sangue por nós!

Mateus dá um pulo: Opa! Estive calado até agora, mas essa besteira não posso deixar passar... olha eu estava lá e vi quando Cristo disse: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:17-18) e não me venha dizer que ele cumpriu o Sábado e vc esta livre dele senão pode sair matando roubando e adorando imagens!

Antinomista: Então me diga se a Lei não salva...então pra serve???

Paulo pacientemente diz:Porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado.... Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei.” (Romanos 3:20).

Antinomista: Poxa Paulo como vc é confuso!

Pedro diz: Irmão Paulo, vc confundiu todinho nosso amigo antinomista... amigo é meio complicado, “Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada como faz também em todas as suas epístolas, nelas falando acerca destas coisas, mas quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, como o fazem também com as outras Escrituras, para sua própria perdição.” (II Pedro 3:15 e 16)

Antinomista: O que??? Vc está me chamando de burro e herege? Saiba que Eu Glorifico a Jesus todo dia e até falo a Língua dos anjos e expulso tudo que é demônio, e entrarei no Reino do Céu... ahhh se Jesus tivesse aqui ele ia me defender com certeza de vocês judaizantes!!

Mateus retruca: Caro irmão Jesus disse que “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” ele dirá aos transgressores da Lei Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que transgridem a Lei.” (Mateus 7. 21-23 )

Antinomista (Insistente!!): Olha esse negocio de Lei é pra Judeu e tem que se circuncidar pra guardar Lei!!

Paulo (puto da vida): Filho você é incircunciso, mas “Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão? E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, julgará a ti, que com a letra e a circuncisão és transgressor da lei. Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.” (Rm.2:26-29).

Antinomista: Vocês estão sendo Muito Duro comigo!

João como sempre mais calmo e carismático de todos diz:Meu filhinho, estas coisas vos escrevo, para que não peques...” (1 João 2:1-2) e Te dou o Mesmo Conselho que Cristo deu a certa mulher:

->->->“vá e não peques mais”<-<-<-

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:13 am por Carlstadt



O TERCEIRO USO DA LEI

Por John Warwick Montgomery, Th.D.

  Em 1528, só uma década depois de Lutero ter pregado as noventa e cinco teses naquela porta, Erasmo declarou que “os luteranos buscam somente duas coisas — riquezas e esposas (censum et uxorem)” e que, para eles, o evangelho significava “o direito de viver como a cada um compraz” (carta de 20 de março de 1528, dirigida a W. Pirkheimer, camarada humanista de Erasmo). Desde aquele dia até hoje os protestantes têm estado sob a suspeita de serem antinomistas e seu evangelho de “salvação pela graça mediante a fé, à parte das obras da lei” tem sido interpretado vez ou outra como uma apólice de seguro espiritual que elimina o temor ao inferno e permite ao homem viver “como lhe compraz”.


—> A Santificação Duplamente Profanada

  De fato, a denúncia de que o protestantismo é essencialmente antinominiano (contra a lei) parece ter uma base especialmente forte durante o século XIX. A industrialização e a urbanização trouxeram consigo males sociais que foram passados por alto e racionalizados por muitos protestantes professos. Inevitavelmente, produziu-se uma reação pelo fim do século XIX e princípios do XX, no movimento do evangelho social. Temendo que o protestantismo houvesse se tornado eticamente indiferente, o movimento do evangelho social de Washington Gladen e Walter Raushenbusch identificou a mensagem cristã com as éticas sociais.

  De uma aparente “justificação sem santificação”, o pêndulo oscilou até uma “santificação que tragou a justificação”. Em sua avidez por trazer o reino de Deus e o melhoramento dos males do proletariado industrial mediante a ação social, os evangelistas sociais perderam de vista freqüentemente a perspectiva central da Reforma: que o amor de Cristo deve constranger o cristão, e que podemos experimentar e manifestar este amor somente tendo alcançado uma relação salvífica pessoal com o Cristo que “nos amou primeiro” (1Jo.4:19) e se deu a Si mesmo na cruz por nós (1Pe.2:24).

  A Primeira Guerra Mundial rebentou a bolha otimista do evangelho social; já não parecia haver grande segurança de que os seres humanos teriam a capacidade de estabelecer uma sociedade santificada na terra. Contudo, a crítica bíblica com o qual se havia alinhado o movimento do evangelho social não morreu tão facilmente. As vozes modernas contra a clareza e veracidade das Escrituras haviam sido tão fortes que nos círculos protestantes de maior influência cria-se que um retorno à ética bíblica proposicional não podia ser efetuada. O resultado foi (e é…) uma ética existencial.

  O existencialismo protestante tem pouca confiança na revelação bíblica, que é objetiva e eternamente definitiva em matérias de ética. Os existencialistas escolhem “o significado” da Escritura por si mesmo para cada situação existencial. (…) Para eles “o correto” ou “o incorreto” nunca se determina absolutamente antes; a Bíblia não é, para eles, uma fonte de ética absoluta. O que distingue a ética cristã da não-cristã? Unicamente o motivo de amor. Segundo dizem, o cristão experimentou o amor de Deus, e assim pode esse amor influenciar suas próprias decisões existenciais…

  A ética existencialista contemporânea no protestantismo é uma segunda manifestação de santificação des-santificada, porque se desenvolve inevitavelmente num relativismo ético. (…) O existencialista protestante jamais pode apelar à lei absoluta; unicamente pode dizer: “És livre, escolhe amar”. Mas o que quer dizer isto em termos concretos? Em teoria pode significar que qualquer ação é lícita — um antinomianismo maduro — porque cada decisão existencial é única e sem precedente. (…) A ausência de uma norma ética eterna no existencialismo de hoje, seja este social ou individualista, o desqualifica totalmente para promover a santidade cristã.


—> A Resposta do Protestantismo Clássico

  No protestantismo da Reforma, fica excluído o antinomianismo sobre a base de uma bem perfilada doutrina da lei e de uma relação cuidadosamente traçada entre a lei e o evangelho. Os Reformadores afirmavam que nenhum homem se salva sobre a base de sua obediência à lei. Como o expressa a Apologia da Confissão de Augsburgo: Lex semper accusat (a lei sempre acusa). Quando quer que um homem se coloca a si mesmo frente à norma da lei — seja esta a lei de Deus revelada eternamente na Bíblia, ou a norma da lei escrita em seu próprio coração — encontra que está condenado. Unicamente o sacrifício expiatório de Cristo, que cumpriu perfeitamente as demandas da lei, pode salvar; por isto se diz, nas palavras do apóstolo, que “pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem de vós, mas é dom de Deus; não vem das obras para que ninguém se glorie” (Ef.2:8–9).

  Contudo, a lei de Deus, como apresentada nas Escrituras, permanece válida. De fato, a lei tem três funções (ou usos): o político (como restrição para a maldade), o teológico (como “nosso aio… para nos conduzir a Cristo” — Gl.3:24); e o didático (como um guia para o regenerado). Hoje em dia poucos protestantes disputam o primeiro e segundo usos da lei; mas, que diremos do terceiro uso, o uso didático? Necessitam os cristãos, cheios do amor de Cristo e dotados de poder mediante o Seu Santo Espírito, da lei para instruí-los? Não estão certos os existencialistas quando dizem que o amor é suficiente?


—> Uma Doutrina Essencial

  Por duas razões, o terceiro uso da lei é uma doutrina cristã essencial: Primeiro, porque o amor — mesmo o amor de Cristo — ainda funciona como o mais poderoso estímulo para a ação ética, não instrui o cristão no que respeita ao conteúdo próprio da ação. Em nenhum outro lugar isto é tão bem declarado como nos escritos do amado Horácio Bonar, autor do hino “Ouvi a Voz de Jesus Dizer”. Em seu livro “God’s Way of Holiness” (O caminho de Deus à santidade), Bonar escreveu:
      “Mas, nos dirão eles que coisa deve regular o serviço, se não a lei? O amor, dizem. Isto é pura falácia. O amor não é a regra, senão o motivo. O amor não me diz o que fazer; me diz como fazer. O amor me constrange a realizar a vontade do Amado, mas para saber qual é Sua vontade devo ir a outro lugar. A lei de nosso Deus é a vontade do Amado, e onde se retira essa expressão de Sua vontade o amor fica totalmente em trevas; não saberia o que fazer. Poderia dizer-se, eu amo a meu Senhor, amo a Seu serviço e quero fazer os Seus mandados, mas devo conhecer as regras de Sua casa para saber como servi-Lo. O amor sem uma lei que guie seus impulsos seria o progenitor da adoração da vontade e a confusão, tão seguramente quanto do terror e da injustiça própria, a não ser que se exercite sobre a suposição de uma iluminação miraculosa como equivalente da lei. O amor vai à lei para aprender a vontade divina, e o amor se deleita na lei como exponente dessa vontade. E quem diz que um crente não tem mais nada que ver com a lei, senão evitá-la como a um velho inimigo, melhor diria que nada tem a ver com a vontade de Deus. Porque a lei divina e a vontade divina são substancialmente uma; a primeira, a manifestação externa da última. E é ‘a vontade de Meu Pai que está nos céus’ o que temos de cumprir (Mat. 7:21); provando assim, mediante amante obediência, qual é ‘a boa vontade de Deus, agradável e perfeita’ (Rom. 12:2). Sim, ‘o que faz a vontade de Deus, permanece para sempre’ (1 João 2:17). É de acordo com a ‘vontade de Deus’ que devemos viver (1 Ped. 4:2), ‘aptos para toda boa obra para que cumprais sua vontade” (Heb. 13:21), e ‘fruto em toda boa obra’, que emana de ser ‘cheios do conhecimento de sua vontade’ (Col. 1: 10, 9).”Grifos acrescentados.
  Em segundo lugar, a doutrina do terceiro uso da lei é um preservativo essencial para toda a doutrina da santificação. O homem em Cristo recebe um novo espírito — o Espírito do Deus vivo — e, portanto, sua relação com a lei muda. Certo de que, nesta vida, permanece sempre pecador (1Jo.1:8) e, por conseguinte, a lei sempre o acusará, mas agora vê a lei bíblica sob outra luz — como a manifestação da amante vontade de Deus. Agora pode dizer com o salmista: “Deleito-me em ‘Tua lei’” e “Quanto amo a Tua lei!” (Sl.119:70,97; cf. Sl.1,19).

  Só levando a sério o terceiro uso da lei — “lei de Cristo” (Gl.6:2) — levamos a sério a regeneração; e unicamente quando vamos ao amor de Deus, revelado na lei, a santificação chega a ser uma realidade em nossas vidas. Ludwig Ihmels fez uma bem fundamentada confissão de fé quando escreveu em sua obra “Die Religionwissenschaft der Gegenwart in Selbstdarstellungen”:
      “Estou convencido, como esteve Lutero, de que o Evangelho pode somente ser entendido onde a lei efetuou sua obra nos homens. Estou igualmente convencido de que o cristão humilde, com tudo e o muito que deseje viver numa medida maior no Espírito, jamais quererá valer-se sem a santa disciplina do tertius usus legis (o terceiro uso da lei)”.
  A resposta ao antinomismo, ao legalismo, ao evangelho social e ao relativismo existencialista firma-se não só numa distinção adequada entre a lei e o evangelho, mas também na harmonia adequada entre a lei e o evangelho, como a propõe a doutrina clássica do terceiro uso da lei.

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:18 am por Carlstadt

10 Dilemas dos Que Negam a Validade dos10 Mandamentos Como Norma Cristã


Antinomista significa alguém que é contra a lei, que prega a sua total abolição por Jesus, seja durante o Seu ministério ou por Sua morte na cruz, o que envolveria todos os mandamentos, os morais (dos Dez Mandamentos) e os cerimoniais. Ensinam que o decálogo teria findado com a morte do Salvador juntamente com o velho concerto e todas as estipulações rituais dos judeus (a lei cerimonial).

Tais pessoas se esforçam ao máximo para se desfazerem da obrigação de cumprir os Dez Mandamentos, ensinando que tal lei, base do concerto de Deus com o Seu povo de Israel no passado, não mais se aplica aos cristãos. Em lugar dessa lei, resta ao povo cristão agora algo como a “lei de Cristo”, na “nova dispensação”, uma série de recomendações e princípios que se espalham por todo o Novo Testamento--nada de códigos e enumeração de regras.

Fica-se a imaginar onde a Bíblia descreve um rompimento entre o Pai e o Filho ao ponto de este último rebeldemente lançar Sua própria lei em contraste com a do Pai (superior?!) que sempre serviu tão bem à humanidade como base de conduta moral. . . Afinal, não declarou o Cristo: “Eu e o Pai somos um”?! Por que a “lei de Cristo” e a “lei de Deus” não seriam uma só e a mesma?

Mas ao defenderem tais idéias antibíblicas esses ensinadores defrontam 10 dilemas sérios. Veja abaixo quais são.

O primeiro dilema dos que pregam a abolição dos Dez Mandamentos na cruz, juntamente com as leis cerimoniais, é que tais idéias chocam-se com o que sempre ensinaram destacados líderes cristãos e credos confessionais das diferentes igrejas protestantes, inclusive as dos próprios promotores de tais aberrações teológicas. Eis alguns exemplos:

Na mais alta categoria dos inimigos do evangelho de Cristo, estão aqueles que, aberta e explicitamente, “julgam a lei”, e “falam mal da lei”; aqueles que ensinam os homens a quebrar . . . não somente um . . . mas todos os mandamentos de um só golpe. . . Isto é, na verdade, demolir enunciados com muita violência. . . ; isto é resistir na cara a nosso Senhor.

Estas vigorosas palavras são de João Wesley [Works of Wesley--Obras de Wesley (New York: Waugh & Mason, 1833)]. Para quem não sabe, Wesley foi o fundador do metodismo e o grande evangelista e reavivalista do século XVIII. É de um dos seus famosos sermões esta exposição:

A lei moral firma-se sobre um fundamento inteiramente diverso da lei cerimonial ou ritual, que tinha o desígnio de servir para uma restrição temporária sobre um povo desobediente e de dura cerviz; enquanto esta [a lei moral] procede do princípio do mundo, sendo “escrita, não em tábuas de pedra”, mas nos corações de todos os filhos dos homens, quando saíram das mãos do Criador.-- João Wesley, “Upon Our Lord’s Sermon on the Mount”, Discurso 5, em Works of Wesley, Vol. 5, (edição de 1829), p. 311.

Por seu turno, o fervoroso evangelista Moody acrescenta estes valiosos pensamentos:

Jamais encontrei um homem honesto que achasse falta nos Dez Mandamentos. A lei dada no Sinai nada perdeu de sua solenidade. . . . O povo precisa ser levado a compreender que os Dez Mandamentos estão ainda em vigor, e que há uma penalidade ligada a cada violação. . . . O sermão do monte não cancelou os Dez Mandamentos. -- Weighed and Wanting, págs. 11 e 16.

O que esses autores declaram está em perfeita harmonia com os Credos de Fé históricos das diversas igrejas protestantes, entre os quais se poderiam citar os seguintes:

Igreja Batista: “Cremos que a Lei de Deus é a eterna e imutável regra de seu governo moral; que é santa, justa e boa; e que a incapacidade que as Escrituras atribuem ao homem caído para cumprir seus preceitos deriva inteiramente de seu amor pelo pecado; sendo um dos grandes objetivos do Evangelho e dos meios de graça ligados ao estabelecimento da igreja visível livrá-lo e restaurá-lo mediante um Mediador à genuína obediência à santa Lei”-- Artigo 12 da “Confissão de New Hampshire”.

“Todos nós temos a obrigação de cumprir a lei moral. . . . que é a que nos prescreve as obrigações para com Deus e o próximo. . . . A lei se acha expressa com maior minuciosidade nos dez mandamentos, dados por Deus a Moisés no Sinai”. -- Catecismo da Doutrina Batista, do Pastor W. D. T. MacDonald, págs. 28 e 29.

Igreja Metodista: “O Velho Testamento não é contrário ao Novo: pois tanto no Velho quanto no Novo Testamento a vida eterna é oferecida à humanidade por Cristo, que é o único mediador entre Deus e o homem, sendo tanto Deus quanto homem. . . . Conquanto a lei dada por Deus mediante Moisés, no que tange a cerimônias e ritos, não seja vigente para os cristãos, nem os seus preceitos civis . . . não obstante nenhum cristão de modo algum está livre da obediência aos mandamentos que são denominados Morais”.--Artigo 7 dos “Trinta e Nove Artigos de Religião”. [Obs.: Esta mesma confissão é adotada pela Igreja Episcopal].

Igreja Presbiteriana: “A lei moral para sempre obriga a todos, tanto as pessoas justificadas quanto as demais, à sua obediência; e isso não só com respeito a seu conteúdo, mas também com respeito à autoridade de Deus o Criador que a concedeu. Nem Cristo no evangelho de modo algum desfez, mas fortaleceu essa obrigação. . .

“O Espírito de Cristo subjuga e capacita a vontade do homem para . . . cumprir o que a vontade de Deus, revelada na Lei, requer que seja feito. . . .

“A liberdade que Cristo adquiriu para os crentes sob o evangelho consiste em sua liberdade da culpa do pecado, da condenatória ira de Deus, da maldição da lei moral . . . Sob o Novo Testamento a liberdade do cristão é mais ampliada na liberdade do jugo da lei cerimonial, à qual a igreja judaica estava sujeita”. -- Seções V, VII e XX do Capitulo XIX da “Confissão de Fé de Westminster”. [Obs.: Também validada pela Igreja Congregacional].

Não é embaraçoso ver esses indivíduos contradizendo os pioneiros e credos de suas próprias igrejas?

O segundo dilema dos pregadores dessas teorias de “lei abolida” é quererem dizer que o mandamento do sábado é o único do Decálogo que não consta do Novo Testamento e não poderem prová-lo. Ensinam que conquanto a lei moral dos Dez Mandamentos haja encontrado o seu fim na cruz, todos os mandamentos, com exceção do sábado, foram sendo restaurados e repetidos no Novo Testamento. Daí apresentam uma listinha com os mandamentos enumerados por passagens neotestamentárias, menos o 4º. (do sábado). Mas quem se detiver para examinar a tal listinha verá que, como se diz popularmente, é pura “marmelada”. Em primeiro lugar, não constam claramente os termos do 3º. mandamento, apenas uma referência indireta ao mesmo (de Mat. 5:34, 35: “de modo algum jureis . . . nem pelo céu . . . nem pela terra”).

Como também não consta nada específico de não se dever fabricar imagens de esculturas. Apenas há referências indiretas, como a condenação genérica a ídolos (ver Atos 15:20, I João 5:21. 2 Coríntios 6:16). Com isso um católico pode alegar que tais passagens não abrangem as imagens dos santos, só da Divindade, e eles estariam cumprindo o preceito, pois realmente não cultuam imagens de Deus. De fato, se os Dez Mandamentos foram abolidos na cruz, como provar que a mera confecção de imagens é errada, como estipulado no 2º. mandamento--“Não farás para ti imagens de escultura. . .”?

Seja como for, se esses “apologistas cristãos” se sentem no direito de fazer “referências indiretas” a mandamentos do Decálogo, nada mais justo do que mostrar referências mais do que indiretas do 4º. mandamento no Novo Testamento:

· Jesus declarou que “o sábado foi feito por causa do homem”, claramente indicando a Criação. O texto indica que a palavra para “homem” é a mesma empregada para quando Cristo referiu-se ao casamento, originário do Éden, quando o homem “deixa o seu pai e a sua mãe e une-se a sua mulher” (Mat. 19:5). Ora, casamento não é coisa só para os judeus. E citar a 2a. parte do verso, “não o homem por causa do sábado” não contradiz a primeira parte, sobretudo quando se interpreta tais palavras segundo a imaginação de anti-sabatistas (de que o sábado era só para judeus). Não dá certo porque não se poderia dizer, “e não o homem judaico por causa do sábado”. O “homem judaico” não foi feito, apenas o “homem”. O fato de se tornarem judaicos, babilônicos, egípcios é coisa bem posterior. . .

· O testemunho de Lucas 30 anos após a crucifixão, de que as santas mulheres seguidoras de Cristo “no sábado descansaram, segundo o mandamento” (Luc. 23:56). Após três décadas, para Lucas a guarda do sábado do sétimo dia era “segundo o mandamento”. Ele nada diz de que fosse mandamento de alguma “lei antiga”, “abolida”, ou coisa tal.

· A declaração do autor de Hebreus (cap. 4, vs. 9) de que resta um descanso sabático para o povo de Deus (no grego, sabbatismós, em contraste com todas as demais referências a “descanso” no capítulo, para as quais usa o termo katapausín-vs. 3, 4, 5, 8). Esta diferenciação de termos é muito significativa. Sem falar no fato de que o autor bíblico, escrevendo a cristãos hebreus, não ilustra o descanso espiritual que o povo de Deus deixou de obter, ou poderia ainda obter, com o descanso dominical (pelo ano 64 a 70 AD). Se o domingo já fosse uma instituição cristã, o dia de descanso da igreja, sem dúvida ele faria sua ilustração mencionando o domingo. Contudo, ignora inteiramente este dia, e vale-se do sábado do sétimo dia para ilustrar o seu ponto.

· A preocupação expressa por Cristo sobre os cristãos de Jerusalém que deveriam orar para que a fuga deles, quando da invasão de sua terra (Jerusalém e Judéia) em 70 AD pelas tropas romanas não tivesse que se dar “no inverno, nem no sábado” (Mat. 24:20). Cristo sabia da inconveniência e perigo se os inimigos cercassem a cidade no dia em que estavam na igreja ou dedicados à adoração particular a Deus, alheios ao que se passava fora. . .

· Jesus também recomendou: “fazei e guardai tudo quanto eles [os líderes religiosos dos judeus, seus contemporâneos] vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem” (Mat. 23:2). Uma das coisas que eles diziam era que observassem o sábado (Lucas 13:14). Deviam, pois, ouvi-los no que estavam certos e “fazer”, mas não agir do modo errado como eles agiam para com o mandamento do sábado e todos os outros.

· Paulo passou um ano e meio discutindo com os judeus em Corinto, e ao longo de todo esse tempo NUNCA se lembrou de dizer a eles que deviam passar a se reunir no domingo, mesmo quando os judeus abandonaram o local e ele ficou somente com os gentios (Atos 18:1-4 e 11). Em Filipos, onde não havia sinagoga, os apóstolos e Paulo escolheram um lugar tranqüilo para passarem um sábado: Atos 16: 12, 13.

· Os cristãos de origem judaica, eram zelosos na observância da lei (At. 21:20) e não seriam promotores do abandono de um dos principais preceitos da lei--o4º. mandamento. Documentação histórica posterior corrobora esta conclusão. O historiador palestino Epifânio viveu ao redor de 350 AD e narra a história da igreja de Jerusalém. Ele conta de como deixaram a cidade antes da sua destruição em 70 AD, foram para o norte, a um lugar chamado Pela, colonizaram o lugar, onde passaram a ser conhecidos como “nazarenos”. Epifânio declara que esses nazarenos, ou seja, os diretos descendentes da igreja de Jerusalém, viveram ali no seu próprio tempo e, diz ele, diferiam do resto dos cristãos por insistirem até aquele tempo na observância do sábado do sétimo dia!

· No Concílio de Jerusalém, dentre as coisas que não se requeria dos gentios nenhuma regra contra o sábado é determinada (Atos 15:20), prova de que não foi objeto de debate naquela igreja--todos o observavam sem problemas. Paulo declara quando sob julgamento: "Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo. . ." Caso ele tivesse desrespeitado o preceito do sábado não teria condições de fazer tal alegação pois seria imediatamente acusado de ser um violador do sábado, um princípio muito arraigado na religião e cultura dos judeus.

[Prossegue no próximo quadro]

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:19 am por Carlstadt

O terceiro dilema desses “intérpretes da nova lei” é não conseguirem demonstrar a exigência até infantil de que os mandamentos todos sejam referidos (integralmente ou não) para indicar sua validade no Novo Testamento.

Mas quem disse ser este o objetivo desta parte da Bíblia? Não há nenhuma necessidade de “chover no molhado”. Os princípios morais básicos do Velho Testamento, que têm por fundamento o “amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, são reiterados (não revalidados) no Novo Testamento por Cristo (Mat. 22:34-40, cf. Deut. 6:5 e Lev. 19:18).


Quando Paulo diz que “o cumprimento da lei é o amor” (Rom. 13:8-10) apenas cita alguns mandamentos como ilustração. Em seguida, porém, declara: “e se há qualquer outro mandamento. . .” Claro que ele com isso abrange toda a lei moral divina. Jesus também declarou ao jovem rico: “Se queres . . . entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mat. 19:17). No relato de Lucas, este mostra que Jesus diz ao jovem: “Sabes os mandamentos: não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe” (Luc. 18: 20, 21). Então, é uma grande tolice alegar que se Jesus não repetiu o 4o. mandamento, este não era mais obrigatório, pois na verdade ele não citou também o 1º., nem o 2º., nem o 3º., nem o 10º.! Poderia, daí, esse jovem viver os descumprindo? Poderia alcançar a vida eterna adorando imagens, falando o nome de Deus em vão, violando o sábado e cobiçando a mulher e coisas do próximo? Era este o ensino de Cristo?

Oh, mas isso não vale--Jesus falou tais coisas antes da cruz, ainda na “dispensação da lei”, alegam muitas vezes. Não há problema: Tiago, bem depois da cruz, cita os mandamentos “não matarás” e “não adulterarás” para ressaltar que “qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos”, lembrando a seguir que essa lei será a base do juízo divino (ver Tia. 2:8-13). Não cita todos os mandamentos, é verdade, só dois. Mas suas palavras são evidentemente abrangentes de TODOS.

Só quem for muito teimoso e preconceituoso contra a vigência da lei divina moral é que não pode percebê-lo, além de terem esses de enfrentar ao final o juízo de transgredirem todos os mandamentos por não só descumprirem voluntariamente um deles, mas ainda fazerem campanha contra sua vigência (Mateus 5:19). E voltamos a lembrar as abrangentes palavras de Paulo, em Romanos 13:8-10, depois da cruz. . .

Com isso chegamos ao quarto dilema dos antinomistas e semi-antinomistas modernos: deixarem implícita a absurda “divisão dispensacionalista” pela qual as pessoas antes da cruz eram salvas pela lei, e depois da cruz, pela graça.

É assim que muitos crentes pensam. Indagamos exatamente isso para as centenas de irmãos evangélicos que recebem nossos anúncios, perguntando especificamente: como se salvavam as pessoas que viviam nos tempos do Velho Testamento? Alguém nos respondeu que se salvavam pela obediência à lei, outro que Jesus foi pregar para os “espíritos em prisão” (1 Pedro 3:19 e 20), demonstrando a evidente ignorância desse ensino no meio evangélico, fruto da teoria dispensacionalista, que deixa muita gente confusa sobre este ponto (e outros): se agora é a “dispensação da graça”, então as pessoas se salvam sem nada terem a ver com a lei. E na “dispensação da lei”, as pessoas se salvavam sem nada terem a ver com a graça!

Arnaldo Christianini aborda esta questão de modo até irônico:

O autor do livro [O Sabatismo à Luz da Palavra de Deus, do batista Ricardo Pitrowski, que Christianini refuta inapelavelmente em sua obra] . . . defende o dispensacionalismo e crê que, depois de Cristo a graça suplantou a lei, substituiu-a, anulou-a, destruiu-a. Afirma que, com a morte de Cristo, findou-se a jurisdição da lei, iniciando-se a da graça. . . . Se isso fosse verdade, gostaríamos de perguntar como se arrumaram os pecadores dos tempos do Velho Testamento? Como se teriam salvo? Este ponto não pode ser passado por alto porquanto as Escrituras ensinam clarissimamente que a salvação é obtida unicamente pela graça. E se a graça não existia antes da cruz, segue-se que os pecadores que viveram no tempo patriarcal e posterior não se salvaram. Viveram antes da graça, para sua perdição. Ou--se como querem alguns--os pecadores do Velho Testamento se teriam salvo pelas obras da lei, forçoso é convir que o Céu estará dividido em dois grupos: um grupo a proclamar altissonantemente ter-se salvo pelos seus méritos e esforços, por terem guardado a lei (e isto seria um insulto a Jesus, um ultraje ao Seu sacrifício e ao Seu sangue), ao passo que o povo que viveu depois da cruz lá estaria a proclamar humildemente os louvores de Cristo, que lhes deu a vida eterna. . . . Seria concebível?

Não, não há na Bíblia tal coisa: uma jurisdição da lei e outra da graça, separadas pela cruz. Isto é danosa invencionice humana, ofensa ao plano de Deus. . . . Diz a Bíblia que a graça vem de “tempos eternos” (Rom. 16:25), que o “Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo” (Apoc. 13:8), e que “a graça nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos” (II Tim. 1:9). Portanto, os pecadores sob o Velho Testamento também se salvaram pela graça. . . .

Abraão foi salvo pela graça, Gál. 3:8; Rom. 4:3. Davi não se salvou pelos próprios méritos, mas pela fé em Cristo. Rom. 4:6. A graça está estendida a TODOS os homens. Tito 2:11; Rom. 5:18. Estava planejada antes mesmo da queda e começou a vigorar desde Gên. 3:15. . .- Subtilezas do Erro, 1a. edição, págs. 84 e 85.

O quinto dilema dos que advogam a teoria da abolição do decálogo divino é a evidente contradição e falta de lógica em seu raciocínio sobre a “restauração dos mandamentos no Novo Testamento”.

Se todos os mandamentos foram abolidos na cruz, mas sendo depois restaurados no Novo Testamento (menos o 4º.), imaginemos uma situação incrível que se estabeleceria: O 5º. mandamento foi de embrulho com todos os demais regulamentos morais e cerimoniais quando Jesus exalou o último suspiro e declarou, “Está consumado”. Daí, no minuto seguinte qualquer filho de um seguidor de Cristo poderia chutar a canela de seu pai ou mãe, xingá-los, desobedecê-los e desrespeitá-los livremente, eis que o 5o. mandamento só foi “restaurado” quando Paulo se lembrou de referi-lo, escrevendo aos efésios, e isso no ano 58 AD (ver Efés. 6: 1-3)! E, pior ainda, os termos do mandamento “não matarás” só foram reiterados por Paulo em Romanos 13:9, no ano 56 ou 58 AD (bem como “não adulterarás”, “não furtarás”, “não cobiçarás”. . .).

Ou seja, por quase 30 anos os filhos dos cristãos não tinham que respeitar os pais, pois o 5º. mandamento só é restaurado após umas três décadas, e mesmo assim só para os efésios. Muitas décadas mais se passaram até atingir toda a comunidade cristã para cientificar-se da necessidade de os filhos respeitarem seus pais! Além de os cristãos poderem matar uns aos outros, etc., nesse mesmo período “sem a lei”. . . Faz sentido isso tudo?

Por aí se vê a enrascada em que se mete quem contraria o “assim diz o Senhor” das Escrituras.

Passemos, porém, para outro dilema, o sexto: não saberem definir a terminologia paulina ao tratar do tema da lei em suas epístolas e fazerem grande confusão a respeito. Isso é perigoso, pois Pedro já advertira que “Paulo escreveu segundo a sabedoria que lhe foi dada, e ao falar acerca destes assuntos, como de fato costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas cousas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles”. E recomenda logo a seguir: “Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza” (2 Ped. 3:15-17).

Esses “apologistas cristãos” se atrapalham muitas vezes com a rica terminologia paulina em Romanos, Gálatas, Efésios porque Paulo usa várias expressões no seu debate sobre lei-graça, fé-obras, pecado-justiça (como “lei de Cristo”, ou “da graça”, ou “da fé”, ou “do espírito de vida”, “ou do pecado e da morte”). Não percebendo o recurso retórico de seu uso não se dão conta de que “a lei do pecado e da morte”, por exemplo, é como Paulo se refere à ação do pecado, não uma designação à lei de Deus sobre a qual ele declarou: “com a mente sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne da lei do pecado” (Rom. 7:25). Este texto e outros em que Paulo exalta a lei de Deus como “santa, justa, boa, espiritual” na qual tem “prazer” (vs. 12, 14, 16, 22) não condizem com a tese da “lei abolida”. Iria Paulo ter prazer numa “lei do pecado”, inteiramente abolida?

Sem falar em Rom. 3:31: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei”. Esta é um claro texto em que Paulo demonstra que sendo a salvação inteiramente pela fé, não ficam os redimidos sem a lei de Deus como sua norma de vida. Esses negadores da validade de tal lei simplesmente não sabem o que fazer com este texto diante das teses que advogam. E ainda vem logo a seguir Rom. 8:3 e 4, 7 e 8 que são versículos dos quais fogem, como “o diabo foge da cruz”. . .

O sétimo dilema desses negadores da validade da lei divina é não conseguirem comprovar que no Novo Concerto há uma “nova lei” que nada tem a ver com o Decálogo, para o cristão, sendo mais “user friendly”. Contudo, a Bíblia indica que o novo concerto tem por base não outra, mas a mesma lei moral dada a Israel.

Vejamos um importante texto, de Hebreus em que, longe de ensinar que o Novo Testamento representa um novo concerto sem a lei divina básica expressa no Velho Testamento, o autor bíblico mostra que aos que aceitarem os termos do Novo Concerto (ou Novo Testamento) o próprio Deus escreveria a Sua lei em seus corações e a imprimiria em suas mentes:

Agora, pois, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é Ele também mediador de superior aliança, instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito, pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor. Nas suas mentes imprimirei as minhas leis, também sobre os seus corações as inscreverei; e Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo (Heb. 8:6-10; cf. 10:16).

Em 2 Coríntios 3:1-11 Paulo compara o cristão sob o novo concerto com uma “carta, escrita em nossos corações, conhecida por todos os homens . . . escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações”.

No novo concerto, firmado sobre “superiores promessas”, Deus escreve a Sua lei nos corações dos que aceitarem os seus termos, tirando-a das frias tábuas de pedra para gravá-la nos corações aquecidos pela graça divina (ver Heb. 8:6). Note-se que essa “lei de Deus” é a mesma que constava da promessa original dirigida aos filhos de Israel em Jeremias 31:31-33 e não outra. O ônus da prova fica com quem negue este fato, claramente estabelecido nestes textos, além de Hebreus 10:16, que confirma: Deus escreve a Sua lei nos corações de Seus filhos sob a nova aliança. Os leitores cristãos-hebreus da epístola entenderiam muito bem a que lei divina se referem tais dizeres.

E até agora nenhum desses “apologistas cristãos” conseguiu responder de forma minimamente aceitável a nossa pergunta-desafio: onde é dito que quando Deus escreve a Sua lei nos corações e mentes dos que aceitam os termos do Novo Concerto, Ele deixa de fora o 4o. mandamento ou este consta tendo o domingo no lugar do sábado?

Outro dilema dessas pessoas é que o contexto de Hebreus capítulos 8 e 10 é claro ao definir que se aplicam ao novo “Israel” de Deus, aqueles da dispensação cristã. Para desconsolo de tais indivíduos o texto fala em “leis de Deus”, não “lei de Cristo”. Afinal, o novo concerto é agora disponível a todos, judeus e gentios, pois o muro de separação foi desfeito com a abolição da “lei cerimonial”--não da “lei moral” (Efé. 2:11 a 22).

Portanto, o tema da lei divina não é coisa do Velho Testamento. Pelo contrário, é componente fundamental do próprio Novo Testamento, por certo em seus aspectos morais, não cerimoniais (ver 1 Cor. 7:19).

[Conclui no próximo quadro]

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:19 am por Carlstadt

O oitavo dilema desses negadores da validade do Decálogo como norma de conduta cristã é que não sabem o que fazer com a norma sobre dia de repouso dentro da “nova lei”: ora dizem que os cristãos primitivos adotaram logo o domingo para comemorar a ressurreição de Cristo, mas por falta de comprovação bíblica dizem alternativamente que não há mais dia nenhum para observar, ou que o mandamento agora é o descanso num mero “dia em sete”, não necessariamente no 7º. dia, ou que o repouso na verdade significa simplesmente aceitar a Cristo, e assim por diante. Agora, se “qualquer dia serve”, por que não ficar logo com o que é claramente instituído na Bíblia, o 7º.?

Não há consenso entre os vários crentes e igrejas, algumas observando rigorosamente o domingo, outras não dando muito valor ao dia, sendo usado apenas como o “horário do culto”, ou não tendo qualquer escrúpulo por dia algum. Mas Jesus disse que “o sábado foi feito por causa do homem [não do judeu]” (Mar. 2:27) e João revela, na introdução de seu livro profético, que tinha um “dia do Senhor” que dedicava a Deus (Apo. 1:10).


Que João não se refere ao domingo fica claro pelo fato que, ao escrever o seu evangelho na mesma época, refere-se ao dia da Ressurreição simplesmente como “primeiro dia da semana”, sem nenhuma indicação especial quanto ao dia (ver João 20:1).

O nono dilema dos advogados do fim de toda a lei (moral, cerimonial, civil) na cruz é que, percebendo não haver fundamentação bíblica segura para sustentar a guarda do domingo (por isso nem todas as igrejas e/ou seus membros o adotam) recorrem a textos patrísticos inteiramente isolados de sua contextuação, ao mesmo tempo em que buscam ignorar os resultados do trabalho realmente erudito, profundo e reconhecido por autoridades tanto católicas quanto protestantes do Dr. Samuele Bacchiocchi dentro do próprio Vaticano, e o de outros pesquisadores sérios.

Citar Barnabé, Tertuliano, Justino Mártir, Eusébio pode parecer muito impressionante, mas se não se levar em conta a verdadeira contextualização histórica desses escritos, tais declarações omissas haverão de ser enganosas, como de fato se dá.

Também os que citam tais autoridades não mencionam TODAS, pois deixam de fora Sozomen, Sócrates, Epifânio, não explicam a origem do Domingo de Páscoa em substituição da regra de observar-se a Páscoa em 14 de Nisã como os judeus, ignoram as razões da famosa Controvérsia Quatrodecimana ou das medidas antijudaicas do Imperador Adriano em 135 AD e seus desdobramentos para a igreja cristã a partir de Roma*. Tudo isso merece séria pesquisa. . .

O décimo dilema dos que pregam o fim do Decálogo divino na cruz é que precisam recorrer à pura e simples mentira para promoverem a falsa equação: “Observância do sábado = justificação por obras”. Ou seja, insinuam insistentemente que quem deseja observar o sábado do sétimo dia é por estar querendo salvar-se pelas obras da lei!

Apesar de lhes terem sido apresentadas as POSIÇÕES OFICIAIS das igrejas observadoras do sábado sobre a salvação pela graça, nunca pelas obras da lei, esses “apologistas cristãos” passam por alto tais fatos devidamente documentados e partem para a repetida, injusta e falsa alegação de que todos os que ensinam e praticam a guarda do sábado do 7º dia pregam a salvação pelas obras da lei, sendo, portanto, legalistas.

Há, porém, duas simples razões pelas quais demonstramos ser isto uma falsidade caluniosa:

1o. -- É antibíblico: Crer em salvação ainda que parcialmente pelas obras e ensinar isso choca-se com o teor todo do que as Escrituras ensinam, e os adventistas e demais observadores do sábado conhecem muito bem suas Bíblias para incorrerem em erro tão primário. Sabemos o que Paulo diz em Romanos, Gálatas, Efésios, e não iríamos jamais contrariar tão claras exposições do apóstolo. Ademais, no exame dos textos de Efés. 2:8 e 9, tão citados em círculos evangélicos, não podemos nos esquecer do verso seguinte, o 10. . .

2o. -- É desnecessário: Não há nenhuma condição sine qua non para quem observa o mandamento do sábado de crer em salvação por obras por sua prática de guardar o dia do Senhor bíblico. Ou seja, não precisamos apelar a essa posição antibíblica de salvação por obras para defender a vigência e guarda do sábado, tanto quanto os demais cristãos não obtêm mérito por não adorarem imagens, por exemplo. Assim, se os evangélicos respeitam os termos do mandamento contra as imagens, acaso com isso se tornam legalistas e obtêm salvação por cumprir tal obra? Claro que não. O mesmo raciocínio se aplica à questão do sábado e a todos os demais mandamentos da lei divina.

Sendo que estão perfeitamente avisados dos fatos, se insistem com tais insinuações caluniosas, o que praticam é o puro e simples “falso testemunho contra o . . . próximo”. Como, porém, teimam em ensinar que os Dez Mandamentos não são mais norma de conduta cristã, tendo sido inteiramente abolidos, e, como lembra um deles, “Abolir significa: ‘Revogar, anular, extinguir, suprimir’”, dá para compreender o porquê de tais atitudes. O que fazem é, como se diz, despejarem o bebê junto com a água do banho!

Se o Decálogo foi revogado, anulado, extinto, suprimido, claro. . . foi por água abaixo o seu 9º mandamento: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êxo. 20:9). Agora, sim, isso faz perfeito sentido! Estão explicadas estas atitudes deploráveis de falsas acusações desses “apologistas cristãos”.

O problema para essa gente é o que encontramos em Apocalipse 21:8 onde é dito sobre “. . . todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”.

Deus tenha deles misericórdia e faça-os despertarem à realidade (e à verdade) enquanto é tempo!

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:20 am por Carlstadt

10 RAZÕES POR QUE A “LEI DE CRISTO” E A “LEI DE DEUS” SÃO UMA SÓ E A MESMA

Disse Jesus: “Eu o Pai somos um” (João 10:30)

1 – Porque não há qualquer evidência bíblica de que haja uma “lei de Cristo” que tenha tomado o lugar da “lei de Deus” e os que fazem essa interpretação simplesmente partem de inferências e hipóteses indemonstráveis.

Obs.: Uma interpretação popular e comum é de que agora o cristão seria regido por uma “lei de amor”, segundo Cristo ensinou como “novos mandamentos” (Mat. 22:36-40). Só que basta comparar tais textos com Deuteronômio 6:5 Levítico 19:18 para ver que Ele apenas reitera o que Moisés já havia dito. Claro, as leis de Deus SEMPRE tiveram por base o duplo princípio de “amor a Deus” e “amor ao próximo”.

2 – Porque Paulo se refere à “lei de Deus” de forma normal, dizendo que com a mente a servia e que tem prazer nela, e a conserva na mente, e que a “inclinação da carne” não está sujeita à lei de Deus, etc. (Rom. 7:22, 25; 8:7 e 8). Ele ainda fala em “lei de Deus”, “mandamentos de Deus”, coisas que já teriam sido ultrapassadas na interpretação antinomista e semi-antinomista, e emprega o tempo verbal presente o tempo todo nas passagens citadas.

Obs.: Pela tortuosa interpretação dos antinomistas e semi-antinomistas, ele devia concentrar-se em falar somente em “lei de Cristo”daí em diante, e ao falar em “lei de Deus” devia indicar isso pelo uso do pretérito, não do tempo verbal presente.

3 – Porque Paulo enumera normalmente os mandamentos do Decálogo (“lei de Deus”) indicando-os aos cristãos de Roma como devendo ser obedecidos segundo o princípio do “amor”, em vez de falar em mandamentos da “lei de Cristo” (Rom. 13:8-10). No vs. 9 ele mostra que está tomando a parte pelo todo ao dizer que “se houver qualquer outro mandamento. . .” Ele sabia haver não “outro”, mas “outros”.

Obs.: Paulo certamente não julgou necessário citar um por um dos mandamentos, pois o seu objetivo nessa passagem não é “revalidar” mandamentos, tornando-os vigentes aos cristãos.

4 – Porque Paulo lembra aos crentes de Éfeso mandamentos do Decálogo (citando especificamente o 5o., 8o., 9o. e 10o. mandamentos— Efé. 6:1-3; 4:25-31) como sendo ainda válidos e vigentes.

Obs.: Ele devia apelar-lhes para respeitarem os mesmos princípios segundo um código diferente, que seria a “lei de Cristo”, caso as interpretações erradas referidas tivessem fundamento.

5 – Porque Paulo fala que importa agora obedecer os “mandamentos de Deus”, e não “os mandamentos de Cristo” (1 Cor. 7:19).

Obs.: Para ver o que os leitores contemporâneos de Paulo entendiam com esta linguagem de “mandamentos de Deus” basta ler Romanos 7:7-13 e claramente se percebe que são os mandamentos do Decálogo. Claro que isso ainda inclui outros deveres, como “pregar o evangelho a todo o mundo”.

6 – Porque João fala da “lei de Deus” e da “lei de Cristo” intercambiavelmente em suas várias epístolas (ver 1 João 2:7; 3:21-24; 4:7-12, 21).

Obs.: Ele não deixa a minima pista de que haja qualquer contraste entre ambas.

7 - Porque João no Apocalipse diz claramente que os fiéis filhos de Deus se caracterizam como aqueles que “guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus” (Apo. 14:12), em vez de falar dos que “guardam os mandamentos de Cristo”.

Obs.: Claro, são os mesmos, não havendo essa dicotomia artificial que se quer criar entre “mandamentos de Cristo” e “mandamentos de Deus” (ou “lei de Cristo/lei de Deus”).

8 – Porque em Hebreus 8:6-10, ao falar da passagem do Velho para o Novo Concerto, esta importante passagem trata das “Minhas leis” (de Deus), que são escritas nos corações e mentes dos que aceitam esse Novo Concerto [Novo Testamento], e não “leis de Cristo”.

Obs.: Este tópico é importantíssimo pois mostra como no Novo Testamento o cristão terá a “lei de Deus” escrita nos seus corações e mentes, e é aquela que Paulo mesmo ilustrou como estando nos corações de carne dos que são de Cristo (2a. Cor. 3:2-6). Ele usa a mesma ilustração de Ezequiel 36:26, 27, e certamente ao tratar de “tábuas de pedra/tábuas de carne” tinha em mente o CONTEÚDO TODO das tábuas de pedra transferido para as tábuas de carne dos corações. Do contrário, nem faria sentido ele usar a mesma metáfora de Ezequiel que, certamente, tinha em mente 10 preceitos das tábuas de pedra, não somente 9.

9 – Porque Tiago menciona os mandamentos do Decálogo (que seria a “lei de Deus”) como normativos aos cristãos, em vez de concentrar-se em falar em “lei de Cristo” (Tiago 2:10-12).

Obs.: Alguns entendem às avessas as palavras de Tiago, pensando que ele está dizendo que já que ninguém obedece plenamente os mandamentos, pois se tropeça num, falhou em todos, então ficamos dispensados dos mesmos. É exatamente o contrário, pois o que Tiago diz é reflexo do que Cristo disse em Mateus 5:48: “Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”. E lembremo-nos que quando Tiago escreveu sua epístola, ele e seus leitores primários sabiam que a parte cerimonial da lei já não mais valia.

10 - Porque João, num contexto em que fala intercambiavelmente de Deus e de Cristo, quando definindo o pecado diz que é “transgressão da lei” (1 João 3:4), não especificando falar em “lei de Cristo”.

Obs.: Esta definição bíblica de pecado é curiosamente evitada pelos da linha semi-antinomista dispensacionalista. Parece que não gostam nem um pouco do texto como aparece em inúmeras versões internacionais, definindo pecado como “transgressão da lei”. De que lei seria pecado uma transgressão? Da lei da oferta e da procura? Da lei do menor esforço? Da lei da gravidade? Quem souber responder estas perguntas saberá o que está mesmo sendo dito pelo Apóstolo de Cristo.

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:20 am por Carlstadt

10 Fatores Que Comprovam Existir “Divisão” das Leis


Os que negam haver distinção bíblica sobre leis que devem ser cumpridas, e leis que não mais se deve cumprir alegam que não há nas Escrituras termos tais como “lei moral”, “lei cerimonial”, “lei civil”. Então, pela ausência de tal terminologia pretendem “provar” que as leis bíblicas formam um só “pacote” legal, juntas abolidas na cruz.

Só que temos um fato muito estranho nessa “abolição” (cinicamente às vezes sendo dito que a lei não foi “abolida” e sim “cumprida”, mas com o mesmíssimo sentido de abolir): dos 10 mandamentos abolidos, NOVE permaneceram intactos, prosseguem tão válidos e vigentes como sempre! Que abolição de lei mais pífia!

Mas não é necessário ir à caça de terminologia específica para muitas coisas na Bíblia que tantos milhões de cristãos sempre aceitaram naturalmente, como onisciência, onipresença, onipotência, teocracia, Trindade. . . E daí, vamos negar esses conceitos por não existirem palavras que os definam nas Escrituras? Temos que nos preocupar com fatos, não com palavras. E os fatos que temos para demonstrar que há realmente essa “divisão” das leis, são, entre outros:


1 O próprio Deus dividiu as leis, pois pronunciou solenemente aos ouvidos do povo tão-só os 10 Mandamentos como base do concerto especial que propunha àquele povo.

Obs.: Foi a primeira e única vez que a voz de Deus foi ouvida por um grande número de pessoas reunidas (Êxo. 19 e 20).

2 Após pronunciar os 10 Mandamentos, Deus “nada acrescentou” (Deu. 5:22). Os que querem acrescentar as leis de outro caráter a esse código especial estão indo além do que está escrito e do que Deus fez.

3Deus mesmo escreveu esses 10 Mandamentos, pronunciados primeiro audivelmente à multidão reunida no Sinai, em duas tábuas de pedra, com o Seu próprio dedo (Êxo. 31:18).

Obs.: É muitíssimo significativa essa atitude divina de fazer questão de escrever tal código nas tábuas de um material que representa perpetuidade--pedras!

4 - As demais leis foram todas ditadas a Moisés noutra ocasião para que as escrevesse em rolos (Êxo. 34:27 e textos anteriores).

5As tábuas de pedra foram postas dentro da arca (Deu. 10:2) enquanto os livros com as demais leis deviam ser guardadas fora da arca (Deu. 31:26).

6 - O apóstolo Paulo mesmo se expressa dividindo as leis, pois ele comenta sobre leis que antes eram importantes, mas não mais o são, ressaltando que o que agora importa é “obedecer aos mandamentos de Deus” (1 Cor. 7:19).

Obs.: Os leitores primários de Paulo sabiam a que “mandamentos de Deus” ele se referia, pois em Romanos 7:7 e 8 ele deixou isso claro, referindo-se a um mandamento específico do Decálogo. E diz no vs. 25 que com sua mente SERVIA “à lei de Deus”, que é a mesma que continha o mandamento “não cobiçarás”, dos vs. acima referidos.

7Paulo fala sobre a lei como abolida e como confirmada, num contraste evidente (ver Efé. 2:15 e Rom. 3:31). A única maneira de entender isso é percebendo que ele trata de leis de características e funções diferentes.

8Em Hebreus caps. 7 a 10 é mostrado o sentido dos vários ritos e leis sacerdotais de Israel e como foram abolidas, mas em 8:6-10 é dito que Deus escreve o que é chamado de “Minhas leis” nos corações e mentes dos que aceitam esse novo concerto [Novo Testamento], o que indica, logicamente, haver coisas da lei abolida (a parte cerimonial) e coisas confirmadas na passagem do Velho para o Novo Concerto (as leis divinas que não seriam abolidas por não terem caráter prefigurativo, ritual).

9João viu no céu a arca do concerto, que certamente contém os originais da lei (Apo. 11:19), o que não faria sentido se fosse uma lei faltando algum mandamento tal como dados por Deus, ou tendo algum deles alterado em seu teor.

10Os documentos e grandes próceres cristãos SEMPRE entenderam essa questão exatamente assim, embora na tremenda lavagem cerebral dos novidadeiros do semi-antinomismo dispensacionalista fica a falsa impressão de que o que ensinam é que sempre se constituiu no entendimento cristão evangélico da questão. Basta conferir suas Confissões de Fé, Credos e Catecismo históricos para se constatar isso, nos capítulos sobre a lei divina.

Ponderação final:

Há uma seqüência de passagens onde a divisão de leis é estabelecida pelo próprio apóstolo Paulo:

* “A circuncisão nada é, também a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus.” -- 1 Coríntios 7:19

* “Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura” -- Gálatas 6:15.

* “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor”. -- Gálatas 5:6.

Esta seqüência de textos torna claro que para Paulo as questões rituais da lei não são relevantes, mas o importante é observar os mandamentos que não pertencem a esse aspecto, da lei cerimonial.

Observemos a coerência de seu raciocínio: O “ser nova criatura”, equivale a demonstrar uma “fé que atua pelo amor”, o que se expressa em “guardar os mandamentos de Deus”.

Há, pois, perfeita harmonia no entendimento dessas questões.

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:22 am por Carlstadt

10 Tópicos Para Melhor Entender a Questão da Lei e Graça

COMO ENTENDER AS CONFLITANTES DECLARAÇÕES DE PAULO E TIAGO SOBRE LEI E GRAÇA, FÉ E OBRAS, JUSTIFICAÇÃO E SANTIFICAÇÃO

Nesta seqüência de 10 itens a proposta é de um estudo racional e objetivo da questão da lei divina em face da mensagem da salvação pela graça, um tema muitas vezes mal compreendido pelos cristãos em geral. O apóstolo Paulo claramente diz que a salvação é tão-só pela fé, sem qualquer mérito humano (Efés. 2: 8 e 9). O profeta Isaías já dissera que até nossas obras de justiça são meros “trapos de imundície” (Isa. 64:6). Nenhuma obra realizada pelo homem é aceitável a Deus—cuja lei é “perfeita” (Sal. 19:7)—em termos de obter méritos para a salvação. Até nossas orações, um ato tão santo de fervor religioso, só conseguem ser ouvidas pela intercessão do Espírito Santo (Rom. 8:26).

Mas após falar da salvação em nada dever-se às obras em Efésios 2:8 e 9, Paulo acrescenta no verso 10: “Somos feituras dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. Tiago lembra que “a fé, se não tiver obras, é morta” (2:17) e Jesus também declarou: “Se me amais, guardareis os Meus mandamentos” (João 14:15).

Assim, temos uma clara tensão entre o salvar-se pela fé, independentemente das obras da lei, mas a necessidade de demonstrar essa fé pela fiel obediência à lei. Como entender isso?

Introdução

O tema da lei divina em confronto com o da graça não poderia deixar de surgir em matérias teológicas, páginas de ministérios de “apologia cristã” e confronto de idéias em fóruns evangélicos. Todavia, já que prometemos tratar do assunto, temos que primeiramente levantar esta indagação pertinente e abrangente do que será tratado neste estudo:

* As leis do Velho Testamento são, de fato, caducas e não mais aplicáveis aos cristãos sob o novo concerto?

1) A resposta é—sim e não. Há leis que caducaram por cumprirem sua função prefigurativa, como as regras sobre ofertas de cordeiros e manjares, os sacrifícios e normas várias para sacerdotes e povo. Quando João Batista apontou a Cristo como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29) lembrava aos ouvintes o sentido dos muitos cordeiros sacrificados pelos israelitas como expiação dos pecados. Eram o antitipo do grande Tipo, Jesus Cristo.

Contudo, se há leis de caráter temporário, também as há de caráter perene, que se caducassem trariam somente o caos a nível público e privado: “Honra o teu pai e a tua mãe”, “não matarás”, “não furtarás”, “não adulterarás”. . . Esses preceitos são lembrados pelos vários autores neotestamentários como normativos aos cristãos (ver Efés. 6:1 e 2; Tia. 2:8-10). Paulo deixa isso claro ao mostrar a validade de algumas regras e nulidade de outras para os cristãos, como veremos mais adiante.

As leis bíblicas dividem-se em categorias claras quanto a seus objetivos e vigência. Ao longo dos séculos documentos e autores cristãos têm definido essas leis como sendo moral (expressa nos Dez Mandamentos), cerimoniais, civis, higiênicas, etc. As mais representativas Confissões de Fé da cristandade, tanto protestante quanto católica, sempre ensinaram essa “divisão” das leis nesse sentido, como é claramente apresentada na Confissão de Fé de Westminster, na Confissão de Fé Batista de 1689 e nos 39 Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra.

Há quem alegue que a Bíblia trata da “lei” como um só “pacote” indivisível, mas a “divisão” das leis é óbvia: Deus proclamou sobre o Sinai, aos ouvidos do povo reunido, somente os Dez Mandamentos, depois os transcrevendo nas tábuas de pedra, e “nada acrescentou” (Deu. 5:22). Todas as demais regras cerimoniais, civis, higiênicas, etc., foram ditadas para Moisés noutra ocasião, para transcrevê-las nos rolos da lei.

Conclusão: Há mandamentos que eram importantes, mas não devem mais ser cumpridos, e mandamentos que importa obedecer, como Paulo mostra numa clara “divisão” da leis bíblicas ao dizer em 1 Cor. 7:19: “A circuncisão nada é, e também a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus”.

2)Eruditos evangélicos modernos e antigos, bem como confissões de fé históricas (inclusive alguns dentre os principais Reformadores) têm o Decálogo na conta de norma válida de conduta cristã. Em suas confissões de fé eles jamais alegam que a lei divina foi abolida, substituída por uma “lei de Cristo” (supostamente menos rigorosa) nem levantam a tese de que observar esses mandamentos seria estar apegando-se à “letra da lei” em lugar de inspirar-se apenas em seu “espírito”. Antes, definem as leis divinas como tendo preceitos cerimoniais, civis e morais, estes últimos sintetizados nos Dez Mandamentos.

Entre as declarações eruditas e credos da cristandade com essas claras posições citamos o popular Dicionário da Bíblia de John Davis, a Segunda Confissão Helvética da Igreja Reformada, de 1566; os 39 Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra (de 1571) em seu Artigo VII; os Artigos de Religião Irlandeses (1615); a Confissão de Fé de Westminster (1647); a Declaração de Savóia das Igrejas Congregacionais (1658); a Confissão Batista de 1688 (Filadélfia) com base na confissão de 1677 de Londres; os Artigos Metodistas de Religião (1784); o Pequeno Catecismo presbiteriano, etc. e autores tais como Spurgeon, Wesley, e mais modernamente Billy Graham, Orlando S. Boyer, Harold Brokke, Antônio Neves Mesquita, Pr. Myer Pearlman, Pr. Nilson do Amaral Fanini e vários outros de diferentes denominações evangélicas.

Em hinários de batistas, presbiterianos, congregacionais, metodistas, etc., como o Salmos e Hinos, Cantor Cristão, Harpa Cristã, acham-se hinos de louvor a Deus falando da lei de Deus como norma vigente para todos. Um desses hinos chega a dizer: “Salvação por homens dada, paz fingida, paz comprada, lei de Deus falsificada, tudo rejeitai! Lei de Deus não muda, o Senhor ajuda a quem cumprir sem desistir. . .”

Conclusão: Grandes eruditos cristãos e credos da cristandade sempre reconheceram os diferentes tipos e objetivos das leis divinas segundo seus aspectos civis, cerimoniais, higiênicos. São códigos diversos regidos pela lei moral básica, tal como a Constituição é a “Carta Magna”, base de toda a legislação civil com seus muitos códigos (Código Criminal, Código Comercial, Código Trabalhista, etc.). Os códigos podem ser abolidos e mudados, o que não interferirá na Constituição, enquanto se esta for alterada, afetará tudo o mais.

3)Faz-se necessário que os cristãos entendam melhor os conceitos de justificaçãoe santificação. A justificação é inteiramente pela fé e por ela é que se estabelece “paz com Deus” (Rom. 5:1). Significa a obra de Deus por nós para a salvação, centralizada na cruz de Cristo. Em conseqüência da aceitação desse fato, dá-se a regeneração, ou novo nascimento, iniciando-se daí o processo de santificação, que representa a obra de Deus em nós por conceder-nos o Seu Espírito e derramar o Seu amor em nossos corações (Rom. 5:5). Trata-se de uma obra vitalícia de crescimento gradual e contínuo na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Ped. 3:18)—conseqüência, não base, da experiência de salvação.

Conclusão: A obediência aos mandamentos da lei de Deus situa-se no campo da santificação, e não da justificação. Significa a aceitação de Cristo como Senhor após tê-Lo aceito como Salvador.

4)O princípio da genuína obediência, que resume o teor de todos dos mandamentos divinos, é o amor. Assim Jesus resumiu (não substituiu) os mandamentos em a) amar a Deus sobre todas as coisas e b) amar ao próximo como a nós mesmos. Ele está citando declarações do Velho Testamento (Mat. 22: 34-36, cf. Deu. 6:5; Lev. 19:18). O mesmo princípio básico de amor é também o do Seu “novo” mandamento: João 13:24.

Conclusão: Sobre esse princípio moral do amor é que se constroem os concertos, tanto o novo quanto o velho (ver também Rom. 13:8-10). As leis divinas sempre, em todos os tempos, se basearam no amor.

[Prossegue no próximo quadro]

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:22 am por Carlstadt

[Continuação do quadro anterior]

5)Certos expositores bíblicos fazem grande confusão em púlpitos, prelos e processadores de texto quanto ao tema da lei nas epístolas paulinas. Essa incompreensão é perigosa, à luz de 2 Pedro 3: 15 e 16, pois os que assim agem são chamados de “ignorantes”, “instáveis” e “insubordinados”. Não percebem o sentido das palavras do apóstolo Paulo quando fala negativamente sobre a lei em alguns textos, tratando, porém, dela noutros lugares em termos positivos e citando seus mandamentos como válidos. Isso se deve entender à luz dos conceitos de justificação pela fé e santificação. Vejamos estes paradoxos bíblicos:

a) Textos em que Paulo trata “negativamente” da lei: Rom. 3: 20-24; 5:20; 6:14, 15; 7:6; 8:3; Gál. 2:16-19; 3:10-13; 5:4; Efé. 2:7, 8; 15.

b) Textos em que Paulo confirma a validade da lei como normativa aos cristãos e a exalta, dizendo que nela tem “prazer” e com a mente a serve: Rom. 3:31; 7: 7, 14, 22, 25; 8: 4; 13:9-10; 7:19; Gál. 5:14; Efé. 6:1, 2.

Como entender isso? A explicação é simples—os que têm a lei como fonte ou meio de salvação, colocando sua obediência na área da justificação, só podem estar sob a sua maldição pois “pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rom. 3:20 e 7:7), e podem até vir a perder a salvação se antes estivessem firmados na graça: “De Cristo vos desligastes vós que procurais justificar-vos na lei, da graça decaístes” (Gál. 5:4). Deixando de confiar nos méritos de Cristo por incluir suas obras como meio de salvação, negam sua experiência de genuína fé na obra completa, perfeita e meritória de Cristo para a salvação de todo o que crê. Por tal razão é que Israel tropeçou, como continuamente Paulo destaca em seus escritos (ver Rom. 9:30-32).

6) Dois episódios ilustram a harmonia entre a lei e a graça tanto no Velho quanto no Novo Testamento:

a) No Velho Testamento: Ao proclamar solenemente a lei dos Dez Mandamentos no Sinai Deus declarou, antes mesmo de pronunciar o primeiro mandamento: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito” (Êxo. 20:2). Esta é uma revelação de Sua graça. Segue-se a enunciação da lei nos vs. 3 a 17.

b) No Novo Testamento: Ante a mulher pecadora Cristo primeiro apresentou-lhe Sua graça perdoadora—“Nem eu tão pouco te condeno”. A seguir, apresenta-lhe a lei: “vai e não peques mais” (João 8:10, 11).

Assim, a obediência aos mandamentos de Deus (obras) não contraria o princípio de justificação pela fé somente, antes é sua conseqüência, situando-se no campo da santificação. Daí a declaração do apóstolo Tiago: “A fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tia. 2:17, cf. Efé. 2:10).

Conclusão: Como dois trilhos de uma ferrovia correm paralelamente e dão o equilíbrio necessário para o avanço da composição, assim se dá com a graça e a lei, a fé e as obras, a ação de Deus e a resposta do homem no processo de justificação, santificação até a glorificação final.

7)Um fator de incompreensão do tema das leis bíblicas é o que Paulo diz em 2 Coríntios 3 sobre “o ministério da morte, gravado com letras em pedras” em contraste com o “ministério da justiça”, pelo qual os cristãos se apresentam como cartas escritas “não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração” (vs. 8 e 3).

Paulo contrasta quem vivia sob “condenação”, por não ter obtido salvação em Cristo, com quem aceitara os termos do novo concerto, logo, tendo a lei divina, não só como letras gravadas em pedras, mas escrita no coração pelo Espírito de Deus, segundo a promessa desse novo concerto (Heb. 8:6-10). Davi fala de tal experiência no Salmo 40:8 e 119:11. E Paulo utiliza a mesma metáfora “tábuas de pedra/tábuas de carne” de Ezequiel 36:26, 27, com o que envolve todo o conteúdo do que constava da lei nas tábuas de pedra. Do contrário, o seu uso de tal ilustração nem faria sentido, pois Ezequiel não excluiu mandamento nenhum ao empregá-la primeiro.

Os que viviam sob o “velho concerto” eram os mesmos que Cristo tanto criticou, por se preocuparem mais com a letra “que mata” do que com o espírito da lei, como na prática do dizimar (Mat. 23:23). Cristo não os condenava por dizimarem, mas por se preocuparem tanto com as tecnicalidades do ato, no dividir o endro, a hortelã e o cominho, que perdiam de vista os aspectos espirituais da ordenança.

O ex-fariseu Paulo não viveu em época tão posterior à de Cristo, e conhecia bem a mentalidade de seus ex-companheiros de fé. Confundir a lei, que ele considerava santa, justa, boa, prazenteira, e à que servia, e “boa se alguém dela usar legitimamente” (Rom. 7:12, 14, 22, 25; 1 Tim. 1:8) com um “ministério da condenação” não faz sentido. Iria Deus mandar reunir Seu povo para o solene evento da entrega da lei, e oferecer-lhe uma lei de morte?! Ademais o problema desse “ministério de morte” não estava na lei, que é perfeita (Sal. 19:7), e sim no povo, que não percebia o caráter mais profundo e espiritual da mesma.

Conclusão: Deve-se entender a diferença entre “lei”, “concerto” e “ministério do Espírito” e “ministério da condenação” para perceber que Paulo não está diminuindo a importância da lei moral como norma de conduta cristã, em 2 Coríntios 3, e sim contrastando atitudes quanto à lei—viver sob o regime do velho concerto, mais preocupados com a letra, com a vida dos cristãos que compara com cartas escritas com o Espírito divino, tendo a lei, não como letras nas frias tábuas de pedra, mas registrada em seus corações aquecidos pela divina graça (ver Rom. 8:3 e 4 e Sal. 40:8). E ao utilizar a metáfora “tábuas de pedra/tábuas de carne” Paulo claramente pensa em termos de todo o conteúdo das tábuas de pedra transferido para as tábuas de carne do coração.

8)Longe de ensinar que o Novo Testamento representa um novo concerto sem a lei moral divina básica expressa nos Dez Mandamentos, em Hebreus 8:6-10 e 10:16 aprende-se que Deus escreveria as Suas leis nos corações e as imprimiria nas mentes dos que aceitassem os termos desse Novo Concerto (Novo Testamento). Estas são as “superiores promessas” do novo concerto, quando a divina lei é transferida das frias tábuas de pedra para ser gravada nos corações aquecidos pela graça (ver Heb. 8:6).

Note-se que essa “lei de Deus” é a mesma que constava da promessa original dirigida aos filhos de Israel em Jeremias 31:31-33 e não outra. O ônus da prova fica com quem negue este fato, claramente estabelecido nestes textos. Hebreus 10:16 confirma: Deus escreve a Sua lei nos corações de Seus filhos sob a nova aliança. Os leitores hebreus-cristãos da epístola entenderiam isto perfeitamente. E a promessa de assistência divina para obediência a essa lei acha-se também em Ezequiel 36:26, 27.

Ademais, em Hebreus 9:15-17 lemos que com a morte de um testador, fica selado o testamento, que não mais pode alterar-se. Logo, com a morte de Cristo, o divino Testador, não pode ter havido mudança, seja do sábado pelo domingo, seja do sábado pelo dianenhumismo/diaqualquerismo/tododiaísmo.

Conclusão: O contexto destes versos (capítulos 8 a 10 de Hebreus) claramente define que se aplicam ao Israel expandido, todos quantos na dispensação cristã são descendentes de Abraão pela fé (Gál. 3:7 e 29). Afinal, o novo concerto é agora disponível a todos, judeus e gentios, pois o muro de separação foi desfeito com a abolição da “lei cerimonial”—não da “lei moral”, pertencendo todos agora à “comunidade de Israel” (Efé. 2:11 a 22). Portanto, o tema da lei divina não é coisa do Velho Testamento. Pelo contrário, é componente fundamental do próprio Novo Testamento, por certo em seus aspectos morais, não cerimoniais.

[Conclui no próximo quadro]

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:24 am por Carlstadt

[Continuação do quadro anterior e conclusão do estudo]

9)Há quem ensine que a “lei de Cristo”, ou Seus mandamentos (como em João 14:15), nada tem a ver com o Decálogo sendo tal “lei de Cristo” a nova norma para os cristãos que traz somente nove dos 10 mandamentos da lei “antiga”, “caduca”, etc. (como se Cristo tivesse rompido com o Pai estabelecendo lei diferente). Embora fale repetidamente da “lei de Cristo”, Paulo também fala da “lei de Deus” com igual força de validade (comparar Rom. 7:22, 25; 13:8-10; com Gál. 6:2 e 1 Cor. 9:21).


Tiago fala da lei como baseada no amor, e a chama de “lei da liberdade” (Tia. 2:8-12). João fala da lei de Deus e de Cristo como se fossem uma só e a mesma, sem distinção, ao longo de suas epístolas, 1 e 2 João (ver, por exemplo, 1 João 2:7; 3:2-4; 21-24; 4: 7-11, 19-21; 5:1-3 e 2 João vs. 5 e 6).

No Apocalipse, o povo remanescente de Deus é caracterizado como os que “guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus” (Apo. 12:17 e 14:12). João descreve uma visão que teve do Templo de Deus, dentro do qual contemplou “a arca da aliança” (Apo. 11:19). Aqueles que conhecem sua Bíblia sabem que nessa arca foram guardados os Dez Mandamentos (Deu. 10:1-5). Por que a João foi mostrada essa “arca da aliança” num contexto claramente escatológico? É que ela representa o trono de Deus que se assenta sobre a justiça (a lei) e a misericórdia (o propiciatório).

Conclusão: Lei de Cristo e lei de Deus são uma só e a mesma. Disse Jesus: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Ele acentuou o princípio do amor a Deus e ao próximo como base de Seus mandamentos segundo os mesmos princípios básicos da lei de Deus desde o princípio (Deu. 6:5; Lev. 19:18, cf. Mat. 22:37-40). Para Paulo, estar “sob a lei de Cristo” é comparável a estar em harmonia com a lei de Deus (1 Cor. 9:21).

10)Ocorre às vezes um claro equívoco quanto ao teor dos debates de Cristo com os líderes judaicos sobre a validade de suas curas no sábado. Jesus SE DEFENDE da acusação de fariseus e saduceus (e certos religiosos contemporâneos da cristandade) de que violava o sábado esclarecendo ser LÍCITO (em harmonia com a lei) curar no sábado (Mat. 12:12). O que Cristo condenava não era a prática do sábado por eles, pois Ele próprio era um observador desse mandamento (Luc. 4:16), mas o espírito errado em que o praticavam. Por isso disse que “o sábado foi feito por causa do homem [não só do judeu] e não o homem por causa do sábado” (Mar. 2:27), além de declarar-Se “Senhor do sábado” (Mat. 12:8). O teor dos debates Dele com a liderança judaica não era quanto a SE deviam guardar o sábado, QUANDO deviam guardar o sábado, e sim COMO guardar o sábado no devido espírito.

Conclusão: Os líderes judaicos não pervertiam só o sentido do mandamento do sábado, mas também do 5º. mandamento, por exemplo (Mar. 7:8-10), como a prática do dizimar (Mat. 23:23), como visto acima. Cristo, porém, disse ao povo de Seu tempo que era para praticar o que eles diziam, embora sem seguir o mau exemplo deles de “faça o que eu digo, mas não o que faço” (ver Mat. 23:2 e 3). Entre as coisas certas que eles diziam estava a insistência na fiel observância do sábado (Luc. 13:14).

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:24 am por Carlstadt

[Continuação do quadro anterior e conclusão do estudo]

9)Há quem ensine que a “lei de Cristo”, ou Seus mandamentos (como em João 14:15), nada tem a ver com o Decálogo sendo tal “lei de Cristo” a nova norma para os cristãos que traz somente nove dos 10 mandamentos da lei “antiga”, “caduca”, etc. (como se Cristo tivesse rompido com o Pai estabelecendo lei diferente). Embora fale repetidamente da “lei de Cristo”, Paulo também fala da “lei de Deus” com igual força de validade (comparar Rom. 7:22, 25; 13:8-10; com Gál. 6:2 e 1 Cor. 9:21).


Tiago fala da lei como baseada no amor, e a chama de “lei da liberdade” (Tia. 2:8-12). João fala da lei de Deus e de Cristo como se fossem uma só e a mesma, sem distinção, ao longo de suas epístolas, 1 e 2 João (ver, por exemplo, 1 João 2:7; 3:2-4; 21-24; 4: 7-11, 19-21; 5:1-3 e 2 João vs. 5 e 6).

No Apocalipse, o povo remanescente de Deus é caracterizado como os que “guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus” (Apo. 12:17 e 14:12). João descreve uma visão que teve do Templo de Deus, dentro do qual contemplou “a arca da aliança” (Apo. 11:19). Aqueles que conhecem sua Bíblia sabem que nessa arca foram guardados os Dez Mandamentos (Deu. 10:1-5). Por que a João foi mostrada essa “arca da aliança” num contexto claramente escatológico? É que ela representa o trono de Deus que se assenta sobre a justiça (a lei) e a misericórdia (o propiciatório).

Conclusão: Lei de Cristo e lei de Deus são uma só e a mesma. Disse Jesus: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Ele acentuou o princípio do amor a Deus e ao próximo como base de Seus mandamentos segundo os mesmos princípios básicos da lei de Deus desde o princípio (Deu. 6:5; Lev. 19:18, cf. Mat. 22:37-40). Para Paulo, estar “sob a lei de Cristo” é comparável a estar em harmonia com a lei de Deus (1 Cor. 9:21).

10)Ocorre às vezes um claro equívoco quanto ao teor dos debates de Cristo com os líderes judaicos sobre a validade de suas curas no sábado. Jesus SE DEFENDE da acusação de fariseus e saduceus (e certos religiosos contemporâneos da cristandade) de que violava o sábado esclarecendo ser LÍCITO (em harmonia com a lei) curar no sábado (Mat. 12:12). O que Cristo condenava não era a prática do sábado por eles, pois Ele próprio era um observador desse mandamento (Luc. 4:16), mas o espírito errado em que o praticavam. Por isso disse que “o sábado foi feito por causa do homem [não só do judeu] e não o homem por causa do sábado” (Mar. 2:27), além de declarar-Se “Senhor do sábado” (Mat. 12:8). O teor dos debates Dele com a liderança judaica não era quanto a SE deviam guardar o sábado, QUANDO deviam guardar o sábado, e sim COMO guardar o sábado no devido espírito.

Conclusão: Os líderes judaicos não pervertiam só o sentido do mandamento do sábado, mas também do 5º. mandamento, por exemplo (Mar. 7:8-10), como a prática do dizimar (Mat. 23:23), como visto acima. Cristo, porém, disse ao povo de Seu tempo que era para praticar o que eles diziam, embora sem seguir o mau exemplo deles de “faça o que eu digo, mas não o que faço” (ver Mat. 23:2 e 3). Entre as coisas certas que eles diziam estava a insistência na fiel observância do sábado (Luc. 13:14).

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Mensagem em Qua Abr 21, 2010 10:26 am por Carlstadt

10 PONTOS PARA UM POSSÍVEL CONSENSO NO DEBATE SOBRE A LEI DIVINA

Depois de uma longa discussão num fórum evangélico já extinto, no tópico “A Eterna Lei de Deus” com o participante R.G., que seguiu uma linha de raciocínio semi-antinomista mais ou menos segundo o que acima expusemos, tentamos apresentar uma série de pontos buscando encontrar elementos de consenso. Infelizmente, apesar de nossa insistência, o referido debatedor não quis manifestar-se, esnobou nosso apelo para considerar estes pontos abaixo. Resolvemos, então submetê-los a nossos irmãos deste grupo esperando que sirva para alguma reflexão proveitosa.

Na introdução de tal estudo eu disse: “De tudo quanto foi discutido creio que poderíamos ressaltar 10 pontos muito importantes, sobre os quais gostaria de indagar objetivamente ao R.G. se estaria disposto a admitir e com eles concordar. Seria uma bênção se pelo menos nestes pontos pudéssemos ter um consenso. Ou poderemos trabalhar as diferenças sobre cada um desses 10 itens que impediriam dito consenso, com ele também apresentando, se necessário, itens de proposta de pontos de consenso”:

1) A questão da obediência aos mandamentos divinos, ou tudo quanto Deus ordena, não visará à salvação em qualquer medida. Entra no campo da santificação (ou a "perseverança dos santos"), e não no da justificação, pois a lei em si nada transmite em termos de justiça. Entender o papel da lei como meio de salvação seria um uso “ilegítimo” da mesma (1 Timóteo 1:8).

2) O fracasso espiritual de Israel, que motivou sua rejeição como “nação teocrática”, não estava na lei, que é “perfeita”, “santa, justa, boa, espiritual, prazerosa” (Salmo 19:7; Romanos 7:12, 14, 22) e sim na atitude de auto-confiança do povo (“tudo que o Senhor falou, nós faremos”) quanto às suas possibilidades de obedecê-la plenamente.

3) Jesus Cristo ressaltou os princípios básicos da lei divina como sendo “amor a Deus sobre todas as coisas” e “amor ao próximo como a si mesmo” (Mateus 22:36-40). Paulo o confirma em Romanos 13:8-10 e ambos estes princípios sempre foram reconhecidos pelos cristãos como a síntese da lei divina tanto na linha “horizontal” [criatura-criatura] quanto “vertical” [criatura-Criador] de relacionamento.

4) Há preceitos de caráter cerimonial, civil e moral na lei divina independentemente de ocorrer tal linguagem “técnica” nas páginas bíblicas, fato reconhecido por Confissões de Fé e autoridades cristãs de diferentes confissões do passado e do presente (como a “Confissão de Fé de Westminster” ou os “39 Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra”, por exemplo).

5) No sermão da montanha (Mateus 5 a 7), bem como no diálogo com o jovem rico (Mateus 19:16ss), ao Cristo tratar do verdadeiro espírito da lei Ele lembra que Deus leva em conta não só a mera obediência ao seu texto, mas as reais e íntimas intenções do indivíduo quanto a tal obediência.

6) Nenhum dos mandamentos do Decálogo tem aplicação limitada a Israel. O próprio princípio do sábado foi estendido aos “filhos dos estrangeiros” (Isaías 56:2-8), e todas as pessoas de todas as nacionalidades têm necessidade de um dia regular de repouso, daí porque “o sábado foi feito por causa do homem” (Marcos 2:27). As mais representativas Confissões de Fé históricas da cristandade protestante remontam o princípio do dia de repouso à criação no Éden.

7) No novo concerto os princípios básicos da lei divina são escritos por Deus nos corações e mentes dos Seus filhos, judeus ou gentios, nos moldes do que havia sido prometido ao antigo Israel em Ezequiel 36:26, 27 e Jeremias 31:31-33 (cf. Hebreus 8:6-10 e 10:16).

8) Nos debates de Cristo com os escribas e fariseus sobre o sábado Ele está corrigindo a prática extremada e insensível deles do mandamento, e não combatendo ou desqualificando uma norma estabelecida por Ele próprio como Criador e Legislador (ver Mateus 12:1-12; Heb. 1:2).

9) João na introdução do Apocalipse (1:10) refere-se ao “dia do Senhor” como sendo um dia especial que dedicava a Deus, pois fala sobre isso na introdução de seu livro, ao situar-se no espaço (“ilha de Patmos”--vs. 9) e no tempo (“no dia do Senhor”). Portanto, ele mantinha um dia especial de observância, como estabelecido no 4o. mandamento da lei divina e é fato reconhecido pelas mais representativas “Confissões de Fé” históricas da cristandade protestante, reiterado por importantes próceres, autores e mestres desse meio.

10) A igreja primitiva sofreu influências negativas e acatou práticas e ensinos condenáveis após a passagem dos apóstolos, segundo profetizado por Paulo (Atos 20:29, 30, 2 Tessalonicenses 2:7), Pedro (2a. Ped. 2:1-3), processo que já se manifestava ao tempo em que João descreve algumas das sete igrejas às quais ele se dirige no Apocalipse, capítulos 2 e 3.

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Mensagem em Sex Maio 07, 2010 2:48 pm por Atalaia

Os Protestantes e a Lei Moral

Autor: Gilson Medeiros


Uma pergunta que alguns normalmente nos fazem é: "Qual a melhor versão da Bíblia em português?".

Eu, particularmente, gosto muito da Almeida Revista e Atualizada. Outra boa opção é a Bíblia de Jerusalém (se não se levar em conta as "heresias" romanas embutidas).

Existem também algumas Bíblias com "estudos" adicionais. Uma das mais conhecidas é a "Thompson", objeto de desejo de muitos que "começam" a estudar teologia. Eu prefiro a Bíblia de Estudo de Genebra (da qual tenho um exemplar). Acredito que ela tenha mais ferramentas, que foram passadas por alto em outras Bíblias de Estudo.

O problema destas Bíblias com comentários (notas que explicam os versos) é que, na grande maioria das vezes - ou sempre, elas são tendenciosas, "puxando a sardinha" para o lado da corrente teológica do editor ou editora da versão. Isto acontece com QUALQUER tradução da Bíblia, infelizmente.

Logo na Introdução, o editor geral em inglês da Genebra (R. C. Sproul) diz o seguinte:
"Os peregrino e puritanos trouxeram a Bíblia de Genebra ao Novo Mundo. Colonos americanos [séc. XVII] foram educados na Bíblia de Genebra. Eles a leram, estudaram e procuraram viver por sua luz. Desde aquela época, uma grande quantidade de traduções para o inglês e de Bíblias de Estudo apareceram. Nenhuma dessas Bíblias de Estudo incorporou um resumo da teologia reformada. A nova Bíblia de Estudo de Genebra contém uma reafirmação moderna da verdade da Reforma em seus comentários e notas teológicas Seu propósito é apresentar a luz da Reforma de uma forma nova".

Como vemos, o editor considera esta Bíblia uma das mais sérias do mundo protestante.

O que me chamou a atenção há alguns meses (enquanto eu acompanhava um sermão de sábado na Igreja) foi uma nota teológica sobre 1João 3:7 (fica na pág. 1512), cujo título é "ANTINOMISMO". O título me chamou a atenção porque eu sei do significado do termo - quer dizer: "contrário à lei". Ai eu pensei: "o que será que eles vão inventar dessa vez, para combater a lei de Deus?".

Mas eu estava enganado!

A nota fez uma defesa tão profunda da importância de se guardar os 10 Mandamentos, que eu pensei até que algum Adventista é que tinha escrito o texto (rsrs).

Só para vocês terem uma idéia (podem ver o texto todo em alguma Bíblia de Genebra disponível em sua igreja)...

"Alguns dispensacionalistas [como alguns pentecostais, por exemplo] têm sustentado a idéia de que os cristãos, desde que vivem sob a dispensação da graça - e não da lei - não têm a necessidade de observar a lei moral em nenhuma etapa da vida. [Porém] Rom. 3:31 e 1Jo 6:9-11 mostram claramente que observar a lei é uma obrigação contínua dos cristãos...".

"A lei moral revelada no Decálogo [os 10 Mandamentos] e exposta em outras partes das Escrituras é uma expressão da integridade de Deus, outorgada para ser o código de prática para o povo de Deus, em todas as eras... O Espírito [Santo] concede aos cristãos o poder para cumprir a lei, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Cristo, o cumpridor arquetítipo [modelo] da lei (Mat. 5:17)".

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Mensagem em Sex Maio 07, 2010 3:42 pm por Atalaia

עשרת הדיברות - Assêret haDibrôt

Editado por Xan.

Quando se menciona Assêret haDibrôt, mais comumente conhecida como os Dez Mandamentos, algumas pessoas possuem uma falsa impressão de que existem Dez Mandamentos que foram separados como sendo os mais importantes da Torah, porém, na realidade a tradução correta de Assêret haDibrôt é "Dez Falas" ou "Dez Ditos", sendo que estes são dez princípios que incluem toda a Torah e seus 613 preceitos, inclusive estes dez.


As próprias letras de
Assêret haDibrôt demonstram este fato. Os Dez Mandamentos são escritos com 620 letras significando que D-us deu no Sinai os Dez Mandamentos que abrangem os 613 preceitos e as sete Leis de Nôach (Noé) totalizando 620.

É interessante notar que a soma dos números 6, 1 e 3, de 613 totaliza 10, mostrando também que as 613 mitsvot estão resumidas nos Dez Mandamentos que, automaticamente, estão fundamentados nos dois principais preceitos que Yeshua destacou incansavelmente em seus ensinamentos. A Torah e os profetas estão fundamentados nestes dois mandamentos. a saber:

Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. Mateus 22:37 / Deuteronômio 6: 5.

O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Mateus 22: 39 / Levítico 19: 18


Vejamos abaixo a ordem correta dos dez ditos determinados pelo Altíssimo:

1. Eu sou o Senhor, teu D-us, que te libertou da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de minha presença.

2. Não farás para ti imagem esculpida, nem nada semelhante ao que há nos céus acima, ou na terra embaixo, ou na água debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem os servirás; pois Eu Sou o Senhor, teu D-us – um D-us zeloso, que visita as iniqüidades dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração dos que aborrecem. Mas mostrarei bondade para centrenas de gerações àqueles que Me amarem e cumprirem Meus mandamentos.

3. Não jurarás pelo nome do Senhor teu D-us em juramento vão; pois D-us não absolverá ninguém que use Seu nome em vão. 


4. Lembra-te do dia de Shabat, para o santificá-lo. Por seis dias deverás trabalhar e cumprir todas tuas tarefas, mas o sétimo dia é Shabat de teu D-us; não deves fazer nenhum trabalho – tu, teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, teu animal, e o peregrino que estiver dentro de teus portões – pois em seis dias D-us fez os ceus, a terra, o mar e tudo que neles está, e Ele descansou no sétimo dia. Por isso abençoou o dia de Shabat, e o santificou.
5. Honrarás teu pai e tua mãe, para se prolonguem teus dias sobre a terra. 



6. Não assassinarás.

7. Não adulterarás.

8. Não furtarás.

9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

10. Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, e seu servo, e sua serva, e seu boi, e seu asno, e tudo que seja teu próximo.

Conclusão

Quem ama a YHWH de todo o coração:


1) Tem por único D-us a YHWH, isto é, o D-us de Israel.
2) Não faz ou adora ídolos.
3) Não pronuncia indevidamente o nome de YHWH.
4) Santifica o verdadeiro dia de repouso determinado por YHWH, o shabat.

Quem ama o próximo como a si mesmo:

1) Honra o pai e a mãe.
2) Não assassina.
3) Não pratica adultério.
4) Não furta.
5) Não mente ou dá falso testemunho.
6) Não cobiça os pertences dos outros.


O nome de YHWH é pronunciado em vão (indevidamente) quando o mesmo é citado em piadas (anedotas), juramentos falsos, etc.

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Mensagem em Sab Maio 08, 2010 4:16 pm por Eduardo

Ton escreveu:Aos 18 anos fiz um estudo particular e a "olho nu" sobre "As Cartas de Paulo e a Lei". Entre os 229 Trechos que, de alguma forma, estão relacionados à Lei, 164 deles são favoráveis à Ela, e 65 deles desfavoráveis, aparentemente. Ou seja, mais de 70% dos Textos Paulinos relacionados à Lei, "ventam" favoravelmente à Ela.
Como boa parte do NT são cartas escritas a gentios, como a de Tito (prosélito grego que creu em JESUS como Messias), podemos concluir que desses 13,2% da Bíblia que não falam aos judeus, mais de 70% é favorável à Torah das Escrituras.
O mau de tudo, no que se refere a esse assunto é que ... as pessoas pensam que a "Perseverança dos santos" se referem apenas em "Ter Fé em JESUS", e esquecem que DEUS ainda continua apelando à "Guarda de Seus Mandamentos" (Ap 12 e Ap 14).
Ton, esses 65 trechos que parecem negar o uso teonômico da Lei de Deus hoje tendem a cair em quatro classes:
• Classe 1: Aquelas que renunciam a Lei como um meio de justificação.
• Classe 2: Passagens enfatizando a natureza mortífera do pecado na forma como este se relaciona com a Lei.
• Classe 3: Aquelas pertencentes aos aspectos cerimoniais temporários da Lei.
• Classe 4: Passagens que simplesmente são interpretadas de uma forma errônea.

http://www.monergismo.com/textos/lei_evangelho/supostas-passagens-negativas-lei-Deus_k-gentry.pdf

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Mensagem em Sab Maio 15, 2010 10:09 pm por Eduardo

“TODOS OS QUE GUARDAM A LEI ESTÃO DEBAIXO DE MALDIÇÃO”
Esta frase é muito comum no meio evangélico dos nossos dias. Entretanto, ela não reflete a veracidade do texto de Gálatas 3:10, que diz:
“Todos aqueles que são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque escrito está: maldito todo aquele que permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei para fazê-las”.
Esta expressão, “livro da lei”, cristalinamente identifica que a lei focada por Paulo é a Lei cerimonial, pois que esta foi, de fato, escrita num livro (Deut. 31:24); ao passo que a Lei Moral o foi em pedras. Êxo. 31:18.
Já que a Lei Cerimonial foi abolida na Cruz (Col. 2:14; Dan. 9:27), descarte-mo-nos dela para afirmar: a Lei Moral não é, não contém, não traz maldição. Porém, a sua transgressão, sim, produz maldição sobre o transgressor.
É diferente estar sob a autoridade da lei e sob a maldição da lei. Há um abismo enorme entre ambas.
Assim sendo, se observarmos a Lei Moral, estaremos sob sua autoridade. Mas, se a transgredimos (ainda que só um mandamento) estaremos sob maldição (morte eterna). Efetivamente, quem obedece em parte, está transgredindo.

“AFINAL, QUEM SÃO OS 144.000?” Apocalipse 7:4; 14:1-4
• Somente será este o número de salvos?
• São esses salvos as primícias dos mortos ou dos vivos por ocasião da vinda do Senhor?
• São esses salvos primícias de toda a seara?
• São esses os representantes universais dos salvos?

Se Deus tivesse predestinado somente 144.000 para se salvarem, Jesus não precisaria ter vindo ao mundo, pois este número já teria sido completado nos 4.000 anos antes dEle, e de fato, não se contaminaram com mulheres (igrejas).
Os milhões de mártires mortos por causa de Cristo e do evangelho superam em muitos os 144.000. E eles também não se contaminaram com mulheres (igrejas), pois morreram justamente para isto evitar.
As crianças mortas por Herodes foram os primeiros mártires que morreram por Cristo Infante e estas não se contaminaram de nenhuma maneira.
– É impossível somente 144.000 serem os salvos!
Se Deus aprouve escolher 144.000 dentre os milhões de salvos para uma função e deleites especiais, alegremo-nos, eles bem o merecem. Se você e eu formos compôr este grupo, ou se morrermos como mártires nos fogos dos últimos dias, Ele nos dará a força e fé de mártir. O importante mesmo é estarmos entre os salvos. Sentir-me-ei honrado em estar num lugar onde haja 144.000 privilegiados pelo Senhor por causa da tremenda experiência que tiveram. Por isso, só eles entoam o cântico de Moisés e do Cordeiro, “pois é o cântico de sua experiência e nunca ninguém teve experiência semelhante.” – O Grande Conflito, pág. 646:3, Ellen G. White.
De minha parte somente haverá alegria, muita felicidade, e nem uma pontinha sequer de inveja por este grupo maravilhoso de pessoas que se deram pelo evangelho de Cristo, depondo a vida como mártir.
– Quem sabe os 144.000 (primícias) irão ficar dentro da Santa Cidade e a cada Sábado recepcionarão os salvos (seara-massa) vindos de toda a Terra? Isaías 66:22 e 23.
“E, se as primícias são santas, também a massa o é...” Rom. 11:16.

JESUS DEU UM NOVO MANDAMENTO
João 13:34:
“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos amei.”
Eis o contexto divino:
Levíticos 19:18:
“... Mas amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
Novo mandamento, não é um mandamento novo, pois como vê, ele já existia desde o início do mundo. O exemplo de Cristo na maravilhosa dimensão adicional de Seu amor é o que há de novo neste mandamento.
“Era como se o Salvador estivesse dizendo: Antes disso, foi vos ordenado que amasseis o próximo como a vós mesmos. Agora precisais compreender que amar aos outros como a vós mesmos significa olvidar o próprio eu.” – Lição da Escola Sabatina, pág. 57 - 4º trimestre, 1988.
Amor sem reservas, vestido com roupa de trabalho, é o amor que temos de dar ao próximo. Este é o ‘velho’ novo mandamento.

A FAMOSA TABELINHA
Nos múltiplos livros que combatem os Adventistas, há uma insistente tabelinha referindo-se aos mandamentos da Lei Moral, como sendo repetidos no Novo Testamento, menos o mandamento do Sábado. Daí, asseguram: o Sábado está nulo.

VELHO TESTAMENTO
1. Não terás outros deuses diante de Mim (Êxo. 20:3).

2. Não farás para ti imagens de escultura... não te curvarás diante delas nem as servirás (Êxo. 20: 4-5).
3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o Seu nome em vão (Êxo. 20: 7).
4. Lembra-te do dia de Sábado para o santificar (Êxo. 20:8).
5. Honra a teu pai e a tua mãe (Êxo. 20:12).

6. Não matarás (Êxo. 20:13).
7. Não adulterarás (Êxo. 20: 14).

8. Não furtarás (Êxo. 20: 15).
9. Não dirás falso testemunho (Êxo. 20:16).
10. Não cobiçarás (Êxo. 20: 17).


NOVO TESTAMENTO
1. Nós vos pregamos que vos convertais destas vaidades ao Deus vivo, que fez o Céu, a Terra e o mar (Atos 14: 15).
2. Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (I S. João 5: 21).

3. Mas acima de tudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo Céu, nem pela Terra, nem por qualquer outra coisa (Tiago 5: 12).
4. Não há mandamento em todo o Novo Testamento para guardar o sétimo dia.
5. Filhos, obedeceis a vossos pais no Senhor, pois isto é justo (Efé. 6: 1).
6. Não matarás (Rom. 13: 9).
7. Nem fornicários..., nem adúlteros... herdarão o reino de Deus (I Cor. 6: 9-10).
8. Não furte mais (Efé. 4: 28)
9. Não mintais (Col. 3: 9).
10. Cobiça não haja entre vós (Efé. 5: 3).


Meu amado, leia novamente cada comparação desta tabelinha. Por favor, confira com o que está escrito à página 133. Agora leia:

S. Lucas 4:16 – “E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de Sábado, segundo o Seu costume, na Sinagoga, e levantou-Se para ler”.

I Pedro 2:21 – “Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais Suas pisadas”.
Jesus por 33 anos guardou o Sábado. Agora ouça o que Ele afirmou para um evento a ocorrer 39 anos após Sua ressurreição – a destruição de Jerusalém:

Mateus 24:20 – “Orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no Sábado”.
Texto por texto, qual tem mais peso? Usando a regra da tabelinha, esta preocu-pação de Jesus em não transgredir o Sábado, não é a favor deste santo mandamento?
Os discípulos foram obedientes. Veja: Lucas 23:54-56 –“E era o dia da preparação e amanhecia o Sábado. E as mulheres que tinham vindo da Galiléia seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o Seu corpo. E, voltanto elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no Sábado repousaram conforme o mandamento.”
Isto foi escrito trinta e três anos após a destruição de Jerusalém. Viu!?

O PADRE FIEL
Dois rapazes cristãos, observadores do domingo, estavam viajando em um trem. À frente deles sentado, achava-se um Padre. Decidiram pregar-lhe o evangelho.
– Padre, disse um, o senhor está errado, pois a Bíblia é contra imagens.
– Onde está escrito isso filho? Replicou o Padre.
– Na Lei de Deus, disse o moço. Abriu a Bíblia em Êxodo 20, e leu o verso 4.
– Filho, disse o Padre, leia o verso 5. O jovem o leu.
– Agora o 6, voltou à carga o Padre. O jovem o leu.
– O 7 também!
– O 8 agora, arguiu o Padre.
– Ao invés de ler o verso 8, o jovem pulou para o 12. Retrucou o Padre: Leia o 8 filho. Disse o jovem: Este não preciso ler, foi abolido.
Em meio ao silêncio que se fez, o Padre arrematou:
– Filho, toda vez que você se olhar no espelho, verá um mentiroso.

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Mensagem em Sab Maio 15, 2010 10:11 pm por Eduardo

ABOLIDO O VELHO TESTAMENTO?
Muitos sinceros cristãos estão afirmando que o Antigo Testamento foi abolido. Por exemplo, o Pastor Antenor Santos de Oliveira (pentecostal), afirmou em seu livro, o seguinte:
“Se o mundo todo evangélico viesse me dizer que o Velho Testamento não foi abolido, eu ficaria com o que a Bíblia me diz, através das palavras claras do apóstolo Paulo em II Cor. 3:6-16, onde mostra a sua abolição.” – Adventismo do Sétimo Dia, pág. 43. Grifo meu.
Sobre II Cor: 3:6-16, por favor, leia o capítulo: OS DOIS CONCERTOS. Ali tentei explicar o assunto minuciosamente. Agora, ouça isto:
Efésios 2:20
“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos (Novo Testamento) e dos profetas (Antigo Testamento), de que Jesus Cristo é a principal Pedra de esquina.”
II Pedro 3: 2
“Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas (Antigo Testamento), e do mandamento do Senhor e Salvador, mediante os vossos apóstolos (Novo Testamento).” Bastante claro, não!?
Jesus repeliu a Satanás utilizando as Escrituras do Antigo Testamento (Mat. 4:4 – Deut. 8:3). (Mat. 4:7 – Deut. 6:16). (Mat. 4:10 – Deut. 6:13; 10:20). O Mestre ratifica a verdade. Aleluia! O Antigo Testamento é o fundamento. É como uma casa, sem fundamento não se pode construir. Mas, depois da casa pronta o fundamento jamais ficará inutilizado. Pelo contrário, não é?! Sem fundamento, nada se constrói.
Moisés profetizou a vinda de Cristo (Deut. 18:15,18). Pedro e Estêvão a confirmaram (Atos 3:22; 7:37). E o Senhor Jesus disse:
João 5: 39
“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de Mim testificam.”
• Quando Jesus falou isso, qual Escritura havia?
– Somente o Antigo Testamento!
• Qual a Escritura que testifica de Jesus? – O Antigo Testamento!
“O Novo testamento é uma árvore, cujo tronco é Jesus e cujas raízes afundam no Antigo Testamento”.
PROFECIAS CUMPRIDAS POR JESUS
VELHO TESTAMENTO
NOVO TESTAMENTO
Gênesis 1: 27; 2: 24Mateus 19:3-8
Gênesis 6 e 9 Lucas 17:26-30
Gênesis 15:4-6; 18:11 Romanos 4:3; 9:21
Gênesis 1:3-26; 4:4; 5:24; 6:13,22; 12:14 Hebreus 11:3-22
Miquéias 5:2Mateus 2:1
Isaías 11:1Atos 13:22,23
Isaías 9:6,7 Lucas 1:31,32
Isaías 7:14 Mateus 1:18-23
Salmo 89:4; 34-37 Lucas 1:32-33
Zacarias 9:9 Mateus 21:1-9
Isaías 40:3; Malaquias 3:1 Mateus 3:1-3; 11:7-10
Isaías 61:1Lucas 4:16-19
Isaías 9:1-2 Mateus 4:13-17,23
Isaías 49:6; 42:6Lucas 2:27-32
Salmo 110:4 Hebreus 7:24; 5:10
Isaías 40:11 João 10:11,14
Salmo 69:8 João 1:11; 7:3-5
Salmo 69:9 João 2:13-17
Salmo 69:4 João 15:24
Zacarias 11: 12-13 Mateus 27:5
Zacarias 13: 7Mateus 26:31
Isaías 50:6 Lucas 22:63-64
Miquéias 5:1 Mateus 27:30; 26:67
Salmo 22:7,8 Mateus 27:39,43
Salmo 22: 16; Zacarias 13:6 João 19:18; 20:25
Salmo 22:18 Mateus 27:35
Daniel 9:26; Isaías 53:9 Lucas 23:46
Salmo 16:10Lucas 24:6-7; Atos 2:24-27
Isaías 53:12 Lucas 22:37

Ademais, o Novo Testamento faz 637 referências ao Antigo Testamento.
Por isso, é elementar: O Velho Testamento jamais perderá o seu valor. De suas páginas emanam salvação (“...vós cuidais ter nelas a vida eterna...”) João 5:39.
Assim, as duas testemunhas de Deus (Apoc. 11), ou seja: O Antigo e Novo Testamentos, jamais cairão em desuso. O novo não pode existir sem o antigo, e este não terá valor sem o novo. Daí Paulo afirmar: “Toda a Escritura é divinamente inspirada...” II Tim. 3:16. Portanto, só nos resta concluir: O Pastor Antenor, é como tantos outros, sinceros, porém – precipitados.
Uma doutrina não pode ser assentada sobre um verso apenas. Um texto tem que ser dissecado pelo contexto. O capítulo, pelo contexto do capítulo. O livro, pelo contexto de toda a Bíblia. Por favor, meu querido irmão, nunca esqueça: O radicalismo obscurece a visão espiritual impedindo-a de ver luzes brilhantes.
Quanto ao mais, Jesus Cristo que é a Verdade, afirmou: “...e a Escritura não pode ser anulada”, João 10:35. Referia-se Ele as Escrituras do Antigo Testamento, pois o contexto o diz claramente (verso 34); a referência leva-nos ao livro de Salmos, que, efetivamente, é Escritura do Antigo Testamento. Portanto, quem diz que não pode ser anulado o Antigo Testamento, é o Salvador Jesus Cristo, não é?

AFINAL, POSSO OU NÃO COMER TUDO?
Certo pastor pregava à sua igreja: “Podemos comer tudo o que nosso coração desejar, pois Deus assim autorizou”. Depois abriu a Bíblia para confirmar, e leu:
Deuteronômio 12: 15
“Porém, conforme a todo o desejo da tua alma, degolarás e comerás carne segundo a bênção do Senhor teu Deus, que te dá dentro de todas as tuas portas; o imundo e o limpo dela comerá, como de corço e do veado.”
No mesmo livro de Deuteronômio há outros textos que podem ajudar aquele pastor em seu raciocínio. Ei-los:
Deuteronômio 15: 22
“Nas tuas portas o comerás; o imundo e o limpo o comerão juntamente como da corça ou veado.”
Deuteronômio 12:22
“Porém, como se come o corço e o veado, assim o comerás; o imundo e o limpo juntamente comerão dela.”
Inicialmente temos a admitir que aquele amado Pastor não discute a existência de animais imundos e limpos. Sua dificuldade está em saber deveras o que é um e o que é outro. Também certo é que corça ou veado são animais limpos (Deut. 14:4-5).
Porém, podemos assegurar que a declaração do pastor é um equívoco sincero. Uma afirmação não aprofundada no que diz o Senhor.
Ele entende que, pelo fato do verso mencionar LIMPO e IMUNDO, tudo agora é lícito comer. Ele não compreendeu bem o texto bíblico e está induzindo a igreja ao caminho errado, lamentavelmente. Veja bem o que diz a Bíblia!
Primeiro: Deus fez separação entre os animais, aves e peixes:
a) – limpos: Lev. 11:3,9.
b) – Imundos: Lev. 11:4-8, 10-20,29-30, 41-42.
Segundo: Qualquer pessoa que tocasse em algum cadáver de homem ou de animal, também ficava imunda (Lev. 11:24-28, 31, 39-40; 5:2. Núm.19: 11,13, 17. Isa. 52:1).
Terceiro: Qualquer objeto que tocasse algum cadáver de homem ou animal, igualmente ficava imundo (Lev. 11:32-35,38).
Quarto: A casa, também os terraços, onde se queimava incenso aos deuses pagãos (Sol – Lua – estrelas – ídolos de pau e de pedra), tornavam-se imundos (Jer. 19:13).
Por conseguinte, como não há contradição na Bíblia, tudo se esclarece colocando-se a palavra – HOMEM – no texto apresentado pelo pastor. Vamos colocar?
Deuteronômio 12: 15 – Porém, conforme a todo o desejo da tua alma degolarás e comerás carne segundo a bênção do Senhor teu Deus, que te dá dentro de todas as tuas portas; o (HOMEM) imundo e o (HOMEM) limpo dela comerá.”
Para que não fique nenhuma dúvida quanto a veracidade do assunto, estes textos finais possibilitam melhor o entendimento.
II Crônicas 23: 19 – “E pôs porteiros às portas da casa do Senhor, para que não entrasse nela ninguém imundo em coisa alguma.”
Ageu 2: 13 – “E disse Ageu: Se alguém, que se tinha tornado impuro pelo contato com corpo morto, tocar nalguma destas coisas, ficará isso imundo? E os sacerdotes, respondendo, diziam: Ficará imunda.”
– OS ANIMAIS IMUNDOS
Não podem ser comidos por homens limpos nem homens imundos.
– OS ANIMAIS LIMPOS
Podem ser comidos por homens limpos e imundos.
LEMBRE-SE: Jesus não morreu para purificar nenhum animal imundo.
VINHO, COM OU SEM ÁLCOOL
Recentemente sintonizei a Rádio Copacabana e um dos pastores fazia o seguinte convite: “Amanhã em Copacabana vamos distribuir vinho. É bíblico. Paulo mandou Timóteo tomar um pouco de vinho. Portanto é bíblico e vamos em uma mesa redonda distribuir um cálice de vinho.”
Que pena! Que perigo tremendo correm aqueles irmãos que, sinceramente, seguem um líder que não está usando a Bíblia corretamente. “É bíblico...”, disse ele.
Uma pessoa para se viciar em alguma coisa nociva, basta apenas começar. Está, pois, ele, abrindo um precedente de repercussões negativas incalculáveis. (Imagine um crente que foi alcoólatra!... Será fatal apenas um cálice!).
Do ponto de vista cristão, nenhuma bebida alcoólica deve ser ingerida seja por prazer ou para saciar a sede. Não existe no álcool nenhum elemento terapêutico ou medicinal, a não ser, externamente.
As pesquisas modernas têm demonstrado que até mesmo uma pequena quantidade de álcool, na corrente sanguínea, matam células cerebrais, e estas são as únicas que não se recompôem.
Por isso que, quando Paulo orientou Timóteo a usar um pouco de vinho (I Tim. 5:23), creio sinceramente fosse o puro suco da vide, extraído de uvas frescas.
Paulo não apoiava o consumo de bebidas alcoólicas, razão porque afirmou: “Nosso corpo é o templo do Espírito... quem o destruir, Deus o destruirá no último dia.” I Cor. 3:16-17.
Paulo coloca o hábito da bebedice no mesmo patamar da imoralidade, idolatria e feitiçaria. Gál. 5:21. Nunca esqueça: o socialmente!

FOLHAS DA ÁRVORE... PARA SAÚDE DAS NAÇÕES? Apoc. 22:2
Antes do pecado, o homem comia do fruto da Árvore da Vida, para nunca ficar doente nem morrer. Ao pecar, Deus proibiu esse ato para que o homem não se tornasse um pecador imortal. Gên. 3: 22, 24. O homem possuia o livre arbítrio.
Só Deus é imortal, sem princípio e nem fim. O homem o seria sob condições. Após a erradicação do pecado e com a Terra renovada, tudo voltará a ser como era no Éden. O homem continuará a comer do fruto da Árvore da Vida, de suas folhas fará deliciosos chás e terá o livre arbítrio, pois não é do caráter divino criar autômatos.
Como já não mais existem anjos maus, e os salvos conhecem o preço da transgressão, o pecado “não se levantará segunda vez” (Naum 1:9). Aleluia!
TODO MILAGRE É DE DEUS?! PODE-SE CONSULTAR TODO
FAZEDOR DE MILAGRES?

Alto lá! Ainda há profeta em “Israel” (II Reis 5:8).
Mateus 12:26-28: “E, se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? E, se Eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam então vossos filhos? Portanto, eles mesmos serão os vossos juizes. Mas, se Eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o Reino de Deus.”
Marcos 9:38-40: “E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em Teu Nome expulsava demônios, o qual não nos seguem; e nós lho proibimos, porque não nos segue. Jesus, porém, disse: Não lho proibas; porque ninguém há que faça milagre em Meu Nome e possa logo falar mau de Mim.”
Estes textos não estão franqueando a nenhum transgressor da Lei de Deus a fazer o que bem entenda em Nome de Jesus; e muito menos estão autorizando ao crente ir em busca de tais transgressores para qualquer consulta, levados pela “corrente” dos “milagres” daqui e dali.
Existe, no momento, uma onda avolumante de cura, em igrejas romanas (em nome de vários santos), centros umbandistas e igrejas evangélicas. Em algumas, a oração da fé é precedida de canções de Rock And Roll, cantadas por conjuntos que, inclusive, estiveram no Rock In Rio. Apenas trocam a letra.
Ouça o que disse um famoso roqueiro: “O diabo é o pai do rock”. Raul Seixas. Folha de São Paulo, 12/8/91. (Quem duvidar, ouça qualquer disco de rock em rotação invertida).
Se o diabo é o pai do rock, pode muito bem iludir pessoas com seus milagres, curas, sinais e prodígios de mentira, ao sabor destes cânticos.
Bem, negar tais fatos é não querer ser sincero. E aceitá-los não é menosprezar ninguém. É tão somente aceitar a verdade. (Uma vez perguntaram a Mohamed Ali: “Quem é o maior pugilista do mundo?” – Ele respondeu: “Sou eu!”. Ele foi apenas sincero. Naquela época, era verdade mesmo!).
Jesus Cristo tinha muitos discípulos além dos doze apóstolos. Muito embora estes não pertencessem ao círculo íntimo dos doze, eram discípulos. Certamente se Jesus aprovou o ato daquele exorcista (Marcos 9:38-40) é porque efetivamente ele era um condiscípulo (João 11:16). Embora não estivesse entre os doze, fatalmente comporia a Igreja Apostólica a surgir e se enquadraria perfeitamente a todos os mandamentos de Deus.
Porém, não podemos generalizar todos os acontecimentos parecidos. Aquela era uma época, hoje é outra. Era o nascimento da incipiente Igreja Cristã. Muitos estavam aceitando a Jesus como o Messias e o tentar realizar Seus milagres, não sendo do grupo dos doze, era prova de que tais pessoas seguiam a Jesus de longe. Veladamente eram Seus discípulos, e, na oportunidade certa tomariam posição firme ao lado do Senhor, uniformizando suas vidas a toda verdade bíblica. Por que não? – Pedro só se converteu quase três anos após ser chamado, apesar de estar diariamente com o Mestre.
Pois bem, não havendo igreja organizada, deu-se o aparecimento de seguidores isolados de Jesus desejando operar Seus milagres, porque isto os fascinavam. Creio que eles tentavam operar milagres não por desejo de ganho nem por piedade dos sofredores, mas porque estavam maravilhados com o que nunca presenciaram. Certamente tais fatores contribuiram para a aprovação de Jesus.
Posteriormente, o próprio Senhor estabeleceu Sua igreja, determinou os regulamentos e incentivou os discípulos à obediência (Mat. 5:17-18; Mat. 24:20). Efetivamente a prova de discipulado fiel é fazer a vontade de Cristo consoante obediência irrestrita a todos os reclamos da Bíblia. Quem, pois, tendo tal testemunho, fizer algum milagre em Nome de Jesus, podemos ter a certeza de que provém de Deus, com a aprovação do Mestre.
Porém, nunca esqueça o que disse Jesus:
“Muitos Me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu Nome? E em Teu Nome não expulsamos demônios? E em Teu Nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade.” Mateus 7: 21-23.

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Mensagem em Sab Maio 15, 2010 10:12 pm por Eduardo

“EU COMO TUDO PORQUE O QUE DEUS FEZ É BOM”
Sim, realmente é bom o que Deus fez, mas, para o fim que Deus criou. Exemplo: minhoca é boa, mas não para se comer e sim fertilizar a terra. Urubu é tão bom e útil que é proibido por lei matá-lo. Por conseguinte, ao afirmar o Senhor que “tudo é bom” não foi para que nós hoje nos valhamos disto para satisfazer nossa vontade. Esta deve ser submetida à vontade do Senhor.

“A CARNE DE PORCO NÃO IMPLICA NA MINHA SALVAÇÃO”
Deus quer que tenhamos boa saúde (III S. João 2), porque nos comprou com Seu sangue (I Cor. 6:20), e espera que sejamos puros (Rom. 12:1), para nos constituirmos realmente na morada do Espírito Santo. I Cor. 3:16.
Se alguém, pela ingestão de carnes imundas (Lev. 11; Deut. 14), se torna impuro, Deus nele não pode morar, e pior, será destruído no último dia. I Cor. 3:17.
Por exemplo, Deus Se “irrita” com os comedores de porco (Isaías 65:3-4). Também os consumirá (Isaías 66:17 – compare com os versos 22-23). Veja, Deus está falando que os comedores de carne de porco ficarão fora da Nova Terra. Isso merece, portanto, sua reflexão plena. Implica ou não na salvação?
Por que a carne de porco não é consumida nos hospitais? Deut. 14:8.
Uma vez ouvi: “A diferença do urubu para o porco é que um voa e o outro anda sobre patas.” – De fato, a função de ambos é a limpeza da terra.

CABELO OU VÉU!?
O incansável Paulo é quem fala sobre o véu, e apenas mencionou-o na problemática Igreja de Corinto (I Cor. 11:5,6,10,13); e mais em nenhuma outra epístola; e mesmo em todo o Novo Testamento, nada há a respeito, nem outros apóstolos ou o Senhor Jesus a ele Se referiram.
Não discuto que estes textos homologuem tal prática, porém trata-se de um assunto inteiramente regional e bem pessoal da igreja corintiana. Tanto é verdade que Paulo afirmou que as igrejas de Deus e ele mesmo, não tinham o costume de usar véu (I Cor. 11:16), e de fato não tinham mesmo, como hoje não têm.
Dessa maneira, não se deve andar por aí com um metro para medir cabelos ou reverberar que a mulher não o pode aparar, e que ela precisa usar véu.
Ora, o que Deus abomina é a confusão de sexo.
Homem tem que ter cabelos de homem e mulher cabelos de mulher. Homem tem que se trajar como homem e mulher vestir-se como mulher. Não pode o homem ter cabelos que, virado de costa, dê a entender tratar-se de uma mulher ou vice-versa (pelo menos em nossa época, porque Jesus usou cabelos e vestes longas; era o costume; ainda hoje os orientais se trajam assim; é o costume de sua região). Mas no Brasil, o cabelo do homem é curto e o da mulher, longo. Logicamente, a calça comprida é para o homem apenas e o vestido e saia, para a mulher somente.
Quanto ao cabelo da mulher, notório é que ele se torna forte e viçoso aparado (nunca rente, para evitar a confusão de sexo, isto é: não pareça com corte masculino); ademais o asseio é mais fácil, bem como em clima tropical ou épocas quentes é menos angustioso para a mulher evitar aqueles cabelos enormes.
Além do que, tais cabelos não rejuvenescem, por falta de corte. (Uma senhora ou senhorita que tenha o cabelo cortado e que a faça permanecer feminina de frente e de trás, tem liberdade, segurança, comodidade, e, se seu coração for puro para com Deus, eis aí uma “israelita em quem não há dolo” ).
– E o véu? Não é necessário!
– Por quê?
– Porque o cabelo lhe foi dado em lugar do véu. Leia I. Cor. 11:15.

ÓSCULO SANTO – PAZ DO SENHOR
Ósculo e Paz do Senhor estão na Bíblia? – Sim! Então, eu creio.
Antes, porém, devo dizer que há grande diferença entre mandamento e conselho, bem como deve-se analisar as implicações de determinados dogmas, se aplicados em nossa época.

“SAÚDO A IGREJA COM A PAZ DO SENHOR” – “A PAZ DO SENHOR” – “A PAZ” – “SAÚDO OS IRMÃOS COM A SANTA PAZ DO SENHOR”
Estas quatro expressões, muito usadas hoje no meio pentecostal e nas igrejas renovadas, ainda que singelas, não são bíblicas. Mas, não há nenhum mal se usar. Eu mesmo saúdo os irmãos pentecostais como eles gostam, e me sinto muito bem. Realmente há uma saudação bíblica que era comum a certos apóstolos ao escreverem suas epístolas à igreja, por exemplo:
“Graça, misericórdia e paz” (I Tim. 1:2). “Paz seja com os irmãos” (Efé. 6:23). “Graça e paz a vós outros” (I Tess. 1:1; Fil. 1:2; II Tess. 1:2; Apoc. 1:4). “A paz seja contigo” (III João 15). “Graça e paz vos sejam multiplicadas” (II Ped. 1:2). “A misericórdia, paz...” (Jud. 2), etc.
O próprio Senhor Jesus, as únicas vezes em que saudou os discípulos, o fez com a expressão: “Paz seja convosco” (Luc. 24:36; João 20:21,26).
Portanto, a saudação bíblica é: “Paz seja convosco”.
Não esqueçamos, porém, que o crente deve ter paz (João 14:27); viver em paz (I Tess. 5:13; II Cor. 13:11); transmitir paz pelo exemplo, palavras, ações, e sua vida ser a própria paz. Amado irmão, “paz seja convosco”. A paz do Senhor!
ÓSCULO SANTO
Ósculo é beijo.
Ainda que aparentemente fosse um costume na Palestina, é apenas mencionado na Bíblia seis vezes. Uma pelo apóstolo Pedro, quatro por Paulo, e uma vez por Jesus, ao Se referir a Maria Madalena, quando Lhe enxugava os pés com os cabelos. Disse o Senhor: “Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de Me beijar os pés.” Luc. 7:36-50.
Nota-se, pelo ocorrido, que o ósculo era um hábito raro, ou praticado esporadicamente, pois depreende-se do texto focado que Jesus entrou na casa de Simão (Luc. 7:44,45) e não recebeu ósculo. E Maria “osculou” os pés de Jesus.
Assim pergunto: O ósculo é realmente necessário? É um conselho? Doutrina? É nos pés, na mão, no rosto ou nos lábios? E mais: é irmão com irmão, irmã com irmã, ou ambos? (O beijo na face que as irmãs sempre se dão hoje, quando se encontram, é ósculo ou um costume?).
Nesta parte da religião, amado, temos que ser criteriosos.
Certa vez, fui obrigado a conversar com alguns rapazes de nossa igreja pois eles estavam introduzindo “uns” beijos na face de nossas jovens, e fiquei triste em fazê-lo, pois agiam eles com a maior naturalidade e inocência. Entretanto, vislumbrei que Satanás poderia arranjar uma brecha para mandar sua tentação.
Outrossim, tal hábito é o costume mundano dos artistas, dos viciados, dos impuros. Basta ver na TV, na rua e por aí afora. É o “primo” da tal “amizade colorida”. Devemos evitá-lo, substituindo-o por um caloroso aperto de mão e um festivo abraço ao irmão, e apenas um leve e rápido aperto de mão à irmã, “abstende-vos de toda a aparência do mal...” I Tess. 5:22.

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Mensagem em Ter Maio 18, 2010 10:02 pm por Eduardo

Jesus Aboliu as Leis de Saúde do AT?

Por: Gilson Medeiros



Desde a Criação, Deus demonstra o interesse de que o homem tenha uma alimentação saudável e eficaz, visando suprir as necessidades calóricas diárias. Vemos que o alimento destinado ao homem era o mais natural possível, constituído apenas de produtos de origem vegetal – sementes, frutas, castanhas (cf. Gên. 1:29; 2:8-9). Era propósito de Deus que o ser humano tivesse uma alimentação natural, por ser de melhor qualidade – como a Ciência já comprova amplamente em nossos dias; basta ver a grande incidência de doenças entre as comunidades consumidores de grande quantidade de produtos de origem animal.

Após o dilúvio, devido à escassez de alimentos vegetais, o Senhor permitiu que o homem comesse carne, que deveria durar apenas um período curto de tempo, mas que se transformou no principal alimento da humanidade.

Para evitar uma maior contaminação por doenças, o Senhor determinou algumas diferenças entre os animais limpos e imundos, evitando que Seu povo padecesse de toda a sorte de enfermidades que afligiam as outras nações. Esta diferenciação entre os animais pode ser vista em detalhes em Levítico 11 (porém, muito antes de Moisés, já se conhecia esta diferença, evidenciado no relato da arca de Noé e, até mesmo, no sacrifício oferecido no Éden após o pecado).

O resumo desta "lei" é o seguinte:
1. Não deve ser ingerida carne de animais terrestres que não sejam ruminantes e que não tenham a unha fendida e o casco dividido em dois (v. 3). Aqui se enquadram o porco, o cavalo, o cachorro, o gato, etc.
2. Não deve ser ingerida a carne de animais aquáticos que não tenham
barbatanas nem escamas (v. 9). Por exemplo: camarão, lagosta, caranguejo (e demais crustáceos), bagre, tubarão, baleia, etc.

Esta não era uma lei “cerimonial”, mas sim
alimentar. Por isso, sua validade independe do sacrifício de Cristo. Afinal, não podemos crer que Jesus derramou Seu precioso sangue na cruz para que o porco se tornasse um animal limpo... Pena que alguns crêm nesse absurdo!

Aqueles em nossos dias que não conseguem se libertar dos “vícios” alimentares, tentam acalentar a consciência com textos bíblicos isolados de seus respectivos contextos. Vejamos alguns destes textos que tais pessoas gostam de citar:

a) “não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem” – Mat. 15:11.
O que Jesus estava condenando era a hipocrisia dos fariseus em buscar, nos detalhes das tradições (por eles inventadas), os motivos para O acusarem de alguma coisa (cf. vv. 1-2).
Não estava em jogo o assunto de alimentos imundos, mas o ato de lavar ou não as mãos todas as vezes que fossem comer, e isto era realizado com um verdadeiro ritual pelos fariseus mais “tradicionais”.

b) “
Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência... Se algum dentre os incrédulos vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que for posto diante de vós, sem nada perguntardes por motivo de consciência” – 1Co 10:25-27.
Paulo não está tratando aqui de animais limpos ou imundos, pois os imundos ele sabia que não deveria comer (Atos 22:3; Filip. 3:4-6). O que o apóstolo dos gentios está orientando aos discípulos é com relação aos animais sacrificados aos ídolos (v. 28).
Quando se ofereciam sacrifícios nos templos dos ídolos, com freqüência se vendiam partes desses animais no mercado, e como essa carne não se separava das outras carnes que ali também se vendiam, um cristão podia comprar, sem sabê-lo, carne que se ofereceu a ídolos. O conselho do apóstolo é:
esta carne (oferecida a ídolos falsos) poderia ser comprada sem inconvenientes pelos cristãos, a não ser que a carne não fosse de acordo com os ensinos bíblicos de distinção de animais.

c) “
que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade, pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado” – 1Tm 4:3-5.
Aqui se refere às influências e tendências ascéticas que se difundiam na igreja. Os partidários disso consideravam por razões cerimoniosas e rituais que era espiritualmente desejável a proibição completa de certos alimentos. A admoestação possivelmente inclua a proibição de certos mantimentos em determinados dias religiosos.
Não se deve achar que Paulo está abolindo com estas palavras a distinção que se faz no AT entre comidas “limpas” e “imundas” (ver Lev. 11). Deve notar-se, acima de tudo, que Paulo especificamente limita suas observações àquelas coisas criadas por Deus para serem usadas como “mantimentos” (cf. v. 3). Deus explicou na criação o que devia usar o homem como alimento. Esta prescrição não incluía carne de nenhuma classe, nem mesmo todo tipo de vegetais (cf. Gên. 1:29, 31). Todas as coisas foram criadas para um diferente propósito, e eram “boas” para o fim dado pelo Senhor, isto é, eram perfeitamente adaptadas para cumprir o plano de Deus para elas. Depois do dilúvio, Deus permitiu o consumo de carnes “limpas”, mas proibiu de forma específica o comer carnes “imundas”. Em nenhuma parte da Bíblia se diz que Deus tirou esta proibição, pelo contrário, ela afima que Ele NÃO MUDOU (cf Malaq. 3:6; Tiago 1:17)

Clique
aqui e veja um profundo estudo sobre as declarações de Paulo em 1Tim 4.

Um dos textos mais mal compreendidos é
Atos 10.

Alguns querem insistir de que nesta passagem há uma “revelação” do Senhor sobre a liberação para se comer qualquer tipo de carne. Analisemos o texto...

Atos 10
vv. 9-16 – o apóstolo Pedro recebe uma visão celestial, na qual lhe é apresentado um objeto semelhante a um lençol, repleto de toda forma animal. Como estava em um momento de fome (v. 10), Pedro é orientado a matar e comer (v. 13). Tal ordem causa espanto ao apóstolo, pois ele sabia das proibições bíblicas acerca dos alimentos imundos (v. 14). Na visão, Pedro recebe a advertência de que “o que Deus purificou” ele não deveria considerar imundo (v. 15). Isso se repetiu por três vezes (v. 16).

Qual o significado desta visão?

A maioria esmagadora dos cristãos crê que se trata de uma clara desconsideração divina para a questão dos alimentos imundos. Baseados nesta passagem, muitos acreditam que podem comer porco (como o da feijoada da foto acima, que ilustra esta postagem), crustáceos, etc., sem estarem infligindo qualquer ordem do Senhor. Mas será esta a interpretação correta? O texto está REALMENTE falando de alimento? Vejamos...

Logo em seguida à visão, Pedro recebe a visita dos mensageiros enviados pelo gentio Cornélio (vv.17-22). Pedro fica relutante em ir com eles, pois ele não estava muito acostumado a tratar com gentios, sendo um dos que mais acreditavam na validade do tradicionalismo judaico para os novos convertidos (cf. Gál. 2:11-21). Pedro leva alguns discípulos consigo, e vai ao encontro de Cornélio. Lá o apóstolo percebe o sentido REAL da visão que Deus lhe havia dado:

v. 28 – “a quem se dirigiu, dizendo: Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo”.

Pedro entendeu claramente que a visão do lençol de animais nada tinha que ver com alimentação. O propósito de Deus era preparar a mente do apóstolo para a realidade da
conversão de gentios ao Evangelho.

Nos vv. 34-35 Pedro define a beleza do princípio que o Senhor o ensinou através da visão: “Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável”.

Vemos que a Bíblia não está tratando do tema da alimentação em Atos 10, mas da distinção preconceituosa de seres humanos, que também eram separados em “justos” e “imundos”, do mesmo modo que os animais.

Usar Atos 10, ou qualquer outro texto distorcido, para defender o hábito antinatural e doentio de comer todo tipo de carne, em rebeldia aos claros ensinos bíblicos, é uma profunda desconsideração para o trabalho do Espírito Santo, outorgado para levar o homem a convencer-se de sua condição rebelde e pecadora, e voltar-se para a direção de Deus (cf. João 16:8).

A questão da alimentação não é uma “tábua de salvação”, ou seja, não é a abstenção de alimentos imundos que nos torna mais justos diante de Deus. Porém, uma vez que nosso corpo é o “templo” ou “santuário” do Espírito Santo, é necessário tomar todo o cuidado para não contaminar tal templo, e esta preocupação se dá através de reconhecer, aceitar e viver as orientações que o Senhor zelosamente revelou em Sua Palavra acerca desse tema (cf. 1Cor. 6:19-20).

Os Adventistas têm sido abençoados grandemente por viverem uma vida em conformidade com a Palavra de Deus (e a Imprensa está constantemente mostrando isso ultimamente), mesmo em questões impopulares e ridicularizadas, como o é o assunto da alimentação em nossos dias, principalmente no meio “evangélico”. Pena que até mesmo pessoas envolvidas com a “Nova Era” e outras correntes filosóficas orientais (sem ligação com a revelação bíblica), preocupam-se mais com sua saúde física do que os professos cristãos de nossos dias, que dizem ser “batizados” com o Espírito Santo mas que não querem se colocar sob Sua orientação e guia.

Que pena!

"Grande paz têm os que amam a tua lei; para eles não há tropeço"
Salmo 119:165

Texto extraído do livro "101 Razões Porque sou Adventista do 7º Dia", de minha autoria.





*** Aproveite e veja algumas matérias da Imprensa, que confirmam que nossa mensagem de saúde é coerente e cientificamente comprovada:
Frutas e verduras reduzem risco de câncer
Câncer é associado a alto consumo de carne e gordura em regiões do Brasil
Alimentação da grávida influencia até vida adulta do bebê
Carne a açúcar aumentam risco de câncer de mama
Reportagem do FANTÁSTICO exalta o estilo saudável dos Adventistas
Misteriosa doença associada ao contato com o cérebro do porco

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Mensagem em Qui Maio 20, 2010 7:23 pm por Atalaia

O Que Diz a Igreja Anglicana Sobre a Lei de Deus e o Sábado?

Publicado em maio 20, 2010 por Seventh Day




Introdução



Para quem não sabe, anglicanos e episcopais são a mesma coisa, estão na mesma comunhão. Na verdade, o nome oficial da denominação é Igreja da Inglaterra. O nome “anglicanos” é o título para essa denominação dentro da Inlglaterra. Já o título “episcopais” são para os que pertencem a essa denominaçlão no restante do mundo. Mas a denominação é a mesma, podendo ser chamada tanto de Igreja Anglicana quanto de Igreja Episcopal.

OBS: Preciso de criar uma introdução melhor para esse artigo a respeito dos anglicanos/episcopais. Aceito sugestões de pessoas que conhecem a situação específica dessa igreja aqui no brasil.
QUESTÕES AOS ANGLICANOS OU EPISCOPAIS:
1) A Lei de Deus, os Dez Mandamentos, estão vigentes para o cristão?



Vejamos o que ficou decidido no“Sínodo de Dort”, na parte referente a rejeição de erros:

“Erro 4 – A nova aliança da graça, que Deus o Pai, mediante a morte de Cristo, estabeleceu com o homem, não consiste nisso que nós estamos justificados diante de Deus e salvos pela fé se ela aceita o mérito de Cristo. Ela consiste no fato de que Deus revogou a exigência de perfeita obediência à lei e considera agora a própria fé e a obediência de fé, ainda que imperfeitas, como a perfeita obediência à lei. Ele acha, em sua graça, que elas sejam dignas da recompensa da vida eterna.

“Refutação – Os que ensinam isto contradizem a Escritura: ‘…sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé…’ (Rom 3:24, 25). Eles introduzem, junto com o ímpio Socino, uma nova e estranha justificação do homem diante de Deus, contrária ao consenso da Igreja inteira.” — Em “Rejeição de Erros” do cap. 2 – “A Morte de Cristo e a Redenção do Homem por Meio Dela”.

Podemos citar também o que declara o grande reformador escocês John Knox no documento oficial da denominação, capítulo 15, sob o título “A Perfeição da Lei e a Imperfeição do Homem”:

“Confessamos e reconhecemos que a Lei de Deus é a mais justa, a mais imparcial e a mais santa, e o que ela ordena, se perfeitamente praticado, iluminaria e poderia conduzir o homem à felicidade eterna; (…) Mesmo depois de sermos regenerados… importa que nos apeguemos a Cristo, em sua justiça e satisfação… cumpramos a Lei em todos os pontos…

“Não queremos dizer que fomos libertados, de modo a não devermos mais obediência alguma à Lei… mas afirmamos que ninguém na terra, pela sua conduta… dará à Lei a obediência que ela requer.” — Em “Confissão de Fé Escocesa”. Grifos acrescentados.

“As leis básicas de moralidade, e em particular os Dez Mandamentos, permanecem até o fim do tempo como o alicerce moral e espiritual sobre o qual se acha construída a religião do Novo Testamento.” — Extraído de “The Snowden-Douglass Sunday School Lessons”, 1946, p. 279.

Essa lição pode ser adiquirida por $24.94 no seguinte endereço: http://www.amazon.com/Snowden-Douglass-Sunday-school-lessons-1946/dp/B0007HMNS8/ref=sr_1_5/103-7240751-1147839?ie=UTF8&s=books&qid=1190580302&sr=1-5 (acessado a 23/09/2007).

Finalmente, vejamos a posição oficial da Igreja Anglicana ou Episcopal, a qual se encontra em sua confissão de fé, os “Trinta e Nove Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra” (1571), documento confessional há séculos acatado não só por anglicanos ou episcopais, mas também por metodistas e metodistas livres, ao estipular em seu artigo 7, sobre a lei divina:

“ O Velho Testamento não é contrário ao Novo; porquanto em ambos, tanto Velho como Novo, se oferece a vida eterna ao gênero humano, por Cristo, que é o único mediador entre Deus e o homem sendo ele mesmo Deus e homem. (…) Ainda que a Lei de Deus, dada por meio de Moisés, no que respeita a Cerimônia e Ritos, não obrigue os cristãos, nem devem ser recebidos necessariamente os seus preceitos civis em nenhuma comunidade; todavia, não há cristão algum que esteja isento, da obediência aos Mandamentos que se chamam Morais.” — Ver também em “Constituição da Igreja Metodista Episcopal”, em “Methodist Episcopal Church Doctrines and Discipline” (1928), p. 7. E em “Free Methodist Discipline”.Grifos acrescentados.

Essa confissão de fé pode ser encontrada no seguinte website: http://www.monergismo.com/textos/credos/39artigos.htm (acessado a 22/09/2007).

Depois de mostrarmos na confissão de fé o posicionamento oficial anglicano ou episcopal, precisaríamos citar mais alguma fonte para provar que todos os Dez Mandamentos permanecem vigentes para os cristãos, segundo o ensinamento oficial da Igreja Anglicana ou Episcopal? Conforme foi visto acima, esses teólogos e autoridades da denominação têm a Lei de Deus, os Dez Mandamentos, numa alta estima.
2) Desde quando existem os Dez Mandamentos, a Lei de Deus?



O já citado “Sínodo de Dort” decidiu a seguinte posição oficial a respeito da origem do Decálogo:

“4. É verdade que há no homem depois da queda um resto de luz natural. Assim ele retém ainda alguma noção sobre Deus, sobre as coisas naturais e a diferença entre honrado e desonrado e pratica um pouco de virtude e disciplina exterior.
“5. O que foi dito sobre a luz da natureza vale também com relação à lei dos Dez Mandamentos”. — Em “A Corrupção do Homem, a Sua Conversão a Deus e o Modo Dela”, caps. 3 e 4. Grifos acrescentados.


Aí está o testemunho de um documento oficial da denominação. Pelo que lemos do posicionamento anglicano ou episcopal, não há nenhuma dúvida de que os Dez Mandamentos eram como a “luz da natureza” que foram dados a Adão, ANTES DA QUEDA. Portanto, a resposta a esta pergunta deve ser: DESDE A CRIAÇÃO DO MUNDO!
3) Existe diferença entre a Lei Moral e a Lei Cerimonial?



No “Buck’s Theological Dictionary”, usado muito por metodistas e episcopais ou anglicanos, em seu artigo sobre a “Lei”, há estes afirmações:

“A Lei Moral é aquela declaração da vontade de Deus que orienta e obriga moralmente a todos os homens, em todas as épocas e em todos os lugares, em seu inteiro dever para com Ele. Ela foi solenissimamente proclamada pelo próprio Deus no Sinai. (…) É chamada perfeita (Sl. 19:7), perpétua (Mt. 5:17 e 18), santa, boa (Rm. 7:12), espiritual (Rm. 7:14), amplíssima (Sl. 119:96).” — P. 230. Grifos acrescentados.

E direto da lição da escola dominical da denominação, podemos extrair o seguinte:

“A Lei Moral é parte da lei natural do Universo. Justamente como uma lei natural violada, no mundo material, traz suas conseqüências inevitáveis, assim a Lei Moral transgredida traz suas inevitáveis conseqüências nos mundos espiritual e mental.” — Extraído de “The Episcopal Church Sunday School Magazine” (Revista da Escola Dominical), junho-julho de 1942, p. 183-184. Grifos acrescentados.

De tudo que está registrado, fica mais do que claro que esses documentos confessionais cristãos históricos, além de mestres de outras confissões, admitem que existam pelo menos duas leis, dentre outras, das quais fala a Escritura Sagrada:

—> Lei Moral — sumariada nos Dez Mandamentos, e
—> Lei Cerimonial — representada pelos sacrifícios e ordenanças rituais para Israel.
4) O sábado pode ser reinterpretado segundo a vontade de cada um?



Os anglicanos ou episcopais acham que eles mesmos são os que devem escolher o dia para o descanso e culto, reinterpretando o mandamento do sábado e aplicando-o ao domingo, chamando-o de “o sábado cristão”. O fato é que esta questão está obedecendo à conveniência das pessoas e não o que diz o claro “assim diz o SENHOR”. Será que deve ser assim mesmo? Biblicamente, “o sétimo dia é o sábado do SENHOR” (Ex.20:10).
Mas vejamos o que dizem os teólogos anglicanos e episcopais a respeito disso.



O anglicano Dr. William E. Gladstone, que por alguns anos foi primeiro ministro da Inglaterra, faz as seguintes observações em seu “Later Gleanings”:

“O sétimo dia da semana foi destituído de seus títulos de observâncias religiosas obrigatórias, e suas prerrogativas foram transferidas para o primeiro dia, não por algum direto preceito das Escrituras.” — P. 342. Grifos acrescentados.

Outro documento oficial da Igreja Anglicana ou Episcopal é o “Explanation of Catechism”, que assim afirma:

“O dia agora foi mudado do sétimo para o primeiro… (mas) não encontramos nenhuma determinação Bíblica para tal mudança; devemos concluir que (essa mudança) foi feita pela autoridade da Igreja.” — Grifos acrescentados.

Indiscutivelmente, todas essas autoridades e documentos religiosos anglicanos e episcopais não concordam com a visão herética semi-antinomista/dispensacionalista que nega a validade e vigência do Decálogo como norma cristã, e prega o fim total do quarto mandamento, como sendo “cerimonial”. Mesmo que o sábado seja interpretado por esses documentos e autores como referindo-se ao primeiro dia, o “sábado cristão” como é chamado, o que importa é que admitem oficialmente a validade e vigência do mandamento e as origens endêmicas do princípio sabático. A questão sobre ter o domingo ter tomado o lugar do sétimo dia já é outra.
5) A Bíblia ensina a observância do domingo no lugar do sábado?



No “Manual of Christian Doctrine”, dos anglicanos ou episcopais, ocorre esta pergunta e resposta:

“Há algum mandamento no Novo Testamento, que permita mudar o dia do Sábado para o Domingo? — Nenhum.” — P. 127.

O Dr. Peter Heylyn, no seu livro “History of the Sabbath”, declara:

“Recorrei a quem quiserdes, sejam os pais primitivos ou os autores modernos, não encontrareis nenhum dia do Senhor (domingo) instituído por qualquer ordenação apostólica, nenhum movimento sabático iniciado por eles com relação ao primeiro dia da semana.” — Ed. de 1636, parte 11, cap. 1, par. 10, p. 28.

Em sua obra “Examination of the Six Texts”, na qual o Dr. William Domville estuda profundamente seis textos bíblicos sob os quais foi construído o argumento do domingo como dia do Senhor, ele declara francamente:

“Nenhum dos escritores eclesiásticos dos primeiros séculos atribui a origem do domingo a Cristo ou aos apóstolos. (…) Séculos da era cristã passaram-se antes que o domingo fosse (geralmente) observado pela igreja cristã em carater do sábado. A História não nos fornece uma única prova de que fosse (oficialmente) observado como tal antes do edito dominical de Constantino, em 321 AD.” — P. 291.
6) Como poderíamos resumir todo o ensinamento anglicano ou episcopal que vimos até agora?



A — A universal e eterna lei de Deus é sistematizada e expressa para o homem na forma dos Dez Mandamentos, também universais e eternos, que prosseguem válidos e vigentes como norma de conduta cristã. Tal fato sempre foi oficialmente reconhecido por doutíssimas autoridades em Teologia do presente e do passado, pertencentes às mais diferentes denominações, e é o que tradicionalmente constituiu o pensamento geral de toda a cristandade.

B — A lei divina nas Escrituras se apresenta com preceitos morais, cerimoniais, civis, etc., sendo que a parcela cerimonial, por ser prefigurativa do sacrifício de Cristo, findou na cruz, mas os mandamentos de caráter moral prosseguem válidos e vigentes para os cristãos.

C — Dentro do Decálogo há o quarto mandamento estabelecendo que um dia inteiro entre sete de descanso deve ser santificado a Deus, princípio este que fora instituído na fundação do mundo para benefício do homem no Éden e deve ser mantido pelos cristãos hoje.

D — Jesus não transgrediu o quarto mandamento, muito pelo contrário, Ele pretendia reformar sua observância de acordo com a essência do princípios sabático e em nenhum lugar da Bíblia consta a informação de que o sábado foi substituído do sétimo dia para o primeiro da semana.
7) O que deve fazer o cristão, numa demonstração prática de sabedoria e amor a Deus?



“Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos. (…) Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda esse é o que Me ama; e aquele que Me ama será amado de Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele.” (Jo.14:15,21)
8) Diante de tudo o que foi apresentado, qual deve ser a posição de cada ovelha do rebanho da Igreja Anglicana ou Episcopal?



A Bíblia Viva registra Tiago 4:17 da seguinte maneira:

“Lembrem-se também de que, saber o que deve ser feito e não fazer, é pecado.”
9) Como cristão sincero, nascido de novo pelo sangue de Cristo, qual vai ser a sua resposta ao Senhor Jesus?


A escolha é totalmente sua!

“Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” (Ap.14:12)

Estudo realizado por Marllington K. Will

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Mensagem em Qui Jun 03, 2010 5:26 pm por Eduardo

Textos distorcidos:

"Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê." (Romanos 10:4)

A palavra "fim" utilizada no verso deriva do grego "télos" e é empregada para destacar um objetivo ou uma importância. A palavra "fim" no caso em questão quando traduzida para o português tem o sentido de finalidade, objetivo ou propósito.

O termo "fim" usado em Romanos 10:4 não tem o sentido de "cessação", "interrupção", término" ou "abolição". Em I Pedro 1:9 encontra-se a mesma expressão grega "télos": "obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma."

Obviamente que a salvação da alma relatada por Pedro não "anula" ou "finda" a fé. Pedro mostra que a fé tem como finalidade alcançar a salvação; assim como Paulo ensina que a lei tem a finalidade de nos conduzir a Cristo para obter o perdão dos nossos pecados, isto é, obter a graça.

"A Lei e os profetas até João" [Lucas 16]

A frase que está incompleta em Lucas 16:16, está completa em Mateus 11:13. Em Lucas 16:16, no texto original, em grego, foi omitido o verbo, pois ali está escrito: "Hó nómos kai hoi prophêtai méchri Ioannou", que significa "A lei e os profetas até João". Alguns tradutores, para suprir a omissão do verbo, inseriram a palavra "duraram", mas esta palavra não existe no texto original.

No entanto, em Mateus 11:13, esta mesma frase aparece completa, com o verbo, pois ali está escrito: "Pántes gàr hoi prophêtai kai ho nómos héos Ioánnou eprophêteusan", que significa "Porque todos os profetas e a lei até João profetizaram". Portanto, vemos que o verbo que foi omitido em Lucas 16:16 é o verbo profetizar, e não o verbo durar.

Esta frase significa que a lei e os profetas, até João Batista, profetizaram, e a partir de então começou o processo de cumprimento das profecias, o qual só se completará quando Deus destruir este céu e esta terra, e criar novo céu e nova terra, e ressuscitar todos os mortos, e lançar todos os ímpios no lago de fogo, e der a vida eterna aos justos, fazendo-os viver junto com Ele, na nova terra, onde existirá a Nova Jerusalém.



10 RAZÕES POR QUE O CRISTÃO NÃO DEVE SE ALIMENTAR COM CARNES IMUNDAS


1 - Porque a divisão de animais limpos e imundos procede de ANTES da legislação mosaica, desde o tempo do dilúvio, quando Deus determinou a Noé: “De todos os animais limpos levarás contigo sete e sete, o macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea” (Gên. 7:2). Assim, fica claro que não era regra exclusivamente voltada ao povo de Israel, limitada à legislação mosaica.

2 - Porque os objetivos da proibição divina visam à melhor saúde do povo escolhido: “Se ouvires atentamente a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, sobre ti não enviarei nenhuma das enfermidades que enviei sobre os egípcios; porque eu sou o Senhor que te sara” (Êxo. 15:26). Em Deuteronômio Deus liga a santidade de vida com as restrições alimentares impostas ao Seu povo: “Porque és povo santo ao Senhor teu Deus, e o Senhor te escolheu para lhe seres o seu próprio povo, acima de todos os povos que há sobre a face da terra. Nenhuma coisa abominável comereis” (Deu. 14:2, 3) .

Os animais imundos, como porcos, cobras, lagartos, urubus, ratos, cumprem sua função ecológica, mas são portadores de enfermidades e apresentam outras problemas que os tornam insalubres para alimentação humana, como autoridades médicas têm constatado.

3 - Porque o profeta Isaías, num texto escatológico (referente ao fim de todas as coisas), fala de condenação da parte de Deus aos consumidores de carne de porco e rato, que associa com cultos pagãos, chamando a tudo isso de ABOMINAÇÃO: “Os que se santificam, e se purificam para entrar nos jardins após uma deusa que está no meio, os que comem da carne de porco, e da abominação, e do rato, esses todos serão consumidos, diz o Senhor” (Isa. 66:17). A Ezequiel Deus também condenou tal tipo de alimento e o profeta expressou sua repulsa pelos mesmos (ver Eze. 4:13, 14).

4 - Porque temos o exemplo bíblico de um herói da fé que preferiu a morte a consumir carne de porco, como citado em 2 Macabeus 6:18-31: Eleazar preferiu morrer a consumir carnes proibidas, “deixando, por sua morte, não somente aos jovens, mas à grande maioria da nação, um exemplo de nobre coragem e um memorial de virtude” (vs. 31--Traduction Oecumenique de la Bible). Embora isto seja de um livro apócrifo, é importante fonte de informações históricas e lança muita luz sobre os usos e costumes judaicos ao longo de séculos e milênios de apego às ordens divinas, pelos fiéis.

5 - Porque as leis de higiene e saúde não tinham caráter prefigurativo. Não eram leis “cerimoniais” e não apontavam à expiação de Cristo na cruz. Os debates de Cristo quanto a questão “do que entra pela boca”, muitas vezes mal compreendidos, diziam respeito a regras de impureza cerimonial, e não de discussões sobre liberdade para alimentar-se de comidas imundas, nem de recomendação de “comer sem lavar as mãos”, o que não seria medida recomendável, do ponto de vista médico.

6 - Porque na visão do lençol, de Atos 10, Pedro declarou que de modo algum consumiria animais imundos, como lhe apareceram num simbolismo dos gentios, os quais eram desprezados como “comuns ou imundos”, pelos judeus (ver Atos 10:10-16, 28 e 34). Portanto, ele demonstra que não aprendeu com Jesus ou seus companheiros apostólicos a alimentar-se daqueles animais.

7 - Porque entre as quatro regras determinadas pelo Concílio de Jerusalém (Atos 15) de questões de que os cristãos gentios deviam ABSTER-SE, embora sejam citados o consumo de sangue e carne sufocada, não se estabelece regra sobre coisas de que não havia necessidade de esclarecimento. Todos já sabiam que as carnes proibidas não eram alimentos válidos para o consumo dos cristãos. Paulo não tratou dessa questão ao discutir o problema das “carnes sacrificadas a ídolos” (1 Cor. 8’). Caso ele quisesse indicar o fim das leis de restrições alimentares, valer-se-ia da ocasião para tratar disso, e jamais o fez. O que ele dizia era que não haveria preocupação com esse tipo de carnes por terem sido sacrificadas a ídolos pois “o ídolo em si nada é”. Os sacerdotes pagãos vendiam parte das carnes de seus sacrifícios para consumo público. Mesmo que também sacrificassem coisas tais como porcos, ratos, cobras, os cristãos saberiam selecionar o que se considerava real “alimento”, a ser recebido “com ações de graça” (ver 1 Tim. 4:3), excluindo aquilo que a palavra de Deus proibia.

8 - Porque, sendo o corpo do cristão o “santuário do Espírito Santo” (1 Cor. 3:16, 17; 1 Cor. 9:18’), não deve contaminá-lo com aquilo que lhe seja prejudicial, já que devemos apresentar nossos corpos em “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”, que é o nosso “culto racional” (Rom. 12:1). Paulo também recomendou aos cristãos: “glorificai pois a Deus no vosso corpo” (1 Cor. 6:20).

9 - Porque Cristo e Pedro apresentaram comparações e ilustrações envolvendo porcos, num sentido de desprezo e depreciação de tal animal, tanto na linguagem de Cristo sobre “lançar pérolas aos porcos”, como ao mencionar porcos como um dos elementos da mais baixa degradação a que chegou o filho pródigo, e ao expulsar os demônios fazendo-os incorporarem numa manada de porcos; Pedro fala da porca que, lavada, volta ao lamaçal (ver Mat. 7.6; 8:30-32; Luc. 15:15, 16; 2 Ped. 2:22).

10 - Porque dados científicos confirmam o caráter malsão dos animais enumerados em Levítico 11 e Deuteronômio 14, como os chamados “frutos do mar”, porcos, peixes sem escamas, indicando a superioridade da legislação mosaica: Rudolph Virchow, conhecido como “o pai da patologia moderna”, disse:

“Moisés foi o maior higienista que o mundo já viu”. Dependendo de conhecimento revelado, e destituído de equipamento científico, Moisés ensinou, em seus pontos essenciais, quase todos os princípios de higiene praticados hoje. Entre eles encontramos a prevenção de doenças, desifecção pelo fogo e pela água, controle epidêmico mediante denúncia e isolamento dos portadores de doenças contagiosas, seguida de completa desinfecção de todos os objetos possivelmente contaminados. O asseio pessoal era imposto e obrigatório o sistema de esgoto, de maneira que o arraial dos judeus era asseado como o são as cidades modernas. Conquanto se provesse exercício físico, impunham-se freqüentes períodos de descanso e relax para evitar o excesso de trabalho’“. -- Dr. Owen S. Parrett, Diseases of Food Animals, p. 7 (Southern Publishing Assn. Nashville, Ten., 1939).


Olá, amigos

Este tema foi debatido de forma até “apaixonada” em certo fórum e nunca imaginei que houvesse tanta objeção aos princípios bíblicos sobre alimentação e saúde. Os que amam uma bistequinha de porco querem por todos os meios verem abolidos esses princípios, colocando seu apetite acima do “assim diz o Senhor” das Escrituras. Defendem um “liberou geral” quanto às regras alimentares, só que quando eu pedi que me preparassem um estudo global do ensino bíblico apresentando AS VANTAGENS para os filhos de Deus de terem essa “liberdade” de se alimentar do que queiram (o que incluiria carne de rato, cobras e lagartos) NUNCA souberam o que dizer. Não apresentaram nenhum “balanço” como vêem que eu postei uns dois quadros acima.
E que é muito mais vantajoso superar o apetite, e não seguir a filosofia “o que é bom ao paladar é bom para mim”, temos no recente artigo da revista National Geographic Magazine, destacando os adventistas do sétimo dia entre os povos mais privilegiados com longevidade e melhor saúde.
Também os objetores das leis dietéticas bíblicas nunca souberam explicar devidamente por que tais leis foram estabelecidas, para começo de conversa. Até reconheceram que visavam à melhor saúde do povo de Israel numa época em que não havia hospitais, tratamentos, princípios nutricionais. Só que não sabem explicar por que, de repente, com o morrer de Cristo na cruz, tais recursos preventivos foram suspensos, sendo que as condições na terra de Judá e pelo mundo afora (onde o evangelho seria proclamado) permaneciam as mesmas. . .
Daí entram os aspectos teológicos. Por que seriam abolidas na cruz juntamente com as regras cerimoniais? Em que apontariam para o sacrifício de Cristo? Não sabem dizer. . . Alguém sugeriu algo como “divisão entre judeus e gentios”. . . Mas faz sentido isso? Iria Deus instituir leis para destacar algo que reflete uma deficiência humana, já que Ele “não faz acepção de pessoas”?
Pois imaginem que até a palavra de um ateu, materialista, que quer “provar” que a Bíblia não tem fundamento, que as leis de saúde são meras idéias que Moisés pôde ter copiado de povos antigos, embora, por incrível que pareça, o tal ateu depois veio debater que Moisés não escreveu nada porque no seu tempo nem havia alfabeto, foi altamente prestigiada por supostos cristãos. É um incrível vale-tudo retórico em que até as opiniões de um indivíduo que faz pouco caso da inspiração bíblica tem valor! Isso de parte de gente que diz aceitar plenamente a Bíblia como Palavra de Deus!
Os estudos deste tópico dão-nos suficiente fundamentação bíblica para sabermos o que será melhor para nosso regime alimentar. Graças a Deus.
Abraços


Atos 10--Como Entender a Visão do Lençol?


Um estudo cuidadoso da visão de Pedro, relatada em Atos 10, traz alguns pontos que muitos não conseguem perceber, principalmente o fato de que a lição a extrair NÃO É absolutamente a de “liberou geral” quantos às regras de alimentação bíblicas.

Deus precisava preparar Pedro para o impacto de ir ter com gentios para pregar-lhes o evangelho. As barreiras eram grandes porque os judeus consideravam os gentios “comuns e imundos”. Aliás, Pedro lembra que os judeus não podiam nem sequer aproximar-se de um gentio (Atos 10:28).
Daí é que entra a lição do lençol, em que Pedro recebe a ordem de uma misteriosa voz—“mata e come”. É importante notar primeiro que tudo que seria humanamente impossível que Pedro literalmente matasse e comesse coisas mostradas numa visão, algo de que muitos não se dão conta. Na verdade, se eram tantos tipos diferentes de tais animais ele nem daria conta de comê-los todos. Só uma “sucuri” daria para alimentar uma tropa.


Visão Não Entendida de Início

Pedro, além de declarar de modo indiscutível que NUNCA se havia alimentado daquele tipo de carnes imundas (o que é significativo, pois mostra que não aprendeu diferente com Jesus ou seus companheiros apostólicos), ficou ainda SEM ENTENDER a visão (vs. 17), até que lhe chegaram os visitantes. Daí a interpretou fazendo sua aplicação, NÃO A COISAS QUE DEVIA COMER OU NÃO, e sim ao fato de que Deus “não faz acepção de pessoas” (vs. 28 e 11:17). Esta é a grande lição transmitida ao Apóstolo.
Claramente, Pedro NÃO INTERPRETOU a visão como ordem literal para comer livremente de tudo quanto antes era proibido. Ele não seguiu ordem nenhuma de comer alimentos imundos porque esse não era o sentido da visão. Onde aparece depois Pedro fazendo isso--comendo porcos, ratos, urubus, cobras e lagartos?
Se lermos atentamente os vs. 15 em diante, percebemos que a voz lhe diz, “Não chames tu comum ao que Deus purificou”. Contudo, Pedro permanecia “perplexo, sobre o que seria a visão que tivera”.
Os vs. 19 e 20 confirmam isso ainda mais: “Estando Pedro ainda a meditar sobre a visão, o Espírito lhe disse: Eis que dois homens te procuram. Levanta-te, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque eu tos enviei”.


A Cláusula-Chave Para Entender a Visão

A expressão “nada duvidando” é uma cláusula-chave no entendimento dessa questão. Pedro ainda duvidava de que devia ir pregar para gentios, mas a ordem reiterava que o fizesse porque ERA ISSO QUE DEUS QUERIA TRANSMITIR A PEDRO. E isso NADA TEM A VER com o que comer ou beber.
Obedecendo a ordem divina Pedro foi em sua missão à casa de Cornélio, que era não só um gentio, mas um “centurião”, ou seja, um comandante militar dos inimigos do povo judeu.
Prossegue o relato, a partir do vs. 27: “E conversando com ele, entrou e achou muitos reunidos, e disse-lhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem devo chamar comum ou imundo; pelo que, sendo chamado, vim sem objeção”.
Deus mostrou o quê? Que ele devia comer de tudo quanto antes era proibido? Era esse o sentido da visão? De modo nenhum!
Vejamos como o próprio Apóstolo mais adiante oferece mais evidência do sentido real dessa mal compreendida passagem bíblica. Primeiro, eis o finalzinho do testemunho de Cornélio: “Portanto mandei logo chamar-te, e bem fizeste em vir. Agora pois estamos todos aqui presentes diante de Deus, para ouvir tudo quanto te foi ordenado pelo Senhor”.
E o Senhor ordenou a Cornélio, e preparou a Pedro para a missão mediante a visão do lençol, que finalmente Pedro ENTENDEU, como ele expressa à família de Cornélio: “Então Pedro, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo” (vs. 33 a 35).
No capítulo seguinte ele volta a falar de sua experiência, e diz que não poderia RESISTIR à mensagem da visão. Mas esse “resistir” nada tinha a ver com deixar de comer alimentos imundos, e sim deixar de ir pregar aos gentios. Aliás, mais tarde, discursando por ocasião do Concílio de Jerusalém, Pedro recapitula a sua missão entre os gentios fazendo clara referência a seu novo entendimento quanto a pregar aos gentios. E, significativamente, no seu discurso ele fala em “purificar”, mas também isso nada tem a ver com carnes imundas, e sim com purificação dos “corações” dos gentios (ver Atos 15:7-9).


Impossível Entender Literalmente

Um dado adicional, como já acentuado de início, é que seria impossível que Pedro realmente matasse e comesse animais que lhe surgem numa visão. Ora, isso seria o equivalente a chupar-se um sorvete que aparece na tela da TV! Alguém tentou contra-argumentar lembrando que em Apocalipse 10:8-10 João também descreve uma visão em que um anjo lhe dá um livrinho, que ele come, sentindo em seu estômago um sabor amargo, enquanto a boca tinha um sabor doce. Mas o que isso prova? Ora, num sonho ou visão pode-se participar ativamente como protagonista. A pessoa sonha consigo mesma nas mais diferentes situações, mas por realista que o sonho possa lhe parecer, o que se experimenta se vê ou se ouve é meramente uma ilusão mental, não uma realidade concreta.
Na verdade, simplesmente não há qualquer evidência de que entre os cristãos primitivos pairasse qualquer dúvida sobre o assunto e não ocorre JAMAIS qualquer discussão a respeito. O que Paulo discute NÃO É comer ou não alimentos imundos, e sim não levar em conta o que foi sacrificado a ídolos. O problema que havia não era de ter ocorrido um “liberou geral” quanto à antiga proibição sobre alimentos, e sim quanto à conveniência ou não de usar carnes sacrificadas a ídolos.
Tanto que o próprio apóstolo explica isso em 1 Cor. 8, ao iniciar a sua discussão falando: “Ora, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos . . . Quanto, pois, ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só” (vs. 1 e 4).
Claramente, a preocupação do Apóstolo é sobre essa questão das carnes sacrificadas a ídolos, não de poderem comer ou não alimentos que a lei determinava como fora de cogitação para o consumo do povo de Deus. Afinal, o próprio Deus, em passagens escatológicas, nos dois últimos capítulos de Isaías (que tratam ambos dos “Novos Céus e Nova Terra”) diz, condenando os rebeldes dentre o Seu povo:
“. . . povo que de contínuo me provoca diante da minha face, sacrificando em jardins e queimando incenso sobre tijolos; que se assenta entre as sepulturas, e passa as noites junto aos lugares secretos; que come carne de porco, achando-se caldo de coisas abomináveis nas suas vasilhas. . .”
“Os que se santificam, e se purificam para entrar nos jardins após uma deusa que está no meio, os que comem da carne de porco, e da abominação, e do rato, esses todos serão consumidos, diz o Senhor”.
Ver as referências aos Novos Céus e Nova Terra nos respectivos contextos, em 65:17 e 66:22, 23. - Estudo composto pelo Prof. Azenilto G. Brito.

10 Perguntas Pertinentes:



1 - Se a ordem para Pedro na visão era que devia realmente comer alimentos imundos, como ele poderia fazer isso literalmente, com animais de uma visão, e onde é mostrado ele a cumprindo, passando a alimentar-se de tais?

2 - Se a ordem para Pedro na visão era que devia realmente comer alimentos imundos, por que ele mesmo deu interpretação diferente disso ao explicar a visão, jamais fazendo a mínima referência a animais impuros que foram purificados por Deus?

3 - Por que Pedro tinha a convicção de que não devia comer alimentos imundos, sendo que conviveu com o Mestre dos mestres por três anos e meio, e tinha o testemunho e convivência com seus irmãos da Igreja, e apóstolos durante todo aqueles anos posteriores, que certamente ensinariam os princípios da fé?

4 - Onde aparece a mínima referência específica a alimentos imundos no Novo Testamento (além da visão de Atos 10), sobretudo como tema de discussão pelos apóstolos?

5 - Se Deus considerava ABOMINAÇÃO a utilização de carne de porco e rato, indicando que isso mereceria castigo severo até o fim dos tempos, onde é mostrado que Deus mudou de opinião, e por que o teria feito?

6 - Qual é exatamente o caráter prefigurativo das proibições sobre alimentos, que aponte ao sacrifício de Cristo na cruz, e como isso pode ser comprovado biblicamente?

7 - Em que aspectos a morte de Cristo na cruz poderia ter alterado a natureza intrínseca (constituição) dessas carnes, de modo que, se eram malsãs antes de Sua morte, deixaram de sê-lo depois?

8 - Por que no Concílio de Jerusalém, relatado em Atos 15, quando são tratadas questões de alimentação (carnes sacrificadas a ídolos, carne sufocada e sangue, que não deviam ser ingeridos), nada consta como tendo sido também discutida a liberação da lei de alimentos da legislação mosaica, havendo, ao contrário, reiteração de regras que supostamente teriam sido abolidas?

9 - Como pode um cristão glorificar a Deus no que come e bebe, alimentando-se de comidas tremendamente prejudiciais à saúde, como seria a carne de porco, ou de rato, ou de cobras e lagartos (ver 1 Cor. 10:31)?

10 - Onde, na passagem que trata da substituição do Velho pelo Novo Concerto (Heb. 8:6-10), é dito que quando Deus escreve o que é chamado de “Minhas leis” nos corações e mentes dos que aceitam os termos de Seu Novo Concerto [Novo Testamento], Ele deixa de fora os princípios alimentares estabelecendo um “liberou geral” quanto ao que o cristão pode ou não comer, autorizando doravante o consumo de porco, rato, urubu, cobras e lagartos?



Eis o testemunho que encontrei noutro ambiente internético:
Esses dias encontrei um livro que pode lhe ajudar neste debate ao qual se referiu, acerca dos alimentos em Levítico: Coma Bem Viva Melhor, de Rex Russell, Editora Betânia, 1998. Original em inglês: What the Bible Says About Healthy Living, 1996.
No mesmo, entre outros assuntos, trata das carnes limpas e imundas. O Dr. Rex (não sei qual sua religião), cita um estudo feito por David Match (M. D.), no qual ele avalia o nível de toxidade de carnes limpas e imundas que foram apresentadas a uma cultura em condições de laboratório, o que transcrevo a seguir:

O Outro lado -- As Carnes “Impuras”


O Senhor disse ao sacerdote Arão: “Para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo”. (Lv. 10:10)
A palavra hebraica chol traduz-se por “comum” e significa “compartilhado por todos”, profano, sacrílego, contaminado.
Embora tais expressões carreguem consigo o sentido de pureza ou impureza rituais, sagrado e profano também conotam o que é saudável ou prejudicial como alimento - em outras palavras, aqui o limpo e o imundo também são físicos. Portanto Deus não estava tentando reduzir a dieta de seu povo apenas por questões cerimoniais. Hoje os motivos de ordem física ainda existem, sugerindo que se preste atenção ao que Deus disse.
No princípio recomendamos comer do que foi criado comer como alimento e evitar tudo o mais. Esse “tudo o mais” é impuro.

A Ciência Apóia a Sabedoria de Deus


A sabedoria do plano divino no que diz respeito a carnes foi confirmada em boa parte por um estudo realizado em 1957 pelo Dr. David Match, da Universidade Johns Hopkins, no qual ele relatou os efeitos tóxicos da carne animal numa cultura de crescimento controlado. Uma substância seria classificada como tóxica se ela retardasse ou desacelerasse a taxa de crescimento da cultura para menos que 75%. O sangue de todos os animais testados pelo Dr. Match mostrou-se mais tóxico que a carne.
A tabela seguinte baseia-se no estudo do Dr. Match. Os resultados de sua pesquisa demonstram que quanto mais baixa a taxa de crescimento da cultura, mais tóxica é a carne. Observe que a carne dos animais e peixes que Deus nos deu por alimento é totalmente não tóxica, mas a dos animais proibidos é tóxica. (Os animais apresentados sem classificação por percentuais na tabela abaixo não foram estudados, mas sào incluídos aqui para dar uma abrangência maior à lista de carnes limpas e imundas).
Lembremos bem--Qualquer índice acima de 75% indica que a carne não é tóxica, é “limpa”.

QUADRÚPEDES

*Limpos... %* --

Fissípedes (de cascos fendidos) e ruminantes

vitelo (novilho)... 82
veado... 98
cabrito... 90
boi... 91
carneiro... 94


*Impuros... %*

urso preto... 59
camelo... 41
gato... 62
porquinho-da-índia... 46
cachorro... 62
raposa (prateada)... 58
urso pardo... 55
marmota... 53
hamster... 46
cavalo... 39
gambá... 53
coelho... 49
rato... 55
rinoceronte... 60
esquilo... 43
porco... 54


AVES E OUTROS ALADOS

*LIMPOS* ... %

ganso... 85
frango... 83
perdiz... 88
pato... 98
pombo... 93
codorniz... 89
cisne... 87
peru... 85

*IMUNDOS* ... %

morcego
cormorão
gralha... 46
águia
falcão
garça
íbis
milhafre
bacurau
águia-pescadora
avestruz
coruja... 62
pelicano
corvo
gavião-de-cauda-vermelha... 36
gavião-andorinha... 63
gaivota
cegonha
abutre

PEIXES (com escamas e barbatanas) ... %

perca preta... 80
piraúna preta... 105
pomátomo... 80
carpa ... 90
perca-de-canal... 80
caboz ... 91
bacalhau... 98
corvina-de-corso... 90
solha... 83
peixe-voador... 87
peixe-dourado... 88
eglefim ... 80
marlúcio... 98
hipoglosso... 82
arenque... 100
peixe-rei... 83
muge... 87
lúcio... 98
pamplo... 110
pargo... 80
truta-arco-íris... 81
perca-da-pedra... 100
salmão... 81
eperiano... 90
perca-do-mar... 103
sável... 100
cavala-espanhola... 98
pintado... 80
esturjão... 87
atum (barbatana azul)... 88
perca-branca... 81
pescada Marlonga da Carolina... 84
perca-amarela... 87


*Imundos ... %

(sem escamas e sem barbatanas)

peixe-gato... 48
marisco
caranguejo
enguia... 40
lagosta
polvo
ostras
baiacu-de-espinho... 60
baiacu... 51
raia-lixa... 59
vieira
tubarão (cação)... 62
camarão
lula
raia-pintada... 46
pacamão... 49

INSETOS... %

(ortópteros)

grilo
gafanhoto
locusta

INSETOS... %
(todos os demais)

Essa tabela pode nos auxiliar na identificação dos tipos de carne que devemos consumir. Também mostra que estamos ingerindo muitas substâncias tóxicas que não foram criadas para ser alimento.
A diferença entre os animais limpos e imundos parece estar relacionada com sua fonte primária de alimentação e com o sistema digestivo de cada um. De acordo com a Bíblia são imundos, isto é, impróprios para o consumo, os que se alimentam de tudo e qualquer coisa. Os animais qualificados como limpos, isto é, próprios para comer, se alimentam essencialmente de grãos e relva.
Esse exame da carne limpa e imunda revela ainda muito mais fatos, levando em conta a moderna tecnologia a serviço da análise toxicológica. Um Deus amoroso, empenhado na proteção de seu povo, confirma esse zelo mostrando-nos justamente que alimentos devemos ingerir. Em Levítico 11:43 temos uma pequena amostra de Sua vontade:

“Não vos façais abomináveis por nenhum enxame de criaturas, nem por elas vos contaminareis, para não serdes imundos”.

Observe na passagem seguinte alguns mamíferos cuja carne Deus proibiu o homem de comer:

“Destes, porém, não comereis: dos que ruminam ou dos que têm unhas fendidas: o camelo, que rumina, mas não tem unhas fendidas; este vos será imundo; o arganaz, porque rumina, mas nào tem as unhas fendidas; este vos será imundo; a lebre, porque rumina, mas não tem as unhas fendidas; esta vos será imunda. Também o porco, porque tem unhas fendidas e o casco dividido, mas não rumina; este vos será imundo; da sua carne não comereis, nem tocareis no seu cadáver. estes vos serão imundos”. (Lv 11:4-8).

Notemos que a impureza não se restringe aos carniceiros. O cavalo e o coelho, por exemplo, são imundos por não serem fissípedes, isto é, não têm os cascos ou as patas fendidas. Embora em alguns países sejam ambos considerados boa iguaria, já ficou comprovado através de estudos que a carne de cavalo é quase sempre infestada de vírus e parasitas. Já o coelho, embora pareça limpo, é um agente causador da tularemia, doença bacteriana que o homem contrai de animais.

No mesmo livro há outras seções interessantes como a que fala do porco, dos moluscos, dos rastejantes e ovos.

Abraços


Maior Editora Universitária do Mundo Lança Livro Sobre Vantagem Sanitária Adventista


Os resultados de quatro décadas de estudos sobre saúde entre os adventistas do sétimo dia foram agora compilados numa obra de pesquisa que é disponibilizada pela maior editora universitária do mundo--a Oxford University Press. Diet, Life Expectancy, and Chronic Disease: The Health Studies of Seventh-day Adventists and Other Vegetarians [Regime Alimentar, Expectativa de Vida, e Doenças Crônicas: Estudos de Saúde dos Adventistas do Sétimo Dia e Outros Vegetarianos] foi lançado no final de maio pela Oxford University Press, uma unidade da Universidade Oxford.
O livro está sendo lançado ao mesmo tempo em que milhares de adventistas participam de um novo estudo sobre saúde mais extenso do que os mencionados no livro.
O Dr. Gary E. Fraser, autor da obra e professor de Medicina na Escola de Medicina da Universidade Loma Linda, onde leciona epidemiologia na divisão de Saúde Pública da instituição, declara que o livro baseia-se em dois estudos realizados com adventistas na Califórnia em 1960 e 1976.
Ele diz ter sido um desafio compilar toda a informação publicada anteriormente uma vez que os resultados dos estudos sobre saúde apareceram em cerca de 320 publicações especializadas na área de Medicina por mais de 40 anos.
Muitos adventistas são vegetarianos por opção e é sabido que se abstêm naturalmente de álcool e fumo.
“Caso se comprove haver um grande número de adventistas saudáveis e longevos, e se nosso estilo de vida realmente causou esse tipo de diferença, precisamos seriamente contar isso aos outros numa forma convincente”, diz Fraser.
“Numa era de ciência com expectativa de evidência empírica, a coleta e publicação de resultados científicos registrados em publicações especializadas se fazem necessárias para persuadir as pessoas e modificar recomendações oficiais”, explica ele.
Os primeiros estudos eram informativos e não envolviam pessoas suficientes para um exame amplos de diferentes tipos de câncer, diz Fraser. Ele espera que o lançamento do livro gere apoio ainda maior para o atual estudo adventista de saúde sendo financiado por uma concessão de 18 milhões de dólares do Instituto Nacional de Saúde, uma agência do governo dos EUA. O novo estudo iniciou-se em 2002 e é patrocinado pela Escola de Saúde Pública da Universidade Loma Linda, e visa a examinar os hábitos sanitários entre 125.000 adventistas, inclusive 45.000 de etnia negra, cujos membros de sexo masculino têm duas vez maior índice de câncer de próstata em cotejo com os caucasianos, declara Fraser.
A razão para essa disparidade em índices de câncer de próstrata é “totalmente incerto”, diz ele. Contudo, essa é uma das maiores indagações já levantadas com respeito à saúde dos negros nos EUA, e é uma das razões para a Universidade de Loma Linda ter recebido a referida verba do INS [NIH, em inglês].
Outra razão para a verba do INS, segundo Fraser, foi investigar o possível elo de ligação entre o consumo de produtos de soja e um baixo índice geral de cânceres de próstrata e de seio entre os adventistas. Nenhum outro grupo mensurável nos Estados Unidos apresenta o índice de consumo de soja no país tão elevado quanto os adventistas.
Os adventistas tipicamente são mais saudáveis do que a população em geral, o livro demonstra. Dos adventistas estudados na Califórnia, os índices de ataques cardíacos eram de metade e os de câncer 30 por cento menos do que o da população em geral.
Mas por que os adventistas são mais saudáveis? É difícil de saber com certeza, declara Fraser, contudo alguns padrões gerais foram descobertos e são discutidos no novo livro. Estudos anteriores sugeriam que a carne é um fator em doença das coronárias enquanto as nozes e grãos integrais eram protetores contra tais enfermidades.
Para expectativa de vida, o consumo de nozes, para quem é vegetariano, e a ausência de excesso de peso foram três fatores que fazem diferença de cerca de dois anos de vida cada.
Para o câncer, o consumo de frutas era um fator preventivo; alguns cânceres, tais como de cólon e bexiga, estavam ligados ao consumo de carne. Os legumes ajudavam a proteger contra alguns cânceres, enquanto as batatas são tidas como de auxílio para prevenir câncer de ovário.
Fraser diz que o novo estudo examinará mais detidamente o consumo de carne e o eficaz uso de cálcio. Há uma discussão na comunidade médica quanto a se o cálcio pode ser fator de proteção em certos cânceres, enquanto os causa em outros casos. Fraser declara que a questão é “muito controvertida”.
Conquanto haja uma gama de hábitos dietéticos entre os adventistas, os membros da IASD são mais uniformes em tais áreas como o não fumar, bem como o não consumo de bebidas alcoólicas. Mas há maiores variações na área de consumo de carne, declara Fraser.
Uma motivação de destaque do novo estudo é captar a ampla gama de hábitos dietéticos. Fraser explica que o estudo é fortalecido por uma “enorme variabilidade entre os adventistas”. Ele informa que metade das igrejas adventistas envolvidas no estudo já foram visitadas.
“O tempo em que este livro é lançado é muito oportuno”, declara DeWitt Williams, diretor dos ministério de saúde da Igreja Adventista na América do Norte. “Demonstra que ser vegetariano faz uma grande diferença em qualidade e duração de vida.
“Nós todos [adventistas] temos a mesma formação espiritual. A única coisa diferente é seu regime alimentar”, comenta Williams. Quando você computa 12 anos de vida ativa, isso é significativo”.
Um esforço especial está sendo feito para recrutar adventistas negros para participarem do estudo, segundo o Dr. Patti Herring, co-diretor do Estudo de Saúde Adventista. Duas pessoas em cada igreja predominantemente negra estão sendo treinadas para incentivar outros membros a completarem o estudo.
“Se os negros participarem, há muito no estudo de seu interesse”, declara Herring. “Num sentido global a nossa saúde é muito inferior e nossa expectativa de vida mais baixa. Temos muito a ganhar com esse estudo”. Para maiores informações [em inglês] sobre o presente estudo sobre saúde visite o endereço www.adventisthealthstudy.org


ADENDO





Artigo da revista Time datada de 4 de agosto de 2003 [“Nuts (and Fiber) to High Colesterol”] explica que “é bastante animador saber que há regimes alimentares que podem reduzir o seu colesterol quase tão eficazmente quanto remédios. Escrevendo num artigo recente do Journal of the American Medical Association, pesquisadores da Universidade de Toronto [Canadá] descrevem uma experiência que compara três regimes diferentes: um regime vegetariano baixo em gorduras saturadas; o mesmo regime suplementado com “statin” [nome em inglês de medicação para baixar colesterol] . . .; e uma dieta vegetariana rica em fibra consistindo de alimentos escolhidos por seus conhecidos efeitos em reduzir colesterol (como aveia, cevada, proteína de soja e amêndoas), bem como um tipo de margarina enriquecida com componentes encontrados naturalmente em folhas verdes, vegetais e óleos vegetais que reduzem o colesterol.
Os resultados? A dieta de baixa gordura reduziu os níveis de coleterol LDL em 8%. A mesma dieta com medicamento (“lovastatin-statin”) reduziu em 31%. A dieta rica em fibra e os referidos componentes vegetais reduziu os níveis de colesterol em 29%--quase o mesmo montante. A magnitude da redução é o aspecto tão animador, declara o autor da pesquisa, Dr. David Jenkins. “Essas são composições alimentares que pesquisas de 25 anos têm estabelecido como contendo propriedades redutoras de colesterol”, explica ele”.


Pequeno lampejo:

Eis um trecho da entrevista com Franklin Graham, filho do famoso evangelista Billy Graham, na última edição da revista Time:

Em resposta à pergunta se seria pecado não usar capacete para viajar com uma motocicleta (uma paixão de Graham Jr.), ele que, como o pai, é também pastor, respondeu:

“. . . Você sabe, a Bíblia diz que os nossos corpos são o templo do Espírito Santo. E se fazemos algo que prejudique o corpo que temos, comendo demais, ingerindo os alimentos errados, bebendo demais, estamos prejudicando este corpo que Deus nos deu, e penso que colocar nosso corpo sob risco quando não precisamos correr tal risco, como dirigir uma motoclicleta sem capacete, não penso que faça sentido. Penso que Deus nos deu um cérebro. Ele espera que o usemos”. -- (“10 Questions for Franklin Graham”, Op. Cit., ed. 29-05-06. pág. 8’).



Última edição por Eduardo em Dom Dez 19, 2010 10:51 pm, editado 4 vez(es)

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Mensagem em Qui Jun 03, 2010 5:35 pm por Eduardo


Leis dietéticas das Escrituras--O Que Dizem Pesquisadores Sérios a Respeito


Dois trabalhos de pesquisa, um de caráter bíblico exegético, outro de caráter mais na linha de evidências científicas no campo da saúde, serão considerados em parte. Trata-se de artigo do Dr. Gerhard F. Hasel, Ph. D., já falecido, que chegou a dirigir o Seminário Teológico da Universidade Andrews, de Berrien Springs, Mich., e uma dissertação da aluna universitária Vanessa Silva, da Universidade York, de Toronto, ON, Canadá. Talvez o mais importante para alguns seja a rica bibliografia nas notas de rodapé propiciadas por ambos os investigadores onde as fontes em que firmam suas pesquisas são reveladas. A metodologia de referenciamento difere entre ambos os autores.
E para tornar mais leve a leitura apresentamos ambos os estudos (condensados) na forma de entrevista, com dez perguntas direcionadas “simbolicamente” a ambos:


1a. pergunta, dirigida ao Dr. Gerhard Hasel: Como se pode provar que as leis dietéticas dadas a Israel tinham aplicação a todos, não só aos israelitas?

RESPOSTA:
Em Levítico 17-18 há vários regulamentos que se aplicam tanto a israelitas quanto a não-israelitas. A sentença “Qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros [gerím] que entre vós peregrinam” (Lev. 17:8, 10, 12, 13) acentua isso. Essas leis pertencem aos israelitas e aos “estrangeiros” ou “peregrinos”[32] e, portanto, não podem restringir-se aos israelitas. Em outras palavras, certas leis têm aplicação universal; ultrapassam o limitado enfoque da lei cerimonial, ritual, cúltica. Essas leis são universais em natureza.
As leis de sacrifícios de Levítico 1-7 não mencionam especificamente “estrangeiro” ou “peregrino”. Não se aplicam universalmente a todos os não-israelitas, a menos que os últimos sejam membros plenos da comunidade do concerto.[33] Mas a lei universal conhecida desde Gênesis 9:4, antes da existência de uma entidade conhecida como Israel, que proíbe o comer sangue, prossegue com aplicação universal ao israelita e ao “estrangeiro” em Levítico 17:10-12. A lei de caça em Levítico 17:13 é assim vista como pertencendo à lei universal também, tão em desígnio quanto em aplicação, porque tanto se refere ao israelita quanto ao “estrangeiro” (ger).
Nessa lei, é feita distinção com respeito a aves limpas que “podereis comer” (Deu. 14:11) e aves abomináveis que “não se comerão” (Lev. 11:13). A razão, embora não diretamente estipulada, mas subentendida, é que são “limpas”. Por implicação, há outros animais e aves de caça que não podem ser comidos porque são imundos. A distinção entre limpos e imundos é aqui aplicada a animais de caça e serve tanto a israelitas quanto a “estrangeiros”. Uma vez que tanto israelitas quanto não-israelitas são abrangidos, parece-nos haver indicação de que a distinção de animais que podem ser comidos e os que não podem sê-lo é universalmente válido e não podem ser restritos somente ao israelita ou judeu.
As leis não-cerimoniais e universais de Lev. 18 aplicam-se novamente tanto ao israelita quanto ao “estrangeiro” (ger). Essas leis incluem casamentos proIbidos (Lev. 18:6-17), pecados contra a castidade (Lev. 18:18-21), homossexualismo (Lev. 18:22), e bestialidade (Lev. 18:23). Essas leis universais têm feito com que nações pagãs fossem expulsas (Lev 18:24) de modo que “a terra vomita os seus habitantes”(vs. 25). O vs. 26 sintetiza: “Nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós” praticará essas “abominações” (tô’ ebôth).
É particularmente digno de nota que os animais imundos fazem parte das “abominações” (tô”ebôth). O termo “abominável” (tô’ ebôth) é empregado na declaração introdutória de Deuteronômio 14:3-21. A palavra “abominação” tem várias conotações, mas significa essencialmente algo que, por sua natureza, é definido em oposição ao que é aceitável e/ou permissível por Deus.[34]
Neste ponto há uma consideração lingüística adicional de que a lei de animais puros e imundos é uma lei não-cerimonial universal. As “nações” pagãs de Canaã envolviam-se em “abominações” (tô’ ebôth) que eram proIbidas nas leis universais e sofreram as conseqüências de tais atividades em juízo divino por atacado (Lev. 18:24-30). Exatamente nessa linha, comer animais imundos é algo “abominável”, envolvendo outra lei universal que é válida para toda a humanidade (ver também Isa. 66:16-18).[35]

2a. pergunta, dirigida ao Dr. Gerhard Hasel: Quando aparece inicialmente a distinção entre carnes limpas e imundas?

RESPOSTA:
A distinção entre animais limpos e imundos é conhecida antes de os israelita sequer terem vindo à existência. De fato, é uma distinção conhecida no mundo antediluviano, o que nos remonta aos tempos anteriores ao dilúvio, num texto e contexto que têm ênfase universal. Pode-se, portanto, manter que a distinção de animais limpos/imundos é aplicável à humanidade em geral. É ilimitada em escopo e desígnio e fora da legislação cerimonial propiciada ao Israel antigo em tempos posteriores.
Intérpretes prontamente reconhecem que a distinção entre animais limpos e imundos não aparece pela primeira vez em Levítico 11. A primeira distinção é encontrada em Gênesis 7:2-8. . .
É importante reconhecer que a passagem de Gênesis 7 precede a de Levítico 11 e Deuteronômio 14 em tempo e ambientação. O ambiente de Gênesis 1-11 é de caráter universal.[38] Assinala-se que não se pode “imaginar uma ocasião em que tenha havido seres humanos que não entendessem a distinção entre [animais] limpos e imundos”[39] Noé sacrificou após o dilúvio “de todo animal limpo e de toda ave limpa” (Gên. 8:20).
A distinção de limpo/imundo é importante nesse contexto de primeiros tempos e universalidade. Não só eram os animais e pássaros limpos usados para sacrifício, como após o dilúvio, os seres humanos tiveram permissão de alimentar-se de animais (Gên. 9:3-5). O que fica implícito é que tinham permissão de se alimentar somente de animais limpos. Nesta passagem pré-israelita de Gênesis 9 há também a declaração de que o homem não comeria carne com o sangue (vs. 4). Esta é uma lei universal que ainda é válida para todos os cristãos, segundo o Decreto Apostólico de Atos 15:20 indica.
Esses fatos afirmam que a distinção de animais limpos e imundos não é produto de legislação cúltica hebraica, mas precede-a desde tempos antediluvianos. Tem sido declarado que “a distinção entre animais limpos e imundos não se originou com Moisés, mas foi confirmada por ele como um costume há muito establecido, . . “.[42] Certamente a distinção entre animais limpos/imundos não tem o seu início na legislação mosaica.[43] Tal distinção une-se a outras instituições fundamentais que antedatam os tempos israelitas e remontam à história dos próprios inícios de tudo, partilhando de tais verdades eternas como o casamento (Gen 2:18-15), o sábado (Gen 2:1-3), e semelhantes.[44]
http://foroadventista.com/index.php/topic,166.30.html
3a. pergunta, dirigida à pesquisadora Vanessa Silva: Há respaldo entre eruditos para a classificação de animais impuros no sentido de higiene-saúde?

RESPOSTA:
Deus apresentou a Moisés muitas regras de saúde reveladas dentro do código levítico que nos protegeria de doenças. A interpretação da linha higiene/saúde tem firme suporte de eruditos do passado bem como do presente. Vigoroso respaldo para o entendimento higiene/saúde inclui W. F. Albright, R. K. Harrison, R. L. Harris, E. S. Kalland, e Roland E. Clements, além de Isidor Grunfeld, Hayim Halevy Donin, e Walter C. Kaiser. Jr., que discute o significado das leis da saúde encontradas no código. Tais eruditos discutem que as leis promovem a saúde pública e a vida saudável. Daí, Levítico11 pode ser ilustrado como um código que pertence à saúde e ao bem-estar.

4a. pergunta, dirigida à pesquisadora Vanessa Silva: Moisés não teria aprendido essas regras nas escolas egípcias, onde estudou, segundo conceitos daquele povo, discriminatórios a certos animais?

RESPOSTA:
McMillen e Stern descrevem a vida de Moisés ao tempo em que vivia no Egito quando os doutores egípcios escreviam um texto médico descrito hoje como o Papiro Ebers, que é sabido ter sido redigido inteiramente em 1500 A.C. Tal documento é um exemplo de remédios e de curas egípcias antigas para aqueles povos que adoeciam durante aquele período. O papiro empregava muitos animais imundo para tratar doenças. Por exemplo, o calvicie era curada criando uma mistura de gorduras obtidas do cavalo, do hipopótamo, do crocodilo, do gato, da serpente, e da cabra selvagem. Felizmente, Moisés não empregava nenhum dos remédios egípcios porque Deus indicou o padrão para a vida saudável. Não havia qualquer relação nas diretrizes dietéticas de Moisés apresentadas por Deus no Monte Sinai com as e encontradas entre os egípcios. “Sobre ti não enviarei nenhuma das enfermidades que enviei sobre os egípcios; porque eu sou o Senhor que te sara” (Êxodo 15:26).
McMillen e Stern apontam as epidemias que tinham matado milhares dos egípcios e hebreus e aqui nesta cita Deus promete liberdade das doenças se Suas leis fossem seguidas. O mais importante, podemos ver que Moisés recebeu muitas regras de saúde orientadas por Deus que se opunham aos princípios de saúde encontrados no Papiro Ebers, que empregavam animais imundos para eliminar as doenças encontradas entre os egípcios

5a pergunta, dirigida ao Dr. Gerhard Hasel: Que justificativas se dão entre os pesquisadores bíblicos para a adoção dessas regras dietéticas como expostas por Moisés?

RESPOSTA:
De vez em quando se levanta a pergunta, que até se justifica, sobre o porquê de os animais impuros serem proscritos para o consumo humano e como fonte de alimentos. Há mais de uma dúzia de tentativas de explicação.[53] Iremos fazer menção brevemente às mais significativas.
Uma explicação, levantada alguns anos atrás, sustenta que os animais eram vistos como impuros dado a sua associação com religiões pagãs.[54] Essa explicação religio-cúltica tem em seu favor que há um número de animais impuros (particularmente o porco,[55] mas também o cachorro, etc.) que eram usados nos cultos pagãos de egípcios, cananitas e outros povos.[56] Contra tal idéia há o fato de que nem todos os animais impuros eram usados em cultos pagãos[57] e também o fato de que alguns animais limpos (como o touro, a vaca, o carneiro, a cabra e alguns peixes limpos) também eram utilizados em cultos pagãos.[58] E não há indicação em parte alguma de que tais cultos pagãos desempenhassem algum papel nessas proibições.
W. Robertson Smith assumiu uma idéia anterior[59] e desenvolveu o conceito de que a distinção entre animais limpos/imundoso é um remanescente do totemismo.[60 Ele tem sido seguido particularmente por Bernhard Stade.[61 O totemismo é a crença no parentesco entre homem, animais e plantas. “O caráter sagrado do totem exclui as espécies como alimento comum, mas o animal do totem é a vítima da refeição ritual do clã”.[62] A interpretação totemista foi abandonada por causa de sua inadequação[63] e a falta de evidência do totemismo no Velho Testamento.[64
Empregando a metodologia da fenomenologia da religião W. Kornfeld mais recentemente sugeriu que a idéia de animais impuros foi desenvolvida de carnívoros e criaturas conhecidas que comiam carniça, e animais que vivem no deserto ou lugares desolados e ruínas. . .[65]. Em outras palavras, os animais impuros seriam ameçadores à vida. A razão primária por terem sido desqualificados é por ter sido descoberto em suas “práticas ameaçadoras à vida e esferas de existência”.[66] É difícil encontrar apoio suficiente para essas alegações com base no Velho Testamento por si. “Esta teoria”, foi observado, “não pode explicar a exclusão de tais animais domesticados, herbívoros como o camelo, o burro, o coelho ou o cavalo”.[67] Esta hipótese insatisfatória não atraiu muitos adeptos.
Uma abordagem sócio-antropológica foi levantada e tem sido adotada por um crescente número de eruditos em tempos recentes. Merece detida atenção. Mary Douglas, uma antropóloga social, utilizando a hipótese de Durkheimian de que a classificação animal reflete valores societários, assinalou que “qualquer interpretação falhará se não levar em conta os não-faças do Velho Testamento em forma parcelada”.[68] Ela chega aos dados bíblicos sobre animais via-tribo Lele da África que tem complexas regras dietéticas.
Douglas sugere que as espécies declaradas impuras em Levítico 11 são aquelas “que são imperfeitas em sua categoria, ou cuja classe por si mesma confunda o esquema geral do mundo”.[69] Esta ela liga com o conceito de santidade que envolve “manter distintas as categorias de criação”[70] Afirma ela: “Para avaliar esse esquema precisamos remontar ao Gênesis e à criação. Aqui uma classificação tríplice surge, dividida entre a terra, as águas e o firmamento. Levítico toma esse esquema e atribui a cada elemento seu apropriado tipo de vida animal”.[71]
Na consideração de Douglas os animais terrestres têm quatro pernas e cascos sobre os quais andar. Ela, contudo, passa por alto o dado de que somente os quadrúpedes de casco fendido são limpos. No ar os pássaros precisam de duas asas para voar e duas pernas para andar. Na água os peixes têm barbatanas e escamas com os quais nadar. Uma vez mais Douglas passa por alto o fato de que as escamas não são usadas para nadar. Em seu ponto de vista, quaisquer criaturas que cruzem essas fronteiras são anomalias e declarados imundos. Os animais que não se enquadrem na ordem apropriada são inadequados, ou “sujos”, em sua opinião. Seu conceito de “sujo” tem sido severamente criticado.[72]
Sumariando sua posição citamos H Eilberg-Schwartz: “Douglas alega que o mito da criação (Gên. 1:1-2:4) propicia um modelo conceitual para entender o universo. Na visão de Douglas, esse relato da criação propicia um esquema cognitivo no qual a realidade é demarcada e definida. Qualquer coisa que viole as classificações da criação são consideradas como uma falha na criação e, daí, é considerado anormal e impuro”.[73] Os animais que se conformam com a classificação da criação seriam considerados puros e santos.
A hipótese de Douglas tem sido adotada por uma variedade de eruditos,[74] mas também tem sido objeto de incisivas críticas de outros. Robert Alter fez notar que a sugestão de Douglas (e J. Soler) não explica por que as galinhas e os patos são considerados limpos uma vez que são anômalos e não se enquadram na classificação estabelecida.[75] A galinha tem asas mas não voa e o pato tem asas mas vive principalmente na água. Esta objeção é considerada “de peso”,[76] porque mostra que o método de classificação empregado não explica coerentemente a variedade de animais designados como impuros. Jacob Milgrom tem que fazer ajustes de monta na hipótese de Douglas para fazê-la aproximar-se do texto de Levítico 11 e tornar sua explicação de anomalia mais válida.[77]

6a. Pergunta, dirigida à pesquisadora Vanessa Silva: Pode citar dados que comprovem o caráter de preservação de higiene/saúde com respeito aos animais considerados imundos no texto de Levítico e Deuteronômio?

RESPOSTA:
Rex Russell sugere que o sistema digestivo do porco é completamente diferente da “limpa” vaca. O estômago de um porco é considerado extremamente ácido e pode tornar-se diluído por causa de seus hábitos glutões que aumentam o volume do alimento encontrado dentro de seu estômago (Russell 77). Russell explica que quando a diluição do ácido ocorre dentro do estômago, isso permite que todas a sorte de germes, parasitas, bactérias, vírus e toxinas passem facilmente através da barreira protetora do estômago, findando na carne dos porcos. Daí, os agentes infecciosos encontrados na carne de porco podem ser transmitidos aos seres humanos quando comem tais animais (Russell 77). “Nos E.U.A. três das seis doenças provocadas por parasitas em alimentos associam-se ao consumo de porco” (Russell 78).
As doenças parasíticas encontradas em suínos incluem a toxoplasmose, a teníase ou a cistercicose e a triquinilose. Uma infecção comum transmitida aos seres humanos pelo consumo da carne de porco é a triquinose (Murray, seç. 1). Os sintomas preliminares associados com a triquinose incluem, dor muscular, dores de cabeça, febre e inchação nas extremidades (Russell 78). “De 1970-1990, um total de 1820 casos foram registrados” [nos E.U.A.], a maioria envolvendo o consumo da carne de porco (Murray, seç. 1). Aproximadamente cem casos são registrados por ano com uma taxa de mortalidade de dois a três por cento (seç. 1).
O vírus da triquinela é razoavelmente comum entre suínos, mas pode ser transmitido através do consumo de outros animais imundos. Os leões marinhos, as focas, os ursos polares, os gatos, os lobos, as raposas e os ratos são exemplos dos animais imundos que podem também transmitir o vírus da triquinela através do consumo de sua carne (seç.1). Os porcos são bons incubadores de parasitas e de vírus. Um estudo recentemente conduzido ilustrou o fato de que os fazendeiros de porcos enfrentam risco mais elevado em se tornarem infectados com germes parasíticos (Dangerous Parasites 738). 152 suinocultores e 50 indivíduos que não tinham sido expostos a nenhum dos animais de fazenda foram testados quanto a anticorpos contra uma variedade de agentes virais, bacterianos e parasíticos associados com os animais da fazenda. Descobriu-se que 6,6 por cento dos fazendeiros testados tinham anticorpos contra os parasitos, enquanto nenhum anticorpo foi encontrado entre os 50 indivíduos não expostos (738). Adicionalmente, dois por cento dos suinocultores que portavam anticorpos testaram positivamente a cisto hepático (738). Pelos dados acima, é evidente que o consumo de suínos é prejudicial ao corpo humano.

Além das doenças parasíticas encontradas entre o consumidores da carne de porco podemos também ver vírus de gripe encontrados entre seres humanos associados com a carne de porco. Por exemplo, a revista Science publicou uma descoberta de que o vírus da gripe espanhola de 1918, que matou mais de 20 milhões de pessoas por todo o mundo, foi causada por um vírus contraído de porcos” (Jacobson 116). O artigo também declarava que dois outros vírus de gripe se espalharam do consumo de porco, o que inclui a gripe asiática de 1957, bem como a propagação do vírus de Hong Kong que surgiu em 1968. A gripe suína é associada diretamente com a gripe espanhola descrita em 1918, entretanto, esta doença pode ter existido antes desta data (Acland 184). Estima-se que a propagação da gripe suína pode ter matado mais de vinte milhões de pessoas (184). Em 1970 evidência demonstrou que as pessoas cujas atividades as associavam com porcos (por exemplo, suinocultores, trabalhadores de matadouros, e veterinários) tinham maior propensão de possuir anticorpos contra a gripe suína do que os que não tinham tal associação (188). Conseqüentemente, o consumo do porco que é julgado animal imundo associa-se a várias doenças que podem ser mortais à humanidade.

7a. Pergunta, dirigida à pesquisadora Vanessa Silva: E o que nos diz sobre peixes e outros animais marinhos, que muitas vezes são recomendados como ótima fonte de carne saudável e apropriada à alimentação?

RESPOSTA:
Entre todos os animais aquáticos, Levítico11 proíbe o consumo de qualquer animal que não tenha barbatanas e escamas, que são considerados imundos. Camarões, ostras, lagosta, caranguejo, mexilhões, moluscos e o peixe-gato têm a capacidade de filtrar volumes grandes de água e descontaminar águas infectadas com o vírus da cólera (Jacobson 116). Ingerir esses animais marinhos exporá as pessoas a quantidades elevadas de toxinas e de agentes infecciosos porque as criaturas aquáticas alimentam-se de substâncias derivada de esgotos, carregadas de produtos químicos, toxinas e bactérias que podem ser extremamente prejudiciais ao corpo humano (116). O surto de cólera ocorrido nos Estados Unidos em 1986 deixou muitas pessoas sofrendo sintomas de diarréia explosiva, desidratação, inconsciência, hipotensão e morte pelo consumo de frutos do mar (Russell 79). Surtos de cólera ocorreram na América Central e levaram investigadores a concluir que a carne de mariscos era a causa direta da doença (79). Um estudo foi conduzido com 559 voluntários e constatou que 20 por cento deles revelavam evidência serológica do cólera causada aparentemente pelos mariscos que comeram (79). Devido ao risco elevado da doença transmitida pelos mariscos o Estado da Califórnia, nos EUA, propôs uma lei que requer que todo marisco vendido pela indústria de alimentação trouxesse uma mensagem de advertência (79). O cólera é extremamente insalubre para o corpo humano e está associado às criaturas aquáticas que não possuem barbatanas e escamas.
Alimentar-se de peixes imundos associa-se ao risco aumentado em contrair envenenamento de frutos do mar. A rede da segurança alimentar nos adverte de envenenamento paralizante, neurotóxico e diarréico por consumo de mariscos, considerados biblicamente imundos (Plantz, sec.1). Dinoflagelados são organismos aquáticos vermelhos presentes na água durante uma “uma maré vermelha” e podem matar peixes e outros organismos com sua capacidade de liberar venenos na água (sec. 1). Plantz explica que os mariscos se tornam contaminados com serotoxina que é um veneno paralizante, liberado pelos dinoflagelados ao filtrarem a água. Se mariscos são ingeridos durante uma ocorrência de maré vermelha, sintomas de náusea, vômito, dor abdominal e insensibilidade podem ocorrer trinta e duas horas mais tarde.
Em 1987, a Guatemala sofreu um surto de 187 casos de envenenamento paralizante causado por mariscos e um total de vinte seis mortes de pessoas que comeram uma sopa de moluscos. A entidade americana U.S. Food and Drug Administration [Administração de Alimentos e Remédios] informou que no mesmo ano do surto da Guatemala houve 156 casos descobertos na Ilha Príncipe Edward de envenenamento amnésico por consumo de frutos do mar; 3 dentre os 156 vitimados morreram e 22 foram hospitalizados. Em 1990, o Departamento de Saúde Pública de Massachusetts declarou que seis pescadores ficaram severamente doentes depois de comerem mexilhões azuis na área de Georges Banks (MMWR 157). A MMWR indicou que no mesmo ano um homem nativo do Alaska morreu após ter consumido mariscos. Em ambos os casos verificou-se que os mariscos consumidos pareciam ter sido bem cozidos, mas continham ainda níveis elevados de substâncias venenosas paralizantes (159). A MMWR fez notar também ter havido 94 casos de envenenamento paralizante por mariscos durante o período de 1976 a 1989. Portanto, crescentes riscos estão associados com o consumo de animais aquáticos imundos porque são contaminados com várias doenças que podem ser transmitidas aos seres humanos.

8a. Pergunta, dirigida ao Dr. Gerhard Hasel: Quais são as objeções que certos estudiosos apresentam à interpretação higiene/saúde das regras dietéticas de Levítico 11 e Deuteronômio 14?

RESPOSTA:
Há várias reações ao raciocínio higiene/saúde das leis dietéticas. Entre as reações há várias que podem ser consideradas rapidamente. Uma objeção é que “outros povos têm mantido ou mantêm que certos animais são impuros, contudo suas demarcações raramente coincidem com as bíblicas”.[83] A razão, ou razões, por que certos povos têm alguns animais na conta de imundos pode dever-se a uma variedade de propósitos e tradições, algumas de caráter religioso, cúltico, divinatório, e assim por diante.[84]
Outra objeção sugere que “alguns dos animais limpos são mais questionáveis em bases higiênicas do que certos animais impuros”.[85] Esta asserção permanece sem comprovação. Supostamente “está longe de evidenciar-se que todos os animais impuros . . . são prejudiciais à saúde”.[86] O fato é que não sabemos ainda tudo com respeito aos prejuízos a longo ou curto prazo do consumo de carnes de animais imundos. É necessário conhecer todas as ramificações da instrução dietéticas para ela ser válida?
Uma terceira objeção é que “o VT não oferece indício que tais comidas sejam um perigo à saúde” e que as leis dietéticas não apresentam cláusulas de seus motivos.[87] No que concerne a cláusulas de motivo na estrutura lingüística hebraica, deve-se notar que isso está ausente na maioria das leis e instruções no livro de Levítico. Mas em parte alguma há uma indicação de que a falta de uma cláusula de motivo relega uma lei cerimonial ou universal à falta de validade. Assim os padrões do livro aplicam-se a Levítico 11. Quanto a se o Velho Testamento indica ou não pistas com respeito à questão sanitária depende de como se entende o chamado para ser “santo” (Lev. 11:44-45). A santidade envolve ser integral, completo, em todas as esferas, inclusive a física. A saúde está incluída na santidade.
Há quem objete que se higiene fosse um motivo, porque as plantas venenosas não são “classificadas como impuras?”[88] Mas a regulamentação para o consumo de plantas já é dado em Gênesis 1:29-30, uma instrução universal que ainda vale, a despeito da permissão de comer a carne de certos animais após o Dilúvio. Por que teria que ser repetida aqui onde a questão de animais está em discussão e não a questão de plantas?

10a. Pergunta dirigida ao Dr. Gerhard Hasel: O que nos diz das palavras de Marcos 7:19 de que Jesus teria purificado todos os alimentos?

RESPOSTA:
Esta questão merece uma investigação em ampla escala, que não pode ser realizada aqui. Restrigimo-nos a algumas poucas observações essenciais. Há somente uma passagem no Novo Testamento em que se atribui uma declaração de Cristo que requer mais detida atenção. Uma breve sentença em Mar. 7:19 é colocada entre parênteses em traduções em inglês, e freqüentemente vertida, “Assim Ele declarou todos os alimentos puros” (NASB). Uma discussão se desenvolverá quanto a ser essa uma genuína declaração de Jesus.[91]
Tanto a tradução quanto o significado dessa cláusula são altamente debatíveis, pelo que se deduz de um rápido exame de comentários bíblicos. As palavras “assim Ele”, que na verão NASB consta em itálico, indica que a construção participial grega é ambígua, não tendo conexão sintática direta. Isto por si só já constitui um sério problema. A tradução fornecida na NASB torna o particípio masculino (katharizôn, lit. “purificando”) dependente de “ele diz” (légei) no vs. 18. É isso justificável?
Um número de competentes comentaristas vê a conexão sintática em forma diversa, ou seja, como um anacoluto pelo qual se tira a conclusão óbvia de que o processo digestivo normal “purifica todos os alimentos”[92] Ainda há Matthew Black que toma o termo “alimento” (brómata) como singular e o particípio precedente “purificando” (katharizôn) como um passivo. Ele verte a sentença “pois não entra em seu coração, mas em sua barriga, assim sendo, todo o alimento lançado fora é purificado”.[93] Nesse caso Jesus nada disse segundo a NASB e outras traduções semelhantes apresentam. Por estas alturas torna-se óbvio que tais divergências de opinião demonstram que essa pequena sentença não é tão facilmente entendida quanto parece. Se algumas das sugestões referidas estão corretas, então a sentença nada teria a ver com Jesus declarar todos os alimentos puros. Faz-se necessária cautela com esta sentença, sua relação sintática e significado.
A segunda observação diz respeito à leitura variante de Mar. 7:19 nos manuscritos gregos. Uma nota de rodapé na Bíblia de Jerusalém sobre esta cláusula problemática no vs. 19 declara que “a cláusula (possivelmente uma glosa) é obscura e interpretada de maneiras variadas”.[94] Além das razões já declaradas acima, há quatro formas diferentes para a palavra grega “purificar” numa grande variedade de manuscritos gregos, cada uma conduzindo a um significado diferente da difícil cláusula.[95] Essa é a razão para a VKJ (King James) de 1611 trazer “purificando todos os alimentos” nessa disputada sentença. Tal tradução é apoiada pela forma como aparece no Textus Receptus do particípio neutro katharizon, “purificando”, que se entende modificar a sentença “tudo quanto vai para dentro a partir de fora (pan to exothen eisporeuomenon do vs. 18.[96]
Conquanto mais e mais traduções recentes vertam esta cláusula problemática como “assim Ele declarou puros todos os alimentos”,[97] de modo algum há qualquer certeza de ser esse o sentido real da cláusula. . . . Literalmente os termos gregos “katharizôn panta ta bromata” significa “purificando todos os alimentos”. Em vista desses destacados problemas textuais, não seria sábio a um estudante sério da Bíblia concluir ser certo (1) que Jesus é que está falando, e (2) que a sentença signifique com certeza que Ele declarou todos os alimentos puros, e assim comestíveis.
Nossa terceira observação diz respeito à questão do que Jesus quereria dizer com esta sentença, se a tradução da NASB (e outras) devesse ser acatada, e se Ele de fato dissesse algo em tais termos. Aqui um breve comentário da palavra “alimentos” (brómata) pode ajudar. Marcos 7:19 aparece no contexto mais amplo da controvérsia de Jesus concernente às regras rabínicas quanto a alimentos (Mar. 7:3-5). Dentro desse contexto, a idéia de animais imundos nem caberia no sentido de “alimento” porque animais imundos não eram considerados “alimento” por um judeu fiel nos dias de Jesus.
Uma quarta consideração também seria aqui apropriada. Acaso Mar. 7:1-23, do qual o vs. 19, com a alegada declaração de Jesus faz parte, trata da distinção de alimentos puros/imundos de Levítico 11 (e Deuteronômio 14), ou com a distinção de puro/imundo das abluções rituais rabínicas, ou seja, as tradições dos anciãos? Se a resposta for a última opção e o contexto mais amplo aponta nesse rumo, então a suposta declaração de Jesus nada tem a ver com as leis dietéticas de Levítico 11 e Deuteronômio 14.
Contra o quê está Jesus argumentando dentro do contexto mais amplo de Marcos 7--as leis dietéticas do Pentateuco dadas por Deus, ou a lei oral (halacha) acrescentada às leis de Deus pelos rabinos? É importante considerar a passagem completa de Mar. 7:1-23 e evitar operar segundo uma metodologia de crítica textual atomística, por separação de pequenos segmentos.
Marcos 7:2-5 claramente indica que a questão em debate é a “tradição dos anciãos” (v. 3), e que os discípulos comiam alimentos sem observar os regulamentos rabínicos apropriados quanto a lavar as mãos, segundo uma tradição humana em particular, tornando os alimentos puros em impuros, no ato de comê-los, por não terem lavado as mãos segundo a maneira prescrita.
Nos vs. 7-10 Jesus reitera a lei de Deus e a contrasta com a “tradição dos homens” (v. 8), indicando que Ele mantém a lei de Deus, até referindo-se a Moisés num sentido positivo nos vs. 7 e 10.
Destarte, Jesus não vai de encontro à lei divina, e sim contra a tradição dos homens. Joachim Jeremias assinala que a declaração-chave de Jesus no vs. 15 “não significa uma anulação de todos os regulamentos da Torah com respeito a alimentos limpos e imundos,[98] mas que Jesus nega a halacha de pureza rabínica”.[99] C. E. B. Cranfield também alega que no contexto de Mar. 7:1-13 Jesus “está tomando o partido da lei escrita contra a lei oral [halacha]”.[100] Esses estudiosos mantêm que Mar. 7:1-23 não devia ser separado, que a passagem completa que conclui no vs. 23 é o contexto apropriado para o vs. 19. Essa posição parece contextualmente válida. William H. Lane comenta, com respeito a Mar. 7:19: “Jesus não tem intenção de negar que as leis de purificação ocupam um lugar significativo no código mosaico (Lev. 11:1-47; Deut. 14:1-20) nem pretende desviar-Se da dignidade dos homens que sofreram morte, antes que violar a lei de Deus no que tange a alimentos puros (I Mac. 1:62ss). Em vez disso, Ele impressiona-lhes a mente com o reconhecimento de que a última instância de pureza ou contaminação perante Deus é o coração”.[101]
Esses intérpretes demonstram, com base no contexto, que é inapropriado concluir que Jesus desfaz a distinção de puro/imundo nas leis dietéticas da Torah. Este ponto de vista é respaldado ainda com o texto paralelo de Mat. 15:1-20 em que a declaração de Mar. 7:19 não aparece. O debate em Marcos é contra a “tradição dos homens”, as leis rabínicas de pureza que prescreviam como as mãos deviam ser lavadas antes de comer, a fim de que a pessoa não se contaminasse ritualmente quando comendo. Se a cláusula problemática do vs. 19 devesse ser entendida como se Cristo declarasse que todos os “alimentos” eram ritualmente puros, então Ele contextualmente declararia apenas que o comer alimentos com mãos “ritualmente imundas” (vs. 5), segundo tradições rabínicas, não implicaria em regra a Seus seguidores. Jesus não removeu a distinção de animais limpos/imundos de Levítico 11 (e Deuteronômio 14) como o contexto torna claro, e como a palavra “alimentos” (brómata) no grego indica. O último termo nunca é empregado para distinguir alimento derivado de animais puros/imundos em comparação com outros tipos de alimentos.[102]



Notas [Dr. Gerhard Hasel]


32. A definição de “estrangeiro, peregrino” como fornecida em W. L Holladay, Jr., A Concise Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1971), p. 64, reza: “ger é um indivíduo que sozinho ou com sua família deixa a sua aldeia e tribo por cause de guerra (2S 4:3), fome (Ru 1:1) pestilência, culpa por crime, etc. e busca abrito e viaja para outra parte, onde o seu direito a possuir terra, casar e participar na adminitração de justiça, na vida religiosa e em guerra é impedida”. O ger, “estrangeiro, peregrino”, era geralmente um não-israelita que escolhia viver entre os israelitas sem tornar-se israelita.

33. D. Kellermann, “gur”, Theological Dictionary of the Old Testament, eds. J. G. Botterweck and H. Ringgren (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1975), II:447.

34. E. Gerstenberger, “t”b”, Theologisches Handwörterbuch zum Alten Testament, eds. E. Jenni and C. Westermann (Zurich/Munich: Kaiser, 1976), II:1053.

35. Crédito para assinalar essas relações universais entre Lev 17-18 e Deut 14 vai para o meu colega, Dr. Richard Davidson.

36. Por exemplo, Claus Westermann, Genesis 1-11. A Commentary (Minneapolis: Augsburg Publishing House, 1984), pp. 427-29; Hermann Gunkel, Genesis (6th ed.; Berlin: Evangelische Verlagsanstalt, 1963), pp. 62-64; O. Procksch, Die Genesis (Leipzig: Deichertsche Verlagsbuchhandlung, 1913), pp. 62-65; Gerhard von Rad, Genesis. A Commentary (Philadelphia: Westminster Press, 1961), pp. 114-16; Walter Brueggemann, Genesis. A Bible Commentary for Teaching and Preaching (Atlanta: John Knox Press, 1982), pp. 73-88.

37. Para uma análise crítica com a literatura moderna, ver Gerhard F. Hasel, Biblical Interpretation Today. An Analysis of Modern Methods of Biblical Interpretation and Proposals for the Interpretation of the Bible as the Word of God (Washington, D.C.:Biblical Research Institute of the General Conference of Seventh-day Adventists, 1985), pp. 7-27.

38. Gên 1-11 é costumeiramente designada “história primeva”. Pode ser mais vantajoso chamá-la “história dos princípios”. É universalmente reconhecido como “universal” em encenação e tendo o mundo inteiro em vista. Ver A. E. Speiser, Genesis “The Anchor Bible” (Garden City, NY: Doubleday, 1964) p. LIII; Westermann, Genesis 1-11, pp. 1-64; Victor P. Hamilton, “The Book of Genesis Chapters 1-17, The New International Commentary on the Old Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1990) p. 10; Gordon J. Wenham, Genesis 1-15 “Word Biblical Commentary, vol. 1” (Waco, TX: Word Book Publishers, 1987) pp. xlvi-liii.

39. Gunkel, Genesis, p. 62.

40. Westermann, Genesis, p. 428.

41. So G. Ch. Aalders, Genesis, Vol. 1 (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1981), p. 168.

42. C. F. Keil and F. Delitzsch, Commentary on the Old Testament. The Pentateuch (Grand Rapids, MI: Eerdmans Publ. Comp., n.d.), I:144.

43. Hansjörg Brí¤umer, Das erste Buch Mose, Kapitel 1-11 (Wuppertal: R. Brockhaus, 1983), p. 171.

44. Argumento semelhante é apresentado por Wenham, Genesis 1-15, p. 177.

53. Pesquisas e avaliações são aparesentadas entre outros por W. H. Gispen, “The Distinction Between Clean and Unclean”, Oudtestamentische Studií«n, ed. P. A. H. de Boer (Leiden: E. J. Brill, 1948), V:190-96; I. Grunfeld, The Philosophical and Moral Basis of the Jewish Dietary Laws (London: The Hillel Foundation, 1961), pp. 5-22; Walter Kornfeld, “Die unreinen Tiere im Alten Testament”, Wissenschaft im Dienste des Glaubens. Festschrift für Abt Dr. Hermann Peichl (Wien: Herder Verlag, 1965), pp. 11-27; idem, “Reine und unreine Tiere im Alten Testament”, Kairos 7 (1965):134-47; J. Milgrom, “The Biblical Diet Laws as an Ethical System”, Interpretation 17 (1963):288-301; Gordon J. Wenham, “The Theology of Unclean Food”, Evangelical Quarterly 53 (1981):6-15.

54. Este ponto de vista é apoiado por Martin Noth, Leviticus (London: SCM Press, 1965), p. 62; idem, The Laws in the Pentateuch and Other Studies (Philadelphia: Fortress Press, 1966), pp. 56-57; Döller, Die Reinheits- und Speisegesetze, pp. 231-32; e parcialmente por Noordtzij, Leviticus, pp. 121-22; e outros.

55. Frederick J. Simoons, Eat Not This Flesh. Food Avoidances in the Old World (Madison: University of Wisconsin Press, 1961), pp. 13-43.

56. Para evidência de tempos antigos, ver Kornfeld, “Reine und unreine Tiere im Alten Testament”, pp. 135-36, e evidência mais recente, ver R. de Vaux, “Les sacrifices de porcs en Palestine et dans l”Ancien Orient”, Von Ugarit nach Qumran, eds. J. Hempel and L. Rost (Berlin: Töpelmann, 1958), pp. 250-65; Anton Jirku, “Leviticus 11, 29-33 im Lichte der Ugarit-Forschung”, Zeitschrift für die alttestamentliche Wissenschaft 84 (1972):348.

57. Wenham, Leviticus, p. 167; Kornfeld, “Reine und unreine Tiere im Alten Testament”, p. 136.

58. Porter, Leviticus, 84.

59. Mac Lennan, The Worship of Animals and Plants (1869) como citado em Kornfeld, Die unreinen Tiere im Alten Testament, p. 12 n. 12.

60. W. Roberston Smith, Lectures on the Religion of the Semites (Edinburgh: T. & T. Clark, 1889), p. 143.

61. Bernhard Stade, Biblische Theologie des Alten Testament (Tübingen: J. C. B. Mohr, 1905), I:135-42.

62. M. H. Pope, “Totemism”, Interpreter”s Bible Dictionary (Nashville, TN: Abingdon Press, 1962), IV:674.

63. Ver Eduard König, Theologie des Alten Testaments kritisch und vergleichend dargestellt (Stuttgart: C. Belser, 1922), pp. 28-29. Particularmente iluminadora é a critica de Karl Wigand, “Die altisraelitische Vorstellung von unreinen Tieren”, Archiv für Religionswissenschaft 17 (1914):427-31.

64. Kornfeld, Die unreinen Tiere im Alten Testament, p. 12.

65. Ibid., p. 26.

66. Ibid.

67. Jacob Milgrom, “Ethics and Ritual: The Foundations of Biblical Dietary Laws”, Religion and Law: Biblical-Judaic and Islamic Perspectives, eds. Edwin B. Firmage, Bernard G. Weiss and John W. Welch (Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1990), p. 175.

68. Douglas, Purity and Danger, p. 49.

69. Ibid., p. 55.

70. Ibid., p. 53.

71. Ibid., p. 55.

72. Anna S. Meigs, “A Papuan Perspective on Pollution”, Man 13 (1978): 304-318.

73. Eilberg-Schwartz, p. 358.

74. Jacob Milgrom, “An Investigation into the Meaning of “unclean” in Our Culture”, Directions (Los Angeles: The University of Judaism, 1981), pp. 4-6; J. R. Porter, Leviticus (London: Cambridge University Press, 1976), p. 84; Wenham, Leviticus, pp. 168-71; idem, “The Theology of Unclean Food”, pp. 9-11; Gammie, Holiness in Israel, pp. 10-11.

75. Robert Alter, “A New Theory of Kashrut”, Commentary 68/2 (1979):49, onde ele realmente faz objeção a Jean Soler, “The Dietary Prohibitions of the Hebrews”, The New York Review of Books (June 14, 1979):24-30, emprego desses animais. Soler and Douglas, contudo têm o mesmo argumento, e assim aplica-se a ambos.

76. Assim também Eilberg-Schwartz, p. 359.

77. Milgrom, Ethics and Ritual, pp. 176-183.

83. Wenham, The Theology of Unclean Food, 6.

84. Kornfeld, “Reine und unreine Tiere im Alten Testament”, pp. 134-36.

85. Wenham, Leviticus, pp. 167-68.

86. Wenham, The Theology of Unclean Food, 6.

87. Wenham, Leviticus, p. 168.

88. Ibid.

92. Assim entre outros E. Klostermann, “Das Markusevangelium”, Handbuch zum Neuen Testament, (2nd ed.; Tübingen: Kohlhammer, 1926), p. 71; W. Grundmann, Das Evangelium nach Markus, p. 195.

93. Matthew Black, An Aramaic Approach to the Gospels and Acts (2a. ed.; Oxford: Oxford University Press, 1954), p. 217.

94. Alexander Jones, editor geral, The Jerusalem Bible (Garden City, NY: Doubleday and Company, Inc., 1966), p. 75.

95. Ver o aparato textual para o vs. 19 in K. Aland, M. Black, B. M. Metzger e A. Wikgren, eds., The Greek New Testament (Stuttgart: Württembergische Bible Society, 1966), p. 150.

96. Robert G. Bratcher e Eugene A. Nida, Translator”s Handbook on the Gospel of Mark (Leiden: E. J. Brill, 1961), p. 232.

97. A Nova King James verte a disputada sentença, “assim purificando todos os alimentos”. Mas adiciona uma nota marginal ao vs. 19 dizendo: “NU estabelece a oração final como um comentário de Marcos de que Jesus declarou todos os alimentos puros”. A sigla NU refere-se ao texto eclético e crítico reconstruído no Novo Testamento de Nestle-Aland Greek (26a. edição), assim N, e a terceira edição das Sociedades Bíblicas Unidas, desta forma, U.

98. Joachim Jeremias, Neutestamentliche Theologie. Erster Teil: Die Verkündigung Jesu (2a. ed.; Gütersloh: Gütersloher Verlagshaus Gerd Mohn, 1973), p. 213.

99. Ibid., p. 202.

100. C. E. B. Cranfield, “The Gospel According to St Mark” The Cambridge Greek Testament Commentary (Cambridge: At the University Press, 1963), p. 243.

101. William L. Lane, The Gospel According to Mark (Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing Company, 1974), p. 255.

102. H. Krapotschek, “[/i]Broma”, The New International Dictionary of New Testament Theology[/i], ed.Colin Brown (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1976), 2:268-69.

Notas [Vanessa Silva]:


Acland, Helen, et al. Diseases of Swine. Ames, Iowa: The Iowa State University Press, 1981.

Collins, Jocelyn. “Raptors”. UWC Enviro Facts 1 February, 2001.

“Dangerous Parasites Common among Pig Farmers”. New England Journal of Medicine. September. 2000:343.

Food Safety Network. Shellfish Toxins. University of Guelph, 2004.

Jacobson, Dr. Michael D. The World of Health. Chicago: Moody Press, 2000.

McMillen, S.I and Stern, David E. None of These Diseases. Grand Rapids, MI: Fleming H.Revell, 2000.

Mercola, Joseph. “Toxicology: How Mercury Harms Humans”. Dr. Joseph Mercola. (2004): 1-3.

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Mensagem em Sex Jun 04, 2010 9:30 pm por Eduardo

A Lei de Deus

Publicado em 18/11/2010 por Seventh Day








Compete ao homem estabelecer por si mesmo o conceito do que é certo e do que é errado? Ou a tarefa de legislar sobre o bem e o mal, o certo e o errado, a verdade e o engano, é incumbência de um Ser de conhecimento e sabedoria infinitamente superiores?

Neste exato sentido, torna-se urgente uma séria reflexão para distinguir o que é preciso fazer para ser moral e o que é preciso fazer para ser salvo.

Cabe a pergunta: existe alguma norma padrão de comportamento válida igualmente para todos os mundos criados por Deus? É claro que sim. Afinal, os seres criados não serão julgados por regras desconhecidas ou diferentes. Isso seria absolutamente injusto. Deus apontou claramente a Lei pela qual o homem será julgado e apela para que ele a siga. E já que todos seremos julgados por ela, é nosso dever, especialmente neste tempo, em vista do juízo que se realiza no Céu, examinar nossa vida com toda a sinceridade à luz dessa lei. Estamos obedecendo a todos os mandamentos de Deus? Um erro nesse ponto pode ser fatal para a nossa salvação. Cada um deve examinar cuidadosamente sua consciência diante de cada mandamento e colocar sua vida em harmonia com os preceitos divinos.

E é preciso ter presente que, sem Cristo, não se pode pôr a vida em harmonia com a Lei de Deus. “Sem Mim nada podeis fazer” (João 15:5). Ninguém possui capacidade para cumprir os mandamentos de Deus. O poder para tal vem de Jesus. Somente quando Ele vive em nós (Gál. 2:20), somos habilitados a guardar os Seus mandamentos.
As Únicas Coisas que Deus fez com Suas Próprias Mãos



O Homem – Gên. 2:7
E os Dez Mandamentos – Êxo. 31:18

A Lei de Deus (os Dez Mandamentos) é aquela parte da Bíblia, e a única, que não foi dada por inspiração. A lei era demasiado importante para que Deus confiasse ao homem o encargo de escrevê-la. O próprio Senhor proferiu os Seus mandamentos aos ouvidos de milhões de pessoas, escrevendo-os depois com o próprio dedo sobre tábuas de pedra. Isto revela a alta importância que Ele dá aos princípios que essa lei contém. Todos os ensinos da Bíblia foram dados por inspiração, por isso revestem-se de grande importância. De importância ainda maior é a Lei de Deus, que existiu desde a criação do mundo, e que foi reiterada no monte Sinai.

Esse código é breve, mas abrange tudo. É a mais perfeita regra de conduta. Não somente prescreve o dever do homem para com Deus e seus semelhantes em sua conduta exterior, mas alcança até mesmo os pensamentos e intenções mais secretas do coração.

Nem toda a sabedoria humana através dos séculos conseguiu apontar um único erro nesse código. Foi dado ao homem no alvorecer da civilização e não pode ser superado pelo progresso da humanidade, confirmando a perpetuidade dos princípios nele consagrados.

Uma lei completa e perfeita não é coisa fácil de produzir. As leis promulgadas pelos homens ressentem-se de muitos defeitos, por isso são constantemente alteradas, emendadas e até extintas. Mas a Lei de Deus é eterna (Sal. 19:7). Jamais foi ou será alterada ou abolida. É a jurisprudência mais perfeita já produzida sobre ética, justiça e moral.
Os Princípios Eternos Contidos nos Dez Mandamentos – Êxo. 20:1-17



1º Mandamento: Não ter outros deuses (o princípio da lealdade)
2º Mandamento: Não adorar imagens ou ter ídolos (o princípio da adoração)
3º Mandamento: Não tomar o nome de Deus em vão (o princípio da reverência)
4º Mandamento: Santificar o dia de sábado (o princípio da santidade)
5º Mandamento: Honrar pai e mãe (o princípio do respeito à autoridade)
6º Mandamento: Não matar (o princípio do respeito à vida)
7º Mandamento: Não adulterar (o princípio da fidelidade)
8º Mandamento: Não furtar (o princípio da honestidade)
9º Mandamento: Não mentir (o princípio da veracidade)
10º Mandamento: Não cobiçar (o princípio do contentamento)

A diferença entre cobiça e inveja é que cobiça significa desejar o que o outro tem (cobiçar a coisa alheia), enquanto que inveja é desejar que o outro não tenha. A inveja é pior do que a cobiça, porque ao invés de desejarmos o que o outro tem, queremos que ele não tenha. É um sentimento ainda mais rasteiro. O décimo mandamento contempla as duas hipóteses.
Os Nãos de Deus



Não ultrapasse. Não estacione. Velocidade máxima 80 km. Cuidado, curva perigosa. Os sinais na estrada não são para tirar o prazer do passeio; servem para trazer segurança e tornar a viagem mais proveitosa. Da mesma maneira, os mandamentos de Deus são muito mais do que uma série de proibições. Na verdade, eles expressam princípios eternos que não se referem apenas a coisas que não deveríamos fazer, mas também aquilo que devemos praticar.

Às vezes se ouve dizer em tom de brincadeira que os Dez Mandamentos se tornaram hoje as Dez Sugestões. Será que realmente a maior parte da humanidade não está agindo como se fosse assim? Como podemos fazer a diferença entre a liberdade e o abuso em nossa própria vida? Quanto tempo dura um casamento sem o estabelecimento de limites e a observância de regras? O marido, a pretexto de ser mais feliz, resolve abandonar a mulher e os filhos e vai viver com outra. O sócio, sem combinar com a outra parte, decide convidar outra pessoa para se juntar à sociedade. Esses atos constituem uma violação de regras, leis e princípios. Quanto tempo durariam as relações humanas sem a observância de leis e respeito a determinados princípios morais? É por isso que precisa haver limites. Só assim as relações podem ser preservadas. A violação dos princípios expressos na Lei de Deus inevitavelmente leva à ruína e ao caos.
Os Dois Princípios que Embasam a Lei de Deus



O amor a Deus e o amor ao próximo – Mat. 22:35-40; Deut.6:5; Lev.19:18

Se alguém imagina que Jesus, em substituição aos Dez Mandamentos, nos deixou apenas dois, está redondamente enganado. Na verdade, Jesus apontou os dois princípios básicos nos quais toda a Lei está baseada. Esses princípios não excluem nem um jota ou um til da Lei. Eles são a súmula e a essência dela. Quando amamos a Deus de todo coração e mente, cumprimos o primeiro princípio; e quando amamos o nosso próximo como a nós mesmos, atendemos ao segundo. Em resumo, a base sobre a qual está sedimentada toda a Lei de Deus é o amor (Rom. 13:10).
Princípios Eternos que vão além dos Atos Exteriores



A lei de Deus alcança também os pensamentos e intenções do coração – Mat. 5:27-30

Quem não quer comprar na loja de Satanás, não fique espiando em suas vitrines. O objetivo da vitrine é promover o desejo de comprar.
Para Jesus, apegar-se à letra da lei não bastava (Mat. 5:20). O verdadeiro respeito pela lei requer o respeito pelo espírito que está por trás de cada preceito. Assim o mandamento “não matarás” requer também não ferir, mesmo verbalmente (Mat. 5:21-22). O que isso sugere é que a única maneira certa de compreender a lei é procurar o princípio por trás dos preceitos.
A Função da Lei



A lei é como um espelho – Tiago 1:22-25

Esse texto nos diz que a lei funciona como um espelho. O espelho mostra as manchas no nosso rosto, mas é incapaz de removê-las. Assim acontece com a lei de Deus. Revela nossos problemas, nossos defeitos de caráter, mas por si mesma ela não faz nenhuma mudança. Portanto, a lei tem um papel muito importante: o de apontar o pecado. Contudo, quem remove a mancha (pecado) é Cristo.

A lei revela o pecado – Rom. 3:20; Rom. 7:7
A lei conduz a Cristo – Rom. 10:4

Assim, a outra função importante da Lei de Deus, depois de nos revelar o pecado, é nos conduz a Cristo. Depois de revelar nosso verdadeiro caráter, a lei nos conduz ao Único que pode resolver o nosso problema: Jesus Cristo. A função da lei, portanto, não é salvar, mas nos conduzir a Quem nos salva.

Da mesma forma que o espelho revela que precisamos da água para remover as manchas do nosso rosto, a Lei de Deus nos mostra que necessitamos de Jesus, para limpar as manchas do nosso caráter.

Podemos concluir então que a lei de Deus tem uma função civil: prevenir transgressões. Tem uma função teológica: revelar o pecado e nos conduzir a Cristo. E por último tem ainda uma função didática: mostrar onde estão nossos valores.

Enquanto a vida nos obriga a escolher, a lei de Deus nos ajuda a escolher bem. A escolher o certo. A fazer distinção entre o bem e o mal.

A lei nos conduz a Cristo para sermos salvos (justificação). E Cristo nos envia à Lei para sermos transformados (santificação).

Para guardar a Lei é preciso buscar a Jesus o tempo todo – Heb. 12:2

A simples presença da autoridade (policial) inibe a vontade de cometer a infração.

O que é o Pecado?

Transgressão da lei – I João 3:4

Não está escrito que o pecado foi ou era a transgressão da Lei, mas que é a transgressão da Lei. Portanto, está claro que os Dez Mandamentos ainda estão em pleno vigor e estarão para todo o sempre. A expressão todo aquele envolve a humanidade como um todo, não apenas uma nação isolada (os judeus).

A violação do Código Penal é crime. A violação do Código de Trânsito é infração. A violação da Lei de Deus é pecado.
Evidência de que a Lei Moral Existia antes de Ser Proclamada no Sinai



Pela desobediência de um só, muitos se tornaram pecadores – Rom. 5:19

O homem pelo qual entrou o pecado no mundo foi Adão. Visto que o pecado é a transgressão da lei, segue-se que já existia a lei no Éden. Do contrário não teria havido transgressão nem pecado.

Como Deus havia revelado essa lei antes de escrevê-la em tábuas de pedra? Por ocasião da criação, Ele a escreveu no coração e na consciência dos homens (Rom. 2:15). Ao inscrever a lei na pedra, Deus pretendia que os homens pudessem enxergar melhor o pecado. Enquanto estava no Egito, rodeado de idolatria e pecado como resultado de sua longa escravidão, o próprio Israel, que era o povo peculiar de Deus, havia esquecido de Deus e perdido de vista Seus mandamentos. Sem que alguém se convença de que é pecador, não pode ver a necessidade de um Salvador. Os sãos não precisam de médico, e sim, os doentes (Mat. 9:12). Daí a necessidade de publicação da lei para o mundo, por meio de Israel no Sinai.
A Relação Entre a Lei e a Graça



A fé não anula a Lei – Rom. 3:31
A guarda dos mandamentos é uma evidência da fé – João 14:15

Graça é a mão de Deus que Se estende para a humanidade. Fé é a mão do homem que se ergue para alcançar a mão de Deus. Jesus Cristo é o único intercessor que une essas duas mãos (I Tim. 2:5).
Debaixo da Lei ou Debaixo da Graça?



A graça não dispensa a guarda da lei – Rom. 6:14 e 15

A única maneira de alguém ser salvo é pela graça. Ninguém será salvo por guardar a lei. Quando a lei é desrespeitada, o transgressor está sujeito à sua condenação – a morte. Todavia, ao se arrepender e receber o perdão de Deus (a graça), o pecador não está mais sob a condenação da Lei. Portanto, não está debaixo da lei como sistema de salvação.

Sem lei não há transgressão – Rom. 4:15
A graça só existe, onde há transgressão – Rom. 5:20

Não pode haver graça sem a Lei, como não existe perdão sem ofensa. A graça só é necessária exatamente porque a Lei está em vigor, apontando a transgressão. A graça não significa licença para desobedecer. Se o governante concede o perdão judicial a um criminoso, certamente não o fará com o objetivo de que ele continue a praticar os seus crimes. Não, a lei está de pé. Ele deve observá-la, caso contrário, voltará a ser condenado.

Salvos pela graça, Jesus nos manda cumprir a Lei – João 8:11

A Escritura incluiu a todos como pecadores, para que a salvação por meio do sacrifício substitutivo de Cristo pudesse ser concedida aos que crêem. Resulta que, pondo-se de parte a lei, o evangelho é desfalcado de seu auxiliar mais importante. Simplesmente porque é afastado o único meio que conduz os homens a Cristo. Sem que se vislumbrem como pecadores através da própria imagem refletida no espelho da lei, os homens jamais sentirão a necessidade do perdão de Deus e da salvação através dos méritos de Jesus Cristo. Cada indivíduo que vive nas trevas vai ao Sinai e aprende que é pecador. Isso o leva ao Calvário para obter o perdão de seus pecados, e alcançar, assim, a salvação. Portanto, a lei serve ao mais necessário e bendito propósito, e não deve, por isso mesmo, ser removida da estratégica função que ocupa no processo da salvação.
A Regra do Juízo



Cumprir a Lei é um dever de todo homem – Ecles.12:13-14
Os homens serão julgados pela “lei da liberdade” – Tia. 2:12

Enquanto a autoridade civil reconhece que a obediência à lei implica em liberdade, ainda há quem ensine que obedecer à Lei de Deus seja escravidão. Quem é escravo, aquele que não pode viver sem drogas ou quem não as usa? Quem é livre, aquele que obedece às leis do país ou o que as transgride? Que liberdade há para o criminoso que está preso? O cidadão que obedece às leis é um homem livre. Por isso Tiago chama os Dez Mandamentos de “Lei da Liberdade”.

Importante observar que o verdadeiro cristão obedece à Lei de Deus não para obter salvação, mas como evidência da fé na salvação já obtida em Jesus. A salvação em Cristo é que livra o homem da escravidão dos vícios e pecados e o habilita a guardar os mandamentos de Deus.
O Uso Equivocado da Lei



Paulo conhecia bem o problema do legalismo – Fil. 3:4-6

Tendo vivido como fariseu até seu encontro com Cristo no caminho de Damasco, Paulo se orgulhava do legalismo. Legalismo é achar na obediência à lei o meio de salvação. Mas quando aceitou o evangelho, Paulo compreendeu que o legalismo não pode salvar uma pessoa, e que a salvação só é possível mediante a fé em Jesus (Rom. 1:16-17; Efés. 2:8-9). A lei em si mesma não tem poder para salvar, e atribuir-lhe tal poder é um grave equívoco que pode custar a vida eterna.

Uma das confusões mais comuns e mais sérias no processo da salvação é o erro de não fazer uma distinção entre o que se precisa fazer para ser moral e o que se precisa fazer para ser salvo. Esse foi o erro dos fariseus. Eles tinham uma opinião errônea sobre o pecado. Pensavam que qualquer pessoa podia vencer o pecado na mesma base que Adão antes da queda. Criam que todos podiam ainda viver de acordo com a vontade de Deus. Essa opinião limitada do poder do pecado (Rom. 3:9-12) afetava a compreensão farisaica do propósito da lei, advogando que a obediência à lei era o meio designado por Deus para obter justiça. É preciso saber, contudo, que a natureza pecaminosa adquirida após a queda já não é capaz de atender as exigências da lei (Rom. 8:7).
Todos os 10 Mandamentos estão em Vigor



Tropeçou em um, tropeçou em todos – Tia. 2:10

Isto mostra que os Dez Mandamentos são um todo, e juntos constituem uma única lei. Como uma corrente de dez elos, todos estão inseparavelmente ligados entre si. Se um elo se parte, parte-se toda a corrente.

Cumprir a Lei é condição para a vida eterna – Mat. 19:17
Devemos Guardar a Lei de Deus:



Não para sermos salvos (Efes. 2:8), mas porque já estamos salvos (João 8:11,14,15,21)
Não para sermos justificados (Rom. 7:18), mas por termos sido justificados (Sal. 37:29-31)
Não por nossas próprias forças (Rom. 7:18), mas porque Cristo vive em nós (Gál. 2:20, João 15:5)
O Plano da Salvação não Inclui:



Mudar a lei, mas sim, mudar o homem.
Abolir a lei, mas sim, abolir o pecado.
Tirar do homem a obediência, mas sim, habilitá-lo a obedecer por amor.
A Superioridade da Nova Aliança



O problema da antiga aliança não era a aliança em si, mas o fracasso do povo em aceitá-la pela fé (Heb. 4:2). A superioridade da nova aliança sobre a antiga é que Jesus – em vez de ser revelado apenas pelos sacrifícios de animais (como na antiga aliança) – agora aparece na realidade de Sua morte e Seu ministério sumo sacerdotal. Em outras palavras, a salvação oferecida pela antiga aliança é a mesma oferecida pela nova. Na nova, porém, é revelado mais completamente o Deus da aliança e o amor que Ele tem pela humanidade caída. É melhor no sentido de que tudo o que havia sido ensinado pelos símbolos e tipos do Antigo Testamento teve cumprimento em Jesus, cuja vida sem pecado, morte e ministério sumo-sacerdotal foram simbolizados no serviço do santuário terrestre (Heb. 9:8-14).

Agora, em vez de símbolos, tipos e exemplos, temos o próprio Jesus, não só como o Cordeiro morto que derrama Seu sangue pelos nossos pecados (Heb.9:12), mas que permanece como nosso Sumo Sacerdote no Céu, ministrando em nosso favor (Heb.7:25).
O Poder do Crachá



Um oficial do governo vai a uma fazenda e diz ao dono, um velho fazendeiro: “Preciso inspecionar sua fazenda devido a uma denúncia de plantação ilegal de maconha!” O fazendeiro diz: “Ok, mas não vá naquele campo ali.” E aponta para uma área.

O oficial muito indignado diz: “O senhor sabe que tenho o poder do governo federal comigo?” e tira do bolso um crachá mostrando ao fazendeiro: “Este crachá me dá autoridade de ir onde eu quiser e entrar em qualquer propriedade. Não preciso pedir permissão a ninguém. “Está claro?”

O fazendeiro todo educado pede desculpas e volta para o que estava fazendo. Poucos minutos depois o fazendeiro ouve uma gritaria e vê o oficial correndo para salvar sua própria vida perseguido pelo Santa Gertrudes, o maior touro da fazenda. A cada passo o touro vai chegando mais perto do oficial, que parece que será chifrado antes de conseguir alcançar um lugar seguro. O oficial está apavorado. O fazendeiro larga suas ferramentas, corre para a cerca e grita com todas as forças de seus pulmões: “Seu Crachá, mostra o seu crachá pra ele!”

Conclusão: Essa história bem simboliza o desespero do homem ao ter de enfrentar, em consequência de haver ignorado os “nãos” de Deus, a infelicidade, o sofrimento e a morte.

Texto de autoria do Dr. Mauro Braga – IASD Brooklin





As Leis da Bíblia
Por: Gilson Medeiros

Basta uma olhada rápida na Bíblia para percebermos que os seus escritores tratam de mais de um tipo de Lei, pois em alguns momentos ela é considerada abolida por Cristo (cf. Efés. 2:15), mas em outros ela é chamada de “lei da liberdade” (cf. Tiago 2:12).

Há alguma contradição no texto bíblico? Os autores estão ensinando doutrinas opostas? Ou será que eles estão tratando de leis diferentes?!

Tomemos o exemplo de Paulo:
Em Efés. 2:5 o apóstolo diz que Jesus “aboliu na sua carne a lei dos mandamentos na forma de ordenanças”. Porém, no mesmo livro, em 6:1-3, Paulo aconselha os filhos a seguirem um Mandamento da Lei moral, que trata da honra devida ao pai e à mãe (cf. Êx 20:12).


Como é possível!? A lei foi ou não abolida com o sacrifício de Cristo? Paulo está se contradizendo? Ou será que ele está tratando de duas leis diferentes...?

Parece-me que esta última é a única alternativa lógica para solucionarmos tão “aparente” discrepância bíblica.

É claro que, como estudioso das Escrituras, o grande apóstolo da graça tinha conhecimento de que existiam leis diferentes que conduziam a vida do povo de Deus, na época representado pela nação de Israel. Haviam as leis civis, que tratavam de assuntos ligados ao dia-a-dia comercial, político, econômico, familiar, pecuniário, etc (cf. Lev. 25:35-38; Deut. 15:12-18; etc.); haviam as leis de higiene, destinadas a manter um ambiente livre de contaminações (cf. Deut. 23:9-14); tinham também as leis destinadas à distinção entre animais limpos e imundos (cf. Lev. 11); também aquelas referentes aos sacrifícios expiatórios do santuário, com todo o seu ritual e símbolos que apontavam ao Messias - estas últimas eram as chamadas “leis cerimoniais” (que podem ser vistas, por exemplo, em quase todo o livro de Levítico); assim como também havia a Lei Moral, baseada nos 10 Mandamentos entregues a Moisés no Sinai (cf. Êx 20).
De todas essas leis, a que Jesus “cravou na cruz” foi a que tratava dos aspectos simbólicos que deveriam retratar o Messias vindouro, o “Cordeiro” que resgataria o povo de Deus da escravidão do pecado (cf. Isa. 53). Todo esse cerimonialismo (ofertas de animais, derramamento de sangue inocente, purificações rituais do santuário, etc.), tudo se cumpriu no sacrifício perfeito e eficaz que o Senhor Jesus Cristo realizou por nós no Calvário. Era dessa lei transitória que Paulo estava tratando em Efés. 2:15, uma lei baseada em “ordenanças”.

Porém, a Lei moral, firmada em tábuas de pedra, escrita pelo dedo do Criador e Redentor do mundo (Êx. 31:18), nunca passou. Ela reflete dois princípios básicos, sobre os quais deve estar firmada a vida do servo de Deus:

1. Amar a Deus sobre todas as coisas (cf. Deut. 6:5; Mat. 22:37-38). Isto está perfeitamente traçado nos primeiros 4 Mandamentos, pois através do cumprimento deste grupo de preceitos demonstramos, realmente, se amamos a Deus acima de tudo – trabalho, família, riquezas, prazeres, amigos, etc. Muitos, por exemplo, não querem guardar o santo sábado para não perderem um emprego ou algum recurso financeiro que é conquistado no 7º dia (feiras, comércio, etc.). Esses não estão amando a Deus sobre todas as coisas, pois estão demonstrando uma fé vacilante (cf. Sal. 37:25), ou "arrogante", o que é pior!

2. Amar ao próximo como a nós mesmos (cf. Lev. 19:18; Mat. 22:39; Tiago 2:8). Neste princípio divino baseiam-se os outros 6 Mandamentos da Lei moral. Guardando tais Mandamentos, estaremos demonstrando amor, respeito e consideração pelo nosso próximo, a começar pela própria família, especialmente os pais.

Jesus, da forma sábia como Lhe era peculiar, mostrou que destes dois grandes princípios dependem não só a Lei, mas toda a Bíblia (cf. Mat. 22:40).

Os Adventistas crêem neste maravilhoso ensino de Jesus, de que o amor é o cumprimento da Lei de Deus – primeiro para com Ele, e depois para com Suas criaturas. Muitos hoje dizem que amam a Deus, mas suas vidas demonstram que este é um amor frágil e conveniente, pois está baseado em um falso sentimento de “liberdade” para desobedecer a Sua Lei.

Amar também envolve obedecer, pois a Bíblia chega a ser “dura” ao chamar de “mentiroso” aquele que afirma amar e conhecer a Deus, mas que não está disposto a obedecê-Lo na guarda dos Mandamentos, custe o que custar (cf. 1Jo 2:4; Jo 14:15). Os que pensam assim (que a graça os liberta da obediência aos Mandamentos), encaixam-se perfeitamente na descrição bíblica sobre os apóstatas do primeiro século, que estavam transformando a graça de Deus em “libertinagem” (cf. Judas 4). Veja que coisa horrível!

Espero que você, caro leitor, reflita com carinho e paciência neste tema tão importante, pois envolve aspectos eternos. Você acredita que uma pessoa que não obedece a Deus pode REALMENTE considerar-se um “servo” dEle?

Última edição por Ronaldo em Sex Nov 19, 2010 10:24 am, editado 1 vez(es)

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Mensagem em Sab Jun 12, 2010 11:29 am por Eduardo

Se o próprio Yeshua não aboliu a Torah, Sha'ul por ser seu seguidor não poderia contradizer seu Mashiach, nem aos Livros Sagrados que deram base para sua fé.

A questão de tradução para um melhor entendimento é importante, então vou expor um trecho escrito por duas ou mais referências e assimpoderemos analisá-los.

" Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em C risto ( O Messias) Yeshua. Porque a lei do Espírito da vida, em C risto ( O Messias) Yeshua, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fora impossível à lei no que estava enferma pela carne, isso fez D'us enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado, e, com efeito, condenou D' us, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós , que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque os que se inclinam para a carne cogitam...Por isso, o pendor da carne é inimizade contra D' us, pois não está sujeito à lei de D' us, nem mesmo pode estar. (...)" Rm 8.1-7 (Bíblia de Estudo Almeida. Barueri - SP, SBB, 1999.)

Sabemos que Sha'ul estava falando anteriormente a rspeito do pecado, dando exs., etc. Agora, neste ponto, por exemplo, esta tradução fala de leis, e da maneira como está traduzida, a meu ver não fica tão claro o entendimento.

Segue abaixo o mesmo trecho pelo " Novo testamento Judaico - tradução David Stern (Tradução do original para o inglês); do inglês para o português por: Rogério Portella - 2a. edição, SP, Ed. Vida, 2008.

"Portanto, não há mais nenhuma condenação esperando por aqueles que estão em união com o Messias Yeshua. Por quê? Porque a Torah do Espírito, que produz vida em união com o Messias Yeshua, me libertou da "Torah" do pecado e da morte. Pois aquilo que a Torah não poderia fazer por si mesma, por lhe faltar poder para fazer a velha natureza cooperar, D' us o fez ao enviar o próprio Filho como ser humano com uma natureza semelhante à nossa. Ele o fez com o objetivo de lidar com o pecado e, ao fazê-lo, executou a punição contra o pecado na natureza humana para que a justa exigência da Torah fosse plenamente cumprida em nós, que não vivemos mais de acordo com o desejo de nossa velha natureza, mas segundo o que o Espírito deseja. Pois quem se identifica com a velha natureza...Porque a mente controlada pela velha natureza é hostil em relação a D'us, por não se submeter à Torah de D' us - de fato, ela não o pode fazer. (...)" Romanos 8.1-7

Temos, agora, com esta tradução, uma forma mais clara de entender o que Sha'ul diz quando fala de leis. Na verdade, ele está falando que a Torah unida com nosso Mashiach Yeshua nos liberta de uma outra lei que é a lei do pecado e da morte. Dessa forma podemos entender que Sha'ul não fala mal da Torah, pelo contrário, ele a reconhece como sendo algo bom juntamente como Mashiach.

Mais uma vez vemos que a fé no Mashiach Yeshua anda junto com a Torah. Ele é a Torah viva!!

Quando Sha'ul fala sobre o que a Torah não podia fazer por si mesma, mas o Eterno fez ao enviar nosso Mashiach, ele está falando dos sacrifícios para perdão de pecados, pois Yeshua fez um único e eficaz sacrifício para perdão de nossas transgressões. E este sacrifício tem efeito para aqueles que realmente vivem segundo a vontade do Eterno.

Sha'ul fala, ainda, que a pessoa que não se submete à Torah, está vivendo contrariamente à vontade do Eterno.

Se procurarmos estudar as Sagradas Escrituras tendo o cuidado de procurar a melhor tradução possível, veremos que muitas questões ficam esclarecidas.

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